Entre O Amor E A Guerra

36 Capítulo 36 - O que pode vir depois?


Notas iniciais
Para os viciados de plantão, e que tem a insônia como companheira...boa leitura!!:)

Era só atravessar a rua e estariam longe daquela aventura macabra da última semana. Rachel abraçou Quinn e ficou por um tempo assim, pendurada no pescoço da loira, só sentindo sua respiração.

– Eu vou, mas prometo que farei de tudo para tirar vocês dessa situação; sei que nos conhecemos tão pouco, que nosso primeiro encontro foi catastrófico, mas quero que guarde só o que de bom ficou, e foram muitas coisas maravilhosas. Disse Rachel, já com a voz chorosa.

– Não chora meu pequeno pônei maldito. Como já disse uma vez, mesmo não te conhecendo há muito tempo, eu confio demais em você e sei que fará o que puder para nos tirar dessa enrrascada. Falou Quinn, selando seus lábios com os da morena e toda a extensão de seus corpos.

– Só tem mais uma coisa Quinn. Agora que eu e a mulher chumbinho somos amigas pedi um grande favor a ela, e queria te falar logo, para que não fique achando que eu minto ou omito algo de você.

– Do que você está falando Rachel, juro que não estou entendendo. Falou Quinn, confusa com toda aquela conversa de Rachel.

– Então, eu nomeei Santana como minha representante na favela. Sendo assim qualquer coisa que aconteça incluindo traição, desejo de traição, pensamento em traição, sintoma de traição, ou qualquer outra coisa parecida da sua parte, ela está encarregada de te castigar e também me comunicar automaticamente. O castigo é nivelado de acordo com o crime cometido, mas você só saberá se cometer algum delito como olhar para outra mulher, se engraçar para outra cachorra ou chegar ao extremo, o que será punido com a morte sumária. Odeio fazer isso, mas é preciso colocar vocês na linha, pois se acham a última bolacha do pacote e ficam querendo pegar todo mundo, passar o rodo na mulherada, etc...etc...etc...zzzzzzzzz

Rachel fez mais um de seus monólogos insandecidos, e Quinn, doida para rir só fez uma pergunta no fim da fala da garota.

– Depois de tudo isso você parte do princípio de que é minha dona Rachel Berry?!

– Exatamente Quinn Fabray. Sei que não é a melhor hora, muito menos o melhor lugar, mas estou tornando oficial para você e para esse bando de atrapalhados, que você me pertence, é minha namorada, amada, peguete, ficante...aceita esse compromisso firmado no pé do morro do São Jorge?!

Quinn não precisou responder. Deu um beijo demorado e carinhoso na pequena; estava selado ali o primeiro namoro oficial do grupo, que agora tinha um “casal”. Continuaram mais alguns minutos abraçadas e fazendo carinho uma na outra, afinal não sabiam como seria dali para frente. A única certeza que tinham era que, apesar de qualquer dificuldade que emergisse, estariam juntas.

Brittany se despediu dos meninos e por último deixou para falar com Santana. Sabia que não poderia errar mais com a latina, por isso seguiu os conselhos que Quinn havia lhe dado pela manhã.

– Sei que errei muito nesses últimos dias Santana. Erros sucessivos e inaceitáveis que te afastaram de mim. Sei também que sou um péssimo ser humano, que não mereço seu respeito, muito menos mereço você como mulher. Mas queria que soubesse que esses foram os dias mais importantes da minha vida. Vi a vida por um fio, vi pessoas morrerem por nada, vi que pobreza não é sinônimo de criminalidade assim como também vi que as pessoas da sua comunidade são muito mais dignas do que eu. Mesmo vendo tudo isso, ainda cometi alguns erros que fizeram você se afastar de mim. De tudo que vivi até agora, ter você distante, triste e chateada é certamente a pior das coisas que passei; por isso eu prometo tentar mudar minha forma de ver o mundo, e mais que isso, prometo voltar e te provar que posso ser diferente e digna dos seus sentimentos. Só te peço que me espere...

Dito isso Brittany se afastou da latina, sem tentar sequer um beijo ou uma aproximação maior, o que surpreendeu muito Santana, que imaginava que a garota faria um drama e depois tentaria roubar-lhe carinhos. Quando as meninas já se preparavam para atravessar a avenida Santana as chamou de volta. Deu um abraço apertado na anã e pediu que não se esquecesse nunca dela. Logo depois abraçou Brittany, deixando que os corpos se tocassem em toda sua extensão, o que estremeceu todo corpo da loira e liberou ondas de calor e energia que fizeram Santana entender, que o que sentia era amor.

– Eu vou te esperar sua anta loira! Dito isso selou seus lábios nos lábios de Brittany, com intensidade tamanha que parecia que nunca mais se encontrariam. Um beijo longo e doce, mas intenso e provocante que deixou na loira, além de uma calcinha molhada, a certeza de que ainda tinha chances com a morena. Era tudo que ela precisava para atravessar aquela rua e lutar não só para salvar a vida daquelas pessoas, mas para mudar e salvar sua própria vida, que era vazia e sem sentido antes de conhecer Santana. Não seria aquela maluca do meio do mato que roubaria sua latina...nem que precisasse matar ela!! Brittany saiu tão saltitante que quase foi atropelada quando atravessava a avenida, o que causou grande susto no grupo e um pequeno engavetamento na via. A loira, toda risonha, saiu gritando:

– Meu nome é Brittany S. Pierce...anota ai e me manda a conta, eu pago seu carro e tudo que você quiser!!! Porque ela me amaaaaaa...eu sei, ela me amaaaaa!!!!

