Entre O Bem E O Mal
51 Duas mães e sua filha
Notas iniciais
Passaram se três dias desde Regina fora internada . Anna e Emma se revezavam nos cuidados com a Rainha . Anna ficava com a mãe de manhã para que Emma pudesse ir em casa , tomar um banho , comer direito , descansar um pouco e a loira passara as tardes e noites com Regina. A morena alternava estados de consciência e inconsciência e isso deixava Anna cada vez mais preocupada.
O tempo que não estava no hospital a garota passara em sua fortaleza buscando formas de reverter o estado de Regina de entender porque o bebê dentro dela sugava sua força vital. A criança era muito pequena para nascer , cinco meses apenas, seria difícil que sobrevivesse , os médicos não sabiam muito o que fazer , o que eles sabiam é que dia após dia Regina estava mais fraca .
Sentada em sua fortaleza Anna devorava magicamente quase todos os livros e manuscritos que tinha , pergaminhos , qualquer coisa que pudesse lhe dar uma luz , uma forma de ajudar Regina , o bebê não era muito a preocupação da garota naquele momento, ela seria hipócrita se mentisse pra si mesma dizendo que sim, embora ela achasse que aquela criança fosse mais especial do que ela poderia imaginar . Anna percorria seus escritos de olhos fechados , sua magia conectando a mentalmente a mais de uma leitura por vez em um murmurar em sua mente sua própria voz lhe dissertava em voz alta , tempo era algo que ela não tinha , e em um dado momento a garota abriu os olhos .
_ Achei !!!
Anna correu até uma de suas prateleiras pegando livro de feitiço de capa verde musgo encadernamento de veludo , abriu o mesmo folheando até chegar ao feitiço correto, denominado Sacrificium . Anna leu o feitiço mais pausadamente , um suspirar demasiadamente pesado fora emanado pela Conquistadora, que fechou o livro aproximando o do coração .
_ Eu farei o que for preciso.
Disse a si mesma antes de dar uma última olhada em sua fortaleza, sua armadura , espadas , lembranças de suas conquistas . Antes de sair e mais uma vez selar magicamente a caverna, Anna deu um breve olhar pra trás, uma despedida daquele lugar por um bom tempo, talvez para sempre .
Assim que Anna voltou ao hospital . Mary tinha ido visitar Regina e Emma. A nova prefeita estava sentada no sofá dentro do quarto de Regina , mas a Rainha não .
_ Onde ela está?
Anna perguntou sem se preocupar em cumprimentar ninguém. A pergunta fora dirigida a Emma. A loira se aproximou da garota , os olhos de Emma estavam vermelhos e inchados , claramente ela havia chorado.
_ Anna o estado dela piorou , ela está na uti.
Os olhos azuis da Conquistadora se encheram de lágrimas automaticamente mas controle era seu nome naquela hora , ela precisava agir e precisaria dar tudo de si mesma .
_ Então temos menos tempo do que imaginei .
Anna segurou a mão de Emma e as duas reapareceram na uti . Os médicos que monitoravam Regina tentaram entrar mas em um remexer de mãos Anna travou as portas .
_ Anna não podemos estar aqui.
Emma exclamou olhando me volta sem entender nada.
_ Essa gravidez não é normal, esse bebê não é um bebê comum, e ele seja lá o que for está matando Regina para que possa sobreviver.
Emma cerrou os olhos e aproximou seu rosto do de Anna , os narizes praticamente encostados um , olhos verdes nos azuis .
_ Nunca mais fale do meu filho dessa forma. Ele é seu irmão queira você ou não.
Anna quebrou o contato em um fechar de olhos e virar de cabeça, ela não estava com medo, não ela. Mas o sentimento era tão denso dentro dela que se Emma pudesse imaginar não teria a interpretado daquela forma. Anna não era de demonstrar demais o que sentia e realmente o bebê dentro de Regina era uma incógnita, uma incógnita ainda maior do que a própria Anna fora um dia.
