Notas iniciais
Olha eu de novoooooo Cap fresquinho p/ apresentar a nova etapa da vida da Susana ALÉM DISSO, ESTÁ SENDO NARRADO POR DOIS PERSONAGENS: PRIMEIRO A SUSANA E DPS O MÁXIMOS ;) Boa leitura ♥

Alexander aperta meu braço e praticamente me atira para dentro do banheiro. Afasto o cabelo do rosto, incrédula.
— Arrume-se rapidamente. Você vai dançar para o rei esta noite.
Sinto um frio inexplicável tomar conta do meu estômago, enviando calafrios por todo meu corpo. Meus olhos se enchem de lágrimas ao notar como meu irmão me observa. Como se eu fosse um mero objeto, mais nada.
— V-você disse que me trouxe para trabalhar! Quem você pensa que eu sou? Uma prostituta?
Ele cruza os braços, impassível. Algumas pessoas olham rapidamente para nós ao passarem pelo corredor. Isso parece incomodar Alexander, cuja vida sempre dependeu de aparências.
— Eu odeio você. — Sussurro, surpreendendo-me com minha sinceridade ao dizer tais palavras. Nossa relação de irmãos nunca foi boa. Alex sempre foi ganancioso, interesseiro, mentiroso. Absolutamente o contrário de mim que jamais me importei em ser pobre e nunca aturei mentiras. Penso em Evan. Todos mentem para mim.
Num ímpeto de raiva, bato na muralha que é o peito de Alexander, distribuindo socos e lágrimas.
— Eu odeio você! Eu odeio você!
— Basta! — Alex me segura com força e me derruba no chão. Minhas costas se chocam com a parede e sei que ficarei roxa. Um suspiro de dor escapole de meus lábios, mas meu orgulho dói mais que tudo. — Você sempre tem que fazer com que tudo seja difícil, não é? Ouse me desobedecer novamente, Susana, e eu não hesitarei em vender Flin como escravo.
Eu o encaro com incredulidade. Todo o sangue do meu rosto se esvai e sei que estou mais branca que papel. Alexander se aproxima novamente e eu me afasto, quase fundido-me a parede.
— Não duvide de mim. Sou capaz de qualquer coisa para conseguir o que quero. E se você não colaborar, verá com seus próprios olhos que estou dizendo a verdade.
Meu coração se comprime em meu peito e me reprimo para não cuspir os lustrosos sapatos de meu irmão. Ele se vai depois de me olhar de forma ameaçadora por mais um tempo. Enconto minha testa no piso gelado de mármore e derramo duas lágrimas. Uma por mim e outra por Flin. Levanto do chão e pego uma toalha. Não posso chorar mais. Preciso lutar agora. Pego a toalha e entro na banheira já cheia de água, desejando ser lavada não só por fora, mas por dentro também.

