Entre Sangue e Feitiços

13 Capítulo 13 - Things I'll Never Say


Notas iniciais
Oii babies *---*
Boa leitura a todas.
Divirtam-se!

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Música tema e Trilha sonora: Things I'll Never Say — Avril Lavigne


POV — Bonnie Bennett


Eu quase não conseguia ouvir meus pensamentos com tanto barulho, Black Eyed Peas estava cantando um de seus sucessos no palco de abertura dos jogos, todo mundo estava cantando junto, gritando e pulando como fãs alucinados, o som eletrônico fazia parecer que meu coração batia junto com as batidas da música excessivamente alta no meio da multidão. Havia parado de nevar e ventar, todo aquele aglomerado de gente estava me dando calor e eu estava começando a me sentir sufocada por isso me distanciei de todos, procurando tomar um ar.


Ao caminhar sozinha pelo parque eu já não sentia mais tanto calor, na verdade fazia um clima agradável para uma noite de inverno em Toronto. Andei até uma barraca de algodão-doce e comprei um, logo depois voltei a andar pelo parque.


– Está sem companhia? – uma conhecida voz feminina ao meu lado chamou minha atenção, virei meu rosto lentamente encontrando uma garota de cabelos loiros com grandes ondas me encarando com um sorriso tímido e olhos claros curiosos.


– Oi Natalie. – lhe sorri de volta – Estou com meus amigos.


– Não estou vendo eles. – ela falou olhando ao redor.


– Estão no meio da multidão. – respondi simpática, notando ela me examinar lentamente de cima a baixo, o que me deixou desconfortável e me fez pensar se havia algo errado comigo ou minha roupa.


– Te deixaram sozinha? – perguntou disfarçando que me olhava.


– Na verdade, eu não gosto muito dessa banda, então foi eu que deixei eles. Além do mais estava ficando com calor.


– É, também não curto muito essa banda, prefiro a Rihanna sabe.


– Sério? Também adoro ela. – comentei animada. – Your mind is in disturbia, it's like the darkness is the light. Disturbia. Am I scaring you tonight? Your mind is in disturbia. Ain't used to what you like. Disturbia. Disturbia. – cantarolei muito desentoadamente um trecho de uma das músicas da Rihanna tentando imitar a cantora, fazendo Natalie rir.


– Não é assim. – ela balançou a cabeça negativamente rindo.


– Eu sei. – ri também.


Uma figura feminina um pouco mais velha que nós duas se aproximou e parou ao lado de Natalie. Natalie olhou a garota e sorriu.


– Essa é Bonnie. Bonnie essa é Avery. – Natalie nos apresentou.


– Oi Bonnie. – Avery me cumprimentou sorrindo.


– Oi. – a cumprimentei de volta.


– Onde você estava Naty? – Avery perguntou à loira – Fiquei te procurando.


– Eu estava aqui. – Natalie respondeu sorrindo e deu um selinho demorado na outra garota. Avery colocou as mãos na cintura da loira e ambas iniciaram um beijo longo.


Fiquei boquiaberta enfrente aquela pegação lésbica. Lembrei nitidamente quando disse que Natalie resistia ao charme de Damon e ele se defendeu dizendo que a garota só poderia ser lésbica. Quem diria que ele estava certo?! Me afastei das duas que pareceram esquecer a minha existência e parei perto a outra barraca de algodão doce, observando de longe o show da banda que continuava no palco. Também podia ver Elena balançando as mãos de um lado para outro sentada nos ombros de Stefan no meio da multidão, Rick e Damon perto deles só observavam não parecendo estar se divertindo tanto.


– Curtindo o show? – uma voz masculina perguntou ao meu lado.


Virei-me para a voz e encontrei um rosto conhecido me encarando com um meio sorriso.


– Um pouco. – sorri amigavelmente para Elijah. Ele olhou pra frente umedecendo os lábios pálidos e voltou a me olhar.


– Vejo que seguiu o meu conselho sobre os jogos. Veio com amigos?


– Sim, meus amigos estão lá no meio. – disse apontando a multidão – Estou animada pra ver a queima de fogos, sempre vi pela televisão e acho bem legal. – comentei.


– É uma das melhores horas. – comentou sorrindo, voltando a olhar pra frente – Minha irmã adora.


– Ah você tem uma irmã? – perguntei interessada.


