Entre O Amor E O Odio ,quem Vence?
2 Capítulo 2
Londres era uma cidade fascinante, cheia de contrastes, com suas torres de luzes ofuscadas pelo seu clima acinzentado e com edifícios modernos competindo com as construções antigas. Lá embaixo, debaixo da neblina, a maioria das pessoas dormia. Não que essa fosse uma cidade parada, muito pelo contrário, mas depois das três da manhã, em um dia de semana, a maioria das pessoas já estavam em seus confortáveis quartos esperando por mais um dia de trabalho. Eu não me sentia sonolenta, e apesar de estar pendurada no 23° andar há mais de uma hora, eu também não me sentia cansada. O vento forte vindo do norte fez as os cabos que me sustentavam balançarem. Tão pouco senti medo. Eu já estava acostumada. Apenas firmei ainda mais as mãos na corda e continuei encarando lá embaixo. Na noite escura e coberta pela nevoa, eu mal era avistada. Minha roupa preta, colada ao corpo, não deixava nenhum pedaço a de pele a vista. Meu sobretudo de couro, muito maior do que meu numero verdadeiro, estava em uma bolsa, lá embaixo. Era ele quem me cobria e disfarçava minhas curvas femininas. Por debaixo da roupa apertada eu usava enchimento nos seios. Não que eu não tivesse nenhum, mas também não eram lá essas coisas grandes. No entanto o principal motivo era o disfarce. Eu também usava nádegas falsas e ombreiras, na tentativa de dificultar um pouco mais as coisas para os tiras. Eu sempre trabalhava nos dias nublados, e talvez por isso eu ganhei o codinome Mist. Sorri orgulhosa, porque sim, eu havia adorado o nome.
Mais uma noite de assaltos, mais uma noite mal dormida. Eu ainda tinha pesadelos com aquela noite, há anos atrás, onde vi meus pais serem brutalmente marcados a ferro, minha mãe ser impiedosamente estuprada e, consequentemente, os dois serem mortos. E fora isso, esse momento trágico em minha vida que me trouxera até aqui, no alto desse prédio, para mais um roubo. Soltei o cabo para que eu pudesse descer mais alguns andares. Dentro do complexo tudo estava escuro e calado. Mas não era o prédio de uma das maiores empresas de computadores que me interessava, era a mansão logo abaixo. Com um terreno grande o suficiente para serem construídas umas cinco casas de médio porte, a mansão de um dos homens mais ricos da cidade estava solitária. Ele e sua esposa tinham partido para uma viagem ao Caribe, na tentativa de aproveitar um pouco do sol que Londres não tinha nessa época do ano. Suas joias ficaram escondidas em um cofre e o sistema de segurança era um dos melhores. Isso dificultava um bocado as coisas, mas não que fosse um real problema. O que seria da vida sem alguns desafios? O primeiro a ser superado era os dois cachorros de guarda, fortes como dois touros, andando livremente pelo jardim. Um guarda noturno visitava a casa de uma em uma hora, e ele apareceria para sua ronda em vinte minutos. Desci mais dois andares. Lá embaixo, em cima de uma árvore, muito bem escondido, estava John. Avistei o duplo flash de luz que ele disparou para o alto, informando que estava tudo conforme o planejado até o momento. Até o momento. Suspirei. E que assim continuasse. Tirei de um pequeno saco alguns pedaços de carne, temperados especialmente com medicamentos que fazem qualquer animal dormir na hora. Eu não mataria ninguém, muito menos um animal. Primeiro joguei uma pedra qualquer, como tantas que havia no jardim para não levantar suspeita dentro do quintal, chamando a atenção dos cachorros. Assim que eles vieram, vorazes, joguei os pedaços de carne e esperei, calmamente, enquanto o vento me balançava de um lado para o outro, enquanto eles comiam e o remédio fazia efeito. Olhei no relógio. O guardinha era eficiente, não atrasou nenhum minuto em sua ronda. Fez a vistoria, os cachorros ainda estavam acordados, meio calmos, mas acordados, e foi embora quinze minutos depois. Agora era hora, acionei o alarme e, a partir daquele segundo, o relógio estava contra nós. Soltei os cabos rapidamente e desci de forma apressada. John piscou a lanterna mais duas vezes, indicando área limpa e eu corri ao seu encontro. Mal nos olhamos, apenas acenamos com a cabeça um para o outro, subi na arvore e pulamos do outro lado. Entrar foi fácil, que Deus nos ajudasse na hora da saída. Assim que entramos, olhamos para todos os lados, apreensivos. Mas apenas as corujas piavam na noite silenciosa e fumaça saía das nossas narinas pelo frio.
