Entre O Amor E A Guerra

64 Capítulo 64 - Alta e retorno ao morrão!!


Notas iniciais
Boa madrugada meus amores...sem sono, enjoada e meio irritada!! Parece que quanto mais você confia e acredita nas pessoas mais elas te sacaneiam!!:(

Uma semana após ter saído do coma a latina saiu da UTI, e depois de três semanas finalmente recebia alta. Marley informou que a mesma só poderia ir para casa se fizesse um rigoroso acompanhamento ambulatorial tanto com ela quanto com a psicóloga do hospital, o que foi de pronto aceito pela latina, que não via a hora de estar de volta a sua vida habitual; ainda estava um pouco debilitada, mas nada que o carinho dos amigos não pudesse resolver, além do mais a saudade do morrão batia forte toda vez que lembrava o tempo que estava afastada de tudo e todos. Sentia que tinha feito a pior escolha de sua vida ao ir para a casa de Brittany, queria recuperar o tempo perdido junto aos seus, com muito bate papo, muito baile funk e muita zuação...ela era da favela sim, nunca negaria sua origem, mesmo que lá corresse risco eminente por conta de Emily. Esse era outro assunto que precisava encarar de frente...a loucura de Emily e tudo que aquilo acarretava.

Finn e Puck foram buscá-la de carro e quando chegavam ao beco da casa de Quinn a latina teve uma maravilhosa surpresa: todos os amigos, desde o bonde, as patricinhas, até as amigas do grupo de dança e as vizinhas fofoqueiras haviam organizado uma festa de boas vindas para a latina com direito a muita música, um churrascão e festival de passinhos entre os rapazes...até Sam, que era um playboy de marca maior entrou na roda e arriscava fazer o passinho do bonequinho com a ajuda de Blaine. Quinn e Rachel cuidavam da comida e das bebidas, enquanto Kurt e Mercedes se desdobravam para receber os convidados, que vinham de toda parte para rever a amiga. A família de Santana já estava devidamente acomodada no morro depois da expulsão de Emily, e participava ativamente da festa organizada pela melhores amigas da latina nos últimos meses, Quinn e Rachel; Rafael, o sobrinho, já estava totalmente ambientado no meio das patricinhas, e se distraia de colo em colo, brincando com todos e aprendendo já a fazer passinhos.

No começo Santana ficou meio sem saber como agir no meio dos amigos, mas logo se soltou e resolveu viver aquele momento...era tudo que ela queria desde o primeiro momento em que fora para a casa de Brittany; por mais que os primeiros dias tivessem sido tranqüilos e acolhedores junto com a loira e Marcos, a verdade era que sentia muita falta de tudo que aquela comunidade lhe apresentava, desde a infância. Não poderia beber ou comer nada que fosse além da dieta pós alta, mas ainda assim aceitou uma das iguarias favoritas do morrão, um pouquinho de pé de porco no feijão...a latina amava!! Logo estava no meio das meninas do grupo de dança sabendo das últimas novidades, dos últimos babados fortes da favela. Divertia-se a valer com as gracinhas de Rachel, que imitava a latina dançando junto com as meninas, ou com Puck ensinando Sam a fazer rap, quando de longe avistou um carro muito conhecido para sua memória...parecia surpresa com a chegada de Marcos, Rodrigo e no banco de trás do carro Brittany.

Foram direto até Santana cumprimentá-la, afinal por mais que a latina tivesse contato direto com os dois, a saída do hospital era motivo de comemoração com aqueles que já faziam parte das pessoas que ela mais amava. O abraço sincero de Marcos fez San sentir-se meio culpada por ter pedido a Rachel e Quinn que levasse suas coisas para o São Jorge, mas no fundo ele saberia qual era o real motivo de sua saída. Logo o grupo foi recebido por Blaine, que levou todos para tomar uma caipirinha e comer algum dos pratos preparados pelas senhoras da comunidade. Rodrigo parecia pinto no lixo e logo se ambientou no meio das senhoras da velha guarda da escola de samba da comunidade, que faziam um samba da melhor qualidade; o advogado famoso parecia que tinha sido “cria” da favela de tão solto e envolvido com todos, já Marcos era mais contido mas tão simpático quanto o companheiro, que já dava show no meio dos sambistas.

- Tio Marcos que espírito foi esse que baixou no corpo do seu namorado? A impressão que tenho é que ele é irmão gêmeo da latina caliente quando dança, só falta descer até o chão. Disse Rachel se pocando de rir da cara de assustado de Marcos, que ainda não conhecia aquele lado do companheiro dançarino e mestre sala da favela.

- Rachel não sei que espírito é esse, sei que to adorando ver como ele está feliz junto com as pessoas daqui. A idéia de conhecer mais a histórias dos seus amigos e tentar ajudá-los foi dele, só agora entendo por que; acho que ele deve ter alguma história do passado em relação a comunidades carentes, afinal parece que é intimo da cultura daqui. Falou Marcos, admirando a desenvoltura do namorado.

A única que parecia pouco a vontade era Brittany, que se sentou em um canto do beco e ficou observando a interação de sua família e de seus amigos com todos aqueles que era pessoas importantes para Santana. Parecia que a única que não havia conseguido fazer bem aquelas pessoas era ela, e já pensava em ir embora quando foi abordada de supetão por Quinn, que a observou sozinha e foi ao seu encontro.

- Que horas vai criar coragem de levantar essa bunda branca dai e tentar a reaproximação da sua mulher? Disse Quinn, dando um tapa no braço da loira.

- Bem, se eu sobreviver aos seus espancamentos acho que nunca. Vejo ela feliz com os amigos e as pessoas que a querem bem, se eu me aproximar tenho certeza que só farei mal a ela. Na verdade não deveria nem ter vindo aqui hoje, foi um erro ter seguido os conselhos de papai e Rodrigo, aqueles seres saltitantes ali na frente. Falava Britt, apontando para o pai, que se aventurava de forma desengonçada no samba com o companheiro.