– É. O nome dela é Rebekah, tem a sua idade.


– Adoraria conhe... – não pude terminar a frase porque um grupo de dançarinos de hip hop apressados esbarraram em mim me jogando em cima de Elijah, ele agarrou meus braços me impedindo de cair no chão, meu rosto foi parar no meio do seu peito e eu senti vir dele a mesma energia que vinha de Damon e Stefan. Elijah era um vampiro. Só que bem mais forte. Me afastei dele assustada, arrumando minha roupa e pisando o algodão doce que havia ido parar no chão. Como não percebi isso antes? Aquele poder dele parecia estar sendo camuflado, como se ele não quisesse que ninguém soubesse e se eu não tivesse chegado tão perto não sentiria.


– Você está bem, Bonnie? – perguntou.


– Sim, sim. – respondi tentando disfarçar que havia descoberto que ele era um vampiro.


– Tem certeza? – perguntou se aproximando, ele passou a mão no meu cabelo (que deveria estar um caos) e colocou uma mecha atrás de minha orelha. Não parecia querer me fazer mal, mas ele é um vampiro e nunca se sabe. Esse é o instinto deles: matar.


– Ah, is-isso não foi nada. – respondi nervosa com a proximidade que ele tinha de mim e inventei a primeira desculpa que veio na minha mente – Eu só... Meu algodão doce caiu, eu vou comprar outro.


– Eu compro pra você.


– Não precisa! S-sério! – forcei um sorriso – Já volto.


– Como queira.


Eu me afastei dele em passos apressados e sumi no meio da multidão procurando Rick, Damon ou quem quer que fosse, abri caminho entre as pessoas que pulavam e dançavam era difícil mas eu não me importava, continuei procurando e até um idiota pisou no meu pé, me abaixei pra arrumar o sapato que tinha quase saído e quando levantei Elijah estava bem na minha frente.


Me assustei outra vez e antes que eu pudesse correr pra qualquer lugar ele segurou meu braço, impedindo-me. Gritar não adiantaria, meus berros seriam facilmente confundidos com os do povo que gritava loucamente ali. Olhei-o suplicante pra que me soltasse e não fizesse nada comigo.


– Podemos conversar? – perguntou em um tom que achei ser displicente.


– O que você quer? – perguntei ainda tentando fazê-lo me soltar, inutilmente.


– Sei que você sabe o que eu sou. Eu não vou te machucar.


– Então me solta. – falei o empurrando.


– Vai fugir se eu fizer isso? – perguntou me encarando sério.


– Não.


– Promete?


– Ah, eu vou mesmo conseguir correr de um vampiro super veloz. – ironizei. Elijah continuou me olhando do mesmo jeito, sério, porém não ameaçador – Não vou. – respondi séria também. Seu aperto em meu braço foi afrouxando lentamente até que ele me largou – O que você quer?


– Quero que não conte sobre mim. – apesar de todo o barulho ao redor eu conseguia ouvi-lo como se falasse dentro da minha cabeça – Eu te disse que estou aqui por motivos familiares e não menti.


– Sua irmã. – falei recordando que ele também havia comentado sobre ela.


– Estamos tentando levar uma vida normal e nos socializar – Assenti incentivando-o a continuar – Podemos conversar sozinhos? Em outro lugar? – olhei-o com duvida, mas ele me devolveu um olhar confiante e eu gostei como meu nome soou com sua voz – Pode confiar em mim Bonnie.


Concordei que podíamos conversar em um lugar que não ficasse longe, então andamos até uma cafeteria que ficava na esquina da mesma rua que o High Park e sentamos em uma das mesas do lado de fora. Tomei um chocolate quente enquanto ele me contava como ele e a irmã havia se mudado de país em país durante vários séculos procurando viver uma vida de humanos, como se nunca tivessem se tornado vampiros, mas como não podiam abdicar da alimentação, assaltavam bancos de sangues de hospitais de vez em quando para não morrerem. Ele me pediu pra guardar esse segredo, disse que era de suprema importância que eu jamais contasse a qualquer pessoa. Eu podia conviver com esse segredo. Quer dizer, era quase com Stefan fazia. Elijah e a irmã queriam apenas ser normais.


