Entre O Amor E A Guerra
77 Capítulo 77 - É difícil dizer adeus – parte final.
Notas iniciais
Boa leitura!!! :)
Estava quase chegando na portaria quando foi alcançada por Santana, que segurou em seu braço mais uma vez e a puxou...
– Espera...por favor!! Disse a latina, com um fio de voz que sinceramente não sabia de onde havia tirado, afinal ainda chorava.
– Esperar o que Santana? Que você parta para cima de mim de novo, me agrida com palavras, deseje minha morte? Cansei desse jogo, dessa história mal resolvida, desse sentimento que eu não consegui matar dentro de mim....só eu que continuei amando, você seguiu sua vida. Acho que é hora de seguir a minha. Disse a loira, virando-se de novo para sair.
Santana puxou-a com mais força, fazendo com que os corpos se aproximassem de forma abrupta e se tocassem em toda a sua extensão. Sem perder tempo a latina literalmente agarrou no pescoço de Brittany e deu-lhe um longo beijo, demorado não só pelo tempo, mas pela intensidade que as bocas se tocavam; era como se pudessem parar a vida naquele instante e esquecer o mundo a sua volta...o baile, as pessoas que olhavam, o grupo de amigos que chegava achando que as duas se matariam na porrada. As bocas só se separaram quando não mais podiam agüentar a falta de ar, e Santana antes que Britt tentasse falar qualquer coisa, a calou com mais um selinho.
– Não fala nada Britt! Eu sou uma idiota, burra e retardada que ama você e não sabe mais o que fazer para esquecer esse amor. Juro que tentei, me esforcei para seguir minha vida, para pensar em outras coisas e pessoas, mas quando alguma coisa boa ou ruim acontecia, quando algo me inquietava, a noite quando colocava a cabeça no travesseiro era só em você que eu pensava, só você que eu queria ao meu lado. Sei que nunca vai me desculpar pelas coisas que fiz hoje, e principalmente pelas coisas que falei, mas precisa só saber que eu te amo, que você...
Antes que terminasse a última frase foi a vez de Brittany interrompê-la com um beijo terno, carinhoso mas ao mesmo tempo urgente, necessário. O desejo era ficar ali beijando sua latina para sempre, mesmo que o para sempre durasse só mais alguns minutos. Sentir sua pele, sua respiração, seu corpo, era tudo o que Brittany mais queria nos últimos meses, e não iria desperdiçar um só minuto longe dela. O beijo só foi interrompido pelos gritos que ouviam quase dentro dos seus ouvidos, parecendo inicialmente um tumulto, o que assustou as duas.
– Sapatassss loucassss!!!! Em pleno baile de despedida da minha mana vocês querem chamar mais atenção dando show do que a dona da festa? Gritava Puck, acompanhado por todo o grupo, que ria da cara de susto das meninas. Parem logo com essa putaria e venham se divertir que o baile está bombando!! Logo Quinn, Rachel e a própria Natalie se aproximaram das meninas, e depois de uma rápida conversa voltaram para a pista de dança. San e Britt queriam ficar a sós, conversar, fazer amor, se amassar até uma tomar o lugar do corpo da outra, mas sabiam que precisavam voltar para a festa, era a despedida de uma das pessoas mais importantes de suas vidas, deviam isso a ela. Logo voltaram e se juntaram ao grupo, que dançava loucamente no meio da pista.
Santana volta e meia olhava um tanto quanto “bolada” para Natalie, ficava imaginando o quanto deveria ter amado Brittany para fazer uma tatoo enorme nas costas com aquela declaração de amor. Quando a menina foi ao banheiro sozinha aproveitou e foi trás, queria algumas respostas que a incomodavam, que faziam com que ainda sentisse ciúmes e um certo incômodo com a proximidade da menina.
