Entre Sangue e Feitiços
22 Capítulo 22 - Guess Who's Coming To Dinner
Notas iniciais
POV — Damon Salvatore
Isso era tão intimidante, digo, aquele garoto olhando pra mim com aquela cara de mongoloide que tem. E agora os olhos dele estavam meio violetas, parecendo soltar raios, mas eu não havia visto qualquer corrente elétrica saltando de lá. Eu não sabia nem como devia chamá-lo, se de Lord, como Bonnie o chamou depois do carnaval que eles fizeram no meio da sala, ou de Lex, que era o nome dele antes do carnaval.
Bonnie havia ido atrás da prima e me deixou sozinho com ele e eu queria ir atrás de Bonnie, ou melhor, ir para qualquer lugar onde não tivesse que ter a presença intimidante desse garoto. E eu não sei se devo fazer qualquer tipo de reverencia ao me retirar, digo, ele é uma dessas entidades mágicas, eu acho, e essas entidades se ofendem muito facilmente e eu não sabia que tipo de poderes esse garoto tinha, se é que tinha, não me lembro de Bonnie mencionar que ele tinha.
E mais uma vez meus pensamentos estão nela. Porque está demorando tanto?
– Hm, com licença. – murmurei, levantando do lugar onde estava sentado – Vou ver se está tudo bem. – acrescentei.
Direcionei-me à porta de entrada, mas virei novamente para Lex antes de sair.
– Fique aqui e não saia. – adicionei.
POV — Autora
– Precisamos conversar. – disse Rebekah a Klaus, assim que o irmão havia terminado de trancar a bruxa e a cópia em quartos separados.
– Fale. – sibilou o hibrido.
– O que sabe sobre O Lord dos Sangues?
– Sei que é um mito. – comentou sem muito interesse, mas então reparou que havia algo sugestivo na voz da irmã – Existe algo que queira me contar?
– Bem... – ela virou-se para a janela mais próxima, olhando para o lado de fora, mas sem realmente prestar atenção em algo. – Suponhamos que o mito seja verdadeiro: pode representar nossa morte, certo?
– O que está escondendo, Rebekah? – Klaus rosnou, impaciente por tantos rodeios.
– Nada – respondeu calma, ignorando a acidez de Klaus –, só queria ter certeza antes de contar.
– Contar o quê?
– O Lord, ele existe e os amigos das garotas o têm. Não duvido que iram querer usa-lo assim que perceberem o sumiço das duas.
A face de Niklaus escureceu.
– Uma ameaça. – murmurou.
– O que? – Rebekah perguntou confusa.
– Eles o terem, representa apenas uma ameaça e não necessariamente a nossa morte. Principalmente se o tivermos...
– Já devem ter notado o sumiço das garotas, acha que vão deixar a única arma que tem contra nós sozinha por ai? – Rebekah interrompeu, já sabendo a linha de pensamentos do irmão.
– Acha que não dá conta?
– É claro que dou conta. – ela se recompôs.
– Ótimo. – Klaus sorriu para a irmã antes de se retirar.
POV — Damon
O carro da prima de Bonnie ainda estava na frente da casa, o que significa que onde quer que tenha ido, foi andando. E se Bonnie a acompanhou com o objetivo de fazê-la voltar deveriam estar por perto. Mas eu já havia andado dois ou nove quarteirões em todas as direções e nem sinal delas.
Uma ponta de preocupação começou a tomar conta de mim, mas me forcei a acreditar que talvez ela até já tivesse voltado e se eu voltasse a encontraria sentada no sofá da sala com a prima chorando nos ombros.
Quando meu celular tocou, logo atendi, sem ao menos olhar no visor pra saber de quem se tratava.
– Bonnie? – perguntei, esperando ouvir sua voz com alguma explicação no outro lado da linha.
– Não. – a voz do Alaric me fez suspirar de frustração – Porque achou que fosse a Bonnie, ela não está com você?
– Deixa pra lá. – resolvi omitir que por um acaso ela não estava comigo, já que eu iria encontrá-la de qualquer forma – Qual o motivo da ligação?
– Ah, bem... Elena sumiu, então...
– Sumiu? – interrompi – Como assim “sumiu”? Como você perdeu uma garota de dezessete anos? – não consegui manter a incredulidade longe da minha voz, principalmente porque já sabia o que aquilo indicava.
Bonnie já havia sumido há mais de duas horas e eu sabia que ela não levaria esse tempo apenas para consolar a prima e me deixar cheio de preocupação sem saber de seu paradeiro, certo? E com esse sumiço de Elena só uma alternativa vinha à minha mente, uma alternativa que eu queria descartar, mas sabia que não estava errada.
