Notas iniciais
Olá pessoas!

Eu considero essa minha primeira fic e espero que vocês gostem.
Haverá alguns errinhos gramaticais,pois decidi postar antes de achar milhares de defeitos e desistir.

Espero que apreciem a leitura!

Juliana tem dezenove anos e como tantas outras jovens de sua idade tem sonhos, quer realizar cada um deles e saborear cada conquista. Bem normal, certo? Sim! Entretanto ela vai inevitavelmente terá mais obstáculos que outras pessoas. Por quê? Porque ela é negra, simplesmente isso. Ela é negra! Não morena por causa do sol, não parda e sim negra. De alma e cor.

Ela nasceu em uma pequena maternidade decadente no morro do alemão. Filha de doméstica, com quatro irmãos e sem pai. O pai os abandonou quando ela tinha cinco anos e nunca mais deu noticia, caso típico! Juliana por esse motivo cresceu admirando imensamente sua mãe, sua força e fibra, e cresceu desejando um dia dar apenas o melhor para sua família, a sua mãe especialmente, pois essa só merece o melhor.

Crescer no morro do alemão, onde o trafico e a violência prevalecem não foi muito fácil, mas ela guarda boas recordações também. Perdeu muitos conhecidos e amigos, sofreu muitas humilhações. Ela guarda a recordação de quando percebeu pela primeira vez que fora injustiçada apenas por sua cor e sua condição social.

Era mais um dia normal onde ela e seu irmão faziam o percurso de sempre, para comprar mantimentos para casa. Estavam rindo e brincando, cantando com alegria ao descer as vielas estreitas da comunidade quando dois policias os barraram para fazer algumas perguntas sobre sua família , e sua condição, eles estavam debochando de sua preciosa família. Juliana que era muito inocente logo começou a esbravejar com os policias que logo se manifestaram e os levaram para o carro da policia e disseram que só sairiam dali quando a mãe fosse os buscar. Ela lembra que ele ainda debochou falando: “ Se é que eles tem mãe!” e riram. Quando a mãe chegou para busca-los os policias ainda deram a entender que ela era mais uma ladrazinha que se fazia de vitima. Triste, não?

Depois daquele dia ela perdeu um pouco de sua inocência, pois presenciara em primeira mão a crueldade humana em sua forma mais feia. Mas ela não desistiu e jurou que um dia estaria no topo, ajudando de alguma forma qualquer um que passasse por uma situação semelhante.

Entretanto a infância também foi marcada por momentos felizes. Morava em um pequeno sobrado, como todos de seu bairro. Não tinha luxos, mas seguia com a companhia de bons amigos. Seu bairro tinha uma diversidade impressionante de pessoas. O Davi era padeiro durante o dia e a noite se transformava em Doroteia, um travesti com roupas extravagantes, uma alma bondosa que todos olhassem através de seus preconceitos veriam facilmente. A dona Cida, que era Piauiense e que falava sempre saudosista de sua terra possuía o são de beleza mais fofoqueiro de todo o Rio. O senhor Abdala, um estridente refugiado da guerra no Oriente Médio tinha muito a ensinar, e vivia reclamando que saiu de uma zona de guerra para outra. Fora apesar de tudo uma infância cheia de risadas. Existia um certo conforto saber que apesar de todo o sofrimento podíamos sorrir.

Juliana continuou crescendo e manteve grande parte de sua inocência, acreditava que poderia fazer tudo sem muitos sofrimentos. Sua mãe incentivava esse pensamento entre ela e os irmãos, coisa que ao mesmo tempo em que fortalecia também dava falsas esperanças. Ela logo aprenderia que os preconceitos das pessoas pode destruir uma pessoa.

Aos dezenove anos entra em uma faculdade, aprovação que essa que conseguiu com muito esforço e noites mal dormidas. Ela logo percebeu que provoca ódio nas pessoas, uns afirmam que ela só entrou ali por causa de sua cor, outros falam que é por causa de sua condição de pobre, outros ainda dizem que ela é uma parasita que sobrevive as custa do governo. Na cara dela, para machuca-la, perdeu as contas de quantas vezes foi chorar no banheiro, mas nada vai abala-la.

Ela conhece um rapaz de fala bonita e porte elegante, se encanta. Pouco tempo depois começa um relacionamento, ele vai a casa dela e esnoba sua família, ela briga, ele jura que nunca mais fará isso e que apenas sentiu-se deslocado, que não estava acostumado, mas que a ama, ela acredita e continua a relação. A mãe a alerta, mas não adianta, ela está encantada.

A relação continua e ela começa a estranhar o comportamento dele, sempre esquivo e dando desculpas quando ela o questiona sobre quando vai conhecer a família dele ou o motivo dele não visita-la em sua casa. Até que um dia ela vai surpreendê-lo com um presente e o encontra com seus amigos, ele a olha com surpresa e pavor e a apresenta como sua aluna no programa de monitoramento. Juliana abre a boca em choque mas não consegue falar nada e sai correndo. Ela por fim entende e percebe todos os sinais que ele dava. A janela do carro sempre fechada com a desculpa de detestar calor, os encontros em lugares desconhecidos, que ele insistia em chamar de alternativo e cool.

Ele vai procura-la e disse que pensar que ela entendia que nunca daria certo a relação deles como algo oficial, que pensava que ela blefava quando mencionava conhecer a família dela, que era apenas a vida no seu ciclo natural e ainda teve a presunção de achar que ela continuaria. A mãe escutou tudo e o colocou a pontapés para fora, abraçou a filha e prometeu que passaria com o tempo.

Ela passa por esse momento difícil escutando piadas sobre como ela foi burra em imaginar um garoto daquele com ela, escuta quando a chamam de aproveitadora e vitimista, e nada faz além de chorar, outra vez.

Eis que um dia conhece pessoas que não têm medo de falar sobre o preconceito, sobre o que uma mulher negra passa simplesmente por sua cor de pele. Ela então resolve parar de chorar e vai a luta, não por se considerar fraca por chorar, mas por aqueles que ainda virão. Por seus irmãos, seus futuros filhos e netos.

Juliana começa a engajar-se com movimentos pelo fim do racismo, da sexualização da mulher negra e da branca também, aprendeu a ter empatia e perceber que nem todos são cruéis. Está conhecendo pessoas maravilhosas, e tentando construir um futuro melhor para as futuras gerações.

Ela começa a receber mais críticas ainda, começaram a falar que ela virou especialista em ser vítima, que tudo isso é uma manobra para chamar atenção e que é melhor ignora-la. Só que dessa vez ela vai lutar e chamar à atenção da pessoas, vai mostrar a todos que isso é um problema sério e tampar o sol com a peneira não resolverá nada.

Ela finalmente encontrou-se e sabe que momentos ruins virão, mas ela vai enfrentar tudo de cabeça erguida. E Isso é só o começo.

E como essa história vai terminar? Bem, isso só o tempo dirá!

Notas finais
Eu espero que alguém tenha apreciado e caso você tenha achado o final meio apressado,bem, ele realmente está. Pretendo fazer uma continuação mais detalhada!

Deixem comentários, please! Vai ser muito importante para esse projeto de autora aqui.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!