Notas iniciais
Boa leitura!! Leiam as notas finais do capítulo, por favor!!!!

Dentro da ambulância ainda é tudo muito confuso, só lembro de pegar a minha bolsa e agora estou aqui com homens em cima de mim mexendo em todo o meu corpo, e nem é no sentido em que eu queria. Sinto o carro parar e eles me levam para dentro do hospital, sinto meus olhos arderem com a luminosidade do ambiente e os fecho. Sou posta em uma sala e uma moça se aproxima.

— Boa noite, está com dor? — me pergunta enquanto se aproxima analisando meu rosto e sinto a minha cabeça doer.

— Acho que sim, na verdade minha cabeça está doendo — levanto minha mão para tocar minha sobrancelha e ela a afasta.

— Deite — se por favor — eu obedeço — Vou anotar algumas informações, tudo bem? — aceno e ela inicia — Qual seu nome?

— Maya. — respondo e ela levanta o olhar. — Que foi?

— Nome completo.

— Ah, Maya dos Santos Nóbrega.

— Idade?

— 26 anos.

— Algum número de emergência? Alguém para quem ligar? — penso um momento e fico em dúvida. Acordo ou não? — Senhora?

— Senhorita. — ela me olha e não parece estar com muita paciência. — Sim, tenho um número. — digo o número de Jorge a ela, que anota tudo e afirma que irá ligar para me acompanhar. Ela diz e caminha para a porta. — Espera, vai me deixar aqui? Quer dizer que já posso ir?

— Não. O doutor já irá atendê-la, não se preocupe. — abre a porta e se vai. Fico olhando para o teto branco um tanto desconfortável em ficar deitada nessa maca sem travesseiro. Levanto e ponho minhas pernas para fora, descendo logo em seguida. Assim que bato os pés no chão fico um tanto tonta com o movimento ou luminosidade ou talvez por ter feito apenas uma refeição no dia. Estou de costas para a porta, me apoiando na maca quando escuto a mesma sendo aberta. Finalmente!

— Boa noite! — uma voz grossa soa no quarto — Tudo bem senhorita? — ele se aproxima de mim e me apoia, me colocando de frente e me fazendo sentar na maca. — O que está sentindo? — ainda não abri os olhos, tentando me acostumar com o zumbido no meu ouvido, mas consigo sentir um cheiro bom de perfume masculino.

— Merda! — sussurro quando abro e vejo um homem alto na minha frente, bonito, bonito e atraente. Ele franze a sobrancelha com meu xingamento mas continua calado, esperando que eu me pronuncie. Desço meu olhar para sua rosada boca, fazendo um contraste com os olhos extremamente negros e essa pele morena. Acho que estou passando mais mal agora do que quando cheguei aqui.

— Está sentindo alguma dor? — me pergunta finalmente e eu até já havia esquecido o motivo de estar aqui.

— Ah... Sim.

— Onde?

— No... na cabeça. — ponho a mão na sobrancelha, mas ele pega minha mão e retira calmamente. Sorri e se afasta para pegar algo, olho para baixo tentando não passar vergonha e vejo minha situação, estou apenas com um salto e minha blusa branca está com gotinhas de sangue. Credo! Ele se volta carregando algumas coisas que nem noto o que é, se aproxima e me pede para ficar quieta, aceno e enquanto ele pega um pedaço de algodão eu observo sua silhueta, e que silhueta! Ombros largos, alto, pela calça e pelo jaleco é possível ver que malha ou tem uma genética muito boa.

— Tudo bem, vou limpar o corte e isso pode arder um pouco, tá bom? — eu assinto e ele passa algo que acho ser álcool no algodão, segura meu queixo, afasta meu cabelo e o põe em cima do corte. Arde pra cacete, mas não digo, finjo estar plena quando na verdade queria bater na mão dele. Ele tira e repete, agora com outro algodão. Estou olhando pra ele enquanto ele faz seu trabalho quando sinto seu olhar encontrar o meu, em um movimento simples é a primeira vez desde que entrou por aquela porta que o sinto realmente me olhar e reconheço quando não é um olhar profissional. Minha respiração descompassa um pouco e sinto as famosas " borboletas no estômago", o clima parece pesar um pouco e sua respiração bate no meu rosto. Tento falar algo, mas nada sai e isso só serve para chamar sua atenção para a minha boca, novamente com um movimento simples seu olhar vai de encontro aos meus lábios semiabertos. Ele sobe o olhar para os meus de novo e parece acordar, já que se afasta bruscamente e vira de costas para preparar outro algodão. Rolou um flerte aqui?

— Presumo que a senhorita estava um pouco distraída na direção, estou certo? — ainda de costas me pergunta.

