Entre O Bem E O Mal
38 Capítulo 37- O Retorno de Cora
Notas iniciais
Quatro meses se passaram e a vida começou a voltar ao normal em Storybrooke. A cidade tinha sido recuperada totalmente, debaixo de muitos comentários de como Storybrooke estava cansada de limpar a bagunça das mulheres Mills, mas nada disso importava pra Regina, ela estava começando a se conformar de que Anna não voltaria, que ela tinha perdido sua menina antes mesmo de recuperá-la e isso estava começando a quebrar o espírito da morena. Emma percebia as mudanças em Regina com um pesar enorme, elas estavam pouco a pouco se afastando. Regina tinha um olhar vazio, sua mente era um mistério total, ela e Emma estariam juntas, disso as duas sabiam não era realmente essa a questão. A questão era o que essa distância de Regina faria com o relacionamento das duas.
Emma chegou em casa da delegacia. Ainda era cedo ela achou que encontraria Regina e Henry a esperando pro jantar, mas não a casa estava silenciosa e escura.
_ Regina? Malica?
Emma chamou lá de baixo e em minutos a antiga serva desceu as escadas.
_ Oh boa noite sra!
Emma se sentia mais velha que a própria serva quando Malica a chamava assim mas não tinha jeito dela chama-la por seu nome.
_ Boa noite Malica, onde está Regina?
_ A sra. Mills saiu , não disse pra onde ia. O menino Henry foi dormir na casa de um amigo.
_ Saiu? Assim sem avisar nada?
_ Sim senhora, ela disse que precisava de ar e saiu depois do jantar.
_Mas são apenas oito horas porque ela não me esperou pra jantar?
_ Desculpe sra Swan eu não tenho idéia.
Emma abaixou a cabeça e a balançou levando as mãos aos quadris. Ela pensou em ir procurar Regina , mas depois parou e resolveu que talvez fosse melhor deixa-la ter esse tempo pra ela. Quando ela voltasse elas conversariam. Então a loira resolveu subir passou pelo quarto de Anna e ficou olhando a menina deitada impassível, os olhos fechados os cabelos em cachos negros emoldurando o rosto, os lábios que antes eram extremamente rosados estavam pálidos. Emma cruzou os braços e ficou olhando fixamente para aquela cena.
_ Ah menina, onde será que você está? Essa sua condição está destruindo sua mãe.
Anna jogava alegremente uma bola enorme junto com a Princesa Emma, ela tinha buscado Anna pra brincar no palácio. Foi então que Emma jogou a bola e Anna ouviu a voz da princesa.
“ Ah menina, onde será que você está? Essa sua condição está destruindo sua mãe...”
Anna olhava confusa pra Princesa Emma, a bola se perdera longe e a menina estava paralisada olhando pra frente. Como ela podia ter ouvido a voz de Emma sem que ela abrisse a boca, soltasse sequer um murmúrio. Como isso era possível?
_ Anna o que foi? Você esta bem?
Disse Emma se aproximando e colocando a mão no ombro da menina.
_Ãh? Não está tudo bem. Vamos parar um pouco majestade.
_ Claro , mas já disse pra parar de me chamar assim.
_ Claro.
Elas entraram e Regina e Branca conversavam enquanto tomavam chá. Anna estava com uma cara estranha e Regina percebeu.
_ O que houve filha, você está bem?
_ Nós estávamos jogando e ela ficou meio cansada né Anninha?
Anna olhou pra Emma , embora a princesa fosse igual a loira desgrenhada que ela não gostava nem um pouco , a princesa Emma era bem diferente , na verdade não tinha nada a ver com a sua versão xerife de Storybrooke.
_Deve ter sido o sol, está quente hoje. Sente se querida.
Branca acenou para um servo que prontamente trouxe bebidas geladas para a mesa. Regina esfregou as costas da filha enquanto Anna tomava uma limonada gelada. Anna ficou calada e pensativa até a hora que deixaram o palácio.
Uma carruagem real conduziu as moças Mills até sua casa , a noite já caía. As tentativas de Regina de puxar conversa eram inúteis a menina permanecia calada, então a mãe morena resolveu deixa-la em paz.
Elas entraram na casa e Anna foi direto pra seu quarto, sua mente vagueava e ela não sabia o que fazer. Todo aquele mundo era tão real, a felicidade que ela vivia, sua família, amigos. Sua vida era enfim o que ela sempre quis que fosse. Então ela decidiu não ouvir mais as vozes em sua cabeça. Ela decidiu que se daria a chance de ser feliz. Anna decidiu ficar.
