Entre O Amor E A Guerra

68 Capítulo 68 - Preparando-se para a batalha


Notas iniciais
Boa madrugada amores...desculpa postar tão tarde, mas fiz uma série de exames hoje e acabei apagando, meu cel despertou agora pouco para assistir glee!!!kkkkkkkkkkkkkk
O note está travando e desligando sozinho, então meu irmão (meu amado doador da medula) vai tentar mexer nele, provavelmente não postarei mais capítulos nesse fim de semana...sentirei saudades, mas será rápido pois se não concertar fico com ele bichado mesmo!!!kkkkkk
Beijos no coração!!! :)

...A verdade era que o corpo de Quinn começava a fraquejar e ela começava a considerar o convite da garota simpática morena, que fingia dormir tranqüila; não que fosse deixar acontecer alguma coisa, nem pensava nisso, mas poderia pelo menos dormir ali próxima a ela, afinal o frio começava a apertar...

Com um sorriso no rosto Quinn já se dirigia para o canto do colchão que Maya lhe oferecera para dormir, estava cansada e nada melhor que algumas horas de sono para revigorar a alma e a disposição para sair dali...Rachel a esperava lá fora, e ela não desistiria de lutar para ficar com a mulher mais linda que conhecera e aprendera a amar. Passou bem devagar entre duas presas que dormiam agarradas e quando se preparava para passar pela terceira garota, sentiu uma mão em seu pé, segurando com certa intensidade, impedindo a menina de seguir em frente. Olhou assustada para baixo e viu que uma garota pedia-lhe silêncio com o dedo indicador, o que fez Quinn, por curiosidade, recuar e abaixar-se ao seu lado. Maya agora fingia dormir de costas para onde Quinn estava anteriormente e não percebeu a movimentação...

– Deite-se aqui ao meu lado sem falar nada que logo vou lhe explicar o por que de te segurar...você corre perigo! Sei que não está me reconhecendo, mas confie em mim. Disse a menina meio estranha em um sussurro, tentando fazer com que Quinn não seguisse em direção a sua possível assassina. A loira deitou-se ao lado da garota e também sussurrou...

– Espero que o perigo não seja você, qual o seu nome e o que está acontecendo garota?! Disse Quinn que embora sussurrasse, foi bem áspera com a estranha menina, que tinha um piercing no nariz e outro na boca.

– Desculpe-me por te assustar, mas meu nome é Paige e sou gerente de uma das bocas do Morro da Baleia. Sei que não me reconhece, mas lembro de você quando ficou com seu grupo por um tempo lá, assim como lembro da família de uma namorada sua que ficou lá conosco, que tinha até um menininho que a gente chamava de Rafinha. Achei você linda desde o primeiro dia que chegou à nossa comunidade, por isso logo lembrei do seu rosto hoje, quando te trouxeram para cá. Não acredito que você não sabe que aquela garota que te chamou para dormir de conchinha é ‘frente” de uma das comunidades inimigas do São Jorge, o Morro da Caverna. Paige fez um breve relato da situação daquela cela, contando como Maya dominava e era a “xerife” dali. Quinn por usa vez forçou um pouco a memória e logo lembrou-se da garota, que parecia dormir como um anjo; o Morro da Caverna era uma favela inimiga do São Jorge desde antes de Quinn dominar o tráfico em sua comunidade, visto que eram responsáveis por algumas mortes na guerra pelo domínio do tráfico nos dois bairros. como podia ser tão tola e ingênua em acreditar que dentro da cadeia alguém desconhecido poderia ser bom com ela?! Quinn estava irritada com a própria burrice, e lembrava de quando Santana a chamava de anta loira...a latina era foda, mas tinha razão.

– Desculpe não me lembrar de você Paige, mas agora que falou lembrei da tal Maya, realmente ela é uma inimiga antiga da minha comunidade e eu estava dando uma de otária em acreditar que ela poderia estar sendo legal comigo. Não sei como te agradecer por provavelmente ter salvo a minha vida, pois ela certamente tentaria alguma coisa depois que eu dormisse e estivesse indefesa. Disse Quinn, olhando nos olhos da garota, que sorria hipnotizada para ela.

– Não tem porque agradecer, nossas comunidades são irmãs nessa guerra, e uma mão lava a outra. No que precisar pode contar comigo aqui, afinal saiba que você é muito admirada lá no nosso morrão. Disse a garota, que parecia ter uma quedinha sonhadora por Quinn desde que o grupo da loira ficou por alguns dias escondido no Morro da Baleia.

Quinn percebeu ali que não seria nada simples sobreviver dentro daquele chiqueiro. Mesmo tendo aliadas como Paige sabia que muita gente queria sua cabeça, afinal era a chefe do tráfico de um dos bairros fornecedores de maior quantidade de drogas para toda a cidade...todo mundo queria uma fatia daquele bolo de dinheiro que era produzido diariamente no São Jorge. Depois da curta conversa com a menina decidiu que simplesmente não dormiria aquela noite, ficaria de vigília pela própria vida; precisava pensar em uma forma de não correr tanto risco, não iria mais dar o mole que deu com Maya...no dia seguinte tomaria providências dignas de uma chefe do tráfico!!

