Entre O Bem E O Mal
16 Capítulo 16- Jogando as cartas certas
Notas iniciais
Mal tinha amanhecido e o acampamento de Cora estava movimentado. Cora havia organizado uma patrulha para ir até o antigo castelo de Regina. Ela havia fugido da conversa com Anna na noite anterior mas a Conquistadora não iria deixar barato essa manhã. A rainha tomava café em sua tenda quando Anna entrou sem nem mesmo ser anunciada. Os guardas se puseram em posição e cruzaram suas lanças na frente da garota. Ela olhou diretamente para Cora que estava sentada na mesa. Ela nem se dignou a fazer nada com a guarda pessoal de sua avó, ela esperou pela atitude dela.
_Deixem-nos!
Cora apenas disse sem olhar para a cena que desenrolava a sua frente. Os guardas saíram temerosos e as criadas que serviam também. Anna parou em frente a Cora , seus olhos vazios como sempre , mas em seu rosto havia uma raiva iminente.
_ Acompanha-me minha neta?
_Não .
_Pois bem.
Cora deixou os talheres , limpou a boca com o guardanapo.
_Vamos dar um passeio.
Cora estava calma , tranquila, ela tinha tido uma noite inteira para formular essa conversa. Ela sequer usou magia, apenas se pôs a caminhar com sua neta a seu lado. Elas foram até a praia, Cora percebeu que Anna havia olhado bastante pro mar, e tudo que pudesse dar a ela uma vantagem ela usaria.
_ Anna, você está crescida agora , embora ainda seja uma criança, sei que sua mente não é mais de uma principalmente depois do aumento de seus poderes.
Anna observava a avó o tempo todo, seus olhos não perdiam um mudar de feição da Rainha.
_Por isso esperei até agora pra ter essa conversa com você. Minha querida você sabe o que leva uma avó a fazer o que eu fiz, o que leva uma avó a tirar a neta de sua filha?
Anna arregalou os olhos.
_Sim eu menti, mas como eu poderia fazer diferente, como eu poderia contar pra uma criança tão pequena como você era na época tudo o que eu tinha sido obrigada a fazer.
Anna estava confusa , mas se mantinha calma, seus novos poderes a ajudavam nisso a não demonstrar emoções, afinal ela só tinha reações , emoções , sentimentos genuínos ela perdera no momento em que fez o acordo. Cora viu a brecha pra continuar no rosto de Anna e na sua inatividade.
_Sua mãe Regina, minha filha, era uma mulher linda, é uma mulher linda o Rei se encantou com ela, e eles se casaram. Eu criei e eduquei Regina pra ser uma rainha e foi o que ela se tornou sob minha tutela. Mas sua mãe tinha uma fraqueza, ela era fraca diante do amor e o amor quando se põe no caminho do que queremos é a maior fraqueza que se pode ter. Ela se entregou a um cavalariço.
O rosto de Cora era de nítido desprezo e Anna percebeu, mas continuava sem dizer uma palavra.
_ Um homem que não chegava aos pés dela, mas essa fraqueza lhe custaria tudo até mesmo sua vida. Você sabe o que um rei faz com uma rainha adultera Anna? Ele mataria sua mãe e você se descobrisse, eu não podia permitir isso de maneira nenhuma.
Cora passou a mão pelos cabelos de Anna ,pela primeira vez em muito tempo. Anna nem se lembrava quando fora a última vez que sua avó tinha tido um gesto assim com ela.
_Sua mãe queria fugir eu sabia, mas pra onde ela iria, nenhum lugar nesse reino seria escondido o suficiente pra ela. E mesmo que ela se escondesse que vida vocês duas levariam, em uma choupana qualquer , passando todas as privações do mundo. Não Anna eu criei Regina para a grandeza, eu criei você para a mesma grandeza e eu prefiro morrer antes de ver qualquer uma de vocês duas condenada a uma vida como essa.
Cora falava e observava as feições de Anna.
__Foi por isso que quando você nasceu eu tirei você dela e a levei pra longe. Eu precisava lhe manter segura, segura do Rei , segura do destino miserável que sua mãe fraca pelo amor queria condená-la. Foi aí que eu tive que fazer a pior coisa que já fiz na vida, eu tive que dizer a ela que você estava...morta.
