Entre anjos

20 Reencontro


Notas iniciais
Já vou postar esse para me adiantar. Boa leitura

A corrente de água me deixou na rua da casa deles. Vi novamente o endereço no papel e procurei o número da casa deles. Quando achei estacionei o carro bem enfrente e desci pegando minha mala.

Era uma casa com três andares, suponho que o terceiro seja o sótão; a frente da casa tinha um pequeno jardim com uma árvore Ipê amarela adulta já. Caminhei até a porta e toquei a campainha.

–Vai atender Lucco. Pude ouvir Crisaor gritando para ele.

–Deixa que eu vou. Beth falou.

Ela abriu a porta e se assustou na primeira vista. Depois ela me abraçou e sorriu.

–Achávamos que nunca mais iríamos te ver. Você mudou.

–Aqui estou eu. Falei rindo. – É mudei, e você esta igual. “Só um pouco mais gentil” pensei. – Tem espaço para uma visita? Perguntei rindo.

–Claro que tem, entra. Falou ela me dando espaço para eu passar.

O chão da casa era de madeira, Demon estava sentado no sofá com uma garota, seus braços estava ao redor dela, e eles nem se preocupou em olhar para trás. Tinha uma escada ao lado direito da sala e uma porta, que suponho que seja a cozinha.

Eu dei alguns passos e meu salto fez barulho ele olhou para trás e ficou nostálgico ao me ver.

–Oi. Falei e sorri educadamente.

–Luna... Falou ele surpreso sem terminar as falar. Ele se levantou até mim e me abraçou. – Achava que nunca mais ia te ver.

–Não vai me apresentar sua amiga amor? Falou a garota da pele meia alaranjada, sorrisos largos, cabelos curtos e um pouco mais baixa que eu.

Eu olhei para ele, e depois para ela.

–Sou uma amiga do Demon, prazer. Ela veio na minha direção e me deu um beijo na bochecha. Quase vomitei.

Mantive meu foco novamente na Beth.

–Crisaor esta ai? Acho que preciso conversar com ele.

Ela me olhou como se entendesse tudo já.

–Primeira porta a esquerda. Ela disse apontando para as escadas.

Subi correndo e meus saltos fizeram muito barulho.

“Não incomode.”

“Bela placa.” Pensei.

Dei duas leves batidas na porta.

–Entra e fecha a porta. Falou Crisaor gritando.

Entrei e então fechei a porta. O quarto dele era espaçoso. Tinha um armário na parede esquerda, sua cama ficava na parede direita a baixo da janela, tinha uns CDs no chão com algumas revistas.

Ele olhou para mim e se sentou na sua cama.

–Oi. Falei dando um sorriso torto. Nunca tinha reparado como Crisaor é bonito.

–Não acredito que você esta aqui. Ele sorriu. — Não tive chance de agradecer por você ter salvo minha vida. Obrigado.

“Ele estava feliz por que eu salvei a vida dele? Como assim? Eu achava que ele iria querer me matar.”

–Não foi nada, só não suportaria ver você morto.

Ele riu. – Sentes se aqui comigo.

Fui em direção a ele e me sentei ao lado dele.

–Onde você estava esse tempo todo? Todo achávamos que você estivesse morta.

–No Caribe. – Eu ri. – Não estou morta, estou muito bem. Imortais não morrem, lembra? Perguntei e ele sorriu.

–Senti sua falta. Falou ele enquanto abaixava o olhar.

–É eu também senti sua falta. Falei e abracei-o. Ele ficou surpreso e retribuiu o abraço.

–Agora preciso ver Lucca e Lucco. Volto aqui depois. Falei me levantando e saindo do seu quarto.

Quando fechei a porta avistei Lucco e Lucca na escada.

–Não acredito que é você. Disse os dois ao mesmo tempo. Eu sorri.

–Como se sente? Perguntou Lucca. Eu já sabia do que ele estava se referindo.

–Passou tempo de mais, ele seguiu a vida dele. Falei baixo

–Estamos aqui pra te ajudar a esquecer. Falou Lucco rindo.

–Cadê John? Perguntei me lembrando de que não o vi.

–Ele volta logo. Esta vagabundando por ai. Falou Lucca revirando os olhos.

–Vamos descer. Falou Lucco já descendo.

–Você esta linda com os cabelos dessa cor. Falou Lucca sem olhar para mim.

Beth estava sentada de pernas cruzadas no tapete enfrente ao sofá. Demon estava sentado ao lado de Beth e a namorada dele estava sentada sozinha no sofá.

