Entre O Amor E A Guerra
20 Capítulo 20 - A chapa vai esquentar meu irmão!
Notas iniciais
No dia seguinte, quando Quinn acordou totalmente mal humorada, Santana já não estava mais em casa. A morena pulou da cama cedo e começou a colocar o plano em prática, afinal as vidas de Rachel e dela estavam em jogo. Ligou para o celular que Brittany havia lhe passado anteriormente para confirmar a carona até o hospital, afinal a loira tinha saído desesperada quando viu Quinn na noite anterior. Ao contrário do que Santana esperava, Brittany já estava a caminho do local marcado, tendo chegado inclusive com alguns minutos de antecedência.
Fizeram o caminho até o hospital quase caladas. Santana tinha medo de falar alguma coisa e soltar algo que demonstrasse que ela sabia onde Rachel estava. Já Brittany tinha receio de perguntar sobre a loira da noite anterior e tomar um fora, ou até mesmo ouvir a indigesta resposta de que aquela troglodita era a namorada da latina. Na dúvida, foram caladas durante todo o trajeto, e só ousaram falar sobre o tempo quente, coisas sobre o trabalho e pouco ou quase nada sobre o estado de saúde de Tina.
Chegando lá muitos funcionários já estavam no setor de doação de sangue. Brittany chegou e foi cumprimentada também por vários colaboradores da empresa, que elogiavam a iniciativa, dizendo o quanto era importante pensar no bem estar das pessoas mais carentes e que faziam uso dos serviços públicos. Logo percebeu também que alguns olhavam sorrateiramente e comentavam sobre a morena que estava ao seu lado, especialmente os homens. Santana estava vestida quase de forma básica, se não fosse o detalhe da calça extremamente apertada, marcando com intensidade o centro de suas partes íntimas, assim como dando formas maravilhosas a sua bunda. Brittany, já meio irritada com os olhares, acabou resmungando:
– Você veio para uma doação de sangue ou para um baile funk?!
– Não entendi sua pergunta. Resmungou Santana, realmente sem entender o comentário.
– Putz, essa calça está chamando mais atenção do que o silicone da bunda da Valeska Popozuda. Você não tem calças menos chamativas para situações como esta ou como o trabalho?! Falou Brittany, toda irritadinha e com uma pontada de ciúmes na voz.
– Tenho, mas acordei com vontade de usar essa, não posso?! E nunca, nunca mesmo me compare a Valeska Popozuda!! Trollou Santana, percebendo que a loira estava levemente irritada.
– Ótimo, agora eu tenho que andar com uma “vagaba” do lado para agradar meu pai. Era só o que me faltava, fim de carreira. Falou baixinho, imaginando que Santana não ouviria.
A manhã correu rápida, e a campanha de doação de sangue foi realmente um sucesso. Tanto os funcionários e colaboradores da empresa de Brittany, quanto os moradores da favela desceram em peso para a ação. Entre interesses financeiros por parte de uns e solidariedade por parte de outros, tudo correu dentro do planejado pelo grupo de Quinn, aparentemente o problema número um já estava parcialmente resolvido – a vida de Tina poderia ser salva. Brittany, agoniada com o cheiro do hospital, mais aquela muvuca de “gente estranha”, chamou Santana logo para ir para a empresa, o que de pronto a latina aceitou...era hora de colocar a segunda parte do plano em ação.
Seguiram conversando animadamente, Santana falando da empolgação com o baile da noite, enquanto Brittany imaginava aquela morena descendo até o chão, e fazendo outras coisas que a loirinha preconceituosa imaginava que só as “cachorras do funk” fariam. Chegando ao estacionamento subterrâneo da empresa, Brittany não se conteve quando viu a latina saindo do carro com aquela calça absurdamente apertada, marcando todas as curvas nada generosas daquela gostosa. Encostou Santana entre a parede e o carro e lhe pediu um beijo.
– Santana acho que você percebeu que não consigo tirar meus olhos de você. Na verdade não consigo pensar em outra coisa que não seja você desde a primeira vez que a vi naquele elevador. Falava Brittany, já partindo para cima da morena, encurralando a garota na parede e mordendo de leve seus lábios.
Santana até que se excitou toda com o ataque surpresa e deixou que a patricinha lhe beijasse e começasse a passear com as mãos pelo seu corpo. Primeiro devagar e delicadamente, depois de forma mais apressada e faminta. Brittany beijava a latina com um desejo incontrolável, e apressadamente tentava abrir o zíper da calça da garota, que esperava o momento certo para dar o bote. Quando a loira já começava a sentir as partes quentes da morena e gemia em seu ouvido, Santana deu-lhe uma dedada dentro do olho. Brittany tomou um susto tão grande que não conseguiu evitar um grito de dor, se afastando de Santana.
– Isso é para você aprender a nunca mais me chamar de “vagaba”. Vagabas devem ser as garotas que você pega em boates e transam com você encostadas no seu carrão. Caso queria isso comigo espera sentada na sua cadeira de chefe, porque em pé você vai cansar loirinha sem pegada! Dito isso Santana saiu, pegou o elevador e foi para a empresa, já eram quase dez da manhã e ela ainda precisava simular um mal súbito. Brittany pirou com a atitude da morena e do estacionamento mesmo foi para casa, não iria aturar aquela vadiazinha tirando onda com sua cara, ainda mais porque a safada era gostosa com força, e naquele momento já tinha a patricinha na palma de sua mão.