Regina chegou em casa e tudo estava escuro. Já passava da uma da manhã. Ela deixou as chaves no aparador e subiu as escadas , indo direto ao quarto de Anna. Adentrou e ficou olhando imóvel sua filha, depois se inclinou e beijou seu rosto, dizendo baixinho em seu ouvido.
_ Eu te amo filha, e vou cuidar de você até o fim.
Uma lágrima caiu de seu rosto e molhou o de Anna, ela abaixou seus olhos e saiu do quarto. Regina não percebeu mas no lugar onde sua lágrima caiu formou se um rubor no rosto pálido de sua filha e os cílios da menina tremeram levemente.
Regina entrou no quarto e Emma estava deitada em seu lado habitual da cama. A morena tirou os saltos e os deixou de lado, então entrou no banheiro, tirou a roupa e entrou no chuveiro, ela terminou seu banho e quando estava saindo deu de cara com Emma de braços cruzados encostada na pia.
_ Querida pensei que estivesse dormindo.
Regina falou puxando uma toalha e se secando, o corpo moreno nu e pingando dava estímulos diretos a Emma. Há muito tempo elas não faziam amor e isso também estava começando a afeta-las. Emma teve que fazer muita força pra ter uma conversa coerente com Regina enquanto olhava pra seu corpo desnudo e extremamente apetitoso. A loira desviou os olhos e olhou nos de Regina.
_ Eu posso saber onde você esteve?
Regina terminou de se secar e pôs seu roupão passando por Emma e indo em direção a seu closet. A loira a seguia.
_ Eu precisei de ar, fui dar uma volta.
Emma podia brigar mas ela não queria isso , ela queria resolver.
_ E está melhor agora?
Regina abaixou os olhos enquanto terminava de vestir seu pijama de seda.
_ Eu estou bem Emma.
Emma sabia que era mentira, sua mulher estava destruída por dentro e a loira sabia muito bem disso. Por mais que Emma estivesse ali e não fosse sair de jeito nenhum, ela não poderia acabar com aquela dor que Regina estava sentindo, apenas Anna poderia. E matava Emma saber que estava de mãos totalmente atadas com relação a isso.
Enquanto isso longe dali. Nos arredores da cidade um portal se abria. Mais uma vez Cora voltava a Storybrooke.
Quando ela voltou a Floresta Encantada encontrara seu exército espalhado e dissidente. Cora havia demorado mais do que queria em Storybrooke e pior ainda voltou derrotada, mas como ela mesma dissera na ocasião aquilo não acabaria ali teria sua vingança.
Cora tinha demorado um pouco pra reunir o que pode de seu exército, afinal enfrentar Regina e Gold sem a Conquistadora não seria uma tarefa fácil. Então mais até do que seus soldados Cora havia voltado para buscar seu time de magos. Ela e Vauján liderariam os sete magos de seu escalão de magia negra e juntos eles teriam a vitória.
_Minha Rainha, a cidade está silenciosa e calma. Quando atacaremos?
_Prepare tudo Vauján, atacaremos ao amanhecer.
O que Cora não sabia é que depois da batalha Gold e Regina tinham conjurado barreiras mágicas na cidade. Barreiras essas que avisariam a eles se algum tipo de magia tanto branca quanto negra chegasse perto da fronteira da cidade e foi assim que aconteceu.
Na loja de Gold. Um recipiente cheio de uma fumaça roxa começou a brilhar e fez com que o antigo Senhor das Trevas despertou de seu sono. Ele olhou pro vidro onde a magia brilhava intensamente e na mesma hora ele soube que algo estava errado.
Na mansão Mills. Regina e Emma dormiam, foi então que as duas despertaram abruptamente com batidas fortes na porta do quarto. Era Málica com uma cara de espanto.
_ O que houve Málica é a Anna?
Regina perguntou com uma cara de preocupação, Emma vinha logo atrás vestindo as calças já que dormira só de calcinha e camiseta.
_Não é o senhor Gold ele está lá embaixo, eu disse que as senhoras já haviam dormido mas ele insistiu que eu as acordasse , ele parece nervoso.
Regina rapidamente lançou mão de seu robe de seda, enquanto Emma terminou de vestir uma calça de pijama e pegara sua arma na gaveta. Elas desceram rápido as escadas e pararam no hall onde Gold as esperava com sua bengala.
_ Gold o que houve?
Regina perguntou apressada.
_ Tenho más notícias Regina as barreiras mágicas foram rompidas.
_ E quem as rompeu?
Emma perguntou se antecipando a sua mulher.
_ Apenas duas pessoas poderiam ter magia o suficiente para romper aquelas barreiras e uma delas está incapacitada em uma cama nesse momento.
