Entre conflito e tristeza e amor
2 Jantando com gigantes
Notas iniciais
Foi quando a gente ainda estava no longo e silencioso beijo. A porta abriu de repente.
– Shintarou, por que você está demorando tanto para a janta? – a mão do SHin-chan apareceu preocupada com o seu filho.
Demos um grande salto para trás. O coração parecia que iria sair pela boca, e o meu rosto deve estar vermelho. Tentei disfarçar, mas acho que não adiantou grande coisa.
– Kazunari-kun? – a mãe dele percebeu em mim e sorriu alegremente. – Por que você não avisou que vinha! Se tivesse dito eu iria fazer um banquete! Já que o meu filho não come quase nada da minha comida.
Ela estava brincando como sempre. A mãe do Shin-chan, Midorima Mikoto-san, é uma mulher muito simpática e alegre. Nem parece que é a mãe daquele Midorima Shintarou. Agora a parte física ele teve quem puxar. Ela tem os mesmos cabelos e olhos verdes do lançador.
– Meu Deus! O que aconteceu com você Kazunari-kun!? Sua bochecha está roxa!
Droga, eu torci para que ela não percebesse.
– Não foi nada Mikoto-san.
– Não foi nada uma ova! Por a caso não foi você, foi filho? – lançou um olhar ameaçador para o Shin-chan. É verdade que a gente de vez em quando briga feito. E como somos homens, acabamos partindo pela violência física. Mas nunca fizemos isso com a intenção de machucar de verdade.
– Não! Não foi ele! – neguei antes que Shin-chan pudesse responder.
– Então quem foi?
Desviei os olhos. Sim, realmente essa família tem o mesmo olhar ameaçadora.
– Quem foi? – perguntou mais uma vez.
– Mãe...
– Quieto filho.
Ela ainda continuava me olhando. Não precisava erguer a cabeça para saber isso.
– Foi... Foi o meu pai.
Novamente, eu era covarde e não consegui olhar para contar. Tenho certeza que a Mikoto-san percebeu o que aconteceu. Ela abriu a boca para falar algo, mas fechou-a antes de pronunciar. Sorriu e mudou de assunto:
– Entre vocês dois. Aqui fora está frio e a minha janta vai esfriar.
A voz dela era doce como sempre. Aquela doçura que só as mães sabiam demostrar.
Ao entrar na casa, senti o cheiro de frango frito e batata recheada. Como assim não era um banquete? Eu amo batata recheada!
– Até que em fim. Achei que ia morrer de fome. – apareceu o pai do Shin-chan, Midorima Toushirou, da sala. – Olá Takao-kun. Bem vindo... Mas o que é isso? Sua bochecha está inchada! – franziu a testa.
– Primeiro a janta, amor. Ninguém merece comer batata fria. – ela empurrou o marido de volta á sala antes que pudesse dizer mais alguma coisa. – Vocês também meninos! Vão lavar a mão rapidinha e vem para a mesa!
Obedecemos. Não tinha outra escolha quando se tratava de Mikoto-san.
Quando voltamos, já tinha um prato para mim na quinta cadeira. Na quarta, estava uma cadeira especial de bebê onde a Mako-chan comia a sua papa caseira.
– Mako-chan! – aproximei dela e beijei a sua bochecha fofíssima.
Ao me ver, ela ficou toda sorridente a falou alguma coisa bebenês expressando alegria. Estendia a mão para que eu pegue-a no colo. Que fofa meu Deus! Que vontade de mordê-la!
Enquanto eu estava maravilhando com a doce irmã do Shin-chan, MIkoto-san acabou de temperar a salada.
– Não Kazunari-kun! Ela ainda não terminou de comer e você nem se quer começou! Agora senta que vamos jantar!
Nem “ah” nem “oh”. Sentei na cadeira e peguei a comida que estava na mesa. Me dava água na boca vendo aquilo.
– Acho que você também deveria comer que nem o Kazunari-kun. – Mikoto-san olhou para o prato do Shin-chan.
– Mãe, não começa.
– Não sei como você consegue se sustenta com esse pouquinho.
Toda vez que eu venho para cá, fazem a mesma discursão. Até me acostumei.
– Opa, eu estava quase me esquecendo. – falou o Toshi-san. – Takao-kun, venha para cá que vou fazer o curativo. Não se preocupe. O prato não vai fugir de você.
Assenti. Fui até ao lodo dele e quando acabou de tirar as bactérias e colocou uma gaze, voltei para a minha cadeira da mesa.
Mas ainda não me acostumei a comer entre eles. O pai do Shin-chan, tem 197cm de altura. O Shin-chan, bem, sabem né? Até o Mikoto-san é três centímetros mais alto do que eu! O que é isso? Shingeki no Kyojin? Vou ter que me alistar para lutar com os titãs também? A única que não é alta ali é a Mako-chan. Mas ela não conta porque só tem um ano e meio.
– Não se preocupe mãe. Mesmo comendo só isso, cresci mais que o Takao.
– O que você quis dizer com isso Shin-chan?
– O que você acabou de entender seu idiota.
– Não briguem na hora da janta. — disse Toshi-san.
Midorima Toushitou era um homem de ótimo físico. Tinha os cabelos pretos e curtos, olhos verdes e os feromônios transbordavam que nem o Shin-chan, segundo a Mikoto-san. Acho que o Shin-chan foi uma junção perfeita dos dois, uma obra prima.