–Já me lembrei de que você é. Falou a namorada do Demon sem me olhar. Então todos olharam para ela. – Você é a garota que o Demon gostava depois você foi embora, e o deixou sofrer. Ela se virou lentamente para mim. — Bom conhecer uma vadia como você.

“Uma vadia como eu?” Ela vai se arrepender de ter falado isso.

Beth deixou a torneira da cozinha ligada, ouvi as gotas caindo. Então eu me concentrei e quando eu percebi um jato imenso de água foi em sua direção. Molhou a cara dela toda. E também molhou um pouco a Beth e o Demon, mas bem pouco.

–Esqueceu-se de falar que sou filha de Bruce, rainha do mar. Prazer.

Ela me olhou chocada e Beth não conseguiu segurar a risada. Ela olhou para Beth e depois para mim.

–Não fico mais um minuto nessa casa. Ela se levantou e veio em minha direção.

–Não vou perder o Demon para você. Sussurrou ela.

Eu não falei nada, fiquei quieta e depois ela se dirigiu para porta.

Eu fiz uma pequena poça de água embaixo dela, ela não viu e caiu. Todos riram inclusive Demon.

Ela se levantou e olhou feio para Demon, ele correu até ela e saiu com ela pela porta.

–Acho que vou secar isso aqui. Falou Beth se levantando e subindo as escadas.

Lucco correu para janela da sala e se virou para mim e depois para Lucca.

–Me fala que aquele carro ali é seu. Ele falou de boquiaberta.

Eu ri e joguei as chaves para ele.

–Cuide dele.

–Legal! Ele gritou e saiu correndo e Lucca foi atrás dele rindo.

Eu olhei para poça de água e fiz ela evaporar, assim como fiz com o resto dos lugares molhados. Beth desceu as escadas com alguns panos na mão procurando o molhado.

–Não foi nada. Serio. Falei rindo.

Ela bufou e subiu novamente com os panos.

Sentei-me no sofá e fiquei pensando se fiz a coisa certa de ter ido para lá.

Depois de alguns minutos Beth desceu as escadas e se sentou ao meu lado.

–Eu lamento pelo que fiz com você, aquele lance da fecha.

–Não foi nada, serio. Passado isso. Ela apenas me olhou e sorriu um pouco desajeitada.

–Demon ainda gosta de você. Falou Beth me encarando.

–Não, não gosta. Ele esta namorando. E realmente não to a fim de atrapalhar. Eu achava que ele só estava saindo com ela, e não namorando. Eu não deveria ter voltado.

–Ah deveria sim! Falou ela brava.

Eu ri.

–Você vai morar com a gente não é? Perguntou ela ansiosa.

–Não sei. Não sei se é uma boa ideia.

Ela abaixou o olhar.

–É uma ótima ideia Luna. Não é a mesma coisa sem você. E Viena tentou ocupar seu lugar durante um tempo, mais depois foi embora. Ela desistiu. E agora é a namorada do Demon tentando ocupar seu lugar.

Eu a olhei e continuei:

–Vou ficar uma semana, ver se é aqui mesmo que devo ficar.

Então Demon entrou pela porta fazendo eu e Beth pararmos de conversar.

–Quarto de hospedes? Onde que é? Perguntei me levantando e pegando minha mala.

–Porta laranja. Falou Demon.

Subi as escadas e procurei a porta laranja.

Entrei no quarto e tinha uma cama de casal no centro da parede, um criado-mudo do lado esquerdo com um abajur em cima; um pequeno balcão de mármore com algumas flores, livros revistas, em cima e um armário pequeno. Coloquei minha mala dentro do guarda roupa e fui ver os livros que estava em cima do balcão.

“Toc toc” Alguém bateu na porta e já entrou.

Olhei para porta e era Demon.

– O que você quer? Perguntei abrindo um livro e me sentando na cama.

–Conversar, posso? Perguntou ele fechando a porta.

–Estou lendo, não esta vendo? Perguntei e ele se aproximou de mim.

–Luna, para com isso. Não quero que a gente fique com esse clima chato. – Eu ainda gosto de você Luna. Falou ele e suas ultimas palavras foram falhas.

–Legal, já domou aquele bicho de sete cabeças que você chama de namorada? Perguntei e abaixei o livro. Ele riu.

–Cristina é legal. É uma boa pessoa. Falou ele ainda rindo.

–Boa pessoa? Não vou discordar.

Ele se levantou e voltou para porta.

–Senti saudades. Então ele fechou a porta.

Eu afoguei minha cara em um travesseiro.

Eu estava com tanta vontade de correr em seus braços, mas estava com vontade de socar a cara dele.

“Realmente não sei o que fazer.”

Notas finais
O que acharam? ♥