Entre O Bem E O Mal

41 Capítulo 40- O pai


Notas iniciais
Olá meninas , tudo bem com vocês. Eu sei que as atualizações estão demoradas mas acho que os fins nunca são muito fáceis de se escrever. Então vamos ao cap.

Anna se transportou pra praia, ela sempre gostou do mar. Então sentou no parapeito bem em frente ao castelo de Henry e ficou fitando o mar, os joelhos contra o peito , queixo apoiado nos mesmos, a confusão era enorme na cabeça da garota , um turbilhão de idéias e sentimentos pairavam sobre sua mente. A vida em família nesse mundo era muito diferente da vida em família que viveu no coma e mesmo sabendo que tudo aquilo não passou da ilusão de um feitiço, ter que abrir mão de toda aquela felicidade foi como arrancar o próprio braço pra Anna.

Ela não se arrependia de ter salvo Regina, não era isso. Mas ela abriu mão da única vez que foi feliz de verdade na vida , pra viver num mundo que ela não conhece direito, com uma mãe que ela não sabe como lidar e uma madrasta que ela não faz a mínima questão de gostar. E agora Anna realmente se perguntava se ficar em Storybrooke era a decisão certa a tomar.

Regina tinha tentado seguir a assinatura mágica de Anna, todas as células maternais em seu corpo lhe diziam pra faze-lo, mas ela ponderou e resolveu seguir o conselho de Emma e dar a Anna um tempo pra pensar. Então a morena achou melhor ir até a delegacia procurar por sua loira , apenas ela era capaz de trazer paz a Regina quando a mesma se encontrava perdida e confusa.

_ Emma!

Regina entrou na delegacia, chamando por sua mulher xerife, mas seus olhos se estreitaram quando ela viu Emma conversando alegremente com August. Regina era extremamente possessiva e ver Emma em uma conversa tão alegre com o homem lhe trouxe logo um desconforto a tona.

_ Oh Gina!

Emma olhou pra sua mulher levantando da mesa em que estava sentada e indo em direção a Regina. Ela depositaria um beijo nos lábios da morena , mas a mesma se esquivou de lado, fazendo o beijo parar em sua bochecha. Emma percebeu que algo estava errado na hora, ela sabia ler muito bem as expressões da ex Rainha.

_ Algo errado amor?

_ Me diga você.

Regina disse enfática, os olhos direcionados, fulminando August.

_ Prefeita Mills.

Ele cumprimentou.

_ Desculpe, mas é conhecido de todos na cidade que não acumulo mais o cargo de prefeita.

_ Ãh sim, desculpe eu tinha me esquecido, força do hábito com certeza.

August falou passando a mão pelos cabelos em um gesto sem graça.

_ Bem Emma nos falamos depois, tenho que voltar pra oficina.

_ Claro August, nos vemos por aí.

Emma tinha um tom ressabiado na voz ,ela sabia que Regina estava chateada, ela só não sabia porque. Assim que August saiu, Regina deu a volta na mesa e sentou na cadeira de Emma, os olhos profundamente fixados nos da loira.

_ O que ele estava fazendo aqui?

_ Veio falar sobre a reconstrução do lado norte da cidade, ele e o pai estavam encarregados desse setor.

_ Tem certeza de que é só isso?

Emma olhou bem pra Regina e sentou na borda de sua mesa , bem de frente pra morena.

_ Gina o que está acontecendo?

Regina abaixou os olhos e passou a mão no rosto.

_ Anna fugiu de mim mais uma vez.

_ Como assim?

Disse Emma segurando a mão de Regina que estava na mesa.

_ Nós meio que discutimos e ela se transportou de casa, pensei em segui-la mas lembrei do que você disse e resolvi deixá-la sozinha.

_ E porque discutiram?

_ Por causa daquele jeito que ela tem Emma, ela me afronta e se eu deixar ela vai pensar que eu que sou filha dela.

Emma coçou a cabeça e olhou de lado. A loira não tinha muita experiência em ser mãe, Henry era um garoto bem criado e era relativamente fácil ser mãe dele, mas ela sabia que Anna era uma garota problema e que as coisas podiam piorar e muito antes de melhorar.