– Desculpa vir atrás de você aqui no banheiro Natalie. Prometo que não quero confusão, não quero brigar mais, muito menos machucá-la, quero só conversar. Disse Santana, parecendo realmente querer uma aproximação amigável da menina, que a olhou bem assustada, mas sem baixar a guarda.
– Tudo bem Santana, eu imaginava que você iria querer saber um pouco de mim e da minha relação com Brittany depois daquela confusão toda. pode perguntar o que quer saber, confesso que também queria muito te conhecer, a Britt Britt falou muito de você desde que voltei para o Brasil. Disse Natalie, em um tom que confundiu um pouco Santana; não sabia definir, mas algo nela a incomodava, especialmente a “intimidade” com que mencionava o nome de Brittany.
– Sei lá, queria saber um pouco mais de você, soube que namorou muito tempo com a Brittany e que depois foi embora para a França, só voltando agora. Disse a latina. Com um pouco de sarcasmo na voz.
– Namoramos por quase três anos, até que surgiu a possibilidade de morar na França, que era um sonho antigo meu; Brittany na época enfrentava o início da doença da mãe dela, por isso não pode me acompanhar, ai acabamos nos separando por conta da distância. Fiz intercâmbio no começo, depois resolvi ficar mais um pouco, até que resolvi tentar o vestibular aqui no Brasil, afinal tudo que eu mais amava estava por aqui. Foi por isso que voltei, para tentar o vestibular e estar perto daqueles que amo. Disse a garota, tentando ser simpática com a latina, que a olhava meio que enigmática.
– Tudo o que mais amava? Não entendi essa parte. Falou Santana cruzando os braços em sua típica pose bitch.
– Bom, se está achando que voltei por causa da Britt Britt pode ficar tranqüila, voltei casada e feliz com uma francesa maravilhosa que conheci. As pessoas que amo que me referi são meus pais e meus irmãos, com os quais tinha pouco contato desde que fui para a França. Voltei para estudar e para estar próxima deles de novo.
Santana sentiu-se um pouco mais tranqüila depois dos esclarecimentos da menina, mas ainda soava estranho aceitar fingir-se de namorada da ex para fazer ciúmes na atual. Como a latina adorava novelas mexicanas, ficou com aquilo na cabeça, mas achava melhor não comentar, afinal parecia ser neuroses de uma piriguete totalmente ciumenta. Melhor tornar-se amiga de Natalie, não queria mais problemas com Brittany. Saíram então do banheiro conversando e rindo, falando sobre o temperamento e das manias de Britt, que de longe observava a interação das duas. Natalie foi em direção ao grupo enquanto Santana se juntou a Rachel, dizendo que iriam dar umas voltas para ver como estava a organização da festa.
Eram quase duas da matina quando Puck pegou o microfone e anunciou que fariam um intervalo nas apresentações especiais, pois tinham um aviso importante para dar. Fez cara de suspense, demorou-se um pouco no pronunciamento, deixando Quinn e todo o público meio apreensivo, quando começou a falar com a voz meio embargada, quase chorando...
– Eu não sou um cara de chorar, sempre achei que homem que chora é boiola, mas a vida me ensinou que muitos dos caras que gostam de outros caras são muito mais homens que eu...meu melhor amigo é o boiola que eu mais amo no mundo e tenho orgulho em dizer isso né não meu macho?! Falava o garoto olhando para Blaine, tirando altas gargalhadas do público, que sabia o quanto aquela amizade tinha feito Puck crescer e deixar para trás todos os preconceitos machistas e homofóbicos que tinha antes. Depois da sacanagem com Blaine, que tomou um beliscão de Kurt, ele continuou seu discurso.
