Entre Rosas e Correntes
3 Julgamento patético
Eu devo ter desmaiado antes da polícia chegar, pois quando acordei, estava em outro lugar.
Abri os olhos e comecei e logo comecei a sentir dores pelo corpo todo e alguma coisa apertando fortemente o meu pulso esquerdo. Minha cabeça latejava, minhas costelas doíam terrivelmente, mas não era nada que não desse pra suportar.
Abri os olhos e tentei levantar a cabeça, mas a dor me fez desistir de ideia e deixar minha cabeça cair na cama. Só conseguia ver um teto branco, do lado, alguma coisa que parecia soro.
Eu estava no hospital, e, pelo que eu conseguia entender, algemado na cama.
Tentei puxar o pulso, mas a algema só me machucava mais. Não que a dor me incomodasse, o que me incomodava o fato de estar preso ali.
Alguém entrou no meu quarto, virei a cabeça lentamente pra observar. Era um homem de cabelos loiros e olhos escuros e também usava um bigode fino. Devia ter uns 40 anos.
– Você acordou, finalmente — falou e sorriu, mas eu não o respondi. — Você deve estar confuso, não é, Rob?
– Não sei quem é você. Some daqui. — Tentei impor minha voz, mas eu estava muito fraco, então o encarei. Pensei em mil formas de mata-lo naquele momento.
– Acho bom me tratar direito, sou seu advogado, posso diminuir a sua pena. — Ele franziu as sobrancelhas, que a propósito, eram muito grossas. Reparei em suas roupas, um terno preto muito bem passado, seus sapatos brilhavam, era um daqueles advogados de ricos.
– O filho da puta do meu pai te contratou, não foi? Não preciso da ajuda dele, nem da sua.
– Eu já fui pago, moleque.
Com essas palavras, ele se sentou no sofá e começou a me explicar o que iria fazer e eu teria que concordar. Ele disse que diria que eu tenho problemas psicológicos e por isso agi daquele jeito, se não funcionasse, ele subornaria o juiz, já que ele já conhecia o sujeito e tinha dinheiro para lidar com ele.
Sorri discretamente, admitindo que aquilo era bem a cara do meu pai.
Não falei mais nada, e ele parece ter acreditado que aquilo era uma resposta positiva, disse que eu ficaria bom em poucos dias, então poderia ir responder ao processo.
Demoraram uns 4 dias para eu melhorar das dores, uma enfermeira (parecia um coiote vestido de branco, que por algum motivo parecia gostar de cuidar de mim. Patética) me disse que eu não havia sofrido lesões graves, era tudo superficial. Também disse que não acreditava que eu tivesse feito aquilo com aquelas crianças.
– Está duvidando das minhas habilidades de assassino, vadia? Espero que o juiz seja tão patético quanto você e me solte, que eu vou me lembrar de matar você também, quando conseguir uma arma. — Respondi quando ela disse isso, rindo de sua expressão de horror.
No dia seguinte foi o tão esperado julgamento, os pais gritavam na plateia, diziam que iam me matar com as próprias mãos, o juiz me encarava, espantado por eu ser tão pequeno.
– Robert Miller, estudante, 14 anos. — Ele parou, cochichou com o guarda, perguntando se era a minha idade mesmo — Bem, 14 anos, acusado pelo crime de homicídio doloso de Derrick Willians, Maddie Clifton, Jhon Haelton e Jeremy Bulger.
Meu advogado deu as desculpas:
– O caro jovem esta passando por um momento difícil, senhor, seu pai o abandonou, as crianças o irritaram... Isso acabou explodindo dentro dele de um jeito negativo, ele deve estar com algum trauma psicológico!
E lá se foram mais e mais palavras sem sentido nenhum. O advogado não parecia se importar em estar sozinho nessa discussão, pois afinal, meu pai deveria ter oferecido uma boa quantia pra ele. Mas, no final das contas, quando o martelo bateu, o juri gritou “culpado” e eu fui condenado a prisão perpétua.
As pessoas aplaudiram, o advogado me pediu desculpas e eu disse que ele era patético. Na verdade, eu não dava a mínima pra ele tentar me ajudar, nada poderia me salvar ali.
Não seria daquele jeito, como todo mundo queria, eu estava decidido a fugir.
Naquele momento, ouvindo aqueles aplausos, eu decidi que iria começar do zero em outro lugar, que iria fugir pra mais longe do que Vinnie poderia me achar.
Os repórteres se aproximaram assim que me levaram pra fora, e o policial me fez olhar pras câmeras.
– Tem alguma coisa a dizer, litlle killer? — Um repórter perguntou, eu me dei conta que aquele era o apelido que tinham me dado na mídia.
– Esse apelido é patético. — Olhei pra câmera. — Pai, aonde quer que você esteja, não me procure de novo. Se achar a minha mãe, diga pra ela que o filho que ela abandonou está morto, pra sempre. E o que você criou também está, pai. — Dei um sorriso torto pra e me arrastaram para o camburão. A caminho do presídio.
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