-- Vamos.
Corremos juntos até a porta da casa. Havia uma caixa ao lado da porta, a caixinha do alarme.
-- É com você.
E enquanto ele pegava um aparelhinho do bolso, fiquei observando a noite e tudo em volta. John era rápido, mas nos poucos segundos em que ele esforçava o cérebro, tentando burlar o sistema, me peguei admirando-o.
Não, não, não e NÃO! Eu não o amava. Não tinha um quedinha por ele ou nada do tipo. Deus me livre! John era praticamente um irmão. Assim que meus pais foram assassinados, me vi sozinha com tia Beatriz. Era meio solitário às vezes, só nós duas, mas melhorava quando o namorado dela aparecia e me trazia doces. Ele era um cara bacana e tinha um filho, apenas dois anos mais novo do que eu. Beatriz nunca pode ter filhos e pegou John como seu próprio sangue, assim como também me criou. Ele era meio primo-irmão e, principalmente, meu melhor amigo. De algum modo, nunca mais fui totalmente sozinha. Crescemos juntos, brincamos juntos, levamos broncas juntos e nunca nos separávamos. Ele era um gênio em informática, já eu era detalhista e aventureira. John era a única pessoa que me conhecia. Eu me tornei uma pessoa fechada com os acontecimentos. Reviravoltas a parte, ele sempre me apoiou em tudo, até mesmo em minha vingança. Ele sabia da maioria dos planos e ideias. E agora, tantas loucuras depois, estávamos aqui, roubando!
-- Pronto!
Escutei o clique da porta se abrindo. Ele sorriu pra mim e eu baguncei seu cabelo.
-- Menino esperto!
Entramos na casa e avistamos apenas escuridão. Pouco reflexo entrava pelas janelas cobertas por pesadas cortinas. Cada passo dado, não importando o cuidado que tomássemos, era um rugido ecoado no silêncio. Andamos rumo às escadas. Não era necessário palavras, ambos estudaram a planta da casa durante semanas. Sabíamos de coisas que talvez nenhum guardinha, segurança ou policial soubesse. Outro ladrão roubara a planta original da casa, diretamente do arquiteto que a construiu. Custara caro, mas valeria a pena. Esse não era um roubo pequeno.
-- Você desativou também o alarme de presença?
-- Claro! Eu sei bem fazer meu trabalho! Disse ele como se tivesse sido insultado. Ambos rimos.
-- Babaca!
Entramos no quarto. Porque as pessoas insistiam em deixar os cofres nos quartos? Será porque ELAS se sentiam seguras ali, acreditavam que o dinheiro também estaria? Enfim, melhor pra mim.
-- A caixa para desativar o alarme do cofre está dentro do banheiro. Disse acenando com a cabeça para que ele fosse pra lá.
-- Já sei onde está!
