Entre O Bem E O Mal
26 Capítulo 26- Irmãozinho
Notas iniciais
O toque do sino na porta , fora abafado pelos cliques familiares de saltos no piso. Ele nem precisava levantar os olhos pra saber quem era.
_ Olá ex Prefeita Mills!
Debochou o homem dono da loja de penhores.
_ Guarde suas ironias Gold , não é uma visita social.
_Eu não esperava que fosse. Mas a que devo sua ilustre presença.
_ Preciso que me ajude em uma coisa.
_ Precisa ser mais clara , minha cara Regina , todos que vem aqui precisam que eu lhes ajude em alguma coisa.
Ela revirou os olhos , ela odiava ter que lidar com ele de novo , mas aquele sonho deixou seus sentidos em alerta , ela sabia que algo de ruim iria acontecer. Se já não estivesse acontecendo.
_ Gold preciso que me ajude a trazer magia de volta pra esse reino.
O homem olhou pra ela em dúvida.
_Pensei que tinha desistido da magia , desde que se casou querida.
Ela engoliu a ironia do homem.
_ Algo está pra acontecer , eu não sei bem o que é , mas tenho certeza de que está.
_ Do que está falando Regina?
_ De Cora.
Os olhos do homem se torceram em pouco a cabeça arqueou pro lado.
_Cora , você não a baniu?
_ Sim ,mas ela se comunicou comigo .
_E eu posso saber como?
_Em um sonho.
O homem deu um sorrisinho de lado.
_ Minha cara Regina sabe que sonhos não costumam ser reais não é.
_ Poupe me do seu cinismo Gold , você sabe muito bem que em se tratando de Cora nada é o que parece.
Ele ponderou um pouco , ela tinha razão ele sabia . Cora era uma das poucas pessoas na vida dele que já tinham conseguido enganá-lo.
_ E o que me daria em troca desse pequeno favorzinho?
Ela arqueou a sombracelha e deu um sorriso ameaçador , se inclinou no vidro bem em frente ao homem .
_ Eu não acho que devo lhe dar algo em troca de sua própria segurança.
O homem olhou pra baixo e deu uma risadinha. Era uma batalha de gênios fortes ali , um querendo subjugar o outro.
_ Regina , Regina sabe que não sou dado a fazer nada de graça.
_ Mas trazendo magia a Storybrooke , a sua magia também voltaria.
Houve um brilho característico nos olhos do homem , ela sabia bem o que ele queria dizer , e era possibilidade.
_ Mesmo que eu concordasse minha querida , temos nova regras na cidade. Creio que a família Charming não iria concordar facilmente , mesmo que você tenha um certo membro da família em posição favorável a você agora.
Regina estava ficando irritada. Mas ela vestiu sua mascara de prefeita e revidou.
_ E desde quando você teme qualquer um deles?
Os olhos do homem se arregalaram um pouco , ele estava ficando interessado em onde aquilo ia dar.
_ Digamos que eu concorde. Você assumiria a responsabilidade com os novos soberanos da cidade e com a sua xerife?
_ Os Charming não me interessam e Emma , ela é problema meu.
O homem sorriu.
_ Bem , esteja aqui amanhã minha cara , já terei o que precisamos.
_ Ótimo.
Ela se virou e caminhou em direção a porta.
_ Cora pode mesmo passar a esse mundo?
Ela parou e ainda de costas respondeu.
_ Algo me diz que ela já está aqui.
E um novo toque do sino , denunciou sua saída.
Ela estava saindo da loja de Gold , prestes a entrar em seu carro , quando uma silhueta familiar e loira , apareceu bem na sua frente. Os braços cruzados , lábios franzidos e sombracelhas arqueadas. Emma estava encostada bem na porta do carro de Regina , impedindo a de entrar.
_ O que esta fazendo aqui Regina?
Regina engoliu seco.
_ Está me seguindo agora querida.
Regina tinha sido pega , mas até em uma situação desfavorável , ela se saía bem.
_ Não vem de conversinha Regina , o que você queria com Gold?
Foi a vez de Regina entrar no modo prefeita. Ou melhor ex .
_ Não acho que aqui no meio da rua seja o melhor lugar pra conversarmos.
Emma continuou encarando , ela queria uma resposta e ela teria.
_ Tudo bem , mas dessa noite não passa.
Emma deu um beijo rápido nos lábios de Regina.
_ Nos vemos mais tarde em casa. Te amo!
Emma desbloqueou a porta e deu a volta no carro de Regina , atravessou a rua e entrou na viatura , indo embora.
Regina observou a tudo por baixo dos cílios. Ela sabia que teria problemas mais tarde.
Regina passou na escola pra buscar Henry. Ela estava parada na porta quando , o menino a viu e veio correndo pra abraça-la.
_ Mãe !