– Quando aconteceu? – forcei minha voz a perguntar a Rick. Um bolo já começava a se formar em minha garganta, nunca achei que preocupação pudesse ser tão dolorosa. Só de pensar em Bonnie raptada, sendo prisioneira daquele Original, sendo obrigada a fazer o que ele quisesse... Se ele encostasse num fio de cabelo dela, quando o encontrar eu juro que...
– Hoje a tarde. – Ric interrompeu minha linha de pensamentos – Stefan e eu já procuramos por toda cidade.
– Porque não ligaram avisando antes?
– Não achávamos que fosse nada demais...
– Ric, – o interrompi – Bonnie também sumiu.
– O quê? – sua voz subiu, quase me fazendo afastar o telefone do ouvido – Desde quando?
– Faz umas duas horas.
– Bom, são só duas horas, talvez...
– Talvez o quê, Ric? – perguntei impaciente – Não é obvio o que está acontecendo?! Elas foram capturadas! Ou você quer esperar até amanhã pra ter certeza?
– Está certo. Você tem razão. – ele concordou e então houve um suspiro frustrado do outro lado da linha – O que faremos?
– Temos uma arma que podemos usar contra esse Original.
– Como? Que arma? – a voz de Stefan chegou aos meus ouvidos.
– Uma arma viva.
– Alguém que pode matá-lo?
– Quase isso e está sobre os meus cuidados agora.
– De quem se trata? – Ric perguntou.
– É um garoto, não dá pra explicar agora.
– Estamos indo pra aí. – Ric anunciou – E, Damon, não importa o que aconteça, não saia de perto desse garoto que você falou.
– Como? – perguntei incrédulo – Você espera que eu fique de olho num pirralho quando Klaus está a por aí com a faca e o queijo na mão?
– Klaus não pode fazer nada com nenhuma das garotas até que seja lua cheia e eu não acho que ele será idiota de fazer alguma coisa para machucá-las antes disso, então, apesar de estarem com o inimigo, estão seguras por um tempo. Não seja você idiota de deixar nossa única chance contra ele dando mole por aí. Entendeu? Ele conseguiu tirar as meninas debaixo do nosso nariz, se descobrir que temos uma arma, não acha que ele tentará algo?
– Está... certo – murmurei enfurecido antes de desligar o celular.
Voltei pra casa onde tinha deixado Lex sozinho e enquanto ainda estava na entrada da rua, pude vê-lo do lado de fora e em frente a ele, uma loira, que de longe senti sua aura vampirica.
– Imbecil, não falei que não era pra sair?! – murmurei indo de encontro aos dois, mas antes que chegasse até ambos, a loira havia sumido e apenas Lex estava ali me olhando.
POV — Autora
O silêncio absoluto era a única coisa de que Elena tinha consciência ao seu redor. Suas pálpebras pesavam e por cinco segundos ela imaginou se estava morta, mas empurrou este pensamento para fora de sua mente. Elena, com algum esforço, moveu o indicador. Ela não lembrava de ter feito exercícios, mas de alguma forma sentia-se muito cansada e sua garganta estava seca, ela tinha sede e também estava com fome. Moveu a mão, apalpando a superfície macia em que se encontrava, era com certeza uma cama e os lençóis cheiravam limpos. Abrir os olhos parecia uma tarefa muito árdua e dificílima, mas ela finalmente o fez, tendo dificuldade para adequar sua vista a claridade recém encontrada.
Pelos quatro segundos seguintes ela não reconheceu o aposento em que se encontrava, talvez fosse pelo seu estado de sonolência, talvez estivesse em casa ou na casa dos Salvatore, mas assim que sua vista se adequou a luminosidade e sua mente começou a trabalhar ela percebeu que não reconhecia o ambiente ao seu redor pelo simples fato de que nunca havia estado nele antes.
Ela lembrava-se de ter sido desmaiada com um cheiro muito forte de álcool e enquanto tentava se debater era segurada por uma força sobre-humana que sequer permitia que ela se movesse. Ela arregalou os olhos, assustada e permitiu engasgar com o próprio ar que respirava. Não precisava pensar para saber: Klaus havia capturado-a e aquele agradável quarto onde estava era, agora, o seu cativeiro.
Duas ou três lágrimas se atreveram em seus olhos, mas Elena nãos as permitiu que rolassem.
– Estou viva, ainda. – ela sussurrou, sua voz era quase inaudível – Não vou chorar.
Respirando fundo, uma, duas vezes, ela permitiu-se sentar e observar ao redor. Nenhuma janela. As paredes eram todas de madeira e o piso também, porém o piso era escuro e as paredes eram de uma madeira mais clara. Havia duas cômodas ao lado da cama, uma de cada lado e em cada uma havia um castiçal com seis velas acesas além das lâmpadas que também já havia no quarto. Duas portas, uma ao lado oposto da cama e outra adjacente à primeira. Havia, também, um guarda roupa de madeira embutido na parede perto da porta e ao lado dele um grande espelho vitoriano que não chegava até o chão e que Elena podia se enxergar claramente sentada na cama. Com as velas acesas nas cômodas, a cama entre ambas parecia algum tipo de altar para um sacrifício. Ela desviou o olhar.
