Entre O Amor E A Guerra
8 Capítulo 8 - Aceita um café?
Notas iniciais
“Eu moro no morro, e ela na zona sul, sou negão e a patricinha é loira de olho azul, os playboy ficam de bob, recalcado que sou pobre. Quando eu vou no bairro dela é o maior zum zum zum, eu moro no morro, e ela na zona sul; sou negão e a patricinha é loira de olho azul...”
Calça larga, blusa da Cyclone branca e o inseparável cordão de prata no pescoço...assim ia Quinn!! Blaine, nada menos pintoso, usava uma blusa larga da Bad Boy e um bermudão de veludo da Cyclone. O bonde das patricinhas estava todo becado de marcas finas. Em comum, só o rolé pelo shopping, onde todos os gatos são pardos e se encontram no banheiro ou na praça de alimentação...foi lá mesmo que os dois “bondes” se encontraram.
Quinn comprava um pedaço de bolo quando sem querer esbarrou em Kurt, que quase derrubou seu cappucino, nele e na menina. A reação dos dois teria sido quase normal, se a certa distância Rachel Berry não tivesse dado um grito ensurdecedor. Veio em direção ao amigo e já se desculpava com a loira, quando os olhos das meninas se encontraram. Foi reação automática...Quinn lembrou-se da morena baixinha, e Rachel ficou paralisada com os olhos cor de avelã da loira. O encanto só se quebrou quando Kurt pediu desculpas e chamou Rachel para ir com ele até próximo ao banheiro, para se limpar. Rachel foi, mas seus pensamentos ainda pairavam naqueles olhos, o que Kurt percebeu rápido, zuando com a amiga:
- É impressão minha ou você ficou hipnotizada com a loirinha de roupas de rapper?
- Você está louco Kurt? Você que quase matou a menina com cappucino quente. Eu só fiquei impressionada com a cor dos olhos dela, eram lindos.
- Eu percebi princesa de Nárnia, tanto que você nem percebeu que ela estava vestida de Eminem!! Riu Kurt, deixando a menina levemente corada.
Dois segundos depois da fala de Kurt Quinn chegou na direção das pias externas do banheiro. Sorriu para a pequena e lhe dirigiu a palavra:
- Vocês estão bem? Fiquei com medo de o seu amigo ter se queimado com o cappucino.
- Obrigada pela preocupação, mas ele está bem. Como é o seu nome? O meu é Rachel, Rachel Berry.
- Meu nome é Quinn e meu amigo se chama Blaine. Falava a loira olhando para o amigo, que se distraia com o dispositivo automático do sabonete líquido das pias. Blaine era meio lento, mas um excelente atirador quando o bicho pegava na favela. Além do mais era considerado o mais astuto quando o assunto era montar e desmontar armamentos, entendia tudo de munições, armas de fogo e técnicas de guerrilha. Fora do exército, porém foi expulso no primeiro ano na corporação, por ter sido pego tendo relações sexuais com outro menino no estábulo da cavalaria.
- Acho que já te vi em outro lugar, não tenho certeza absoluta, mas acho que era você. Vestia um vestido azul e estava com essa mesma pulseira de joaninhas. Falou Quinn, meio tímida por conta de se sentir tão diferente daquele pequeno pônei.
- Nuss, como você sabe que tenho um vestido azul? Como sabe que era eu? Você está me seguindo pela cidade? Tem alguns amigos seus esperando para me jogar em um carro preto e me levar para um lugar estranho e escuro? Vai me torturar até eu dizer onde estão minhas ações, o cofre, as jóias? Vai arrancar um pedaço da minha orelha e mandar para minha família como prova de que ainda estou viva? Eu nem tenho famíliaaaa!!! Perguntava Rachel em desespero e sem tomar fôlego, como uma rajada de metralhadora e com um estranho brilho no olhar.
- Você é louca garota? Eu nunca esqueceria do seu rosto, mas principalmente das suas pernas gostosas!! Na verdade estava com uma amiga que foi assumir um cargo em uma empresa; fiquei esperando por ela e acho que você passou por mim na recepção, só isso! Dizia Quinn, extremamente chateada e já virando as costas para Rachel.
A morena percebendo que tinha pegado pesado segurou de leve no braço da loira e praticamente deu um miado:
- Desculpe meu surto, por favor. Sei que sou estranha, que falo trezentas palavras por minuto, que minha estatura me faz parecer um gnomo, mas no fundo devo ser uma pessoa legal. Sei que não fui correta contigo, mas se me deixar pagar-lhe um café e conversarmos verá que sou bem melhor do que essa minha neurose obsessiva compulsiva que gira em torno de coisas loucas e absurdas.
-Sinto muito pequeno pônei maldito, já estávamos indo embora quando eu esbarrei no seu amigo e depois vim pedir desculpas e ver como ele estava. Acho na verdade que você ficou com medo de mim por causa do meu jeitão, das minhas roupas, da minha cara de pobre e “ladrona”. Não precisa me pagar um café, acho que o dinheiro que tenho no bolso dá para isso e não preciso de migalhas de uma patricinha.
- Ladra sua burra!! Não é ladrona Quinn!!! Resmungou Blaine, que a essa altura já estava entediado com aquele diálogo e observava o garoto estranho que se aproximava limpando a blusa suja de cappucino, parecia com o Menor do Chapa!kkkkk
Rachel ainda tentou se desculpar mais uma vez, mas Quinn saiu puxando o garoto sem deixar que a mesma continuasse a falar. Sabia que tinha cara de maloqueira, mas tinha ido atrás da menina pois simplesmente lembrava dela, e havia achado-a linda mesmo. Santana tinha se enganado quando achou que ela era educada e prestativa por lhe ajudar com o medo de elevador...talvez nem fosse a mesma garota. Saiu irada do shopping e arrastou Blaine de volta ao morro, precisava se articular para retomar o que era seu...o São Jorge! Não tinha tempo para garotas, muito menos para garotas que nunca a olhariam sem preconceito. O melhor era voltar a pegar todas as barraqueiras do seu território, lá ela mandava e desmandava, ficava, saia e transava com quem e com quantas quisesse; ainda era Quinn, um dos “irmãos da quebrada”!! Dane-se a tal de Rachel sei lá de que...
Berry voltou com Kurt para a mesa onde estavam Brittany e Mercedes; não conseguia parar de pensar no vacilo que deu com a garota desconhecida. Tinha sido irritante, preconceituosa e mal educada, além de não ter deixado sequer a menina se explicar....parecia até uma cópia mal feita de Brittany!! E o pior, a tal menina era linda e tinha sido tão educada e delicada. Passou o resto do tempo olhando para um lado ou outro, procurando a menina e seu amigo, poderia pedir novamente desculpas, chamar a garota para um cinema ou outra coisa qualquer, mas precisava reencontrá-la, mesmo tendo sido chamada de pônei maldito. E reencontraria, muito mais rápido do que imaginava, e não da forma doce que esperava...
Notas finais
Creio que foi o capítulo mais curtinho, mas hoje estou passando mal, por isso um pouquinho sem inspiração...
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