Entre erros e escolhas
47 46 - Let's talk about sex
Notas iniciais
Quinn nunca agradeceu por um fim de semana quanto por aquele. Se tivesse mais um dia de aula Quinn provavelmente ia acabar desmaiando de cansaço em algum corredor a qualquer segundo. Sue sabia pegar quando queria e aquela semana definitivamente havia sido uma delas. A loira ainda estava se perguntando como ela havia conseguido aquilo apenas ficando sentada em uma cadeira no meio da quadra enquanto gritava e um megafone. A loira queria desesperadamente que aquela mulher tirasse licença à maternidade o mais rápido possível. Mesmo que já estivesse com pena da pobre criança que aguenta-la como mãe.
Frannie havia viajado as presas novamente naquele fim que semana e acabou saindo antes da loira chegar dessa vez, o que, somado ao cansaço da loira, significa que a única coisa que ela fez quando chegou da escola naquela sexta foi jogar a mochila do lado do sofá e se jogar nele. E ela tinha planos de passar o dia todo ali.
Até a campainha tocar.
– Droga! – levantou reclamando e se arrastou até a porta pronta pra xingar qualquer um que estivesse ali – Santana? – franziu a testa assim que viu a latina – Está tudo bem?
– Até a hora que eu desci do carro estava. Posso entrar ou vai ficar me empacando na porta?
– Tá. Entra.
A latina passou por Quinn e foi para a sala, se jogando no sofá como se fosse dona do lugar.
– Sem querer ser mal educada, mas o que veio fazer aqui?
– Vou ser direta, Fabray. Sua irmã veio falar comigo na sua festa, e pediu que eu conversasse com você. Como você disse que ela não esta em casa hoje...
– Conversar sobre o que?
– Bom, digamos que eu prometi para ela te fazer assistir um pornô ou dois e acabar com o problema.
– Como é que é? – Quinn praticamente gritou.
– Não grita, loira.
– Eu não acredito que ela fez isso. Eu... Eu...
– Ela fez. Então você se conforma e senta essa bunda ai pra gente conversar.
– Esquece Santana.
– Qual é, Quinn? Eu tava brincando sobre os filmes. Anda, senta ai.
– Não. Isso é... Isso é problema meu.
– Serio? Então você procurou sobre o assunto?
– Não fico assistindo vídeos desse tipo igual a você, Santana.
– Exatamente. Não é como se você pudesse simplesmente chegar e transar com a Rachel sem saber o que fazer. Vai acabara machucando a anã ou se machucando.
– Nossa vida sexual...
– Que nem existe. – Santana a interrompeu.
– Existindo ou não, não é da sua conta.
– Quinn, você não vai ter outra chance de conversar com alguém que entende do assunto. Não que você não possa procurar por ai, mas... Eu durmo com uma garota também e...
– Ah! Cala a boca. O que você e Dani fazem não me interessa.
– Fabray, se você não consegue nem mesmo me ouvir falar que transo com a minha namorada, como diabos você acha que vai satisfazer a sua? Droga! Eu acabei de imaginar a cena. – Santana resmungou fazendo uma careta.
– Não é da sua... Você acha que eu posso... Deixar a Rachel na mão?
– Ah! Agora você quer me ouvir né?
– Quer saber, esquece. Eu não quero e não vou falar sobre isso com você.
– Não estou querendo te constranger, Quinn. De verdade, só quero conversar.
– Santana...
– Não é por que não tem chance de alguma das duas engravidar que não tem riscos, Q. Vocês ainda podem pegar DST. E eu não estou questionando a virgindade de nenhuma das duas. Só dizendo que mesmo sendo duas garotas, pode acontecer.
– Eu sei disso, Santana.
– E sabe os cuidados que deve ter colocando um preservativo feminino e coisas desse tipo?
Quinn abaixou a cabeça, coçando a nuca e ficando vermelha.
– Você pode encontrar tudo isso na internet, Quinn. Mas não é muito melhor conversar com alguém que você conhece? Prometo tentar não te constranger. E nem falar de mim e Dani. Ou eu e qualquer outra garota.
– Aquela historia de imaginar a cena...
– Uma vez já foi traumatizante o suficiente. – Santana murmurou.
***
– Hey, Quinn. – Frannie chegou em casa no domingo a tarde, e encontrou a irmã sentada no escritório – ou o que deveria ser o escritório – mexendo no notebook.
Assim que viu a irmã entrando no cômodo, Quinn fechou o notebook, ficando vermelha, e Frannie franziu a testa.
– Está tudo bem?
– Tá. Claro. E você? Como foi a viagem?
– Muito bem. O que você tava fazendo ai?
– Eu... Nada. Só... Nada.
– Pra quem tá fazendo nada você tá com muita cara de culpada. O que você estava fazendo Lucy Quinn Fabray?