***
Encaro o tapete que recobre o quarto o qual Alexander me trouxe. Sento na pontinha da cama de casal e me surpreendo com a maciez da seda abaixo de mim. Meu coração se comprime e sinto medo. Medo de verdade, daquele que dificulta a respiração. Sinto ódio também, por este rei que pensa que pode arrastar alguém para satisfazer seus desejos. Fecho os olhos e espero que as coisas as quais me sujeitarão não sejam tão dolorosas quanto imagino.
***
MÁXIMOS
— Use a armadura, pelo menos. — Adverte-me Glicon e eu reviro os olhos. Estico os dedos, observo os calos e cicatrizes. Elas me lembram das batalhas que já ganhei. Sinto a adrenalina em minhas veias e inspiro longamente. Subo três degraus até a arena e encaro meus dois adversários. São fortes e me olham de forma ameaçadora. Não vão cair facilmente. Gosto disto. Saber que alguém facilitou uma luta para mim por ser rei faz com que eu sinta vontade de puxar meus próprios cabelos.
— Majestade. — Olho para baixo e vejo Alexander. Espero que ele tenha algo importante para me dizer. Detesto que interrompam meu treino. — Trouxe a encomenda. A dançarina o espera no quarto 21.
Meu interesse e curiosidade são cruelmente atiçados. Há meses ouço-o falar acerca da dança que faz as mulheres de seu povo serem tão exóticas e sensuais. Passo a mão pelo meu cabelo suado. O corpo quente de uma mulher não seria nada mal.
— É melhor ir, Máximos. Você já está treinando há horas. Dê um tempo.
Observo a face preocupada de Glicon. Ele é o único a chamar-me pelo meu primeiro nome ; o único que se importa verdadeiramente comigo. Olho meus dois adversários de esguelha. Não quero sair e deixa-los assim. Parece uma desistência, um sinal de fraqueza.
— Vá, filho.
Glicon atrai toda minha atenção novamente. Seus cabelos grisalhos chegam até os ombros, assim como os meus que por sua vez, são loiros. Decido ouvir meu tio. Eu o contrario todo santo dia, é preciso dar uma trégua a seu velho coração. Por um tempo.
— Estejam prontos para apanhar daqui a cinco horas.
Os soldados do outro lado da arena riem e socam seus ombros de brincadeira, abandonando a postura ameaçadora. Já estão acostumados com a rotina de treino e sabem que não são sacos de pancada. Conheço o nome de dezenas de meus homens. Sei o quanto um rei precisa ser estratégico e saber fortalecer seu exército fazendo com que cada um deles sintam-se úteis e importantes. Carisma é mais do que necessário quando se está no topo.
Ignoro o rosto enrugado e contrariado de Glicon e sigo Alexander pelos corredores. Ele parece nervoso, como se temesse que algo fugisse de seu controle. Fico desconfiado. Paramos em frente ao quarto 21, uma das 50 suítes do palácio. De longe uma das minhas preferidas. Entramos no cômodo um tanto escuro e vejo uma moça sentada na pontinha da enorme cama de casal. Uma de suas mãos segura o dossel e ela olha o tapete como se fosse a coisa mais interessante da terra. Segundo Alexander, estou diante da melhor prostituta de Montanhas Altas. Só há uma forma de descobrir.
— Pensei em chamar alguns músicos, mas sei que o senhor gosta de privacidade e...
— Deixe-nos a sós. — Interrompo Alexander e ele se retira do quarto com as mãos nos bolsos. Caminho até a mesa do canto da sala e encho duas taças com vinho. O único som produzido é o dos meus sapatos enquanto caminho em direção a mulher. Não consigo ver seu rosto direito, já que este se encontra parcialmente coberto por um véu e seus olhos não abandonam o tapete vermelho, o que me irrita rapidamente. Estendo a taça de vinho em sua direção, mas ela acena negativamente.
— Eu não bebo. — Ela sussurra e seguro um riso de escárnio. A maior prostituta de toda Montanhas Altas quer me dizer que não bebe? Seguro as taças com apenas uma mão e ergo seu queixo com a outra. Fico sem fôlego com a visão a minha frente. Seus olhos são verdes claro, puxados para um tom de mel. Tiro seu véu e vejo o contorno perfeito de seu nariz e os lábios cheios. Em Karinus, o padrão de moda envolve mulheres de lábios finos e delicados, de corpo esguio. Sempre preferi as curvilíneas de lábios grossos. Quero possui-la no mesmo instante, mas então me recordo das palavras de Alexander sobre sua dança e me afasto, sentando numa poltrona ali perto.
— Comece, por favor. — Bebo as duas taças de vinho de uma só vez e as posiciono num móvel ao meu lado. A mulher se ergue da cama com certa hesitação e percebo seu jogo. Ela é do tipo que gosta de se fazer de difícil. Abro um sorrisinho. Isso vai ser muito prazeroso.
De pé consigo ver a beleza que contorna cada traço dessa mulher. Ela parece ter sido esculpida e quando começa a mover os quadris, sinto a excitação tomar meu corpo. A dança é provocativa e suas roupas não escondem muito. Quero interrompe-la e aliviar a tensão de meu corpo, mas algo me prende. Ela parece dançar para si própria, como se estivesse num mundo só seu, em um lugar o qual sou proibido de entrar. Fico intrigado com sua concentração, com a precisão de seus movimentos. Pouso o rosto no queixo, incapaz de deixar de olhá-la um segundo sequer. Eu a quero, percebo. Quero que sinta o prazer que estou sentido ao vê-la assim.
Levanto da poltrona, determinado e seguro a cintura quente da jovem, colando nossos corpos. Quero arrancar suas roupas, mas me detenho. Seus lábios atraem toda minha atenção e imagino a sensação de beijá-los, preenchendo-os aos meus. Todo meu corpo reverbera. O que esta mulher está fazendo comigo? Toco seu rosto com uma mão e acaricio sua bochecha macia. Sinto seu hálito em minha boca, mas paro imediatamente quando sinto algo quente e molhado em meu dedo. Uma lágrima. Ergo o olhar e noto os olhos da jovem. Estão úmidos. Chorosos. E o pior: Denunciam medo. Franzo as sobrancelhas, sem compreender.
— Por que chora, minha flor? — A mulher suspira pesadamente e cerra os punhos, como se quisesse me bater. Não entendo. Algo em sua expressão faz com que eu pense numa menina, não em uma mulher e isso me incomoda profundamente.
— Você ainda pergunta? — Ouço a acusação em sua voz e deixo a tensão em meu corpo em segunda mão. Mas do que esta louca está falando? Se ela quis vir com Alexander, qual a razão desta atitude? Importunar-me? Fazer-se de difícil?
Noto que seus olhos continuam marejados e ela se afasta de mim da forma mais sutil possível. Solto seu corpo no mesmo instante. Jamais deitaria com uma mulher sem seu consentimento. Ela me encara com surpresa, como se não acreditasse no que acabei de fazer. É só aí que a ficha cai.
— Quantos anos você tem? — Pergunto, olhando bem no fundo de seus olhos. Por um instante, suas sobrancelhas se franzem, como se ela jamais imaginasse que eu pudesse pergunta-la algo assim. Sinto um frio no estômago, ansioso.
— Dezoito. — Ela responde fracamente, escondendo o corpo com os braços. Sinto o ódio queimar em minhas veias. Alexander não me trouxe uma famosa prostituta de Montanhas Altas, e sim, uma mocinha. Alguém que ele provavelmente arrancou da casa e da família, porque esta moça pode ser qualquer coisa, menos alguém que ganha para satisfazer um homem. Não da forma como ela parece se esconder do meu olhar. Não acredito que agi como um pervertido sem nem saber.
Filho da puta.

Notas finais
E então? O que acharam do Max?