Enquanto John ia até o banheiro, fiquei olhando o enorme quadro pendurado em cima de uma pequena lareira, de frente para a cama. Uma enorme foto de um casal sorridente, com um lindo colar de perolas, enfeitado com um único diamante, no pescoço de uma mulher. Aquele colar era o motivo pelo qual eles estavam ali. Ele valia ouro, ou melhor, muito mais. Valia pérolas e diamante. Aquele quadro, tão romântico, era uma farsa. Ele traia a esposa com, pelo menos, duas mulheres diferentes e roubava dos impostos. A mulher fingia ajudar o povo mais carente, mas extraviava renda para uso particular com amantes e drogas. Tudo muito bem camuflado. O dinheiro camuflava muitas coisas.
-- Pronto! Pode abrir o cofre!
Escutei John gritando do banheiro. Estranho.
-- Tá tudo bem? Porque você não veio aqui me falar isso pessoalmente?
-- Estou mijando, OK? Posso?
Escutei o barulho do liquido atingindo o fundo do vaso sanitário. Comecei a rir.
-- Idiota!
-- Anda logo! Só temos mais dez minutos.
Dez minutos. Nossa! Como o tempo voava quando se estava em perigo. Olhei para meu próprio relógio confirmando essa informação e me assustei quando percebi que era verdade. Nove minutos, o ponteiro dos minutos havia virado. Me adiantei rumo ao cofre e tentei o abrir devagar, com os olhos semi fechados e apreensiva. Ele rangeu um pouco, mas se abriu completamente sem dificuldades. Ufa! respirei finalmente aliviada. Lá dentro, em uma caixa transparente, em cima de um veludo, estava o colar. Ele já tinha um comprador certo. Vinte milhões. Minhas mãos tremeram na ânsia. Com esse dinheiro eu poderia ficar, pelo menos, uns oito meses livres e me dedicar somente a minha vingança. Não que eu fosse pobre, muito pelo contrário. Na verdade, com esse dinheiro eu poderia me aposentar pelo resto da vida. Fui ávida rumo ao cofre, escutei John dar a descarga, mas assim que minha mão atravessou o primeiro milímetro para dentro do cofre, algo inesperado aconteceu. Um alarme, altíssimo, soou. De onde ele vinha ou o porquê eu não tinha a mínima ideia. Peguei o colar no susto e joguei dentro da bolsinha na minha cintura.
-- O que está acontecendo? Gritei desesperada! Você não desligou a porra do alarme?
-- Desliguei! John veio correndo do banheiro, tão desesperado quanto eu.
-- Então o que aconteceu?!
-- Esse outro alarme não estava na planta! Eu juro!
-- Eu sei. Temos que achá-lo agora!
E começamos os dois, correndo contra os segundos, a procurar uma caixinha branca naquele quarto imenso. Comecei a soar frio, como sairíamos dali com aquele alarme ligado? Não queríamos a policia atrás de nós tão rapidamente! John começou a xingar até o vento! Segundos depois ou o que me pareceu dias mais tarde, gritei.
-- Ali! Dentro da lareira!
-- Como você foi burra! Ele estava bem embaixo de você!
-- Cala boca, moleque, e desativa esse caralho logo!
John, ainda tremendo, colocou os equipamentos e resolveu o problema em um minuto. Um novo recorde. O barulho cessou, mas outro barulho começou no mesmo instante. Sirenes policiais. O que o medo de ser pego não fazia. Escutamos os cachorros latirem lá fora! Eles já tinham acordado. Ainda bem para eles. Pior para nós.
-- Tem policias lá fora! Corre!
Coloquei uma replica falsa dentro do cofre, no mesmo lugar em que o original estava poucos minutos atrás e fechei o recipiente. Dei uma olhada no quarto, parecia tão normal quanto me pareceu assim que entramos nele há poucos minutos atrás. Corremos rumo à biblioteca, mesmo no escuro, o mapa gravado em nossa mente nos guiava até o cômodo. Levantamos o tapete caro e pesado que estava no meio dos livros, e puxamos a alça do porão que estava abaixo de nós.
-- Rápido! Entra! disse John.