— Não sei — parece que a distração ainda não passou já que não consigo formar uma resposta coerente e nada sai da minha mente. Ele parece notar, pois se vira e me olha novamente com a sobrancelha franzida.

— Não sabe? — levanto meu olhar e abro a boca para falar, mas ele me interrompe — Qual seu nome? — se aproxima para pegar a ficha que está presa á maca.

— Oi? — o que está acontecendo comigo? Ele vai achar que eu sou uma idiota! Nem pareço a mesma mulher que enfrentou duas reuniões monstruosas hoje. Ai droga, tenho que fazer o contrato para amanhã, ou as negociações vão atrasar!

— Tudo bem, não se preocupe. — ele diz agora num tom muito mais profissional — Não se lembra de nada? — penso no que responder, já que eu não quero que ele me ache lerda ou algo do tipo, talvez confirmar isso não seja uma má ideia, não é?

— Não sei, acho que não. — abaixo a cabeça para ele não notar a minha mentira.

— Levante a cabeça, por favor. — obedeço e ele manda acompanhar a mini lanterna que ele tem em mãos, e eu achando que isso era só em filmes. — O seu acompanhante já foi chamado, não se preocupe. — termina o curativo e se afasta. Ele retira uma caneta do bolso e anota algumas coisas na prancheta.

— Tem um relógio bonito, meu pai tinha um parecido com esse — comento e ele para.

— Seu pai?

— É, o dele era preto. Mas o esqueceu em uma viagem que fizemos — sorrio com a lembrança.

— Perdeu? E não voltaram para pegar?

— Não, estávamos atrasados. Na verdade, ele estava para ir a empresa. — comento distraída.

— Assim como você, hoje? — pergunta e o olho.

— Como sabia que estava indo para a empresa?

— Suas roupas. Parecia que voltava do trabalho. — ele continua anotando coisas na prancheta.

— Ah, sim. É, mas eu estava indo para casa mesmo.

— Hum, entendi. Lembra disso tudo mas não lembra o seu nome? — eu gelo. Merda, eu sou muito burra.

— O que? Não... Quer dizer, sim. Lembranças importantes podem ser trazidas se... assim, se for estimuladas, sabe? — ele se aproxima.

— Está mentindo?

— Claro que não! — me finjo de ofendida — Como pode dizer isso? — ele sorri largando a prancheta na mesinha. Passa as mãos no queixo.

— É alguma foragida, senhorita? É o único motivo que consigo encontrar para mentir a amnésia.

— Não estou fingindo! Isso é um ultraje, vou agora mesmo embora!

— Calma aí, tudo bem! Tudo bem! — ele abre as mãos em rendição — Não precisa se estressar. — respiro fundo e ele pega a prancheta novamente. — Pode me dizer seu nome?

— Maya. — assim que digo coloco minha mão na testa. Hoje eu passei dos limites. Ele larga o que estava segurando na mesa novamente.

— Olha só, o que está acontecendo aqui? Quem é você e por que não queria se identificar? Se for algum tipo de brincadeira, é melhor parar.

— Não estou brincando. — ergo meu queixo e ele desce o olhar para a minha boca. — Apenas tive uma amnésia muito rápida pós-batida. — ele me olha e sorri de lado.

— Espera mesmo que acredite nisso? Olha só garota, não sei o que veio fazer aqui, mas esse lugar é um hospital e não precisa de confusões a mais. O que veio fazer aqui? — ele me pergunta e sinto sua voz um pouco mais sombria. Deveria me assustar, mas só faz as borboletinhas dançarem axé na minha barriga.

— Eu sofri um acidente, acho que isso poderia responder, não acha?

— E por que mentiu?

— Eu esqueci, tá legal? Esqueci meu nome e sei lá, acho que eu estava tonta. — ele sorri de lado novamente, abre a boca para falar algo, mas uma batida na porta o interrompe.

— Doutor com licença, queria avisar que o acompanhante da senhorita Nóbrega chegou e está... ansioso para vê-la. — Jorge só pode estar fazendo um escândalo, se bem conheço meu amigo. Ela diz e vai embora.

— Nóbrega?

— Sim. Já terminamos aqui? — desço da maca.

— Sim. — ele volta ao tom profissional enquanto observa a prancheta — Se sentir qualquer coisa de incomum, retorne, tudo bem? É alérgica a algo? — nego e ele prossegue — Vou lhe passar esses analgésicos aqui caso a dor de cabeça permaneça. — me entrega uma caixa de remédio — Está liberada. — ele diz sem olhar na minha cara, também né, eu fiz merda demais me embananando. Saio da sala imaginando em como posso me ferir novamente pra encontrar com ele de novo.

Notas finais
Obs: Não irei postar todos os dias por falta de tempo, mas podem comentar ou enviar mensagens, juro que lerei e responderei! Beijos, obrigada!