Entre duas paixões (Pausado)
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Só mais uns passinhos baby, só mais uns passinhos! — ouço a voz de Dante no meu ouvido e dou risada, não é sempre que estou sendo quase carregada pelo meu namorado por estar bêbada — Você não aguenta me carregar — comento séria e ele me olha com uma sobrancelha arqueada — A dúvida é: Eu sou muito pesada ou você é muito fraquinho? — ele está rindo enquanto eu estou aqui em um dilema dificílimo, que absurdo! Me largo de seus braços e entro cambaleante no meu apartamento, sem querer, esbarro no jarro com flores que ele me deu. Vixe!
— Caramba! — ele diz olhando o estrago — Você tá legal? Se cortou? — como ele chegou até mim tão rápido? Ponho as mãos ao redor do seu pescoço e ele tira.
— O que foi? — ele começa a me revirar em busca de alguma coisa. — Ei!
— Parece tudo okay. Vem — puxa pela minha mão pelo corredor e me leva até o quarto, Fred vem caminhando do meu lado mas parece achar tudo uma diversão, já que passa para lá e pra cá pulando. Em uma dessas artes, ele pula nas minhas pernas e eu perco o equilíbrio me batendo na parede.
— Ai! cachorrinho malvado, malvado! — aponto para Fred agora pulando nas pernas de Dante, que vem em meu socorro e me apoia a cintura, me levando para o quarto. Me jogo na mesma e suspiro, essa cama era tão boa assim quando eu saí? Sinto ele levantar minha perna e tento levantar a cabeça para olhar o porque, mas ela está tão pesada que só sinto ele tirando minhas botas, só visualizo isso antes de apagar.
Meus olhos fechados se incomodam com a claridade e eu resmungo, pondo a mão em cima do rosto para afastar esse desconforto, mas claro, não funciona. Sinto uma leve dor de cabeça quando as lembranças de ontem invadem minha mente e lembro que tenho um namorado agora e que ao invés de comemorar com ele, eu enchi a cara e dancei numa balada, fazendo o pobre me trazer até aqui. Eu sou uma ótima namorada. Rio da situação e levanto, indo direto para banheiro, ao chegar em frente ao espelho, noto que estou vestindo minha camisa de dormir e estou toda desgrenhada, tomo um banho pra afastar essa cara e penso em procurar meu celular, mas desisto quando ouço um barulho na cozinha. Saio do banheiro apressada e abro a porta do quarto, já esperando ver a bagunça que deve estar a sala, aposto que Fred se lambuzou com as rosas. Ai meu deus, os vidros! Quando chego, nada está como eu esperava, tudo impecável e limpo, além do cheiro maravilhoso de café, mas não encontro nada e nem ninguém, ando até a cozinha e presencio a cena mais fofa que eu poderia encontrar. Dante está de costas, sem camisa e descalço, lavando os pratos e Fred está sentado aos seus pés, relaxado.
— Vai ficar me olhando? — o moreno pergunta e eu me assusto. Ele se vira.
— Bom dia! — digo baixo.
— Bom dia, dormiu bem? — vem até mim e me dá um beijo.
— Sim, na verdade, nem lembro — sorrio constrangida e ele ri também.
— Dor de cabeça? — pega uma xícara e me serve um pouco de café. Bebo.
— Isso está ótimo — tomo um gole do líquido fumegante — Não, só estou com preguiça — sorrio amarelo e aponto para a sala — Você...arrumou? — ele assente. — Que delícia ter um namorado que faz tudo e ainda é uma delícia! — comento alto e ele gargalha.
— Eu sou perfeito, pode falar.
— Ah não, não é mais. Poderia ter ficado calado! — ele faz careta e é a minha vez de gargalhar. Fred põe as patinhas no meu colo e eu afago seu pelo — Fofinho — olho para Dante novamente — Não vai trabalhar hoje?
— Não. Colocaram outro no meu lugar. Quer assistir um filme? — assinto e ele vai para a sala, eu o acompanho, não sem antes pegar umas torradas e o meu café. Sentamos no sofá e ligo a TV, em busca de um filme qualquer.
— Espera aí, vou buscar mais açúcar — levanto do sofá e vou para a cozinha, mas paro por lá ao ouvir o noticiário.
" O empresário e traficante Oscar Swarosky foi encontrado e capturado em uma fronteira perto do México, as autoridades ainda tentam encontrar as vítimas."
Volto para a sala e encontro Dante assistindo o mesmo, sento do seu lado mas ele está atento á televisão. Tento prestar atenção, mas não entendo muito bem do que se trata.
— Alguma coisa séria? — pergunto.
— Sim. Encontraram um dos responsáveis por aquela história abominável de Tráfico — ele responde ainda sem me olhar.
— Mais tráfico, isso não me surpreende — dou um gole no meu café.
— Não é simples tráfico, é tráfico de mulheres — tiro um pedaço da torrada e ele começa a mudar os canais, procurando algo.
— Que horror! Isso é sério? E prenderam o culpado agora? — pergunto interessada. Esse tipo de coisa me arrepia, odeio a ideia que isso aconteça.
— Só prenderam um dos responsáveis, Oscar Swarosky. Olha, achei algo. — esse nome não me parece estranho, um típico sobrenome russo, provavelmente vi em algum filme.