– Então, como eu ia dizendo, não sou um cara de chorar, mas hoje é um dia muito especialmente estranho. É o dia em que estou dizendo adeus a pessoa que me criou, que me fez virar um homem, que me ensinou o que é cuidado, respeito, carinho. A pessoa que daria sua vida por mim, que largou sua infância e sua juventude para cuidar desse gostoso aqui que vos fala, que me fez enxergar o que era amor incondicional. Eu e ela crescemos tendo somente um ao outro, e ela conseguiu me suportar e me amar quando o mundo todo poderia virar as costas para mim, quando qualquer pessoa poderia dizer que eu era um drogado perdido e vagabundo, prestes a ser morto pelo tráfico ou pela polícia. Essa pessoa dedicou a vida dela toda a mim, e Deus foi bom o suficiente para fazê-la encontrar alguém que tem dedicado sua vida a ela. É essa pessoa que vem mudando a vida da minha amada irmã, e que tem feito ela sair de um caminho fadado ao fracasso e a morte prematura, que está disposta a traçar uma outra história para a loira traficante e maloqueira da favela...essa pessoa está levando ela daqui por um tempo, mas tenho certeza que vai devolvê-la pra gente melhor do que ela já é, se é que é possível ela ficar melhor. Antes que eu chore igual um bebê aqui no palco, quero chamar essa pessoa aqui, pois ela tem umas coisinhas para falar para a senhora, dona Quinn. sobe aqui Rachel, vem fazer um monólogo de três horas e meia para sua amada que ela está com cara de choro lá embaixo. Falou Puck, com os olhos marejados, chamando Rachel para o palco.
Quinn, que estava com Britt, Natalie, Finn, Blaine e Kurt, já chorava com as palavras de Puck, e quando viu Rachel subir ao palco ficou ainda mais emocionada; nunca imaginaria seu gnomo subindo ao palco de um baile funk, no alto de uma favela para falar sobre elas. Rachel aparentava estar bem nervosa, afinal tinham pelo menos umas três mil pessoas naquela quadra e todas direcionaram seu olhar para a baixinha, que pegou o microfone de Puck e ficou alguns segundos procurando por Quinn no meio da multidão.
– Alguns devem ter pensando “Lá vai Rachel Berry começar um monólogo sem fim”. Eu realmente escrevi algumas coisas que queria falar (disse a menina, abrindo pelo menos umas 10 folhas em uma das mãos, causando desespero naqueles que conheciam sua fama), mas olhando daqui para os olhos de Quinn, nada do que eu diga vai expressar todo o amor que sinto; poderia falar mil palavras, escrever outras mil, mas nada que dissesse seria suficiente para expressar o quanto agradeço a Deus por tê-la como minha namorada, como meu grande amor. Pensei em mil coisas, mas somente uma delas poderia dizer o quanto será importante caminhar ao seu lado nesse momento tão difícil...a música. Sei que nunca se imaginou me ouvindo cantar em um “baile”, principalmente porque escolhi cantar aquilo que mais te encanta...um funk!! Foi a música que mais me lembrou esse momento...Falando isso Rachel chamou Santana e Mercedes ao palco e iniciou uma canção que significava muito para ela e Quinn...
“Cada motivo a vida tem pra dar, basta você se ligar e sonhar...sonhar que tudo pode acontecer, basta você se ligar e acreditar em você. Sonhar faz parte da vida, sempre há uma saída em qualquer lugar. Procure dentro do peito, que há sempre um jeito para se amar. Vou arder em chamas, e rolar na cama sentir o teu calor. Vem me dar carinho, me sinto tão sozinha preciso desse amor. Cada motivo a vida tem pra dar, basta você se ligar e sonhar...sonhar que tudo pode acontecer, basta você se ligar e acreditar em você.” Priscila Noceti
Quinn chorava igual a uma criança ouvindo Rachel cantar, ainda mais se esforçar para cantar um funk, que ela sabia que não era nem um pouco a praia da namorada...sabia que seria difícil, mas enfrentaria tudo e todos para voltar para os braços daquela que era tudo em sua vida!!
Notas finais
Acho q Priscila Noceti uma chatinha, mas bonitinha...além do mais imaginei a Santana fazendo passinhos ali atrás, no vídeo!!!kkkkkkkkkkk
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