Cora olhou bem fundo nos olhos de sua neta nessa hora. A expressão de Anna era indecifrável e Cora sentiu uma vibração anormal de magia vinda de Anna , uma onda crescente, e Cora meio que se preparou para o enfrentamento. Mas os olhos de Anna brilharam e aos poucos sua magia fora controlada novamente dentro de si.
_Então ela pensa que eu morri?
_Sim, infelizmente foi preciso. Anna o que eu quero que entenda é ...
Cora segurou a mão da neta. Anna olhou para a mão de Cora com um olhar que a congelaria se ela tivesse esse poder. Cora percebeu que fora longe demais e recuou.
_ Eu sei que deveria te pedir perdão, implorar talvez, mas eu não vou fazer isso Anna, eu não me desculparei por fazer de minha filha uma Rainha e de minha neta a Conquistadora de Reinos, porque é o que você será minha cara. Eu jamais me desculparei minha menina , por ter escolhido a grandeza pra você em vez da mediocridade e mais provavelmente a morte certa nas mãos do Rei.
Cora olhou pra Anna mais um pouco, os olhos impassíveis , longe de exibir qualquer reação.
_ Eu vou deixa-la agora, penso que você precisa de um tempo pra pensar. Eu tenho que ir mostrar a patrulha como chegar ao castelo de Regina.
Anna parou por um minuto , Cora se virou para sair mas foi interrompida.
_ Espere!
Cora não se virou, um sorriso de quem esperava por essa reação, reinou em seu rosto.
_Espere minha Rainha, eu também vou!
Dito isso , elas se envolveram em suas respectivas magias e voltaram para o acampamento e Cora sabia que pelo menos por hora ela jogara as cartas certas.
Regina e Emma se instalaram em um bom hotel em Boston. Elas tinham acordado cedo e Regina tinha ficado muito quieta quase que a viagem toda, de vez e quando sorrisos eram trocados , apertos nas pernas e nas mãos , tudo para afirmar que tudo ficaria bem , que suas vidas seriam mais leves de agora em diante. Regina quis tomar um banho e Emma só deitou na cama enorme aproveitando o espaço e a maciez dos lençóis, Emma rolou de um lado pro outro e Regina estava demorando , Emma não tinha entrado no banheiro então não viu a grande banheira que tinha na suíte delas. Ela coçou a cabeça e levantou da cama.
_ Ué cadê essa mulher!
Emma falou para si mesma, então ela foi pra o banheiro e abriu a porta.
_Regina você não sai desse banh....
Ela parou de boca aberta pra ver sua mulher totalmente relaxada em uma banheira redonda , cheia de espuma, a cabeça da morena recostada na borda.
_ Ah você aí toda relaxada e nem ia me chamar né?
Regina levantou a cabeça , abriu os olhos.
_Oh querida achei que estava com sono.
_ Acabei de perder !
Emma tirou toda a roupa em um segundo e se meteu na banheira com Regina , jogando espuma pros lados. Ela se direcionou até Regina e puxou a cabeça de sua mulher pra um beijo profundo. Regina respondeu puxando o corpo da loira mais pra si e começaram as brincadeiras na banheira.
A patrulha de Cora cavalgou ferozmente sendo liderada pela Conquistadora e pela própria Cora em sua carruagem. Quando eles chegaram ao castelo tudo estava quieto , parecia desabitado. Cora determinou que deveriam ter cuidado , Regina com certeza teria posto barreiras mágicas. Então Anna desmontou e foi na frente , ela parou diante da ponte levadiça que estava levantada. Anna fechou os olhos, ela se concentrou e sua magia branca fluiu dela, a magia se fundiu até virar uma forma humana , uma outra Anna.
_ Vá !
Anna ordenou a ela mesma e ela se tornou névoa novamente. A fumaça se esvaiu e flutuou até o castelo. Anna estava concentrada, ela tinha expandido uma parte de sua consciência fora dela mesma e ela agora podia ver com os olhos da outra Anna. Demorou um tempo e Anna ergueu uma mão , mais magia fora liberada por suas mãos e as engrenagens da ponte levadiça começaram a funcionar, lentamente o enorme portão baixou, fazendo um grande barulho quando finalmente tocou o chão. Cora apareceu ao lado da neta em fumaça negra.
_ Não há mágica neste lugar, ele está morto e tem muito tempo.
