Entre erros e escolhas
50 49 - Please, be mine
Notas iniciais
– Cantar pra mim na escola, onde demos nosso primeiro beijo, me levar no meu restaurante preferido, no parque de diversões onde tivemos nosso primeiro encontro e agora me trazer pra casa dizendo pra eu me arrumar para irmos no melhor restaurante do qual eu já ouvi falar. O que você está aprontando?
– Só estou sendo romântica. Não posso?
– Você não é tão romântica assim nem nos dias que você está mais inspirada, Santana.
Flash back
Romantismo era uma qualidade que Santana realmente não tinha. Dani sabia disso. Namorava com a garota há exatamente seis meses, e estava acostumada ao jeito da latina.
Ela podia ser estourada e, por falta de expressão melhor, uma vadia com todo mundo. Mas sorria sempre que estava perto da garota, parecia precisar de contato físico a todo momento, o que significa que sempre que estavam próximas, ou estavam abraçadas, ou de mãos dadas, ou se beijando. A latina tinha aquele brilho nos olhos, aquele jeito de fazer tudo por ela que... Bem, a latina não precisava ser romântica. Ela era melhor do que isso.
O que Dani não sabia, era que a latina sentia que precisava ser romântica com ela. Péssima ideia.
Santana acreditava que tinha tudo planejado para aquele aniversario das duas. Elas haviam comemorado apenas o primeiro mês, então a latina resolveu fazer uma surpresa a namorada.
A cesta de café da manhã foi entregue. Até ai, tudo estava dando certo.
Mas a latina não esperava que Dani fosse alérgica a rosas. E foi ai que a coisa desandou.
Depois que as garotas se livraram do buque e Dani parou de espirar, Santana a levou para passear em um parque na cidade vizinha. Essa parte do plano deu certo. Com exceção do fato de que uma banda de rock fazia um show ali aquele dia, o que acabou as levando a um lugar insuportavelmente cheio e barulhento.
Até ali Dani estava se limitando a rir da situação, mas quando encontraram com uma ex da latina que parecia ter esquecido que as duas haviam acabado, Dani quase levou uma bela surra – pra alguma coisa naquele dia Santana serviu: segurar a garota – e a garota agarrou Santana, que ficou sem reação, o que acabou em uma bela briga e Dani quase sendo atropelada ao sair correndo para longe da latina, além do tornozelo torcido da garota.
A primeira briga das duas acabou não durando muito, e como um pedido de desculpas Santana levou Dani para jantar no final de semana seguinte. Foi nesse dia que ambas descobriram que Dani é alérgica a cogumelo, e a latina prometeu nunca mais tentar ser romântica na vida.
Flash back
– Talvez eu tenha tido uma ajuda. – Santana resmungou – Mas eu só estou querendo te surpreender um pouco no nosso aniversario.
– Hey. – Dani puxou a namorada para si, a fazendo encara-la – Eu sei. E o dia tem sido perfeito. Mas eu tenho a impressão de que você quer mais que comemorar nosso aniversario.
– Eu sempre quero. Você sabe disso. – Santana deu um sorriso de lado e Dani riu.
– Eu não to falando disso, sua boba. Você sabe que não precisa de tudo isso pra gente acabar na cama. Nunca precisou.
– Então?
– Eu to falando de... Eu não sei. Só que você passou o dia todo parecendo pisar em ovos comigo. Você tá me escondendo alguma coisa, não está?
– O quão bem você me conhece? – Santana sorriu – Eu amo você, Dani.
– Eu também. Mas se você tiver me traído...
– Não. – Santana riu – Não tem nada a ver com isso. É só... Uma surpresa.
– Uma surpresa?
– Uma boa surpresa.
– Tudo bem. Agora, sobre o restaurante...
– Você não vai me convencer a te levar em outro lugar.
– San, nós duas sabemos que você não pode pagar nem pra comer sozinha lá. Fala sério, a maior parte de Lima não pode. Eu não sei como aquilo continua aberto.
– Dani, se eu não pudesse pagar, eu não iria te levar lá.