Dei uma última olhada para trás antes de pular dentro do porão. Ele arrumou o tapete de um modo que assim que fechássemos o alçapão, ele cairia sobre nós. Não ousei ligar a lanterna, apenas o visor do mini computador de bolso de John nos iluminava na escuridão. Prendi a respiração assim que escutei passos e vozes dentro da casa. Uma revista foi feita, cômodo por cômodo, por dois policais.
-- Tudo limpo aí em cima?
-- Tudo! E aí embaixo?
-- Limpo! Deve ter sido alguma falha do sistema!
-- É... Deve.
-- Verificou bem embaixo das camas?
-- Que tipo de ladrão hoje em dia se esconderia embaixo da cama?
-- Sei lá!
-- De qualquer modo, precisaria ser muito ninja para passar pelos dois cachorros lá fora. Um deles quase arrancou minha perna.
Estávamos salvos lá embaixo, escondidos, enquanto os dois homens jogavam conversa fora, mas ainda sim, suávamos de nervoso. Com os minutos as vozes foram sumindo, os cachorros latiram novamente, sinalizando que os policiais estavam indo embora. Esperamos trinta segundos a mais, depois que eles se silenciaram, apenas por segurança. Devagar, com todo o cuidado, John começou a abrir a porta do porão. Ele espiou para fora.
-- Barra limpa!
Dei apoio para ele pular para fora e logo depois ele me puxou pelo braço. Nos olhamos aliviados. A casa, pelo menos para quem olhava de fora, estava completamente vazia. Caminhamos rumo à sala, tudo, agora, precisava ser calculado. Os cachorros nos esperavam do lado de fora, bem em frente à porta. Jogamos outros pedaços de carne, esses melhor temperados, ou na verdade, com mais sonífero e esperamos eles se deleitarem com o banquete. John sentou no chão e ficou esperando eles devorarem a carne e ficou observando o remédio fazer efeito. Eu comecei a observar a sala, levemente iluminada pelo poste lá fora. Vários retratos enfeitavam o cômodo. Outra lareira e algumas poltronas. Em uma das fotos, onde estava apenas o homem grisalho, sorrindo e segurando um diploma, um anel me chamou atenção. Nele, de modo muito disfarçado, estava entalhado MF, aquelas siglas tão conhecidas por mim. Prendi o ar e um flash de memória me assombrou. O grito do meu pai. O choro desesperado da minha mãe. A marca que ficaria para sempre na pele deles e em minha memória. Solucei. Balancei a cabeça fortemente tentando, em vão, tirar aquela imagem que nunca saía da minha cabeça.
-- Anita? John me chamou. Voltei à realidade. Droga. Eu estava tremendo mais forte agora.
-- Oi? Cheguei mais perto do retrato.
-- Vamos?
-- Aham. Mas não movi um passo.
-- O que você está fazendo?
-- Esse símbolo... Sussurrei. Mais para mim do que pra ele.
-- Vamos embora ou os cachorros vão acordar! Anda! Disse ele puxando meu braço. Despertei do transe e escutei os cachorros começarem a bufar lá fora.
-- Vamos.
E dando uma última olhada para o anel, saí correndo rumo à noite cinzenta.
Já dentro do carro, segura e aquecida, meu bolso estava tão pesado quanto a minha cabeça. Por debaixo do pesado casaco preto, de couro, a bolsinha contendo a joia, repousava. Apertei as têmporas com as pontas dos dedos, na tentativa de parar aquela dor chata que sempre me acompanhava.
-- Conseguimos, mana! John disse dando pequenos pulinhos no banco.
-- É... Conseguimos. Mas, como sempre, não havia emoção em minha voz.
-- Você tem ideia de que esse foi o roubo mais difícil do ano? Provavelmente um dos mais difíceis de todos que já fizemos?
-- Então porque essa cara?
