Entre O Amor E A Guerra

6 Capítulo 6 - Roupas por quilo?!


Notas iniciais
Boa noite!!! Depois de um dia exaustivo, só um passeio pelo São Jorge...divirtam-se!!

Santana e Quinn logo seguiram rumo a cidade, as lojas ainda estavam abertas e Quinn se ofereceu para comprar algumas peças de roupa para a morena enquanto ela não reorganizasse sua vida. Aos poucos Quinn se soltava e tentava ser gentil, sabia que Santana estava aflita por sua família. No morro, Kitty havia acabado de descobrir sobre a morte de seus pais, um misto de revolta e desejo de vingança tomava conta sorrateiramente da garota, que jurava vingança ao quatro ventos da favela. Foi preciso que Tina e Finn levassem a loira de volta para a casa de Puck, caso contrário chamaria tanta atenção que a guerra poderia recomeçar a qualquer momento. Era preciso também organizar o enterro daquelas pessoas inocentes, eles não tinham culpa dos caminhos que a filha havia escolhido.

Brittany e Rachel saíram da empresa de Marcos saltitantes como duas gazelas empolgadas. O pai da loira não só autorizou a viagem, como lhe deu volumosa quantia; Brittany já planejava como seria a viagem, com requintes de luxo e muitos passeios e compras. Embora fosse uma viagem curta, iriam passar por dois países interessantes – EUA e Canadá, por onde o grupo de música da faculdade de Rachel iria se apresentar. Brittany pensava nas baladas e compras, enquanto Rachel pensava em como seria importante conhecer outros grupos, trocar experiências. Eram diferentes em suas essências, mas a amizade era sincera e verdadeira.

Já em casa Brittany lembrou da afronta de ter que aturar aquela garota no elevador social da empresa. Da próxima vez iria colocar a sujeita no seu devido lugar, o de empregada. Ainda assim lembrava do medo da latina em subir de elevador, e deu um leve sorriso quando lembrou da menina segurando as mãos de Rachel. Tinha que admitir que a garota era interessante.

- Interessante não Brittany, ela é só bonitinha. Bonitinha mas tem um péssimo gosto para perfumes né? Aliás, que perfumes fedorentos que a talzinha usa, meu Deus! E a roupa...acho que aquela garota compra roupa no centro da cidade, naquelas lojas que vendem por bacia de roupa...uma bacia por dez reais. Tenho certeza que vi algo assim na televisão, ou será que era um balde de roupas por dez reais? Sei lá, só sei que a garota é brega até morrer!

Isso mesmo, Brittany falava sozinha enquanto tomava um delicioso banho de sais. Sem perceber seus pensamentos se conectavam com os de Santana, que comprava roupas no centro da cidade. Lá eram mais baratas, não queria abusar do dinheiro de Quinn, pois sabia que era um dinheiro sujo, que vinha das ações da loira a frente do tráfico. Comprava roupas em uma promoção, que não tinha haver com bacias ou baldes, mas era uma promoção. Blusas e calças jeans para os primeiros dias de trabalho, afinal precisava se apresentar devidamente. Enquanto comprava tagarelava no ouvido de Quinn sobre as situações vividas na empresa – a garota gentil do elevador, a insuportável loira, o senhor gentil de olhos azuis que a acolheu.

Quinn ouvia atenta, mas só lembrava-se da pequenininha, que Santana identificou logo como a garota gentil amiga da garota mala. Tinha achado o “chaveirinho” uma gracinha, com umas pernas maravilhosas, mas nem comentou nada com a latina, pois pelo vestido e as jóias finas que a menina usava, nunca chegaria a vê-la outra vez. Mal sabia Quinn que aquele “chaveirinho” iria, um dia, fazê-la repensar toda a sua vida, e talvez, a sua morte.

Terminaram as compras e chegavam no pé do morro quando avistaram Blaine, que as esperava. O menino trazia a notícia da morte dos pais de Kitty, assim como também informações sobre a mãe e o sobrinho de Santana. As notícias acabaram acalmando um pouco a latina, pois agora sabia que eles tinham chegado, a pé, na casa de um tio de Santana que morava em uma favela um pouco distante do São Jorge. A mãe tinha ligado para um telefone público do morro, pois não tinha como ligar para o celular da filha, saíra de casa com a roupa do corpo e não queria incomodar muito os parentes. Deixou um telefone de contato e pediu que Santana ligasse assim que pudesse, pois estava preocupada e queria notícias.

A latina, depois de ouvir as palavras de Blaine subiu o morro correndo, precisava ver a namorada. Chegou na casa de Puck e encontrou a loira sentada em um canto da sala, olhando pela janela.

- Amor, acabei de ficar sabendo o que aconteceu com seus pais. Sinto muito por tudo e prometo ficar ao seu lado nesse momento difícil. A gente vai enfrentar isso juntas, eu te prometo. A latina falou, enquanto se aproximava de sua namorada, que tinha lágrimas escorrendo, de forma tímida.

- Eu nunca fui uma boa filha San. Desde pequena respondia mal a eles, julgava-os dois idiotas por trabalharem tanto por tão pouco dinheiro. Sempre achei a honestidade deles uma babaquice, e jurei para mim mesma que nunca seguiria o mesmo caminho. Nunca dei valor aos sonhos, as lutas deles.

- Não fala assim amor, tenho certeza que, da sua forma, você os amava. Todo filho ama os pais, mas não sabe muito bem como demonstrar isso. Com certeza você não sabia demonstrar, mas eles com certeza se sentiam amados.

- É incrível como você consegue ver um lado bom em mim que não existe Santana. Eu sempre tive vergonha de ver minha mãe catando fruta podre na feira, levava e cortava os pedaços bons para fazer suco para mim. Quantas vezes vi ela separar carne para mim, enquanto para ela e meu pai mal tinha arroz e feijão. Eu cresci vendo isso, mas nem por isso consegui retribuir tudo que eles fizeram para me ver bem. Muito pelo contrário, antes de te conhecer, enquanto eles estavam sozinhos naquela casa cheia de goteira, eu estava na balada, bancando bebidas e drogas para as minas do morro.

Santana ouvia aquilo e um nó se formava em sua garganta. Na verdade em quase dois anos de namoro conhecia bem pouco a namorada. Lembrou de todas as vezes que via a mãe de Kitty bater em sua porta, a procura da menina. Santana sabia que Kitty não estava fazendo nada de bom, mas mentia para aquela senhora idosa e de olhar triste, dizendo que não sabia do paradeiro da garota. Aquele não era o momento, mas sabia que logo precisaria ter uma conversa decisiva com a namorada, não iria aceitar aquela vida que Kitty havia escolhido como caminho...não mesmo! Agora era a hora de dar apoio e segurar a onda do sofrimento que viria.

Notas finais
Escrevendo o próximo....estou ficando viciadinha nas maloqueiras do São Jorge!!!kkkkkk