– Não quero que você gaste tanto assim comigo, Santana.
– Tudo bem. Vou te levar em outro lugar então.
– Você promete?
– Prometo.
– Ótimo.
– Já que você não quer me deixar fazer nada por você...
– San! Para de drama. Não é não te deixar fazer nada pra mim. Você já fez tanto hoje.
– Dani, só... Me deixa fazer isso. Por favor.
– Não San. – Dani suspirou – Você sabe que não precisa de tudo isso, seja lá qual for o motivo de você estar fazendo tudo isso.
Santana virou para frente, se jogando contra o banco do carro e passando a mão pelo rosto.
– San?
– Eu só quero fazer uma coisa especial pra você Dani. Que droga!
– Você é especial pra mim San. É o que basta.
– Não hoje!
– Por que? Por que hoje é tão diferente dos outros dias?
Santana ficou em silencio e Dani suspirou.
– Não quero brigar com você.
– Eu também não. – Santana disse ainda sem olhar para a namorada.
– Eu te amo Santana. E sei que você tá tentando fazer mais do que você pode. Não sei por que, nem pra que, mas está.
– Tudo bem. Vou te levar a outro lugar.
– Olha pra mim. – pediu.
Santana virou para a namorada, que a encarava, e deu uma risada fraca.
– Você é impossível, Danielle Harper. – murmurou se inclinando para beijar a namorada, que fazia bico.
– Só não quero que se arrependa depois.
– Me arrepender de que?
Dani se limitou a beija-la novamente.
– Você passa aqui de novo em três horas?
– Duas e meia.
– Ok. Vou estar pronta.
– Certo. Até daqui a pouco.
– Até. – Dani deu um selinho em Santana e desceu do carro da latina, indo para sua casa.
Assim que entrou, Dani gritou para os pais que estava em casa, e os dois pareceram praticamente do nada.
– E aí? – sua mãe, Karen, perguntou.
– E aí o que? – Dani franziu a testa.
– Não tem nada para nos dizer? – seu pai, Harry, quis saber.
– Hum... Eu e Santana vamos sair daqui a pouco de novo?
– Ah! Tá. A gente... Hum... É. Você vai se arrumar? Vai né? Vem, Harry. Vamos voltar pra sala. – Karen gaguejou e saiu puxando o marido para a sala.
– Eu hein. – a garota de cabelo colorido murmurou indo para o seu quarto.
***
– Lembra? – Santana perguntou sorrindo quando parou em frente a um parque.
– O pedido de namoro. – Dani sorriu – San...
– Pois é. Você trocou um jantar cinco estrelas por um piquenique no parque.
– San, nem todos os jantares do mundo valem saber que você lembra dos pequenos detalhes.
Santana sorriu e desceu do carro, sendo seguida de Dani.
Pegou a cesta onde tinha arrumado alguns dos lanches preferidos das duas no porta-malas e entrelaçou seus dedos nos da namorada.
As duas entraram no parque e Santana guiou a namorada até a arvore onde tinham feito aquele mesmo programa há exatos dois anos.
É claro que Santana preferia ter levado a namorada em um lugar chique, mas quando teve aquela ideia, percebeu que era ainda melhor. Quer dizer, o que poderia ser melhor do que fazer aquilo no mesmo lugar onde havia pedido ela em namoro?
– Todos os mínimos detalhes. – Santana sorriu e Dani a abraçou, lhe dando um selinho.
Flash back
Santana havia tirado a carteira de motorista há apenas alguns dias quando convenceu seu pai a deixa-la dirigir seu carro pela primeira – e última – vez. É claro que a garota preferia ter o dela, mas como o pai disse que ela teria que fazer por merecer, ela não esperava conseguir um nos próximos dias. Mas ela estava com algo muito melhor em vista: a garota com quem estava saindo nas últimas semanas. E foi somente por isso que o pai a deixou dirigir aquele dia.
A latina não sabia exatamente como fazer o pedido. Havia pedido apenas uma garota em namoro até aquele dia. As duas não haviam durado um mês juntas. Mas Santana estava confiante daquela vez. Ela realmente gostava de Dani.