Ela o envolveu em um abraço carinhoso e beijou o topo de sua cabeça.
_ Mãe , eu posso ir pro parque soltar pipa com o Jhon?
_ E quem vai levar vocês?
_ O pai dele.
_ Tudo bem querido , mas eu te pego no parque as 5.
_Não, o pai do Jhon vai me levar em casa.
_ Bem, tudo bem mas nada de atrasos ou...
_Ou você vem atrás de mim.
_Isso!
Ela deu outro beijo no filho e logo viu o menino se juntar a seu amigo e o pai, em direção ao parque . O pai de Jhon acenou pra Regina com a cabeça.
A morena então entrou no carro e foi pra casa.
No parque Henry e Jhon soltavam suas pipas . O garoto vinha caminhando pra tras enquanto olhava pro céu , seus olhos fixados na brincadeira , foi então que no seu andar ao contrário , ele tropeçou em uma raiz alta no chão e caiu, ele não teve tempo de nada a não ser de ver uma figura segurar sua linha e salvar sua pipa . Ele ficou caído no chão olhando pra aqueles olhos azuis , era uma menina .
Ela estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo solto , calças brim brancas, botas brancas e um casaco bege claro que ia até quase seus joelhos. Ela era linda e muito mais bem vestida do que qualquer garota de sua escola. Ele nunca a tinha visto e imaginou que fosse de fora da cidade.
_ Você está bem?
Ela perguntou dando a mão que não segurava a pipa , ao garoto para se levantar. Ele segurou a mão dela e levantou se limpando suas roupas.
_ Acho que sim, obrigado!
Ela deu um leve sorriso e entregou a linha ao menino.
_ Acho que isso é seu.
_ Ah sim , obrigado!
Ele pegou a linha e prendeu a raiz que estava no chão , mantendo a pipa no ar mas evitando que ela voasse pra longe.
_ Muito prazer , meu nome é Henry!
Disse o garoto, sempre muito bem educado.
_Anna!
Ela apertou a mão do garoto.
_Você mora por aqui?
_Não , não sou daqui , minha família está acampando na floresta.
Henry olhou os trajes da garota a sua frente . Ela não parecia ser muito mais velha que ele , mas ganhava do garoto em estatura. E na vestimenta também, ela parecia mais uma adulta em forma de criança.
_ E está gostando?
_ É um lugar bem diferente.
_ De onde você é ?
_ De uma cidade próxima.
Ela desconversou. Ele achou estranho , mas ficou quieto.
_ Vc gosta de pipas?
_ Não sei , nunca fiz isso.
_ Sério, quer experimentar?
Ela olhou pro menino e arqueou uma sombracelha. Henry tinha certeza que já tinha visto aquele gesto em algum lugar.
_ Hã , acho que tudo bem.
_ Legal , é segurar firme e dar umas puxadas de leve pra vc , aí ela vai se mover no céu.
_ Acho que entendi.
Ela pegou a linha e Henry , tentou guia-la.
_Isso, agora segura bem forte e dá uns puxões .
Ela rapidamente domou a coisa e mesmo achando meio patético o fez com destreza.
_Uau! Você tem talento!
_Obrigada , eu acho!
Ela entregou a linha novamente ao garoto.
_ Bem , eu tenho que ir Anna, minha mãe odeia que eu me atrase.
A garota não disse nada , só franziu o lábio.
_ Prazer te conhecer.
Ele apertou a mão dela e ela retribuiu. Um meio sorriso no rosto.
_Quem sabe a gente não se vê por aí?
_É quem sabe.
Ele recolheu a pipa e foi caminhando. Ela o observava com um olhar apertado , como de um felino espreitando sua presa.
Henry ainda olhou pelos ombros e deu um tchauzinho , antes de se unir a Jhon pra ir embora. Ela correspondeu e com um sorriso sádico nos lábios disse.
_ Você pode ter certeza , irmãozinho.
A família Mills jantava . Henry estava achando tudo muito quieto, ele tinha começado a falar sobre seu dia na escola , mas como fora batido com os olhares intensos entre suas mães , ele parou. Mas o silencio voltou a incomodar e ele começou outro assunto.
_ Eu conheci uma menina hoje no parque mãe!
Regina desfitou os olhares de Emma , pra olhar pro filho.
_ Menina Henry? Que menina?
_ O nome dela é Anna , ela não é daqui está com os pais acampando na floresta.
Emma e Regina se olham confusas , elas não sabem nada sobre pessoas acampadas. Regina na hora não faz alusão ao nome , mas sua expressão é preocupada.
Emma pega a expressão de Regina e começa a questionar o filho.
_ Ela estava com quem Henry , você conheceu os pais dela?
_ Nãoo!
O garoto responde de boca cheia , sendo automaticamente repreendido pelo olhar educador de Regina. Ele limpa a boca com o guardanapo e com um risinho sem graça diz.