Voltamos ao Righ Park quando ele terminou de me contar, nos despedimos e então ele foi embora. Respirei fundo assimilando a informação. Haviam quantos outros vampiros no mundo, vivendo entre humanos? Não pude pensar em uma resposta porque fui interrompida pela presença de Damon.


– Estava aonde? – perguntou-me sério parando a minha frente.


– Não te interessa. – respondi grossa, pois a última coisa que eu precisava agora eram mais vampiros no meu pé.


– Eu te fiz uma pergunta Bennett! – falou com a voz firme.


– E eu já respondi. – falei voltando a andar para encontrar com Elena.


– Eu vi você com aquele cara. – ele disse me seguindo e parou na minha frente outra vez.


– E daí? – perguntei fazendo pouco caso.


– Não pode ficar falando com desconhecidos ou todo trabalho que estamos tendo pra manter você e Elena seguras irá por água a baixo.


Impaciente, respirei fundo e olhei pra ele.


– Primeiro: não vem com essa história de "não fale com desconhecidos", porque eu não tenho 9 anos. Segundo: olha ao redor, isso é manter a gente segura? Qualquer um aqui pode ser um vampiro, um lobisomem ou sei lá o que. Definitivamente, não estamos seguras.


– Se prefere ficar trancada dentro de casa eu posso dar um jeito. – rosnou parecendo tão impaciente quanto eu.


– Me deixa em paz. – falei irritada.


– Desculpe... – murmurou, o vi respirar fundo, ele encarou meus olhos – Desculpe se me importo com sua vida. Desculpe se eu me importo que continue viva. Desculpe se eu viajei da Virgínia até Toronto preocupado com a sua segurança. Desculpa se eu gosto de você.


Acho que se meu queixo não foi parar no chão foi por pouco. "Desculpe se eu viajei da Virgínia até Toronto preocupado com a sua segurança", ele disse mesmo isso ou foi minha imaginação? Não foi só pela Elena? E desde quando ele gostava de mim? Minha mente não processava bem o que ele havia dito.


– Ric me disse uma vez que você desligou sua humanidade, disse que você não se importa. – falei, minhas pernas estavam bambas.


– Mas eu me importo. – ele afirmou – E eu gosto de você.


Sentia meu peito se mover rápido pela minha respiração acelerada, eu fiquei em silêncio, não conseguia formar uma frase descente ou um pensamento descente. Minha cabeça dizia que ele queria jogar comigo, que estava mentindo ou fazendo piada, mas bem no fundo, algo me dizia que ele dizia a verdade. Só que o medo de ser usada predominava.


– Fala alguma coisa. – ele pediu calmo, mas eu sentia tensão em sua voz – Antes que eu me arrependa de ter dito isso.


– E-eu... – gaguejei – Eu não. Me desculpe.


Damon fez silêncio. Eu esperei uma reação do tipo que ele sempre tinha quando não conseguia o que queria, esperei ele socar alguém, matar alguém, morder alguém... Mas nada disso aconteceu.


– Então quando você deita comigo é realmente só sexo. – ele disse não disfarçando desapontamento.


– Pra você não é?


– Na primeira vez foi.


– Não me leve a mal Damon. Até mês passado você era caidinho pela minha melhor amiga.


– Acha que estou mentindo? – perguntou parecendo ultrajado.


Não respondi. Mas acho que ele entendeu meu silêncio como se fosse um "sim". Só que na verdade eu não sabia o que pensar. Damon Salvatore se importava comigo, gostava de mim, acabara de admitir que não havia deitado comigo só por sexo, houve algum tipo de sentimentalismo. Era demais pra minha cabeça imaginar que aquele vampiro demasiadamente cruel que eu conheço nutria por mim algum tipo de sentimento bom.


Se os olhos são realmente as janelas da alma, eu juro que vi magoa nos olhos de Damon. Ele estava magoado. Seria por minha culpa? Ele baixou seu olhar para o chão e me deu as costas, se afastando. Aquela parte de mim, a que sentia que ele não estava mentindo gritou. Eu não queria que ele ficasse magoado comigo. E eu não me importei com a parte que dizia que era só um jogo da parte dele quando fui atrás de Damon. Eu o virei pra mim e choquei nossos lábios brutalmente.


Damon demorou pra me corresponder, acho que tentava entender o que estava acontecendo. Eu também tentava entender. Eu estava roubando um beijo de Damon Salvatore? Sim, eu estava.