- Então ta sua covarde. Fica ai sentada coçando o saco que você não tem e pensando em uma forma de dominar o mundo dos favelados. Tenho certeza que lá do outro lado do planeta aquele monstro chamado Emily deve estar pensando em uma forma de se reaproximar dela e fazer mais mal do que já fez. Tudo bem que o super macho alpha aqui vai protegê-la, mas seria muito mais fácil com sua ajuda. Disse Quinn, saindo emburrada e com vontade de bater com mais força em Brittany.

Brittany ficou pensativa depois que ouviu aquelas palavras da amiga. Sabia que ela tinha razão e que possivelmente Emily tentaria alguma coisa, ainda mais com Santana de volta ao São Jorge. Só de pensar naquele lixo humano seu corpo fervia, não deixaria aquela maluca se aproximar de Santana, nem que pra isso precisasse impor sua presença na marra na vida da latina malcriada. Pensando nisso levantou e decidiu que não ficaria parada vendo a vida passar enquanto a louca estivesse à solta; se dirigiu a Santana, que conversava animadamente com Finn, e tentou ser o mais delicada possível para não levar uma patada da latina malcriada.

- Será que eu posso conversar um pouquinho com a linda anfitriã dessa festa? Perguntou meio sem jeito, ruborizada pelo olhar de curiosidade de Finn.

- Anfitriã cedida gentilmente para a loira gostosa patricinha. Disse Finn, saindo de fininho e deixando as duas ali se olhando, meio sem saber o que dizer, pensar ou sentir. Era como se precisassem se conhecer novamente, como se a vida tivesse sido tão cruel com as duas que precisassem novamente se conquistar. O tempo estava quente e Brittany suava bastante, não sabia se pela temperatura ou pelo nervosismo em se aproximar de Santana, que mesmo debilitada ainda era a mesma latina linda por quem ficou perdidamente apaixonada.

- Será que a gente pode conversar um pouco, longe do barulho daqui? Perguntou Britt, meio tímida e com medo da reação da namorada.

- Podemos sim. Vamos entrar, o calor ta infernal e vejo que aqui ou você vai derreter ou vai virar um pimentão de tão vermelhinha. Disse Santana, com carinho que nem Brittany esperava. Pegou na mão da loira e entrou na casa de Quinn, dirigindo-se para a varanda, de onde podiam avistar toda a cidade. Era um lugar que trazia lembranças para ambas, lembranças boas das primeiras aventuras, da fuga pela ribanceira, dos carinhos nos fins de tarde, das brincadeiras com o grupo. Era um lugar que mais que tudo lembrava que existia amor entre elas.

- Eu não sei o que falar, sei que estou confusa com tudo que aconteceu e a sensação que tenho é que perdi você. Tudo dentro de mim parece doer, como se tivessem arrancado um pedaço do meu corpo, e eu sinto que não posso viver sem ele. Disse Brittany, olhando diretamente nos olhos de Santana, que em um primeiro momento tentou desviar o olhar, mas logo percebeu que era impossível dispersar-se daqueles olhos azuis que tanto permearam seus pensamentos durante toda a internação.

- Eu também não sei o que falar. Sei que dentro de mim algo me diz que você é tudo o que eu quero para mim, mas ai minha cabeça volta no tempo, exatamente daquela maldita noite em que tudo aconteceu...e ai algo me diz que nosso relacionamento acabou naquela noite Britt. É como se tudo o que vivemos em tão pouco tempo tivesse sido perfeito e completo até aquele momento, mas desde então não consigo ver como daria conta de viver próximo a alguém que não soube me entender no momento em que eu mais precisei, quando estava mais fragilizada e no meio de um turbilhão de acontecimentos. Sei que você não me traiu, eu te ouvia conversar comigo enquanto estava em coma e sei o quanto sofreu nesse período, mas não sei se dou conta de ficar ao seu lado. A verdade é que nossos mundos são tão diferentes que mesmo que lhe perdoasse não saberia como viver no seu mundo, e você não se acostumaria no meu.

Brittany não conseguia conter as lágrimas que vinham insistentemente. Queria abraçar e apertar Santana até que seus corpos fossem um só, que nunca mais pudessem se separar em dois; sabia que a reação dela seria aquela, mas não conseguia aceitar que aquele sentimento tão grandioso se transformasse em quase nada tão de repente. Não podia perder o amor que nunca imaginava encontrar daquela forma, por causa de sua estupidez e sua falta de sensibilidade. Em um impulso instintivo aproximou-se de Santana e a abraçou, ficando assim por segundos que mais pareciam uma eternidade. A latina se aconchegou em seus braços e ficou quietinha sentindo seu perfume, como se o mundo lá fora não existisse; tinha lágrimas nos olhos e achava que era hora de desistir daquele relacionamento tão impossível de dar certo, a patricinha da zona sul nunca poderia ser feliz com a piriguete da favela.

- Entendo tudo que você disse, tudo o que você sente e que pode achar que desistir é a melhor solução, mas eu já desisti de muitas coisas na minha vida até aqui, não vou desistir de você. Fiz planos para recomeçar minha vida profissional com aquilo que amo, que é a dança, e fiz planos para estar ao lado da pessoa que eu amo, que é você. Não vou abrir mão de nenhum desses dois objetivos porque só vou conseguir ser feliz com você ao meu lado. Dito isso Brittany encostou seus lábios lentamente nos lábios da latina, que ainda estava presa em seus braços; sabia que poderia levar um fora, mas não custava nada tentar beijá-la uma última vez...