Entre O Bem E O Mal
10 Capítulo 10- Narack
Notas iniciais
Anna andava inquieta , pela biblioteca de sua avó , ela havia varrido tudo e Cora tinha razão nada ali a ajudaria , apenas o que estava dentro dela podia. Após seu novo fracasso ela estava irritada, nunca tinha demorado tanto pra conquistar alguma coisa , de certa forma tudo que havia sido colocado em sua frente ela havia realizado com eficiência máxima, ela não estava acostumada a perder e já estava 2 a 0 pra criatura , ela tinha que empatar esse placar. Anna pensou e pensou então ela se lembrou de uma pessoa que poderia ajuda-la , alguém que ela não via a muito tempo , mas que para ela conhecia quase todos o segredos daquele infame lugar que ela chamava de lar.
Anna saiu de seu castelo , ela usou magia para se transportar para um lugar na floresta que ela não via há algum tempo, ela não gostava de usar magia com coisas habituais , não era como Cora que era dada a shows pirotécnicos de sua magia, Anna era mais discreta até porque , por sua magia não vir essencialmente de feitiços , como a da sua avó , ela a desgastava mais por estar intimamente ligada com seu próprio corpo e mente. Ela se transportou e logo se viu onde queria , uma casinha de onde saía uma fumaça , ela já tinha estado ali com Cora uma vez ela devia ter uns seis ou sete anos na época , mas ela se lembrava bem . Ela caminhou até a porta , mesmo sendo uma choupana simples , ela podia sentir a magia que emanava do lugar e não seria tola de chegar chegando já que ela queria ajuda , de nada adiantaria ser arrogante agora. Ela bateu na porta, uns segundos sepulcrais até ela ouvir uma voz mansa lá de dentro.
_Entre minha criança!
Aquela voz era desconfortavelmente amável em se tratando de quem era o dono da voz. Ela entrou e viu uma figura clássica perto de uma lareira , ela se lembrava bem do homem , ele era muito mais velho do que aparentava e se chamava Narack. Narack era um homem misterioso e todos no país das maravilhas o conheciam , ele era poderoso em seus conhecimentos de magia , tudo que havia para saber sobre magia naquele lugar ele saberia, até mesmo Cora tinha um tanto de receio de tratar com ele , ele era meio que o rumpelstiltiskin daquele lugar. Mas diferente da criatura da floresta encantada , Narack era distinto, um homem letrado e que alguns diriam que não combinava muito com o aparente caos daquele reino.
_Estava a sua espera.
Anna ponderou um pouco e respondeu , escondendo o medo latente em sua voz.
_Você sabia que eu vinha ?
_ Oh sim minha criança , nós os elementares temos uma fina conexão, não é todo dia que eu recebo uma visita de um igual.
Aquilo assustou Anna , elementar ela e ele , ela sabia que os elementares eram apenas coisas como o Jaguadarte .
_ Ah vejo em sua confusão que você não sabe exatamente quem é , ou o que é.
O homem finalmente se mudou para sentar em uma enorme poltrona e fazer o gesto para que Anna se sentasse a seu lado. Só então Anna parou para reparar a suntuosidade do lugar onde estava, de fora era uma choupana , mas por dentro era quase um pequeno palácio , muito maior , a ilusão de ótica vinha obviamente de magia , talvez para manter os curiosos longe. Anna tinha se concentrado tanto na figura do homem que tinha perdido isso. Ela sentou.
_O que quer dizer com isso?
Anna perguntou ainda se fixando nos movimentos do homem, qualquer um menos sutil e ela teria que reagir, então sua magia estava totalmente de sobreaviso.
_Bem , minha cara você sabe que no mundo em que vivemos informação tem um preço , ainda mais o tipo que veio buscar.
Anna se tornou estóica e respondeu, em seu melhor estilo Conquistadora.
_Faça seu preço!
O homem olhou de lado e disse.
_ Uma de suas conquistas.
Anna arqueou as sombracelhas . Ela estava esperando para o homem pedir algo de grande valor.
_Como assim uma de minhas conquistas?
_ Eu vou tirar de você a lembrança de uma conquista que você realmente goste. Algo de quando você ainda não tinha noção do poder dentro de você , alguma coisa que você conseguiu mas que lhe seja muito caro.