_ Anna nós não podemos ficar aqui, a sua mãe está muito doente, podemos prejudica-la.
Anna olhou mais uma vez no fundo dos olhos de Emma.
_ Preciso de um voto de confiança, não me interessa o que pensa de mim, mas preciso, ou melhor, Regina precisa.. que pelo menos dessa vez consegamos trabalhar juntas.
_ Do que você está falando?
_ De magia , é a única coisa que pode tentar salvar Regina.
_ E o bebê?
Emma perguntou . Anna abaixou a cabeça.
_ Se confiar em mim espero poder salvar os dois.
Emma olhou pra Regina entubada e cheia de aparelhos que monitoravam a vida e uma lágrima rolou de seu rosto.
_ O que temos que fazer?
_ Você ... confiar em mim e me deixar acessar os seus poderes. Precisa me deixar entrar Emma.
Anna retirou uma poção do bolso , bebeu metade do conteúdo e entregou a Emma . O olhos pedindo que a mulher fizesse o mesmo. Emma tomou a poção e ambas as auras tanto de uma quanto de outra ficaram translúcidas , a de Emma um pouco mais densa , receptiva e a de Anna mais fluida , translúcida , doadora . A loira olhou em volta para o próprio corpo e para o da garota a sua frente totalmente surpresa. Anna ergueu as mãos há meia altura , as palmas viradas pra cima, olhou nos olhos de Emma , a Salvadora nunca tinha visto tanta genuinidade e humildade nos olhos da Conquistadora e existia mais , um medo . Algo que nem ela mesma sabia o que era. As palmas foram unidas as da menor e ambas fecharam os olhos.
Anna começou uma concentração bem específica, os lábios murmuravam algo em uma língua diferente, o ritmo do murmúrio repetitivo e cadenciado .. “Quid vobis maximas dignissim mi, res pretiosa est ut .. “ Anna repetia as palavras do feitiço o tempo todo , enquanto sua luz branca se enfraquecia e se tornava mais e mais fluida , mais e mais fina e a de Emma mais densa e forte, espessa. Os joelhos fraquejavam mas ela se mantinha em pé , as mãos pesaram e Emma percebeu a fraqueza da menina, a loira abriu os olhos.
_ Anna o que está acontecendo? O que está fazendo?
Anna não respondeu apenas abriu os olhos e balançou a cabeça negativamente, pedindo que Emma confiasse, não quebrasse o feitiço. As expressões de Anna falavam por si, sem necessidade de palavras. Seu corpo tremia e encurvava e Emma se sentia mais e mais forte , um poder que ela nunca conheceu , era como se sua força vital se multiplicasse , sentia seus poderes acordando, se avivando em ebulição total, não era algo ruim mas necessitava de esforço da mesma para controlar.
Ao último murmurar Anna caiu de joelhos , Emma se abaixou na direção da garota tentando socorre-la , a menor respirava com dificuldade , as forças lhe faltavam, e ela não conseguia falar.
_ Anna, pirralha, FILHA , por favor fala comigo ..
Os olhos azuis da garota se conectaram com os verdes de Emma e uma lágrima rolou dos mesmos automaticamente. Com as poucas forças que tinha Anna puxou levemente a cabeça de Emma fazendo com que ela se abaixasse , a loira encostou o ouvido aos lábios da menina e com a voz extremamente fraca a mesma balbuciou .
_ Você tem o poder agora , vá até Regina... que.. bre ..
Ela tomou mais uma respiração para que pudesse dizer.
_ Quebre.. a barreira e anule a casca que o protege . Libere os poderes de Regina , pra que ela possa voltar..
_ E como eu faço isso?
Emma chorava ao mesmo tempo que via a luz deixar os olhos de Anna. A menina então praticamente sussurrou as palavras no ouvido de Emma , o último suspiro de sua voz .
_ O amor verdadeiro é a magia mais forte de todas. Vá ...não temos..mui-to. Tempo..