No morro as meninas já estavam exaustas de tanto pintar faixas e baners...o centro comunitário foi invadido por adultos e crianças que queriam ajudar, afinal não era só a vida de Quinn que corria risco, mas de tantos outros garotos e garotas que habitavam aquelas celas insalubres e inabitáveis para humanos...pareciam feitas para porcos! Queriam fazer daquele protesto não uma bandeira de defesa de bandidos, como muitas pessoas poderiam erroneamente acreditar, mas em um movimento de luta por direitos humanos, qualquer humano que estivesse em risco....eram mães de jovens mortos em supostos “autos de resistência”, de jovens meninas estupradas por policiais das UPP’s, de tantos e tantos desaparecidos, certamente mortos e incinerados nos “microondas das comunidades”.

Santana e Rachel lideravam aquele movimento, apoiadas pela líder comunitária do bairro, que via na latina sua futura sucessora. Enquanto parte do grupo pintava, outra parte fazia café para mantê-los acordados e outros ainda articulavam por telefone com outras comunidades, para a adesão do movimento. Sem perceber aqueles meninos faziam a diferença na vida de seu bairro, mesmo que pensando na amiga eles queriam fazer daquele protesto um pedido de paz para todas as comunidades. Ao mesmo tempo patricinhas como Rachel e Mercedes, assim como Kurt e Sam começavam a entender como era duro viver o tempo todo sob a mira de revólveres, como um usuário de fim de semana como o próprio Sam era, financiava o tráfico e mortes de inocentes...a favela se transformava aos poucos em uma escola de vida.

– Nunca pensei que um dia estaria no alto de uma favela no meio da madrugada, preparando um protesto para manter viva uma traficante, namorada da minha melhor amiga. Disse Brittany sorrindo para Rachel, meio que analisando aquela situação tão diferente de tudo que já havia vivido junto com a melhor amiga.

– Quem diria não é mesmo amiga...as patricinhas da zona sul envolvidas com as piriguetes da favela do São Jorge. Disse Rachel direcionando seu olhar para Santana, que conversava animadamente com Finn e Puck, pensando em como usariam música e dança para tornar o protesto algo atrativo para o público jovem das comunidades convidadas. Protesto não tinha que só sinalizar dor e sofrimento...tinha que apontar para luta, energia canalizada para o bem....sendo assim nada melhor que música para transformar o evento em algo grandioso.

De longe Brittany observava também Santana...parecia loucura, mas começava a entender o porque daquele relacionamento ser fadado ao fracasso se continuasse como estava. Tinha tirado da latina o que mais a fazia viva e feliz, a capacidade de lutar por sua comunidade. ali seus olhos brilhavam, seu corpo parecia forte e resistente, nada daquela pessoa mortificada dias antes da tentativa de suicídio; era aquilo ali que dava vida a mulher da sua vida...aquilo que por alguns dias Brittany achou que poderia tirar de Santana para seu próprio bem e segurança.

– Em que está pensando loira revolucionária? Perguntou Rachel, curiosa com o súbito silêncio da amiga.

– Penso que você pode até sair da favela, mas a favela nunca vai sair de você. Disse Brittany, pensativa e olhando Santana.

– Que porra de preconceito é esse de repente mulher?

– Nada preconceituosa minha fala, muito pelo contrário. Tentei tirar Santana daqui e dar tudo de melhor para ela sem perceber que o melhor para ela era ter aquilo que amava perto dela, dentro dela...fui uma burra mas prometo que vou reverter isso para reconquistar a minha mulher chumbinho. O conselho que te dou...nunca tente tirar de Quinn a maior paixão da vida dela, a vida nessa comunidade. Disse Brittany, cheia de idéias na cabeça e um brilho nos olhos...uma música insistia em permear seus pensamentos, e foi cantarolando ela que se aproximou de Santana e da líder comunitária do São Jorge...


(…)

You're not alone

Você não está sozinho

Together we stand

Juntos nós ficamos de pé


I'll be by your side

Estarei ao seu lado

You know I'll take your hand

Você sabe que segurarei sua mão

When it gets cold

Quando fizer frio

And it feels like the end

E parecer ser o fim

There's no place to go


E não tiver para onde ir

You know I won't give in

Você sabe que não desistirei

No, I won't give in

Não,eu não desistirei ...”


Keep Holding On – Avril Lavigne

Notas finais
Música do capítulo (acho ela perfeitaaaa!!!):
http://www.youtube.com/watch?v=MmukW1sNlIk
PS: Aline Sukita um super obrigado pela recomendação, não sabes como é importante receber de ti o carinho e o cuidado com essa fiction!!