Como planejado, ao meio dia Santana já estava subindo o São Jorge; simulou uma queda de pressão arterial e logo foi dispensada por Marcos, que ainda pediu que o motorista da empresa a levasse em casa. No alto da favela várias coisas aconteciam ao mesmo tempo: Puck e Finn, na laje, ensaiavam exaustivamente para o baile da noite. Puck, além de participar do concurso de passinhos também era um dos Mc´s convidados para se apresentar, assim estava mais do que animado para “pocar” no baile “chapa quente”. Blaine fazia compras; como sabia que Rachel era uma patricinha típica, comprava algumas guloseimas, leite, sucrilhos, entre outros mimos, pois sabia que a menina não deveria estar se alimentando bem e poderia estar ficando fraca. Já Quinn preparava todo o arsenal para o resgate de Rachel...armas, tocas ninja, um soco inglês que ela roubara em uma loja no shopping, entre outras coisas. Sonhava em pegar Kitty pela frente e socá-la até não poder mais.
Santana, depois de passar em algumas lojas de roupas e jóias, (aconselhada e bancada por Quinn) chegou à favela. Primeiro deu uma organizada na casa e no quarto que Rachel ficaria; tentou deixá-lo o mais confortável possível, embora soubesse que nada em um cativeiro conseguiria ser confortável e acolhedor. Lembrou-se dos olhos castanhos cor de mel de Rachel e pensou em desistir, em libertar a garota e depois levá-la até um lugar seguro para retornar a sua casa, mas logo pensou em qual seria a reação de Marcos, Madelaine e Brittany...com toda certeza do mundo iriam incriminá-la, não poderia correr esse risco. Logo anoiteceu e a morena, assim como o grupo começaram a se arrumar para o baile, tinha que ser tudo perfeito.
Na casa de Kitty a loira e Lauren também se arrumavam. Kitty planejava pegar Santana desprevenida, longe do bando de Quinn, e conversar com a garota. Lauren também iria um pouco no baile, afinal queria ver Puck cantar, o menino era sua paixão secreta desde a infância. Depois voltaria para a guarda de Rachel, que estava cada vez mais debilitada e arredia. Os lábios da morena estavam machucados, assim como tinha um ferimento na cabeça feito por Kitty com uma coronhada; a impressão era que Kitty maltratava Rachel por prazer e não mais pela simples resistência da garota em obedecer.
La no “asfalto” a patricinha loira e linda se arrumava...o plano era ficar impecavelmente linda e surpreender Santana. Já que a morena se achava o poderzão da favela, Brittany planejou chegar de surpresa no tal baile onde o grupo de dança da latina iria se apresentar e deixá-la de queixo caído. Além de mostrar que não era medrosa e preconceituosa, iria pegar aquela garota de jeito e mostrar para ela sua pegada, o orgulho ferido martelava na cabeça da loira. Fez contato com Kurt e Mercedes, que surtaram de medo e não aceitaram o convite, então o jeito foi jogar um charme para cima de Sam Evans; sabia que o garoto era um viciado e que volta e meia subia favelas para comprar drogas, logo convencê-lo não foi esforço algum. Na cabeça de Sam ele iria matar dois coelhos com uma porrada só – iria fazer amizade com os traficantes de uma das maiores favelas da cidade para ter fornecimento direto e irrestrito de suas drogas, assim como iria pegar a loirinha gostosa que ele tinha perdido por pouco na boate, no rock anterior.
O baile literalmente bombava! O grupo saiu de casa disposto a matar ou morrer, além de arrasar aquela noite. Santana vestia um vestidinho preto bem curto e agarrado, da HBS; o modelito acentuava as curvas do corpo e o volume dos seios, onde ostentava um cordão grosso de ouro, com um K, que era propositalmente a inicial de Kitty. Quinn estava mais montada do que nunca – calça HBS jeans larga, blusa Dolce & Gabbana branca e um cordão ainda mais grosso no pescoço, ostentando um R; era o símbolo que ela precisava para terminar aquela noite com Rachel sã e salva. Eram pouco mais de meia noite e Puck cantava sua sétima música – “10 madamentos”; era a hora do grupo se preparar para atacar, pois na seqüência Santana subiria ao palco prendendo a atenção de Kitty, enquanto Rachel seria resgatada....tudo certo, só que não!!
“Vou falar agora, vê se não bate biela, os dez mandamentos que tem dentro da favela. O primeiro mandamento é não "cagüetar", "Caguete" na favela não pode morar. O segundo mandamento, já já eu vou dizer: com a mulher dos amigos não se deve mexer. O terceiro mandamento, eu vou dizer também: É levar "no brindão" e não dar volta em ninguém! O quarto mandamento, não é difícil de falar...favela é boa, é a escola, mas não se deve roubar. O quinto mandamento, boladão estou: vou rasgar de G3 o safadão do encharcador (Tá no esquema? Então vai!). O bonde é do espelho O gato é preto, a chapa é quente e o comando? O bonde é do espelho O gato é preto, a chapa é quente E o comando? Aonde eu nasci, tem que saber viver. Estou me referindo a minha C.D.D; malandro desde pequeno, sempre em busca da paz. Nós somamos, dividimos, mas diminuímos jamais. A nossa união é coisa natural, e a simplicidade é mesmo divinal; mas se tu tá de mancada, você vai virar raiz... peixe morre pela boca só pra tu se ligar, eu vou dizer como é que é..coração de vagabundo bate na sola do pé...” (10 mandamentos da favela)
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