Entre elfos e vampiros
40 As coisas vão mudando com o passar dos anos
— Certo, essas foram as ultimas malas. — diz Leo ajeitando as coisas dentro do carro — Entrem todos logo, se ficarem pra trás nós não voltaremos para buscar vocês
— Indo, paizão. — Inari, Daisy e Jackie respondem
— Prefiro paizano
— Vamos de uma vez, ainda temos que expulsar os doentes que ficaram "tomando conta da casa" para nós. — Rauthar suspira — Aquelas praguinhas devem ter feito uma bagunça
— Voltem para visitar assim que puderem! — acena Safira junto com Francine, eles voltam para dar um grande abraço em grupo nas duas
— Se cuidem, se precisarem que alguma coisa é só chamar. — Leo fala para as duas
— Claro que vamos, é só pra isso que você serve
— Você machuca o coração do seu paizano. — ele ri abraçando as duas novamente — Vocês duas também. — se dirige a nós — Se um dia quiserem se juntar a família, estaremos sempre de portas abertas. — nos abraça
— Obrigada. — respondemos
— Ah, esqueci da Lena. — Jackie volta correndo para dentro e sai minutos depois com a garota dormindo embaixo de seu braço esquerdo — Ela não vai acordar tão cedo, ficou a madrugada toda acordada
— Algum motivo particular pra isso? — pergunto
— Nada que vale muito a pena comentar na frente da minha família
— Essa é minha menina. — Leo afaga sua cabeça — Trabalhos rápidos e eficazes, aprendeu com o leãozão aqui. — ele a carrega no colo e a coloca dentro do carro — Agora temos que ir, a pequena Lena vai começar seu treinamento logo
Tão rápido quanto chegaram, Leo e o resto da família de Serafina e Francine se foi, a temporada de dragões logo acabaria e teríamos que voltar para nossas atividades normais no exercito.
~800 anos depois~
— Nem acredito que o treino de hoje acabou mais cedo, é realmente um milagre. — digo me espreguiçando
— Um milagre, você diz? Tivemos a mesma carga de trabalho em metade do tempo. — Meren se joga no tapete
— Ao menos deite no sofá
— Essa vida é horrível
— Meren, querida, já fomos promovidas a mais de 400 anos e você ainda não se acostumou com o trabalho dobrado?
— Sou uma preguiçosa de nascença
— De toda forma, hoje é um dia especial!
— Eu sei, eu sei, nosso aniversário de namoro. — ela se levanta e senta no sofá — Achou que eu iria esquecer?
— Que jantar fora hoje? Se ficarmos em casa nosso jantar romântico vai virar um jantar em família com aquelas duas, igual nos últimos.... 800 anos?
— Na verdade...... — ela para um pouco
— O que foi?
— Desculpe, querida, eu marquei de sair com a Sefi hoje, você..... não se importa, né? É realmente importante, ela precisa que eu vá com ela
— Ah.... tudo bem... não tem problema
— Mesmo?
— Claro, divirta-se
— Obrigada, querida. — ela vem até mim e me beija — Vou por meu quarto me arrumar
Meren foi para o quarto dela e alguns minutos depois ela e Serafina saíram, deixando apenas eu e Francine em casa.
— Te deixaram também? — pergunto de Francine e ela acena com a cabeça — Você.... hum.... quer fazer alguma coisa?
Ela se levanta e abre uma das gavetas que ficavam embaixo do suporte da televisão, retira um mini quadro negro e uma caixa de giz.
— Você quer reclamar? — ela escreve no quadro e me mostra
— Reclamar?
— Isso. Eu consigo ver que está irritada. — ela faz gestos enquanto eu leio deixando a conversa mais realista — Põe pra fora
— É só que...... AQUELA BABACA ME DEIXOU NO NOSSO ANIVERSÁRIO! — solto a raiva — Como ela pôde fazer uma coisa dessas? Eu estou com tanta raiva que não quero falar com ela por meses
— Vai ficar tudo bem
— Eu sou uma pessoa terrível, eu disse a ela que ela podia ir e agora estou com raiva dela
— Você é uma boa garota, eu sei como se sente, eu também detestava quando Serafina ficava com outras pessoas
— Mesmo?
— Claro, só ela consegue falar comigo, então se ela não estiver falando com outras pessoas eu fico sozinha
— Acho que tem razão..... ela realmente deve ser muito importante pra você, apesar de eu não entender a relação de vocês, vocês são e não são irmãs, você consegue falar, mas não consegue falar
— É uma historia complicada. — ela sorri
— Por que nunca falou com a gente assim antes?
— Não tinha muito motivo
— Então me conte um pouco sobre você
— Eu?.... Eu sou mecânica
— O que mais?
— Sou adotada
— Mesmo?
— Sim, por causa da Serafina
— E é mecânica por ela também?
— Sou
— Você tem alguma coisa que não seja por causa dela?
Ela fica em silencio me encarando por um momento.
— Você não tem nada que não seja por causa dela?!