Lembrei da foto, do anel, do MF, dos meus pais e da minha vingança. Eu poderia ficar o restinho da noite e um dia inteiro falando sobre isso, mas era melhor não. Aquele era um peso meu, eu não precisava encher mais ainda a cabeça de John. Ele já me ajudava demais.
-- Nada. Tô com fome!
Ele me olhou assustado, uma, duas vezes. Depois deu os ombros e decidiu deixar pra lá. Ele já me conhecia bem.
-- Sua leãozinho. Vamos! Te pago aquele pratão de sanduíche com fritas que você tanto adora.
-- A gente merece! disse ligando o som e voltando novamente para meus próprios pensamentos.
-- É. Você vai mesmo tirar um ano de férias?
-- É... Pode-se dizer que sim...
-- Como assim?
-- Você sabe o que estarei fazendo.
-- Você sabe onde está se metendo, certo? Disse ele no mesmo tom de repreensão de sempre.
-- Sei. disse com a mesma indiferença.
-- Você é louca!
-- Descobri o que significa MF.
-- Sério? Dessa vez ele pareceu curioso.
-- Sim.
Depois de um tempo me olhando e eu em silêncio, ele disse.
-- E então? Fala logo!
Dei um sorriso. Sabia que ele não aguentaria muito tempo, curioso como era.
-- Maleficus.
-- E...
-- É isso é o nome da máfia, seu idiota! As siglas são o que eles usam entre si e para marcar, a ferro, suas vítimas.
John sempre perdia a razão quando eu falava da máfia. Ele tinha medo. Na verdade a maioria das pessoas tinha. Mas eu não tinha nada a perder.
-- Eles podem acabar com você! Ele disse com raiva.
-- Eles JÁ acabaram comigo. Disse com a mesma calma de sempre.
Suspirei. Aquele assunto sempre me deixava exausta. Ninguém entenderia, nem mesmo meu meio irmão. Eu estava sozinha nessa, como sempre estive. John não disse mais nada. Apenas me olhou feio. Olhei para ele e lhe baguncei o cabelo, pela segunda vez na mesma noite.
-- Desmancha esse bico e acelera! Ou vou cortar sua pancinha e comer ela mesmo!
-- Eu não tenho pancinha!
-- OK.OK. Se você insiste...
-- Sua idiota!
Ri dele. Ele sempre me fazia sorrir, e isso, acreditem, era raro.
-- Você lida com o comprador da joia?
-- Claro. Amanhã no pôr do sol.
E assim ele acelerou. Abri a janela e deixei o vento bater em meus cabelos. O sol começava a querer aparecer no horizonte e os primeiros raios tingiam o céu, ainda meio azulado, de laranja. Observando o lento amanhecer vi uma mulher atravessando a rua com uma câmera no pescoço e uma jaqueta de couro fina, encolhida pelo frio, segurando um copo que parecia conter café. Coitada, pensei, tinha gente pior do que eu lá fora. Mal sabia eu o que o futuro me aguardava. O barulho do motor do carro chamou a atenção da moça que olhou para dentro do veiculo. Seu olhar foi rápido e forte. Nos encaramos. Ela não precisou correr para terminar de atravessar a rua, conseguiu, com segundos de sobra, chegar do outro lado. Lancei um olhar para ela, mas tudo que consegui reparar fora naquela jaqueta, visivelmente, barata e em seus cabelos castanhos, com poucos tons de ruivo, levemente cacheado, preso em um coque mal feito. Tudo aconteceu em um segundo, porque no instante seguinte, ela já havia ficado para trás. Olhei pelo retrovisor e ela havia desaparecido.
-- Chegamos. Disse John trazendo minha atenção de volta. Dei uma última olhada no espelho antes de descer do carro e visualizei Mist, aquela outra pessoa que eu me tornava noites sim, noites não. Naquele instante, enquanto eu desfrutava uma das coisas mais gostosas do mundo, um super sanduíche, me permiti esquecer de todo o resto e ser apenas eu mesma.
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