_ Cora !
Emma concluiu.
_Então ela voltou mesmo .
Disse Regina com os olhos pesados.
_Sabíamos que isso aconteceria. Cora não é de se deixar vencer assim. Vim avisar porque precisamos monitorar a cidade Regina. Já falei com Azul, ela foi até a fronteira ver o que descobre e nós precisamos nos preparar.
_ Eu vou ligar pros meus pais e manda-los reunir todos que podem lutar.
_ Faça isso xerife precisaremos de tudo que tivermos. Cora não pode fugir de novo.
Disse Gold. Regina se afastou e num piscar de sua magia ela estava vestida e pronta pra sair com Gold.
_ Me espere amor. Eu vou com vocês.
Regina abaixou os olhos e pousou a mão no ombro de sua loira.
_ Não querida, contacte seus pais e reúna todos. É melhor você ficar. Málica vá buscara o Henry na casa de Hansel.
_ Sim senhora agora mesmo.
E na mesma hora a mulher saiu da casa e foi fazer o que lhe fora mandado.
_ Mas Regina juntas nós somos mais fortes.
Regina olhou fundo nos olhos de Emma, ela segurou o queixo da loira e depositou um beijo firme em seus lábios, as pernas de Emma bambearam. Há muito tempo Regina não a beijava assim, nos últimos meses a morena tinha estado distante e preocupada demais com Anna. Mas agora nessa situação de risco ela tinha que afirmar seu amor por sua mulher. Emma tinha que saber o quanto Regina a amava. O beijo demorou uns segundos, tanto que Gold virou de lado e limpou a garganta, fazendo com que a morena quebrasse o beijo e com que Emma o olhasse com uma cara bem feia por estragar o momento.
Mas ainda com as testas unidas e narizes colados Regina disse.
_ Preciso de você aqui querida, preciso que proteja nossos filhos.
Emma assentiu preocupada, ela não queria que Regina enfrentasse Cora sozinha, mas ela entendeu que sua mulher precisava dela ali, protegendo Anna e Henry. Embora Emma nunca tenha visto Anna como sua filha, o “nossos filhos” de Regina foi uma demonstração de confiança enorme e Emma honraria isso custasse o que custasse.
Regina saiu do contato de Emma , mas não sem antes ser segura pela mão da loira na sua, fazendo a voltar e olhar novamente nos olhos de Emma.
_ Por favor, tenha cuidado e volte pra mim.
Regina assentiu com um sorriso cerrado e ela e Gold saíram da mansão.
Imediatamente Emma foi ligar para Mary Margareth e David e manda-los por a cidade em alerta de perigo. Além disso eles teriam que reunir os que lutariam nessa batalha.
_ Como assim Cora voltou...?
Mary gritou no telefone acordando David , que levantou assustado.
_ É isso mesmo, a bruxa velha está de volta as barreiras de Gold e Regina detectaram e eles foram monitorar a situação. Vocês precisam contatar os anões pra por a cidade em alerta. Precisamos nos preparar pra guerra.
_ Sim Emma, deixe conosco.
_Eu não posso sair daqui. Tenho que proteger Henry e Anna, com certeza Cora virá atrás dela e ela está indefesa.
_ Okay Emma. Assim que tivermos tudo pronto, avisaremos.
_ Façam isso.
_E filha tenha cuidado, proteja-se.
_Pode deixar mãe.
Emma não costumava chamar Mary de mãe , mas quando o fazia , enchia o coração da mesma de ternura. Mas o momento era de ação , eles tinham que vencer essa batalha , ou Cora era detida, ou eles nunca teriam paz de novo.
Málica pegou Henry e os dois se juntaram a Emma na mansão. A loira explicou por alto o porque do menino ter que vir de madrugada da casa de seu amigo e Henry ficou desconfiado. Mas foi convencido por Malica a ficar com ela no quarto de Anna. Emma esperaria lá embaixo de arma em punho e em qualquer um que tentasse fazer mal a sua família ela atiraria primeiro e perguntaria depois.
Malica deixou Henry com Anna e foi ao quarto dele buscar cobertores pro menino. Foi então que Henry mesmo sem saber direito os termos, mas sabendo que algo de muito ruim estava acontecendo fez um apelo a Anna.
_ Anna...Anna, sou eu Henry. Eu sei que pode me ouvir, sei que está aí em algum lugar. Você tem que voltar Anna. Precisamos de você , nossa mãe precisa de você.
As palavras de Henry eram cheias de emoção , mas na verdade ele não sabia se elas chegariam a Anna e naquela hora o garoto só podia rezar pra que isso acontecesse.
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