Quando ele finalmente entendeu isso, suas mãos tocaram minha cintura me unindo mais ao seu corpo, ele passou ao controle do beijo, pedindo passagem em minha boca com sua língua que eu logo concedi. Eu não queria criar expectativas, mas eu não sei porque naquele beijo foi como se parte do meu coração se preenchesse. Naquele momento eu me senti inteira, completa.


Separamos nossos lábios por conta da falta de ar, mas nossas testas continuaram colada, abri meus olhos e encontrei os seus me encarando sinceros. Só que de repente ele me jogou brutalmente para um lado, eu tropecei em uma raiz de árvore e cai no chão. Olhei Damon sem entender e vi sangue escorrendo por seu ombro. Ele mexeu no ferimento e tirou duas balas comuns de lá.


– Temos que sair daqui agora. – falou me levantando.


– Espera o que houve? – falei segurando seu braço e verificando o lugar onde deveria estar ferido, mas já havia cicatrizado.


Ele me puxou outra vez, dessa vez contra seu corpo. Na árvore ao nosso lado uma bala foi cravada.


– Vamos procurar Stefan, Elena e Ric. – ele falou me levando pro meio da multidão onde os três deveriam estar.


Em torno de vinte minutos nos encontramos com eles, Stefan também estava meio desesperado.


– Tentaram matar a Bonnie. – Damon falou.


– Como sabe que tentaram acertar a mim e não você? – questionei.


– Porque se fosse pra me matar não usariam balas comuns e se eu não tivesse entrado na sua frente, elas teriam te acertado em locais perigosos. – ele explicou.


– Aconteceu a mesma coisa com a gente. – Stefan mostrou o lugar vermelho em seu pescoço onde eu acho que tinham acertado uma bala.


– Temos que tirá-las daqui. – disse Damon.


Todos seguimos rápido para o carro de Damon, para voltar pra casa.


– Porque Klaus tentaria matar a bruxa e a doppelganger que ele precisa? – Stefan perguntou pensativo.


– Talvez não seja Klaus.


POV — Autora.


O vampiro caminhava calmamente pelas ruas molhadas de Toronto até chegar em frente a uma bela mansão, ele suspirou parecendo cansado e entrou. O hibrido sentado em uma negra poltrona de couro o olhou passar pela porta esperando-o começar a falar.


– Eu fiquei de olho na bruxa e na doppelganger, irmão. – o vampiro disse ao hibrido.


– É melhor que nada saia errado dessa vez Elijah, ou irá se juntar a nossa família. – advertiu o outro com tom superior.


– Não sairá. Estou ganhando a confiança da bruxa.


O hibrido lhe lançou um olhar examinador e disse:


– Elas estão bem aqui, não seria mais fácil apenas pegá-las? Ou você tem outro interesse?


– A bruxa e a doppelganger são melhores amigas, creio que não será fácil convencer Bonnie a fazer o ritual que mataria sua amiga.


– Mortais! – Klaus cuspiu a palavra como se fosse algo repugnante.


– Pelo menos eles valorizam a família e os laços de amizade. – Elijah disse em uma leve direta para o irmão.


– Pelo que sei você está se aproximando apenas da bruxa... Não está se afeiçoando à ela, está? – perguntou o hibrido, sugestivamente.


– Não diga asneiras, Klaus. Tudo o que quero é terminar de vez com esse seu capricho e ter o corpo de Rebekah de volta. Foi o que combinamos, seu lado lobo, pela nossa irmã. – lembrou-lhe Elijah – Além disso, temos algo à mais com que nos preocupar. Tentaram matar sua bruxa e sua doppelganger hoje. Suponho que seja alguém que quer lhe impedir de se tornar um hibrido completo. Suponho também que já saiba quem é.


– Mikael. – rosnou Klaus, visivelmente transtornado com a ideia de não poder romper a maldição que lhe deixava ser apenas um vampiro – Espero que os Salvatore estejam fazendo seu trabalho direito.


– Estão. – confirmou Elijah.


Notas finais
E ai gostaram?
Ficou chatinho? Precipitado? Vago? No ponto?
Comentem meus amores, pra eu saber a opinião de vocês, ok?
Acho que só assim vou poder melhorar...
Beijos e sintam-se encoxadas pelos irmãos Salvatore '66)