Emma desceu da mesa, passou por trás de sua esposa e massageou seus ombros.

_ Eu sei que o comportamento da Anna é difícil pra você, ela é muito diferente de Henry, você vai ter que ter muita paciência pra dobrar a personalidade dela.

_ Eu sei Emma, mas é que as vezes é tão difícil.

_ Eu tive uma idéia.

Disse Emma dando um pulo pra frente e sentando metade no braço da cadeira , metade no colo da morena.

_ Depois da abertura desse portal, poderíamos fazer uma viagem em família. Quem sabe se tirando a Anna um pouco daqui, mostrando as coisas boas que esse mundo tem, ela não melhora.

_ Será que vai ser bom?

_ Porque não.

_ E o que tem em mente?

_ Disney, o lugar mais feliz da terra.

Regina deu uma risada do comportamento infantil da loira.

_ Será que vai ser bom, leva-la a terra dos contos de fadas.

_ Bem, pelo menos não vai ser tão estranho assim pra ela.

Regina deu outra risada, que Emma calou com um beijo. Regina segurou o rosto de Emma aprofundando mais o beijo, sentindo cada gosto e sensação que os lábios de sua mulher sempre a ofereciam. Elas eram o porto seguro uma da outra.

_ Não sei se Disney é o melhor lugar, mas podíamos escolher com eles o lugar.

Emma assentiu e elas ficaram abraçadas por um tempo. Emma tentando desesperadamente dar força a Regina.

Tinha passado um pouco da hora do jantar quando Anna chegou em casa. Malica foi a primeira que recepcionou a garota.

_ Anna minha menina, onde esteve?

_ Na praia Malica, fui pensar.

Anna falou enquanto passava pela mulher e ia em direção as escadas.

_ Anna espere sua mãe ficou muito preocupada com você.

_ É mesmo e onde ela está?

Nessa hora Regina saiu da sala de estar e chegou no hall, com os braços cruzados e um olhar calmo mas interrogador.

_ Eu estou aqui.

Anna se assustou com a entrada repentina de sua mãe.

_ Malica deixe nos a sós por favor.

_ Sim sra. Mills.

E a serva sumiu pelo corredor da cozinha.

_ Onde está Henry?

_ Ele foi jantar com a Emma no Grannys, precisamos conversar.

Anna levantou a sombracelha e Regina viu na filha muito de seu próprio jeito. Isso fez a morena sorrir internamente.

Anna caminhou em direção a mãe e as duas foram pro escritório de Regina. A filha sentou no sofá e a mãe em uma poltrona em frente a ela.

_ Regina , é realmente necessário outra conversa?

Regina apenas olhava pra Anna.

_ Acho que já sabe tudo que precisa saber sobre mim.

Foi então que a morena quebrou o silencio.

_ Na verdade minha filha, eu sei o que os outros me disseram de você, mas você mesma não conversa comigo. Eu quero conhecer você Anna, a Anna de verdade não a Conquistadora, eu sei que ela está aí dentro de você, e ela que eu quero ver.

Anna ponderou um pouco as palavras de Regina, ela olhou bem pra sua mãe e viu nela a Regina do coma. A Regina que ela aprendeu a amar.

_ Eu não sei bem o que contar. Quase tudo que fiz na vida toda foi em prol das minhas conquistas.

Regina respirou com um pesar imenso.

_ Me diga do que você gosta filha, tem que ter alguma coisa que se lembre de antes de se tornar A Conquistadora.

Anna pensou um pouco, as sombrancelhas franzidas, parte por tentar se lembrar e parte por não estar entendendo onde Regina gostaria de chegar com aquela conversa.

_ Bem , eu sempre gostei do mar, desde sempre.

_ O mar, eu também gosto muito daquela imensidão azul.

Anna riu.

_ O que foi filha?

_ É que o mar no país das maravilhas é rosa.

Regina se espantou com a informação da filha.

_ Rosa mesmo?

_ É , é diferente daqui, tudo lá é diferente daqui.

_ Você gostava de viver lá Anna?

_ Gostar não é bem a palavra, acho que só estava mais acostumada com aquele mundo caótico e cheio de magia.

