Entre O Amor E A Guerra
69 Capítulo 69 - Guerreiro não tem classe social!!
Notas iniciais
Muitos entendem isso como "defesa de bandido"...eu entendo como defesa da vida, porque é fato que nem cinco por cento dos moradores dessas comunidades são envolvidos com ilegalidades. Falar disso usando Glee é afirmar a diferença, é afirmar o que Glee tem de mais lindo, que é celebrar a diferença!! É utopia?! Pode ser, mas eu acredito!!!
Boa leitura e até semana que vem!!! Bjs :)
Eram pouco mais de cinco da manhã e Quinn ainda estava acordada no canto frio da cela, como um bichinho acuado e sofrido, pois além do frio a posição em que estava fazia o corpo todo doer; Paige convenceu a menina então a descansar um pouco, assim poderia pensar em algo para sua proteção durante o dia. Só assim a loira resolveu fechar os olhos por alguns minutos, afinal precisaria estar forte para enfrentar as próximas guerras naquele covil de lobos.
Lá no alto do São Jorge o sol ainda nascia, mas vários moradores já estavam de pé, organizando-se em grupo para descer “de bonde”, como diziam os meninos. Na madrugada alguns permaneceram organizando a manifestação enquanto outros descansaram para o dia seguinte; tudo precisava ser milimetricamente pensado e articulado para que o protesto não caísse no vácuo como tantos outros, tachados como movimentos de defesa de traficantes bandidos e odiados por toda a sociedade. A intenção era justamente o contrário, mostrar que paz, justiça social e dignidade eram direito de todos, ricos e pobres. Brittany e Rachel, ao contrário do grupo, desceram a favela no início da manhã, depois da loira ter tido uma idéia que poderia ajudar não só o movimento e Quinn, mas também sua relação com Santana.
Ainda eram sete e meia da manhã do domingo ensolarado quando as duas patricinhas chegaram ao campus universitário de Rachel, onde alunos e convidados começavam a chegar para uma maratona de apresentação de corais de todo o estado. A turma da morena tinha sido toda avisada no sábado a noite de que ela iria precisar da ajuda de todos eles, então chegaram mais cedo e esperavam ansiosos pela chegada da líder de sua turma; Rachel era uma líder nata entre eles, de forma que fazia de sua turma a mais dedicada e a que mais se destacava em todas as competições e apresentações pelo país.
- Bom meninos, sei que é um problema particular que estou enfrentando, e que deveria resolver sozinha, com a ajuda apenas de minha família; mas como vocês são também minha família resolvi que necessito de toda a ajuda que vocês puderem dar. Falava Rachel, contando para sua turma tudo o que tinha enfrentado, desde o seqüestro até o fato de ter sido salva e se apaixonado por Quinn Fabray.
- Mas não tem medo Rachel? Dizem que essas pessoas são violentas, que fazem tudo por dinheiro, inclusive que matam pessoas de classe social superior por inveja e por não terem o que esses outros tem. Falou uma aluna meio cética sobre a importância do grupo ajudar Rachel em um movimento a favor de favelados.
- Tenho medo é de pessoas como você, que classificam milhões de pessoas a partir da ação de poucos. Você sabia que menos de cinco por cento de pessoas que moram em comunidades carentes são envolvidos com ações ilegais ou crimes? Não, você não deve saber, deve estar tão preocupada em aprender música só para agradar seus ouvidos que esquece que a música é universal, irrestrita e de acesso a todos. O que estou pedindo não é nada demais..quero só que as pessoas tenham acesso ao que temos de melhor, a música!! Disse Rachel totalmente empolgada com seu discurso, sendo aplaudida de pé pelo grupo de alunos, que ansiava por seguir o plano da líder e amiga.
Logo Rachel, Brittany e toda a turma estavam na sala da coordenação da organização do evento de corais daquele domingão de sol, e fizeram a proposta ousada aos diretores e coordenadores do curso...queriam que as apresentações fossem feitas não na faculdade, mas a céu aberto, onde todo e qualquer cidadão pudesse ter acesso a música; e mais, queriam que fosse junto com o movimento “Sou da Paz”, organizado pelas comunidades do São Jorge e adjacências e que faria sua vigília em frente a unidade de polícia onde Quinn estava presa.
- Rachel sua idéia é brilhante, mas como saberemos que as pessoas envolvidas nesse movimento são mesmo da paz? E mais, como ter uma estrutura para a apresentação dos corais no meio da rua? Precisaríamos de palco, de organização do fluxo de acesso a tal rua, de alvará de permissão da prefeitura, entre outras coisas. Disse o coordenador do curso, mostrando interesse real na idéia, mas receoso de que não poderia fazer algo tão arriscado.