Ao levantar, apesar da fome, sede e o cansaço, Elena percebeu que conseguia suportar o próprio peso sem cair. Ela andou até uma das portas, a maior, e girou lentamente a maçaneta: estava trancada. Ela forçou um pouco, o máximo que sua limitada força permitiu, mas nada aconteceu. Claro, o que estava imaginando?
Nem um pouco surpresa, ela caminhou até a outra porta e quando girou a maçaneta, esta sim se abriu. Era um banheiro. Ela não reparou muito nos detalhes, apenas mirou a torneira que havia na pia branca e quase se permitiu sorrir: água. Rapidamente ela pôs a mão em concha debaixo do jato de água que jorrou da torneira que abriu e levou a boca para saciar a sede que sentia.
Sentia-se um pouco melhor agora. Enxugou as mãos e o rosto na toalha que estava na bancada ao lado da pia e saiu do banheiro, evitando o espelho.
Nem bem pousou os pés no quarto, a porta que ela antes tentou abrir, sem obter sucesso, foi aberta. Elena imediatamente parou de andar, seu coração lhe traiu, elevando os batimentos ao máximo enquanto ela fixava os olhos na figura masculina que passava pela porta, o temor fez as vísceras de Elena quase se revirarem. O quarto ficou alguns graus mais frio.
Ele tinha o rosto sério, seu olhar era impressionado ou talvez admirado, porém era impossível perceber, pois sua expressão estava impassível, de certo modo não demonstrava nenhuma emoção. E Elena já sabia quem era.
– Que bom que está acordada, Sweet. – Sua voz era suave, gelada e sombria, mas acima de tudo, educada. E de alguma maneira deixou Elena tonta.
Ela não disse nada, não sabia se deveria fazê-lo. Também não demonstrou estar assustada, se agisse como presa ele poderia querer agir como predador. E então, ela soltou o ar que nem sequer percebeu que havia prendido. Os lábios de Klaus se levantaram em um sorriso, mas este não chegou aos olhos.
Ele a cercava com passos suaves e lentos examinando-a avaliadoramente como uma raridade e ela não conseguiu desviar o olhar do dele. “Belo e mortal”, Elena pensou. Ele era dono de uma beleza estrangeira e desumana. De fato nenhum ser que ela já vira jamais projetou uma aura de poder tão grande como a desse que estava a sua frente. Todos os músculos de seu corpo estavam tensos, Elena engoliu em seco, nervosa, com dificuldades para respirar, não por algum problema respiratório, mas por simplesmente não conseguir afastar o olhar do rosto magnificamente belo do homem à sua frente. Talvez estivesse apenas entorpecida pela aura de morte que já começava a tomar conta de si e a beleza opressiva do hibrido ajudava um pouco.
– Espero que esteja com fome. – ele disse quando enfim parou de admirar a doppelganger que custou tanto tempo para encontrar – Você se juntará a nós para jantar essa noite.
– Não... Não estou com fome. – Elena finalmente conseguiu mentir após encontrar sua voz. Ela se perguntou quem seriam “nós”.
– Isso não foi um pedido, Elena. – sua voz calma soava severa e autoritária e Elena chegou a se sentir como uma criança desobediente. – Não queremos que você morra desnecessariamente, certo? E, também, morrer de fome me parece cruel. – ele adiciona.
Klaus andou até a porta e a manteve aberta, segurando-a, ele indicou à Elena com a cabeça para que saísse.
– É muito amável da sua parte. – Ela disse acidamente enquanto fazia seu caminho para fora do quarto.
Klaus a acompanhou pelas escadas, ele colocou uma mão em seu braço enquanto desciam e Elena sentiu um arrepio involuntário quando a pele fria de Klaus encostou na dela. Ela quis empurrá-lo para longe, mas se conteve.
Na sala de jantar havia uma enorme mesa de madeira escura de mogno cercada por dezoito cadeiras, todas com costas altas e assentos alcochoados. Quando eles entraram, Elena pôde ver a mesa posta com uma variedade gigante de alimentos suficiente para alimentar um time de futebol. E sentada em uma cadeira adjacente à cadeira de cabeceira, estava a figura triste quieta de Bonnie.
– Ah meu Deus. – Elena sussurrou na entrada do recinto, parando de andar bruscamente.
– Elena. – Bonnie murmurou aflita.
– Se não se importa... – Klaus indicou à Elena uma cadeira que ficava de frente à amiga. Elena caminhou até lá, tremula, sentindo suas pernas moles como gelatinas.
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