_ Bem , aqui magia funciona de forma diferente e as vezes até imprevisível. Eu tenho poderes assim como você, mas não usamos a toda hora. Eu não me teleporto sem real necessidade, como você deve saber nossa energia é drenada de forma mais forte quando usamos e no seu caso ela te controla com mais facilidade.

_ Vai querer me impedir de usar meus poderes?

_ Não filha, só que não há mais necessidade. Aqui você vai poder ter uma vida normal, e talvez se deixar um pouco seus poderes, poderá ser a Anna, apenas a Anna.

A menina abaixou a cabeça e não disse nada. Seus poderes eram a única coisa que ela sabia que eram ela, mas no fundo ela sabia que não havia mais a necessidade de se agarrar a eles, as conquistas já não mais existiam a guerra realmente havia acabado.

_ Regina eu não sei de verdade se estou pronta pra esse mundo.

_ O que quer dizer Anna?

_ Bem, é que talvez seja tarde demais pra...nós.

Anna disse isso abaixando os olhos. Regina se levantou de onde estava e sentou ao lado de sua filha, com algum receio ela pôs sua mão na mão da menina que repousava na perna.

_ Isso nunca poderia acontecer, nunca. Você é minha filha Anna, eu te carreguei na minha barriga, sofri pra te trazer ao mundo e mais ainda quando te perdi. Eu iria ao inferno por você todos os dias se isso te trouxesse pra mim pelo menos um segundo do dia.

As lágrimas já molhavam os olhos castanhos e Anna olhava pra Regina totalmente sem saber o que fazer.

_ Eu sei que não é fácil pra você filha. Mas tudo que te peço é uma chance, uma chance pra você ver que a vida que viveu até agora não era a sua vida. A vida que deveria ter tido.

Anna pensou um pouco , os olhos abaixados a cabeça rodando. Ela passou as mãos pelo cabelo e deu um longo suspiro, acalmando se internamente.

_ Regina, posso te pedir uma coisa?

_ Claro filha, o que quiser.

_ Me fala sobre meu pai?

Os olhos de Regina se arregalaram e o queixo caiu, ela não sabia que Anna sabia sobre Daniel e o quanto ela realmente sabia.

_ Filha o que você sabe sobre seu pai?

_ Praticamente nada , ela nunca me contou muito sobre ele.

Regina entendeu bem que com ela , Anna se referia a Cora e a morena tentou procurar as palavras certas , ela tinha que dizer a verdade a Anna, mas como contar a uma garota de doze anos que sua avó matou seu pai.

_ Bem, seu pai e eu nos apaixonamos perdidamente, eu era casada de pouco com o rei naquela época. Mas o rei nunca me amou , ele sempre me desprezou. Daniel, seu pai, era um homem muito bom, uma pessoa simples e me amava, ele foi meu primeiro grande amor. E desse amor nasceu você o fruto do amor verdadeiro. Nós não tivemos muito tempo pra ficar juntos, era sempre escondido de Cora e do rei, mas todos os momentos que tivemos juntos foram muito especiais.

Regina dava detalhes da personalidade de Daniel e como Anna tinha a altura e o sorriso dele. Foi então que em um dado momento Anna fez a temida pergunta.

_ Mas , se vocês se amavam tanto, porque ele nunca voltou pra você?

Regina levantou a sombracelha e franziu o lábio.

_Porque ele não podia querida, ele morreu antes de você nascer. Cora o matou.

E com essas palavras Anna arregalou os olhos e fitou os de Regina, totalmente pesados de dor.

Após a revelação de Regina. Anna se tornou mais reclusa nos dois dias que se seguiram a garota esteve presa em seu quarto, sem sair e sem falar com ninguém. Regina tinha tentado e muito conversar, mas Anna não permitia que ela se aproximasse. Ela tinha convivido com Daniel no coma, ele era um bom homem como Regina lhe contara, e um pai amoroso e cuidador. Anna chorou por dois dias pelo pai que conheceu apenas no sonho e que nunca poderia conhecer de verdade.

Notas finais
Tadinha de nossa Anna, parece que as tempestades nunca cessam pra ela. Comentem queridas e me digam o que acharam do cap, pois bem nos vemos no próximos beijoooss