- Senhor Fings entendo toda a sua preocupação. A idéia foi minha pois confio naquelas pessoas e naquela comunidade; sei que parece loucura, mas lhe garanto que se nos ajudar com o transporte dos corais todo o resto eu e Rachel damos conta. A idéia é que a uma da tarde comecemos as apresentações, e garanto que até esse horário eu e meu pai conseguiremos toda a estrutura para as apresentações acontecerem na praça em frente à unidade policial. Disse Brittany, assumindo para si uma postura adulta e comprometida. Com o movimento e com o amor que sentia por Santana. Seria uma surpresa para ela e uma ajuda para o movimento, que teria ainda mais credibilidade com a presença de uma das faculdades de música mais renomadas do país.
- Bom...sendo assim, eu topo essa loucura meninos. Vamos sacudir a cidade com nossa música e transformar esse movimento no nosso movimento também. Garantia de direitos e cidadania tem haver com música e educação, e deve ser para todos e não para alguns mais abastados. Senhoritas Brittany e Rachel vocês tem até ao meio dia para fazer suas correrias, pois será nesse horário que sairei daqui com todos os corais. Como a maioria vem de outros locais todos devem vir com seu transporte, então não terei problema em levá-los. Só quero que não me decepcionem, confio na senhorita Berry como minha melhor aluna e grande promessa para a música. Rachel e Brittany, assim como todos os amigos e alunos da sala da morena saíram da sala do coordenador saltitantes...era a oportunidade de levar sua música para pessoas que nunca tiveram acesso aquela faculdade.
Naquele momento, do alto do morro a passeata descia a pé para tomar as ruas e juntar-se as outras comunidades. A idéia era fazer daquele domingo de sol o domingo das comunidades, então o grupo sairia a pé e pararia em cada comunidade, buscando mais adeptos e simpatizantes a causa. A frente do grupo a líder comunitária do São Jorge e Santana, gritando em um megafone palavras de ordem relacionadas com o fim da violência, direitos iguais para ricos e pobres, fim dos autos de resistência, assim como prisão digna para presos ricos e pobres. Um carro de som contratado por Kurt levava o menino, Blaine e Puck fantasiados de drag queens para chamar a atenção da população...faixas estavam por todos os lados com dizeres relacionados a direitos da população, sendo que em todas elas uma pequena frase estava sempre presente: Quinn nós te amamos e iremos te proteger!!
Em menos de uma hora de caminhada pareciam mais de mil, e tomavam as ruas onde passavam com suas faixas, balões coloridos, bandeiras dos movimentos sociais. Famílias, crianças, curiosos que iam para a praia naquele dia bonito, todos acabavam se misturando. Santana sorria como se tivesse ganho na mega sena da virada, não parecia mais aquela garota triste e sem sonhos...era aquilo ali que a fazia viver, que fazia seu coração bater e sua vida ter sentido. No meio da população Mercedes, Sam e Finn...Mercedes comandava um grupo de crianças que vinham na frente do grupo, com balões coloridos, cantando músicas, rindo e brincando; Sam e Finn faziam todo tipo de bagunça no meio dos adolescentes que vinham logo atrás das crianças, afinal eram os responsáveis por fazê-los curtir aquele momento, mas também entender o porque estavam ali...para isso usavam passos de hip hop e funk, gritos de galera, batalhas de break, tudo tinha sentido para tantos jovens. A verdade era que nunca tinham sentido tamanho orgulho em participar de um movimento tão real e cheio de sentidos, definitivamente a vida dos garotos mudava sem elas perceberem. Santana sentia falta de Rachel e Britt, especialmente da loira, afinal tinham saindo tão cedo que ela ainda dormia. Sabia que não estava mais com a ex namorada, mas a presença dela lhe dava força, lhe fazia bem. Não sabia onde as duas haviam se metido, mas sabia que uma hora apareceriam...confiava nelas mais que tudo na vida.
No outro lado daquela guerra, Quinn estava sentada, observando Maya começar a acordar...esperava ela despertar para mostrar-lhe quem mandaria ali daquele momento em diante, afinal já tinha visto o estilete embaixo do travesseiro da garota e sabia que seria matar ou morrer...se respondia por assassinatos que não cometera, agora iria responder por um que cometeria!! Mataria Maya, Emily e quem mais ameaçasse as duas pessoas que ela mais amava...Rachel e Santana...mesmo que isso significasse ficar para sempre longe delas!!
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