A menina desfaleceu nos braços de Emma e a mesma entrou em desespero total, ela sacudia Anna, verificava seus sinais , ela não respirava , o coração parara de bater .
_PIRRALHA, ANNA, PIRRALHAAAA....
A loira chorava agarrada a menina, comprimido o corpo dela contra o seu. Ao ver a Conquistadora morta em seus braços , Emma sentiu uma dor incomensurável em seu peito, uma dor que jamais sentira, nem ela mesma sabia o quanto amava Anna , e menos ainda o quanto aquela garota , que um dia fora o flagelo em sua vida e na vida da própria mãe, havia mudado e da quantidade de amor , abnegação , doação que ela era capaz . Aquela aparência dura e forte no auge dos seus 12 anos escondiam e muito bem o ser humano mais doce e altruísta que a loira já havia encontrado . Literalmente Anna havia dado seus poderes e sua vida por sua mãe, por seu irmão, por sua família , família essa que incluía Emma. Em prantos a loira abraçou ao corpo inerte da menina mais forte contra o seu.
_ Filha por favor.. não nos deixe !
Emma depositou um beijo na bochecha de Anna .
Nesse momento os batimentos cardíacos de Regina diminuíram drasticamente e a linha mortal da mesma se ativou . Ao ouvir aquele som desesperador Emma fora levada pelo instinto. Instinto de proteger sua família e mais o de honrar o sacrifício de Anna. A loira suavemente deitou o corpo de Anna no chão , e levantou se correndo na direção de Regina . Ela não sabia direito o que fazer, ela era guiada por algo que nem ela mesma sabia nomear, mas ao qual não podia resistir. Colocou as duas mãos na barriga de Regina e como se fosse um feitiço repetiu várias vezes as últimas palavras de Anna.
_ O amor verdadeiro é a magia mais poderosa de todas!
De olhos fechados , palavras firmes e concentração da qual nem ela mesma sonhara ser capaz ,a loira liberou seus poderes. Uma luz branca tão forte emanou da mesma, crescendo exponencialmente até que ao chegar a seu ápice findara- se da mesma forma que surgira. No mesmo momento o corpo de Regina se levantou em uma respiração profunda e e caiu novamente na cama , como se a morena tivesse acabado de voltar dos mortos , e dadas as circuntancias talvez realmente tivesse. No canto ao chão um magia de igual força permeava o corpo sem vida da Conquistadora .
Emma não podia crer no que havia acontecido . Regina tinha uma respiração ofegante e os olhos da morena se conectaram aos da loira. A xerife segurou a prefeita nos braços retirando os fios de cabelo que atrapalhavam em sua testa .
_ Meu amor, meu amor .. você voltou pra mim.
Emma proferia ao mesmo tempo que sorria em meio as próprias lágrimas.
_ O que aconteceu ?
Emma não respondera direito .
_ Amor espere um pouco.
A loira voltou a Anna e gentilmente recolheu o corpo da menina do chão , tomando a em seus braços. Assim que a pegou Emma levou um susto, ela podia estar louca mas sentiu o bater do coração de Anna, estava fraco e descompassado mas batia , era um esboço de vida. Emma correu com a garota no colo e assim que Regina viu a menina naquele estado o coração da rainha gelou.
_ O que aconteceu com ela?
Emma abaixou os olhos em um genuíno pesar.
_ Ela me deu os poderes dela e se sacrificou pra que eu pudesse ter o poder de te trazer de volta.
Os olhos de Regina se ensoparam na hora , as lágrimas caíam livremente e a xerife colocou a menina ao lado da mãe , encostando se perto.
_ Porque você fez isso filha, como eu vivo sem você? Eu não posso te perder de novo.
Regina chorava e falava ao mesmo tempo em que sacudia Anna tentando reanima-la .
No mesmo momento Emma pensou.
_ Talvez o beijo do amor verdadeiro, Anna me repetiu isso, o amor verdadeiro é a magia mais forte de todas. O coração dela está fraco, mas antes nem batia , podemos ter uma chance.
