Entre O Amor E A Guerra

3 Capítulo 3 - Sobreviver, um dom na favela.


Notas iniciais
Aqui, um pouquinho mais de emoção para vocês...bem vindos ao mundo das guerras entre comunidades!! Postei vários capítulos esse fim de semana para entenderem um pouco o contexto da história, mas durante a semana as postagens serão de dois em dois dias.

O pé torcido impedia a latina de se mover, e parecia que uma multidão passaria por cima dela, buscando fugir dos tiros. Quando já esperava por um desfecho trágico, Santana sentiu as mãos de Quinn tocarem suas costas. A loira pegou pelo braço da latina e a levantou, apoiando-a em seu ombro e correndo para dentro do banheiro do Clube. Santana sentia uma dor imensa no tornozelo, mas respirava aliviada pela presença de Quinn ao seu lado. Sabia que a loira não tinha boas lembranças da adolescência com a latina, afinal Santana tinha sido seu grande amor, e do nada tinha desistido de levar o namoro à frente, mas sabia que Quinn nutria, pelo menos, um sentimento de carinho por ela.

Logo o grupo de Puck percebeu o que acontecia e iniciou a reação. Uma comunidade inimiga ao São Jorge, o “Bonde dos Kbeças” tentava tomar o controle do morro, e a reação tinha que ser imediata, pois era uma afronta subir e esculachar daquela forma com a região. Puck ainda procurava Quinn no meio da correria, mas sabia que a irmã estava bem, era a melhor atiradora do grupo, e estava armada quando saiu de casa. Logo encontrou Joe, Finn e Blaine, que o ajudaram a comandar o ataque.

Na outra extremidade da cidade Brittany era carregada nos braços por Sam, que a levava para seu carro, estacionado próximo a boate. Já imaginava como seria a diversão com aquela loirinha gostosa e bêbada, pois seus amigos queriam brincar e estavam cheios de maldades na mente. Brittany não conseguia andar e repetia o nome de Kurt, perguntando se estava sendo levada para o carro dele, pois era com ele que voltaria para casa. Dentro da boate Kurt e Mercedes procuravam em vão pela loira, e achavam que ela já deveria estar agarrada com alguém pelos cantos escuros da cidade. Brittany era uma bitch bem conhecida por suas conquistas e pegações, logo os meninos não se preocuparam.

Já no carro, Sam se preparava para sair do estacionamento, enquanto seus amiguinhos Artie e Mike, um de cada lado de Brittany, acariciavam as coxas e a barriga da loira e começavam a ficar excitados com o fim de noite que estava por vir. Eram os playboys mais nojentos da cidade, e junto com Sam já haviam sido acusados de estupro por duas vezes, porém, como eram muito ricos, seus advogados tinham se livrado das acusações com testemunhas falsas. Quando o carro já saia da área da boate Rachel se colocou na frente do mesmo, impedindo que ele se locomovesse. Sam ainda ameaçou passar por cima da garota, mas como viu que teriam muitas testemunhas preferiu parar e se fingir de sonso.

- Onde você pensa que vai levar minha amiga? Eu vi você colocando ela ai dentro, não pense que vai me enganar e sair daqui. Gritava Rachel frenética em frente ao carro.

- Desculpe pequena moça, você é uma anã? Só estava dando uma carona para a menina pois ela estava muito bêbada para ir para casa sozinha. Meus amigos podem confirmar o que estou dizendo, falava Sam, da janela do carro, um tanto irritado com a intervenção.

- Primeiro não sou anã, mas você deve ser descendente daqueles índios que tem bocas enormes e que usam enfeites nelas para danças e festas. Além disso deve ter sido expulso da tribo depois que passou suco de limão nos cabelos. Segundo, tire minha amiga imediatamente do meio desses dois moleques, ela vai embora comigo! Eu sei exatamente que tipo de carona vocês iriam oferecer a ela. A patricinha era pequena, mas muito enfezada!!

Sam, muito a contragosto, abriu a porta traseira do carro e literalmente jogou Brittany nos braços de Rachel, que por pouco não se esborrachou com a amiga. Levou a menina ainda desfalecida para seu carro, e com muita dificuldade seguiu em direção a sua casa. Sabia que não poderia levar Brittany para casa, pois os pais iriam matar a loira, por isso preferiu levá-la consigo, afinal em sua casa seria mais tranqüilo, sem pais, apenas com a governanta que criou Rachel desde a morte de seus pais.

Lá no alto da favela Santana era amparada por outras meninas que estavam escondidas no banheiro. Trancaram a porta depois que Quinn saiu para ajudar no combate, ninguém do grupo inimigo entraria ali de forma alguma. Santana sentia-se um pouco segura, mas tinha medo do que estava acontecendo com os meninos da comunidade e com Quinn e Kitty, pois os tiros eram ouvidos claramente de dentro do banheiro. Lá fora a visão parecia de um início de apocalipse: os grupos de Puck e de Kitty se uniram para combater os inimigos, mas eram muitos e estavam fortemente armados. A parte baixa da favela parecia tomada pelo grupo rival, e do alto, os meninos atiravam com suas armas, mas parecia quase impossível vencê-los.

Como as coisas sempre podem mudar, Quinn, assim que deixou Santana em segurança, saiu do clube e ao ver a desvantagem do grupo, começou a colocar um plano em prática. Sabia que as armas contrabandeadas da Colômbia em algum momento serviriam para alguma coisa, e era agora. Com a ajuda de Blaine tirou algumas bombas de gás escondidas debaixo de um dos barracos da favela, e começou a lançá-las contra o grupo inimigo, que se encontrava um pouco abaixo, na ladeira que dava acesso ao baile. Ironicamente eram as armas que a milícia da cidade tinha vendido para os traficantes do morro. Com o gás, os olhos começavam a arder e lacrimejar, e o grupo foi obrigado a recuar. Como já tinham tomado um lado da favela, recuaram e invadiram algumas casas de moradores; as famílias saíam e seus gritos eram ouvidos de longe, assim como os tiros.

Naquele momento muito inocentes eram fuzilados, esfaqueados ou obrigados a sair do morro. Entre eles estavam os pais de Kitty, uma família humilde e trabalhadora que não compactuava com as ações da filha, mas que acabaram sendo mortos covardemente por ser a família da garota. A mãe de Santana e Gabriel também não foram poupados, e só não foram mortos porque desceram o morro assim que o tiroteio começou. Agora vagavam pelas ruas, sem destino certo, apenas com a roupa do corpo e pouca certeza sobre o futuro.

No outro canto da cidade Brittany dormia tranquilamente, depois de ter vomitado em quase todos os cômodos da casa de Rachel. Ainda não era possível imaginar como aqueles mundos tão distantes poderiam se aproximar, mas durante o sono, Brittany sonhava, e estranhamente era com aquela morena na qual esbarrou na empresa do pai. Até o quase impossível pode acontecer...

Notas finais
Obrigado pelos comentários, cada um mais legal que o outro. Acho que foram eles que me fizeram acelerar a escrita para que vocês possam se aproximar mais das personagens e entender o contexto e o desenrolar da história. Boa semana!!!