Anna sabia do que ele estava falando e sua mente viajou , ela remeteu aos seus oito anos de idade , quando ela entrou nos aposentos de sua avó pela primeira vez , quando seus instintos começaram a aflorar , ela estava muito inquieta sobre sua origem na época e sem muitas explicações de sua avó ela resolveu invadir o quarto de Cora enquanto ela estava fora, ela vasculhou até encontrar algo que lhe remetesse a sua mãe , seu pai. E ela encontrou , no fundo de baú , envolvido em um pano de algodão cru , ela achou uma manta de bebê , ela não sabia mas era sua, aquela que ela tinha usado quando fora levada pra longe. E embrulhada na manta estava um desenho do rosto de Regina, ela jamais havia visto o rosto de Regina mas algo dentro dela lhe dizia com todas as suas forças que aquela era sua mãe,ela sabia que não era Cora , vaidosa como a avó era espalhava imagens de si mesma em várias idades pelo palácio, e pela forma como estava escondido embrulhado na manta , que poderia ser dela ou de sua mãe, com certeza era Regina, só podia ser isso ela pensava tentando racionalizar. Anna guardava aquilo como se fosse ouro , ela não sabia se Cora havia dado falta e se havia nada tinha feito, mas era sua primeira conquista , a que tinha mais valor para ela , embora odiasse sua mãe por te-la deixado , por não ter sido capaz de amá-la de verdade , ela sentia um calorzinho no coração por ver seu rosto, por saber algo de onde ela tinha vindo. Foi então que a voz do homem a retirou de sua lembrança.
_ É essa mesma minha cara criança, temos um trato?
_O que você vai fazer com isso?
_ Ah eu não quero as coisas em si , eu quero a lembrança que você acabou de reviver e todo o sentimento que você tem em relação a ela.
O homem disse friamente, então por um segundo Anna entendeu de onde vinha a magia do homem ele negociava mais do que magia , seu preço eram as emoções humanas. Mas porque, o que ele fazia com elas , Anna jamais saberia.
_E eu vou esquecer dela? ... quer dizer , de tudo?
_Sim , será como se nunca tivesse acontecido, mesmo que você volte a olhar para o desenho , não se lembrará do que ele representa.
_ Porque você quer isso , posso lhe dar as riquezas quiser.
Anna disse tentando barganhar.
_ As riquezas de que fala Conquistadora ...
.O tom do homem era menos gentil e mais enfático diante da barganha de Anna.
_... a mim não interessam.
Anna ponderou um pouco e com pesar viu que não tinha como conseguir o que precisava e manter o que queria ao mesmo tempo. Teria que abrir mão de um dos dois, então com um pouco de tristeza no coração , ela abriu mão da lembrança de Regina , assim como Regina abriu mão dela uma vez. Definido o preço o homem começou.
_O poder dentro de você é enorme criança.
Ele falava em um tom mais leve , após conseguir o que queria.
_Tão grande quanto o da criatura que quer conquistar, mas sua natureza não é a mesma. O poder que forma o Jaguadarte é bem diferente do que a forma, o dele vem das trevas , o seu vem da luz.
Anna olhou pra o homem confusa.
_Mas minha avó despertou meu poder com magia negra.
_Isso é o que ela disse a você. Seu poder nunca precisou ser desperto de maneira nenhuma, ele veio a você espontaneamente conforme você crescia e esse poder que queres alcançar também surgirá , mas não agora , com o tempo.
_Mas eu preciso dele agora.
_Eu sei disso, o Jaguadarte realmente é uma tarefa grande demais para você com o conhecimento de seu poder que você tem agora , mas com certeza ele não seria no futuro. Mas como você me procurou com um propósito e tem algo para me dar em troca , eu vou ajuda-la.
O homem se levantou , os olhos de Anna nele o tempo todo. Ele mexeu em um baú , pegou um medalhão, ele voltou a presença de Anna.
_Aqui , use esse medalhão quando for realizar sua tarefa, ele derrubará as paredes que a impedem de acessar seu total poder.
Anna olhou pra Narack desconfiada , um medalhão , ela estava esperando um super feitiço que tivesse que remexer com as profundezas da terra e ele lhe dá um medalhão , ela ficou frustrada. O homem percebeu e com um sorriso complacente nos lábios falou.
_ Não se prenda a aparência minha criança , como você pode ver pela minha casa nada do que vem de mim é o que aparenta ser.
Anna revirou os olhos e olhou pro medalhão na sua mão.
_ E tudo que eu tenho a fazer é usá-lo?
_ Sim , a mágica dentro dele irá fazer com que controle o seu poder total em vez de ser possuída por ele , como você foi da última vez.
Anna olhou pro homem de boca aberta, ainda não estava acostumada com ele sabendo tanto dela e menos ainda se antecipando a seus pensamentos.
_ Como sabe disso?
_ Como eu disse , elementares, temos uma fina conexão, você sentiu isso com o Jaguadarte , mas a maior dificuldade em você subjulgá-lo é a natureza de seus poderes , a luz e o escuro , se enfrentam neste reino e em todos os outros, não é muito fácil fazer com que um trabalhe para o outro.
_Essa luz , que você diz vir de mim, como pode ser?