O plano das meninas, saindo dali, era se separarem...Brittany seguiria para sua casa e inventaria uma desculpa para o pai pelo sumiço, enquanto Rachel iria direto para sua casa alegando que fugira do cativeiro. A idéia era dizer que o cativeiro era em outra cidade e não no Morro São Jorge, assim o foco sairia da favela e o grupo de Quinn teria um pouco mais de paz, assim como a comunidade.

Já o grupo de Quinn tinha como paradeiro a comunidade onde a mãe de Santana estava abrigada. Já tinham feito contato com o grupo que comandava a região, que disponibilizou uma pequena casa para Quinn e seu grupo passarem alguns dias, até que a polícia desocupasse o lado do São Jorge que lhes pertencia. Uma das realidades que cercava as comunidades mais carentes era justamente essa questão – uns bairros “fechavam” com outros; ou seja, os bairros que eram parceiros ajudavam os líderes que estivessem em apuros por causa da polícia ou por conta de invasões de facções rivais. Assim, Quinn, que era muito influente e querida em várias comunidades, conseguiu abrigo temporário em uma comunidade parceira, a mesma que havia recebido alguns moradores do São Jorge depois da invasão do Bonde do Cabeças.

A manhã transcorreu como foi planejado...o bonde de Quinn chegou a comunidade que lhe deu abrigo, assim como Rachel e Brittany prosseguiram com o plano traçado. Rachel precisou dar inúmeros depoimentos, reafirmar várias vezes que os seqüestradores eram desconhecidos e que só tinha conseguido identificar uma menina loira, que ela soube no cativeiro que havia morrido. A versão de Rachel livrava a cara do grupo de Quinn, porém câmeras haviam filmado Lauren e Tina quando levaram a menina aos bancos para saques. Infelizmente a polícia só esperava a japa do funk melhorar o estado de saúde para colher seu depoimento, afinal já tinham localizado a mesma, internada gravemente ferida por arma de fogo. Foi mostrado para Rachel fotos e mais fotos de Quinn, Finn, Puck e também Blaine, mas a mesma foi categórica em afirmar que nenhum deles fazia parte do grupo de seqüestradores.

Marcos, mesmo muito desconfiado com o sumiço da filha, fez-se de sonso e fingiu engolir suas desculpas esfarrapadas. A verdade era que estavam tão felizes com a volta da anã que não mais importava por onde Brittany havia andado nas últimas horas, queriam mesmo era comemorar. Assim a idéia era marcar uma grande festa na mansão dos Pierce assim que Rachel já estivesse recuperada emocionalmente e fisicamente do seqüestro. Brittany já ligava para os parceiros de rock, afinal precisavam marcar um encontro do grupo para dividir com eles os últimos acontecimentos, assim como planejar a grande volta do pônei maldito em uma festa de arrepiar os cabelos em sua mansão.

Embora já de volta ao mundo burguês, tanto Rachel quanto Brittany ainda estavam com a cabeça na experiência vivida no São Jorge, mas mais especificamente nos amores que construíram naquela comunidade. Não viam a hora de poder estar com Santana e Quinn, assim como de poder mostrar para elas o seu mundo, suas vidas.

No morro da Baleia o sentimento não era diferente; Santana estava extremamente feliz por estar perto da mãe e do sobrinho Rafael, porém sentia falta de sua loira, assim como da sua comunidade. Voltou para o trabalho normalmente no dia seguinte a saída do morro, porém sem aproximação intensa com Brittany, por precaução em relação as desconfianças da polícia quanto ao seqüestro. Já Quinn falava o tempo todo com Rachel por torpedos, mas ainda sim queria ver seu pequeno Hobbit o quanto antes, assim como voltar para o São Jorge. a idéia era esperar mais alguns dias antes do retorno, afinal tinham que estar em segurança total para o retorno.

Na comunidade do São Jorge tudo começava lentamente à volta ao normal. A polícia já não circulava com tanta freqüência pelo lado do morro dominado por Quinn, o toque de recolher já havia cessado, assim como as invasões das casas dos moradores diminuíam sistematicamente. Algumas perdas foram inevitáveis, assim alguns meninos do tráfico, considerados os linha de frente na hora dos enfrentamentos com a polícia foram mortos covardemente pelos helicópteros da polícia.

Do outro lado do morro, mais especificamente na casa dominada pelo grupo de Emily, a menina conversava com um grupo de parceiros.

– Acho que é a hora certa para invadirmos o restante do morro, mas não pela guerra, mas pela inteligência. O grupo deles está enfraquecido, a tal da Quinn está enrabichada pela patricinha gente boa da Zona Sul que encontrei no meio da matinha e o principal...eu quero aquela latina na minha vida o mais rápido possível! Dizia em alto tom Emily, planejando com seu bonde, o bonde dos Cabeças, a "invasão silenciosa" do território de Quinn...



Notas finais
Boa noite...