Entre Reinos
2 Meu irmão suicida
Notas iniciais
Desde muito pequeno sempre escutei dos meus pais, Rei e Rainha de Gharnes, que, o futuro do povo do reino dependia de mim e que principalmente a vida de um Rei não era fácil. Fui treinado, tenho aulas de etiquetas com a minha mãe, e todas as outras relacionadas a comportamento. Já a parte bruta, a luta. Eu aprendi com meu pai, briga de espadas, luta corporal, cavalgar dentre outras coisas, tive e tenho tutores para me ajudar. Sempre ansiei pelo dia no qual serei o rei, por isso, nunca me importei por ter essas obrigações, eu até que gostava.
— Bom dia! — exclamei enquanto adentrava a cozinha real, e lá estavam meus pais
— Bom dia meu filho— responderam meus pais em uníssono.
— Porque não pediram pra me acordar mais cedo? — Perguntei confuso.
— Não vimos problema em deixar você dormir mais do que o costume meu filho— disse minha mãe.
— E além do mais, não acordou com muita diferença no seu horário habitual— continuou meu pai — um rei precisa descansar também.
— Tudo bem — disse pensativo, porém, gosto de acordar cedo. Sempre fui certinho desse jeito, Aurora costumava brincar com isso.
— Bom dia altezas— disse Ceasar fazendo reverência— Princípe Gu, olha os cavalos estão prontos pra nossa cavalgada.
— Bem, se me dão licença — disse levantando da cadeira — tenho que ir para os meus afazeres — Vejo vocês mais tarde.
— Boa sorte pequeno grande homem — disse minha mãe.
— Boa sorte filho — disse meu pai.
Enquanto íamos até os estábulos, tive que ouvir Ceasar falar sobre o baile que meus pais estavam preparando para arrumar uma pretendente pra mim. Eu, honestamente, não penso nisso. É só mais uma distração
— Tive uma ideia, porque ao invés de praticar apenas cavalgada, você não pratica cavalgada e luta de espadas? — Disse Ceasar com olhos brilhando e com um sorriso psicótico. Eu conhecia aquele olhar, geralmente queria dizer “problema”, ele falava enquanto colocava os equipamentos de segurança.
— Ficou maluco? — Perguntei atônito. Era loucura, aquilo não ia acabar bem — da ultima vez que fizemos uma coisa maluca dessas que você inventou não acabou muito bem— Exclamei lembrando-se da vez que ele misturou as atividades— você quase ficou sem o braço.
— Detalhes meu caro, Detalhes — continuou — Por falar nisso, anote ai, por favor, aquele urso ainda me pega.
— E o que você pretende dessa vez? — perguntei com medo da resposta.
— Diversão vossa alteza — Disse rindo
— Não acho uma boa ideia, você pode se machucar — disse tentando mudar a ideia dele.
— Que futuro rei maricas — continuou — Já imagino quando tiver em frente da tropa comandando uma batalha, vai anunciar “protejam-se todos, não quero que ninguém se machuque, vamos nos abraçar” — Disse e riu histericamente após falar isso
Aquilo me ferveu o sangue, ele estava me desafiando, e eu não podia recusar, mesmo com meus sentidos indicando que eu devia pular fora.
— Tudo bem então, quando começamos? — perguntei.
— Agora— e nesse exato momento ele pulou no cavalo e puxou a espada.
— Trapaceiro.
Subi no cavalo e cavalguei distante, até aos arredores do palácio, ele podia ser forte, mas eu era mais rápido cavalgando e tinha golpes melhores, senti a presença dele ao meu lado e ele logo disse:
— Já ta cansado majestade?
— Nem comecei ainda — gritei.
Puxei minha espada e dei um golpe, pórem ele abaixou e a espada passou direto, e com esse deslize perdi frações de segundos e ele me golpeou com a espada, cambaleei e puxei o cavalo para dar a volta e dar um golpe... diferente nele, por esse ele não esperaria.
Enquanto corria em sua direção e ele na minha, puxei a espada para que ele pudesse esperar e me desarmar, e foi exatamente o que fiz, mas no momento em que ficamos perto, eu levantei mesmo o cavalo em movimento, pude ver a cara de confuso que ele fez, quando nossas montarias passavam uma do lado da outra, pulei pro cavalo dele, ficando atrás.
— Supresa!
— Isso é trapaça. — disse bravo
— Não, isso é um treinamento de batalha, tudo é valido — e derrubei-o do cavalo. Ele caiu e continuou no chão, aquilo me preocupou, desci do cavalo e fui até lá e só quando cheguei próximo á ele vi que ele estava rindo
— Qual o seu problema? — perguntei confuso
— Isso foi... INCRIVEL! — gritou
— E eu ainda me surpreendo com você — continuei — de qualquer jeito, ganhei sua brincadeira diabólica, me venere— brinquei.
O ajudei a levantar e fomos de volta ao palácio, o tempo se passara e eu nem se quer tinha notado, já tinha entardecido. Despedi-me dele, e fui aos meus aposentos tomar um banho, após o banho, minha mãe entrou no quarto.
— Como foi o dia hoje? — perguntou sentando na cama e indicando que eu deitasse com a cabeça no seu colo, e assim o fiz.
— Foi produtivo — pensei na cavalgada com luta — Cavalguei e lutei com Ceasar, ganhei, mas eu tenho a impressão que esses jogos dele vão acabar o matando.
Ela riu e completou
— Seu irmão só precisa entender que certas coisas são perigosas — disse destraida
— Mae — continuei — eu vou precisar mesmo ir a esse baile? Digo, a senhora mais que ninguém sabe que não penso em casamento por agora.
— Eu sei meu querido, mas seu pai e eu queremos apenas te assegurar opções — disse fazendo carinho no meu cabelo — mas vá, faça isso pelo seu pai, ele está apostando tanto em você.
— Não sei se gosto disso mãe — continuei — Eu tenho 16 anos, e isso é coisa pra se decidir depois dos 20.
— Não se preocupe, vai dar tudo certo — Disse e me beijou o rosto.
Nesse instante, alguém bateu na porta e ela disse:
— Entre, por favor!
Ceasar adentrou inquieto, percebi pelo olhar apreensivo que ele possuía
— Mãe, a senhora poderia nos dar licença? — pedi
— Claro meu querido — e levantou
Assim que ela saiu perguntei:
— Onde era que você estava Ceasar? E pelo amor de Deus que cara é essa?
— Principe Gustavo — ele me disse príncipe e meu nome na mesma palavra, não deve significa boa coisa — Você não vai acreditar no que vou te contar, Seu povo precisa de ti.
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