_ Você nasceu de um ventre versado em magia. Embora sua avó e sua mãe não tenham nascido com magia como você e sim aprendido a usá-la, quando você foi concebida ela já estava dentro de sua mãe .
_ Mas minha avó só usa magia negra , eu suponho que minha...mãe também.
Ela toma um pouco de fôlego ao falar a palavra mãe.
_Bem sim, mas as circunstâncias nas quais você foi concebida são totalmente do lado da luz , você é fruto do amor verdadeiro você sabe.
Anna abaixou os olhos e assentiu. O homem percebeu a tristeza nos olhos da criança.
_ Independentemente do que ocorreu após o seu nascimento a magia estava lá , ela veio do amor , é magia antiga, tão antiga quanto eu ou a criatura que quer dominar, talvez até mais.
Anna parou pra pensar um pouco. Mas o homem a interrompeu .
_Temos nosso trato princesa, agora é devido que vá.
Anna se levantou e foi em direção a porta. Ela parou um instante.
_ E o seu pagamento?
_ De que pagamento está falando.
Anna forçou a cabeça e viu que realmente não sabia do que o homem estava falando , ela sabia que algo tinha sido levado mas não o que . A lembrança de Regina já havia sido tirada dela.
Anna voltou ao castelo era noite, ela orbitou nos aposentos de Cora . A mulher a olhava com confusão .
_ Anna , o que faz aqui ?
_Preciso tentar mais uma vez.
Cora sabia do que a neta estava falando.
_ Mas agora , porque, o que mudou desde a última vez , sei que não têm treinado.
_Eu não preciso de mais treinos , essa é minha última tentativa , se eu falhar eu deixo meu título de Conquistadora.
Cora sorriu ao ver aquele brilho determinado de novo nos olhos de Anna , era como um fogo que ela adorava admirar. Mas havia algo mais , algo que ela não sabia o que era.
_Pois bem então será feito.
Anna se virou para sair de seus aposentos.
_Anna !
_ Minha rainha!
Anna voltou a seu tom habitual.
_Aconteceu alguma coisa?
Anna não respondeu.
_ Tenho que me preparar, com sua licença minha rainha!
Ela saiu e Cora ficou com aquela pulguinha atrás da orelha.
O Jaguadarte estava a aguardando selado dentro do triangulo , bufando de raiva seus olhos mais em brasa do que nunca. Anna chegou no pátio vestindo seu traje negro de couro , Cora a olhou confiança exalava dela, o medalhão estava por baixo da roupa, ela parou olhou para a criatura.
_Quando quiser Conquistadora.
Cora falou com uma pitada de ironia que apenas deu mais combustível a Anna.
Anna fechou seus olhos , suas mão apertaram com força . Em minutos seu poder crescia exponencialmente , sua energia azul não mais existia , era uma aura branca de proporções gigantescas , emanava do pequeno corpo como se fosse uma onda gigante . Os olhos de Cora . como de seu magos se arregalaram , como era possível , não era possível.
Os olhos de Anna , de azul celeste ficaram brancos , suas órbitas sumiram e ela levitou alto, seus cabelos voavam com a onda de magia e a visão era assustadoramente impactante.
_ Abram !
Ela ordenou , e eles baixaram as barreiras , Anna nem mesmo precisou levantar uma mão , sua aura luminosa era tão devastadora que o Jaguadarte se encolheu ao canto. Ela levitou até ele levantou uma mão e acariciou o que seria a cabeça do bicho formado de névoa escura.
_ Não tenha medo , eu não vou machuca-lo, você servirá a um proposito apenas.
A fera não mais se debatia ,e num estalo de luz branca que cegaria quem ficasse de olhos abertos , ela suprimiu a energia da criatura na dela , e sua própria luz se tornou mais fraca , até se dissipar por completo. No minuto em que Cora e os magos olharam novamente , apenas havia Anna no centro do triangulo , seus olhos ainda brancos , olharam para sua avó na base do triângulo. Uma expressão de medo vinha da Rainha. Anna sorriu, seus olhos se transformaram em azul céu novamente , e ela saiu do triangulo , sem dizer nada apenas se dirigindo pra fora do pátio. Eles olhavam atônitos a Conquistadora desparecer dentro do castelo.
Um dos magos chamou a atenção de Cora.
_ Minha Rainha o que é isso?
Cora foi até ele e olhou pro meio do triângulo. Lá estava o medalhão queimado , apenas uma peça retorcida no chão. Cora passou a mão e sentiu os resquícios de magia nele, ela sabia de onde vinha. Ela olhou em direção de onde a neta tinha ido, seus olhos pesaram e ela balbuciou.
_Anna , o que você fez?!!
E fechou os olhos com um sentimento de pesar que ela mesma não sabia que tinha.
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