— Que filme é esse? Vai começar agora? — o moreno se encosta mais ao meu lado e me dá um beijo na nuca, roçando a barba em meu ombro.
— A lista. — ele diz e meu coração pula de susto, cuspo o café que estava bebendo. A lista, é isso! A lista de nomes no notebook, o nome dele estava lá! Eu sei que estava! Olho para Dante e ele me olha assustado.
— O que foi? Já assistiu?
— Não! Não é nada disso! — levanto e ando de um lado para o outro.
— Maya, você está me assustando. O que houve?
— A lista de nomes, merda! Mas o que estava fazendo lá??? — eu desato a falar e ele se levanta vindo até mim, me fazendo sentar.
— Ei, que lista? Do que você está falando?
— A lista de nomes no meu notebook, isso não está dando certo! — tento levantar novamente mas ele me impede.
— Maya! — chama minha atenção — Tem uma lista de nomes no seu notebook, mas e daí?
— Acho que o nome dele estava lá — digo um pouco perdida e ele me olha atentamente.
— O nome...desse cara, o nome desse cara da TV? Você conhece ele? — me solto do seu quase abraço.
— Claro que não, tá maluco? Acha que eu me envolveria com gente dessa laia? — indago e ele passa a mão pelo rosto negando.
— Claro que não, mas você que disse que tinha o contato...
— Nome!
— Que tinha o nome dele no seu notebook. Eu não entendi. — ele diz me olhando e parece tão confuso quanto eu.
— Eu também não — o olho. Preciso ligar para Ramírez, mas antes que procure pelo meu celular, ouço seu toque do quarto, vamos até lá e Dante ergue minha bolsa o achando. Tiro rapidamente e atendo.
— Precisava mesmo falar com você! — atendo depois de olhar o nome do meu tio brilhando na tela.
— Imaginei isso. Me encontra na empresa em 30 minutos? — ele pergunta e eu olho para o moreno sentado na minha cama, olhando pra mim com o olhar um tanto preocupado.
— Não. Na empresa não, posso ir até a sua casa?
— Claro, vou lhe esperar. — desligo e encaro Dante.
— Era o meu tio.
— Acho que você me falou sobre ele, o seu braço direito na empresa? — ele pergunta.
— Sim, tio Ramírez. Preciso encontrá-lo para esclarecermos algumas coisas, tudo bem? — pergunto enquanto abro o guarda roupa e visto uma calça e uma blusa regata.
— Posso te deixar lá pra adiantar — concordo e ele se veste. Saímos em menos de 10 minutos do meu apartamento deixando um cãozinho ansioso — Você não pegou nenhuma jaqueta — ele comenta quando estamos no seu carro e começa uma leve chuva.
— Eu esqueci, mas não tem problema, eu me viro.
— Acha que... é algo muito sério? — indaga olhando para as ruas um tanto movimentadas.
— Não faço a mínima ideia, estou preocupada com a ideia de ser. — não conversamos mais, já que meu pensamento voa e eu me deixo viajar sem sair do lugar. Nada está encaixando e sinceramente, não quero que encaixe. Vou indicando o caminho a ele, que dirige quieto e logo estamos no portão alto da casa do meu tio.
— É aqui? — assinto e o moreno retira a jaqueta, me entregando logo em seguida — Toma. É para o frio — sorrio e o abraço, estou um pouco aflita mas isso conseguiu me confortar um pouco — Eu ligo, tá bom? — digo vestindo a jaqueta e ele assente. Me beija carinhoso e eu desço do carro. Ele arrasta e eu viro para o portão, entrando logo em seguida. Não é um caminho longo, é uma estradinha com árvores e flores dos dois lados, ainda bem que vim de sapatilha, prendo os cabelos e continuo seguindo. Toda aquela vista bonita me traz uma sensação boa de quando eu acompanhava meu pai em seus encontros com Ramírez e ficava por aqui, fazendo tudo que uma criança adora fazer, subir em árvores, brincar com os cachorros, eram ótimas tardes, até as festas eram divertidas nessa residência, já que eu transformava tudo em uma grande aventura e mistério a ser resolvido. Em pouco tempo, estou em sua porta e bato, estranhando não ter o segurança na entrada.
— Oi Rapunzel — ele me abraça e eu retribuo — Entre!
— Onde estão os seguranças? — pergunto apontando a porta e andando em direção ao sofá.
— Ele está ali, acredite. — me sorri de lado e senta a minha frente — Quer beber ou comer algo? Marisa fez aquela torta que você adora, posso pedir pra ela trazer — posso estra nervosa, ansiosa e aflita, mas não é todo dia que posso comer essa torta então eu só assinto. Ficamos nos olhando e reparando em tudo ao redor enquanto ela traz a torta. Marisa trabalha com meu tio desde que eu me conheço por gente e sempre achei que eles tivessem um caso, ainda acho, na verdade.
— Obrigada Marisa — agradeço a senhora perfumada que me sorri.
— De nada, menina Maya. — diz e se afasta. Pego um pedaço e quando saboreio, percebo como tem gosto de infância.
— Então.. — Ramírez diz.
— Então, acho que é hora de entendermos isso, não? — termino sua frase e ele assente, me respondendo. Seja lá o que for, preciso estar preparada e infelizmente, não sei como fazer isso.
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