Cora olhou a neta em confusão. Regina teria saído , se mudado de palácio , mas ela nunca deixaria um de seus castelos mortos sem magia para proteger seus segredos. Ela sabia que a filha era fraca , mas nunca burra.
A patrulha adentrou o castelo , eles varreram cada centímetro do lugar fisicamente e Anna e Cora magicamente. Elas se reuniram nos aposentos de Regina.
_ Toda a mágica deste lugar foi levada há muito tempo, não há sinal de nenhuma vida aqui , mágica ou não.
Anna disse se unindo novamente a sua outra forma enevoada.
_ Mas não é possível , onde ela pode ter ido?
_ Minha Rainha, por acaso sentiu alguma vida nessa floresta que circunda essas terras?
_ Agora que você falou Conquistadora, não.
_É o que estou dizendo , essas terras não tem qualquer sinal de vida ,humana, mágica nem mesmo animal. Isso simplesmente não faz sentido.
Cora olhou para o quarto de Regina e não havia sinal de sua mágica lá. Todo ser mágico deixa rastro , e não havia rastro nenhum , nem de Regina nem de ninguém.
_ Nós temos que encontra-la , seja onde estiver , ela não pode se esconder pra sempre.
Anna olhou no rosto da Rainha, uma expressão de frustração e raiva . Anna sorriu cinicamente. Ela se afastou e foi em direção a porta, olhando rapidamente pro lugar, parecia frio e impessoal , não parecia que já tinha sido a alcova de uma rainha um dia. Chegando na porta ela olhou por cima do ombro.
_ Parece que a Rainha Regina não deixou mesmo nada pra tras, tomara que a achemos , seria realmente uma pena ter todo esse trabalho pra conquistar um Reino Morto não?
E saiu do quarto magicamente envolvida em sua fumaça. No rosto de Cora , que ainda estava de costas , uma expressão de total raiva pelas palavras debochadas da neta.
Emma falava com David pelo telefone , ele contava a ela sobre a assembleia.
_Correu tudo bem Emma. Teve um ou outro que reclamou um pouco por causa de Regina , mas a maioria aceitou nossa liderança e decisão de dar uma segunda chance a ela.
_ Que bom David , fiquei com medo de que eles...
_Está tudo bem Emma, mas tem uma coisa que talvez deixe Regina chateada.
_O que ?
_ Bem os cidadãos insistiram que Snow fique no comando da cidade ao invés de mim, eles acharam que seria uma forma de chatear Regina.
_E vocês aceitaram?
_Não pudemos fazer nada , eles já abriram mão de muito.
_ Eu entendo ,de qualquer forma fico feliz por Mary Margareth. E me diga como está a reforma?
_ De vento em polpa , acho que ficará pronta antes do previsto .
_ Regina vai gostar dessa notícia .
_ Acho que sim.
_ Emma, espere um pouco Henry quer falar com vocês.
_Passe pra ele então.
Regina chegou no quarto nessa hora , ela estava terminando de se vestir.
_ Com quem está falando querida, é Henry?
Emma assentiu.
_Quero falar com ele também.
_Henry , vou passar pra sua mãe você termina de contar a ela o que estava me contando sobre a casa. “Não mencione a prefeitura”
Emma murmurou pro garoto do outro lado da linha.
_ O que estão cochichando?
Regina perguntou com a sombracelha arqueada.
_ Nada amor.
Emma sorriu disfarçando e entregou o telefone a Regina. Ela pegou o aparelho olhando pra Emma com cara de desconfiada.
_ Oi querido , estou com saudade!
Ela sorria enquanto conversava com Henry e Emma teve certeza de que o menino seguira suas instruções. Emma terminou de se vestir e quando Regina desligou ela deu a mão para a morena que estava sentada na cama.
_ Vamos as compras linda mulher?
Regina deu uma gargalhada sabendo que Emma estava fazendo alusão ao filme que elas tinham visto na noite anterior na tevê, uma linda mulher com a atriz Julia Roberts. Um dos filmes favoritos de Regina. A morena até mesmo tinha elogiado o sorriso da atriz , o que fez Emma franzir a testa com ciuminho, fazendo Regina dar uma gargalhada que se comparou a da própria mulher na tv.
_ Não estamos em Bervely Hills mas sei que vamos nos divertir.
Regina deu a mão a sua loira e elas saíram do quarto em direção as melhores lojas que Boston tinha a oferecer.
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