– Só... Uma pesquisa.
– Pesquisa?
– É. – murmurou ficando cada vez mais vermelha.
– Me deixa ver.
– O que? – Quinn arregalou os olhos – Não. Eu... Eu já tava desligando e...
– Ou você me fala agora o que você estava fazendo, ou você vai precisar voltar a pegar carona com a Rachel. Isso se eu não te proibir de ver ela por um tempinho.
– Tá bem... Eu... Estava fazendo aquela pesquisa que eu te prometi que ia fazer.
– Pesquisa que...? Ah! – Frannie disse e deu risada – Isso explica sua cara mais vermelha que... Sei lá, alguma coisa bem vermelha.
– É. Santana veio falar comigo ontem. Alguém pediu pra ela fazer isso, sabe...
– Desculpa. Mas eu achei que você precisasse conversar com alguém que já tivesse feito... Com outra garota.
– É. Foi... Esclarecedor.
– Esclarecedor? – Frannie arqueou a sobrancelha.
– Bom, nós falamos sobre... O que dá pra se falar sobre isso. – Quinn deu de ombros.
– Então... Você quer... Conversar comigo sobre isso?
– Você quer falar sobre isso? – Quinn perguntou enfatizando o “você”.
– Quero que você saiba que pode falar sobre qualquer coisa comigo, e que se sinta confortável para isso.
– Não é por que eu posso que devo Fran.
– Sou sua irmã, Quinn. Você pode e deve.
– Vou lembrar disso.
– O que você tava olhando ai?
– Alguns sites que Santana me indicou.
– Hum... Sei.
– É. – Quinn respirou fundo antes de abrir o computador novamente.
– Quer ficar sozinha?
– Eu... Tanto faz. Eu acho. – Quinn murmurou e Frannie suspirou saindo do escritório.
Pouco mais de dez minutos depois, a Fabray mais velha entrou novamente e sentou ao lado da irmã.
– O que você tá fazendo?
– Sentando aqui pra conversar com você.
– Por favor, Frannie, não.
– Por que não?
– Por que...
– Quinn, é só uma conversa, tá bem? Não pode ser pior do que foi com a Santana,
– Levando em conta que a latina tentou me contar como foi a primeira vez dela com uma garota, nada pode ser pior. – Quinn resmungou fazendo Frannie rir.
– Sabe o que eu acho? – Frannie a encarou – Nós deveríamos falar sobre isso, e depois, você deveria conversar com Rachel.
– O que? Por quê?
– Por que é com ela que você vai pra cama Quinn. Bom, isso considerando que vocês realmente cheguem a isso.
– Eu amo ela, Frannie. E a gente já disse que pode falar sobre qualquer coisa, mas... Não sei se é uma boa ideia.
– Por que não?
– Hiram me mataria é o primeiro ponto. O segundo é que eu acho que não seria uma conversa... Agradável.
– O pior que pode acontecer é vocês se empolgarem de mais.
– Frannie!
– O que? Quinn pare com isso. É só falar sobre sexo. É uma coisa básica pra sobrevivência humana. Você acha que chegou aqui como?
– Cala a boca.
– Quinn, se vocês não tem intimidade o suficiente pra falar sobre isso, imagina pra fazer.
– Frannie, foi você quem cismou de falar sobre sexo comigo. Nem eu nem Rachel estamos pensando em fazer nada!
– Não?
– Não!
– Isso muda as coisas.
– É. Eu acho que sim.
– Tá bem. Escuta. Eu não vou pedir pra você vir falar comigo quando você achar que vai acontecer. Você pode fazer, mas quero que faça só se quiser. Mas... Sexo é um...
– Frannie, por favor.
– Escuta, tá bem? Sexo é um passo importante no relacionamento. Não importa que a maioria das pessoas menosprezem isso hoje em dia. Quando realmente envolve sentimentos, é o mais intimo que um casal pode chegar a ser. Então eu quero que me prometa que só vão dar esse passo quando ambas estiverem prontas. E depois de conversarem sobre isso.
– Tá bem.
– De verdade, Quinn.
– Eu sei, Frannie. – Quinn sorriu – Eu nunca faria nada sem querer, e nem forçaria ela a isso.
– E sobre conversar?
– Eu vou tentar.
– Ótimo.
Frannie suspirou antes de dar um tapa de leve no ombro de Quinn e sair do escritório.
Assim que a porta fechou, Quinn passou a mão pelo rosto, jogando a cabeça contra o encosto da cadeira e suspirando.
Pelo menos ela não tinha insinuado, assim como Santana, que aquele era o presente de dois meses de namoro perfeito.
A loira mal conseguiu comemorar a data com Rachel no dia anterior sem corar toda vez que a olhava por causa daquilo.
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