Mas ele não era um homem totalmente sério como o seu filho, mesmo sendo médico de sucesso. Brincava de vez em quando e sorria juntamente com a Mikoto-san.
– Então Takao-kun, voltando ao assunto. Poderia nos explicar o que foi que aconteceu exatamente? — sorriu angelicalmente, mas era obvio que me pressionava a cada palavra que saía da sua boca obrigando-me a aceitar a opção que me resta: ou conta, ou conta.
Família teimosa! Vou nomear vocês assim! Bens á Deus! Como vocês são insistentes!!
Olhei para Shin-chan e Mikoto-san pedindo ajuda, mas nenhum dos dois correspondeu olhando do outro lado de propósito. De repente comer frango com batata recheada virou algo muito interessante para eles.
– Eu não tenho escolha, não é?
– NÃO. — todos falaram junto. Que beleza. Até a irmãzinha do lançador resolveu me pressionar dizendo "nam".
Tudo bem. Respirei fundo. De qualquer jeito, não tinha como esconder para sempre.
– O meu pai. — dei uma pausa para escolher as palavras certas á pronunciar. — Descobriu. Que eu namoro o Shin-chan. Eu só mencionei o nome dele algumas vezes durante a refeição então duvido muito que ele se lembra ou sabe quem seja. Nem disse que é da minha escola. Simplesmente sussurrei que eu gostava de um garoto e ele escutou.
Mikoto-san e Shin-chan deveria ter percebido a maior parte quando disse que era o meu pai que deixou a minha bochecha esquerda roxa. A mão do Shin-chan passou a mão pelo meu cabelo com uma expressão preocupada, e o Toshi-san estava me olhando fixamente como se estivesse avariando a situação. Shin-chan não disse nada. Nem se que comeu duas colheradas da comida do seu prato.
– E a sua mãe?
– Ela disse que ele só não sabe como lidar — ou aceitar. — e disse também que eu podia voltar quando eu quisesse.
Esse fato pareceu aliviar todos que estavam presente lá. Pelo menos a minha mãe não estava contra mim naquela casa.
– Você sabe que pode ficar o tempo que quiser aqui em casa né Kazunari-kun? Eu já terminei de escrever o meu livro do mês e estou sossegada. Posso estar mais aqui fora do que dentro do escritório para poder apoiar vocês. — ela falou isso ainda continuando passando a mão no meu cabelo.
– Isso mesmo Takao-kun. Você já é da família. E é divertido encher o saco do Shintarou quando você está por perto. A reação é mais violenta.
– Pai! — gritou o lançador número um da Geração Milagrosa querendo dizer "para!". Sim. Aquilo realmente era divertido. Acabei dando uma daquelas gargalhadas e o peso que estava pairando o ar desapareceu.
O restante da janta foi só alegria. A Mako-chan lambuzou o meu rosto de papinha caseira, Toshi-san contava sobre os incidentes engraçados que acontecia no hospital, e Mikoto-san dizia sobre o que fazia como o Shin-chan nesse final de semana no passeio até o parque. Rachei de rir quando me disseram que colocaram orelha de Minnie nele e na irmãzinha que achou na barraca de rua para tirar foto. O motivo? É porque a Mikoto-san queria! Ele tentou impedi-la de mostrar a foto, mas sua tentativa foi em vão. Fiquei sem ar de tanto rir!
Ao terminar a janta, Mikoto-san mandou tomar banho antes de dormir. Peguei a minha mala e fui até o banheiro.
X
Quando eu ia pousar na casa do Shin-chan, durmo no quarto do meu amado. Mesmo sabendo que, jamais nessa vida (e até na próxima se duvidarem) ele não iria fazer nada com a presença dos seus pais, o meu coração acelerava ao pensar em dormir na mesma cama com ele. Todo nessa casa era maio do que o normal. O sofá, as cadeiras e as camas também. Do quarto do Shin-chan não era nem de solteira nem de sacal. Era médio. Sei lá se existe um nome específico para aquele tamanho, mas era entre solteiro e casal. Lembrei-me do sofá da sala de estar. Nunca vou poder dizer para a Mikoto-san que fiz coisa errada com o seu filho naquele sofá preferido dela no Valentine Day.
Entrando no quarto, o lançador já estava de pijama e o seu chapeuzinho de dormir. Um garoto de 195 cm de altura daquele jeito era engraçado de se ver. Shin-chan maji Shin-chan!
– Vamos dormir logo Takao. Amanhã temos treino de manhã ante das aulas.
Assenti. Desliguei a luz e deitei do seu lado. Então de repente senti uma mão em cima do curativo. Acariciou-me levemente pela segunda vez no dia. Coloquei a minha mão em cima do dele que estava quente e fria ao mesmo tempo.
– Não se preocupe Shin-chan. Amanhã será outro dia.
Ele não respondeu. Só deu um beijo na minha testa e me abraçou.
Uau. Nunca recebi tanto beijo dele em um único dia e hoje ele está muito gentil... e delicado comigo. Nem consigo acreditar. Hoje o Shin-chan está em "dere mode" do tsundere.
Fechei os olhos pensando umas coisas idiotas desse sentido. Escutei o batimento dele e o meu sincronizando-se. Aquilo era tão tranquilizante...
Quando me dei conta, já estava no mundo dos sonhos.
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