_ Desculpe!
Emma põe a mão no rosto pra esconder o riso e também é repreendida pelo mesmo olhar , engolindo seco e voltando a posição anterior.
_ Como eu estava dizendo Emma , ela estava sozinha.
Regina continua o interrogatório.
_ E como era essa menina ?
Regina tinha uma desconfiança sombria em seus olhos , ela não queria acreditar no que estava pensando , mas ela tinha a nítida ideia de que sua mãe tinha se transmutado e ido falar com Henry. Sua espinha gelou com a ideia do perigo que o filho correra.
_ Ela um pouco mais alta que eu , mas não parecia ser muito mais velha, tinha os olhos muito azuis, da cor do céu , mas sabe o que era engraçado ?
Henry olha pra suas mães e acha estranha a reação exacerbada delas a uma simples garota do parque.
_ Fala garoto!
Ele olha pra Emma com os olhos confuso, porque tanto estresse.
_ Ela não se vestia como uma garota normal, ela parecia mais uma adulta. E até falava um pouco como uma.
Os olhos de Regina ficaram estáticos , ela tinha certeza. Cora tinha se transmutado em uma garota e esteve perto de Henry. Regina em um arroubo levantou de onde estava e se abraçou a Henry. Emma via aquela cena e se levantou também , ela chegou no ouvido de Regina.
_ Gina pare está assustando ele.
Henry , olhava pras duas de um lado pro outro , sem entender nada.
_ Mãe o que foi?]
Regina se soltou do menino e começou a levar os pratos pra cozinha, uma força enorme pra conter as lágrimas. Regina levou os pratos pra cozinha.
_ O que ela tem Emma?
_ Ela só está nervosa garoto.
Emma disse colocando uma mão no ombro do filho.
_ Terminou aí né , então vai lá pra cima jogar um pouco , eu vou ajudar sua mãe.
_ Mas ...
_ Faz isso por mim, ok?
Emma deu um olhar brilhante ao menino.
_Tudo bem.
Ele levantou da mesa e foi pra cima. Emma recolheu os pratos restantes de foi pra cozinha.
Ela depositou os pratos na pia onde sua mulher já os estava lavando. Os resquícios das lágrimas nos olhos.
_ O que foi Gina, porque está assim?
Ela continuou lavando os pratos.
_ Regina !
Emma segurou as mãos enluvadas da morena , fazendo a parar e olhar pra ela.
_ Regina me conta . Primeiro te pego saindo da loja de Gold e depois você desaba desse jeito só porque Henry conheceu uma menina.
Regina tirou as luvas , ela segurou na bancada e as lágrimas vertiam de seus olhos a cabeça abaixada.
_ Gina você está me assustando , o que foi meu amor?
Emma passou a mão delicadamente no rosto de sua morena. Regina olhou pra Emma e respirou fundo.
_ Emma eu tenho razões fortes pra crer que minha mãe está aqui em Storybrooke.
Emma olhou pra ela confusa.
_ Por causa do sonho?
_ Eu te disse Emma não foi só um sonho, eu conheço cheiro de magia longe , aquele sonho fedia a magia das trevas.
_ E o que acha que ela quer?
_ Eu não sei ,mas boa coisa nunca vem daquela mulher. E tem mais uma coisa.
Regina olhou bem dentro dos olhos de Emma .
_ Eu tenho motivos pra achar que essa menina que Henry conheceu não era uma menina.
_ E o que era então?
_ Minha mãe , não seria difícil dela se transmutar em uma criança pra mais facilmente se aproximar do Henry.
Agora era Emma que estava ficando preocupada .
_ E porque você acha que era ela Gina . Uma coisa pode não ter a ver com a outra.
Regina tinha os olhos desesperados.
_ É muita coincidência Emma .
_ Coincidência em que Regina.
_ Minha filha Emma. A filha que ela me tirou, o nome dela era Anna e tinha os olhos azuis.
A boca de Emma caiu no chão com aquela afirmação.
_ Você acha que ela , tomou a forma que sua filha teria. Isso é muito louco até pra ela.
_Ela é má Emma , ela me tirou a Anna , eu não duvidaria que ela tomou essa forma de uma menina de olhos azuis e com o mesmo nome , pra me mandar um recado. Emma ,Henry não está seguro.
Emma estava com raiva agora.
_ Ela não tocará no nosso filho.
_ Precisamos protege-lo. Temos que redobrar os cuidados com ele.
_ Faremos isso. Ele ficará bem.
Ela abraçou Regina , beijou o cabelo da morena , que descansou a cabeça em seu ombro. Elas se soltaram do abraço.
_ Eu não entendo , como uma avó pode querer fazer mal ao neto.
Regina piscou os olhos e abaixou a cabeça.
_ Não seria a primeira vez Emma.
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