E somente por isso pediu a ajuda de Brittany para aquilo, o que resultou na latina e na garota de cabelos coloridos fazendo um piquenique no parque, sentadas em baixo da arvore enquanto Santana pensava nas palavras certas para falar aquilo.
– San? Tá tudo bem? – Dani perguntou.
– É. Eu to bem.
– Tem certeza? Por que você parece meio nervosa.
– Eu to legal.
– Tá bem então. Aqui. Pega esse morango.
A latina mordeu a fruta que a futura namorada oferecia e sorriu para ela, que terminou de comer o que a latina não havia mordido.
– Uma delícia. – Santana murmurou pegando a mão da garota.
– San, você tem certeza que tá bem? Você tá tremendo.
– É só que... Não é nada. É melhor deixar pra lá.
– San?
– Dani... – Santana suspirou – Tudo bem, escuta. Eu sei que a gente só saiu algumas vezes, e que se conhece há pouco tempo. Mas eu sei também que gosto muito de você e... Apesar de ser uma vadia com todo mundo na maioria das vezes, e tudo mais, eu... Eu gosto muito de você Dani.
– Eu também gosto muito de você, San. – Dani sorriu, a incentivando. Já tinha uma ideia de onde a garota queria chegar.
– Então, supondo que eu te pesa em namoro... Você aceitaria?
– Por que não paga pra ver? – a garota riu e Santana deu uma risada fraca.
– Você é má garota.
– Pede San. – Dani pediu e Santana suspirou, umedecendo os lábios.
– Dani... Danielle, quer namorar comigo?
– Quero. – a garota sorriu – Estou esperando por essa pergunta desde que nos beijamos pela primeira vez.
– Gracias a Dios. – a latina suspirou antes de beijar a namorada.
Flash back
– Eu amo você.
– Eu também amo você.
As duas ficaram ali por algumas horas, comendo, conversando, rindo, se beijando e as vezes somente olhando uma para a outra.
Santana sabia que tinha feito a escolha certa.
– Vamos guardar essas coisas e ir dar uma volta? – pediu.
– Claro.
Pouco mais de cinco minutos depois, as coisas já estavam no carro e as duas voltando a andar pelo parque.
– Sabe, é incrível como os pequenos detalhes são aquilo que te surpreendem. – Santana começou.
– São os mais importantes.
– São sim. – a latina pôs a mão que não segurava a de Dani no bolso, sentindo a caixinha que carregara ali a maior parte do dia – Dani... Como você pensa em me pedir em casamento?
– Na verdade eu penso em como você me pediria em casamento. – Dani riu.
– E como você imagina?
– Exatamente assim. – Dani confessou – Com os pequenos detalhes do nosso namoro, e... Por que a pergunta agora?
Santana parou e virou para a namorada, respirando fundo.
– Me escuta, tá bem? – pediu segurando as duas mãos da garota – Eu sei que você provavelmente vai achar que somos jovens de mais, e tudo isso que eu ouvi dos nossos pais. Mas vou disser a você o que eu disse a eles: eu te amo, Danielle, e tenho certeza de que o que estou fazendo é a coisa certa. Não estou pedindo para sairmos daqui direto pra primeira igreja que encontramos. Só... Que você seja legalmente minha quando nos mudarmos para Nova York.
– San...
– Me deixa terminar. Eu sei que... Não sou a pessoa mais romântica do mundo. Então você merecia algo bem melhor do que isso, mas isso é tudo o que eu consigo pensar e... Droga, eu pensei que nunca ia ficar com tanto medo de uma resposta quanto fiquei quando te pedi em namoro, mas estou agora, por que eu não consigo mais me imaginar vivendo sem você. Então... Danielle Harper, eu já tenho a benção dos nossos pais, só falta você dizer sim. – disse soltando as mãos da garota para se ajoelhar na frente dela e lhe estender o anel que parecia pesar dez quilos no seu bolso – Me dá a honra de ser a pessoa que vai dormir e acordar ao seu lado pelo resto das nossas vidas?
Fale com o autor