Regina piscou os olhos e sorriu pra mulher, assentindo na hora. A morena se inclinou beijando a testa da filha. Pontos de magia reluziram mas não parecia ser o suficiente , então Regina olhou pra Emma, ela vira nos olhos da mulher que tanto amava o amor que a mesma dispensava a sua filha.
_ Talvez nós duas possamos.
Emma assentiu e quase como se Rainha e Salvadora pudessem ler as mentes uma da outra as duas em uma ação única beijaram as bochechas de Anna. No mesmo momento Anna respirou , e a vida foi novamente soprada em seus pulmões. A menina abriu os olhos e respirou mais algumas vezes para o iluminar instantâneo de suas duas mães , uma de cada lado . O amor verdadeiro mais uma vez foi capaz de vencer a morte.
_ Filhaa !
Regina abraçou a menina da melhor forma que dava , já que a barriga estava bem grande. Já Emma esquecera completamente a formalidade sempre exigida por Anna e praticamente se deitou sobre as duas abraçando as ao mesmo tempo que chorava . As três ficaram juntas abraçadas por um bom tempo e Anna se permitiu chorar como nunca em sua vida , ela parecia um bichinho assustado que acabara de voltar ao ninho. As garras da morte ainda lhe eram vividas na mente mas a garota só precisava daquilo das mães que ela jamais achou que teria.
Aceitar Regina, desistir de todo o ódio que fora enraizado nela por todos os anos de sua vida tinha sido uma tarefa difícil , mas o amor que a Rainha dispensara a garota desde que a reconheceu e que jamais tinha deixado de ser dela , fez com que o caminho fosse natural e derradeiro, era como uma onda levando a Conquistadora a sua progenitora, a mulher que lhe deu a vida e que jamais havia desistido dela , como lhe fora contado. Anna amou Regina de uma forma tão intensa que estava disposta a morrer por ela e foi o que ela fez.
Mas amar Emma era totalmente inesperado, a loira desgrenhada que era tão igual a ela, que ambas teimavam em não admitir , principalmente Anna. A mulher que ficou no lugar que deveria ser de seu pai falecido, foi alvo de toda a implicância , até mesmo de raiva da garota . Mas ela jamais retribuiu com a mesma moeda, até nos momentos mais difíceis , quando ambas estavam frente a frente em lados opostos , Emma tentara salvá-la e fora o que ela conseguira agora . O beijo de Regina e Emma livrou de vez a menina dos braços da morte , mas fora o beijo de Emma , poucos minutos antes que começara o processo que avivara o corpo inerte. Na mente da pequena guerreira ali nos braços das duas , apenas uma coisa.
Este é o meu lar e esse é o lugar onde quero ficar .
Emma foi a primeira a quebrar levemente ao abraço limpando as lágrimas com as costas das mãos.
_ Pequena você está bem ? Sente alguma dor ?
Anna aninhada no peito de Regina respondeu num tom um pouco fraco .
_ Não mãe ,eu estou bem.
A comoção era tanta e Regina beijava e abraçava a filha verificando cada parte dela como se quisesse se certificar que era realmente a menina que estava ali , que lhe passou desapercebida a resposta da garota . E para Anna acontecera o mesmo, tinha sido tão natural que era como se não fosse a primeira vez que a menina havia dito. Mas para Emma , foi como um bálsamo de alegria e surpresa. Ela sorriu boba para a menina e depositou beijinhos na bochecha da garota, que não reclamou nem um pouco , pelo contrário, sorriu e segurou o rosto de Emma contra sua bochecha por alguns segundos . As três estavam unidas por algo muito maior, algo que nem elas mesmas sabiam expressar ou entender. O amor de duas mães por sua filha , que fora capaz de traze-la da morte e o amor de uma filha por suas mães que fora capaz de que a mesma tivesse coragem de entregar sua própria vida .
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