— Eu amo a Sefi, então é natural que eu queria fazer coisas por ela
— Ama?
— Não desse jeito
— Eu estou de apoiando. — seguro no ombro dela
— Não desse jeito! — circula varias vezes a frase — Quer jogar alguma coisa lá encima? Eu vou te ensinar uma coisa pra aliviar o estresse
— Não tenho nada melhor pra fazer mesmo
Francine me leva para o ultimo andar, o sol estava se pondo e o local estava iluminado pela forte luz alaranjada.
— Senta no chão de costas pra mim. — ela escreve
— Ok. — obedeço e ela se joga nas minhas costas me empurrando para frente — Ei, isso dói!
— Grite o mais alto que você conseguir enquanto eu faço isso
Ela se levanta e faz o mesmo movimento, eu solto um grito alto quando ela o faz.
— Se sente melhor?
— Na verdade isso é realmente muito bom pra desestressar
— Serafina fazia isso comigo quando eu me sentia frustrada e queria gritar, ela me levava para lugares altos onde ninguém poderia se irritar com meus gritos
— Espera, você falava?
— Longa historia
— Faça de novo
— Vamos fazer isso até você liberar toda sua raiva em fora de grito
De fato fizemos, ficamos fazendo aquele exercício até ficar escuro e minha voz ficar rouca, mas eu me sentia bem melhor.
— Francine, você é a melhor pessoa do mundo. — digo me levantando e esticando minhas costas — Vou fazer um super jantar pra nós duas — eu a abraço a levantando do chão, ela era muito pequena para abraça-la normalmente e ela me abraça de volta fazendo barulhinhos alegres
— Antes disso — ela volta a escrever — Eu vou te mostrar uma magica pra te deixar feliz
— Magica?
— Isso, eu quase não pratico a anos, mas espero que funcione
Eu a coloco no chão e ela tira o varinha do cinto, fecha os olhos respirando fundo apontando a varinha para o céu noturno, consigo ver ela "falando" alguma coisa sem sair nenhum som de sua boca, aponta para cima e eu consigo ver que algumas estrelas, que antes estavam fixas, caírem como uma chuva de meteoros, indo para cima e para baixo como se estivessem dançando, aquelas estrelas começam a formar figuras, encenam uma luta entre leões, dragões voando pelo céu, fênix renascendo.
— Nossa.... — fico sem palavra olhando para cima, carrego Fran por debaixo dos braços e a sento nos meus ombros para que ela fique se segurando na minha cabeça, alguns minutos depois o show acaba
— Sinto muito por não durar pra sempre, essa magica é cansativa. — ela escreve para e consigo escutar sua respiração pesada
— Sem problemas. — sorrio voltando minha cabeça para cima para olhar pra ela — Eu vou fazer um ótimo jantar pra compensar por isso, o que quer comer?
— Carne de lagarto negro gigante! — ela aperta minhas bochechas e sorri
— Agora mesmo, chefinha
Desço com ela ainda nos meus ombros, ela me ajuda a cozinhar e prova para saber se está bom, meu paladar não pode me ajudar nessas horas, então era o única forma de saber como estava o gosto. Depois que estava tudo pronto sentamos na mesa e comemos juntas.
— Feliz aniversario de namoro pra você! — ela escreve colocando seu copo para cima
— Feliz aniversario de namoro pra mim. — faço um brinde com o copo dela
— Voltamos! — Serafina abre a porta de entrada — Ah, Fran, já esta comendo? Eu te trouxe batata frita
Francine levanta os braços e seus lábios se mexem falando um "batata frita" sem som.
— Desculpa ficar o dia fora. — Serafina a abraça — Eu vou te compensar com os testes daquela nossa nova arma, vamos ficar a noite toda acordadas se for preciso, vamos preparar o galão de café!
— Querida... — Meren entra com uma sacola pequena em mãos — Eu voltei. — sorri para mim e eu a olho com uma expressão fria
— Bem vinda de volta
— Essa expressão.... eu odeio essa expressão
— Mesmo, é? — bebe o sangue do meu copo e desvio o olhar para a outra parede
— Não fique assim, querida, podemos compensar de noite. — ela abraça minhas costas
— Claro, é só nisso que você pensa
— Eu não quis dizer aqui... quer dizer.... se você quiser eu não vou recusar mais.... — ela se afasta e empurra a cadeira que estava no meu lado para outro canto para ficar de pé perto de mim — Eu pensei em uma coisa mais especial
Meren abre a sacola e retira alguma coisa de dentro, parecia pequeno, pois eu não conseguia ver quase nada com ela fechando a mão em volta daquilo.
— Pensei numa proposta para te fazer
— Proposta? — pergunto
— Isso... — ela se ajoelha do meu lado e me mostra a pequena caixa branca — Desculpe ficar o dia fora, mas foi difícil encontrar alguma coisa que fosse perfeita pra você... e que coubesse nos seus dedos gordos
— Isso é....
— Emma... — ela abre a caixa mostrando a aliança dourada — Você quer casar comigo?
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