Entre O Amor E A Guerra
49 Capítulo 49 - Dúvidas e sofrimento
Notas iniciais
Agora vocês escolhem se eu deixo Emily terminar o que começou ou se o bonde das loiras detona com a maluca psicopata...
Mesmo estando mal com a briga com Brittany, Santana decidiu que iria tentar resolver a questão das escrituras do morro. Chegando ao território de Emily desconfiou da intensa movimentação dos “soldados” do “movimento”, porém não quis entender porque, afinal não queria se envolver nas coisas escusas que a garota se metia. Passou direto pelo grupo, que baixou a cabeça em respeito, o que Santana não entendeu muito bem também, mas acabou cumprimentando os meninos, que responderam sem lhe dirigir o olhar. Encontrou Emily na cozinha, preparando algo que parecia muito cheiroso.
- Cheguei garota cozinheira, posso entrar? O cheiro está maravilhoso, senti lá fora. Disse Santana, brincando com Emily.
- Pode não, você deve entrar minha linda. Venha até a cozinha, senti uma fome meio louca e resolvi fazer alguma coisa pra gente comer, se você não se importar. Separei alguns papéis importantes que estão na mesa da sala, pode ir dando uma olhada enquanto termino. Falou Emily da cozinha, onde preparava um talharim que parecia muito apetitoso. Santana entrou e depois de cumprimentar Emily foi direto aos papéis, que realmente traziam informações importantes referente às escrituras, assim como ao direito dos moradores. Distraída e encantada com aqueles documentos Santana passou alguns minutos ali os analisando, não percebendo Emily chegar por trás e observá-la por um tempo; depois a garota se aproximou lentamente e deu um leve beijo no pescoço descoberto da latina, que estava com um lindo rabo de cavalo.
Santana se assustou e imediatamente afastou-se de Emily, virando de frente para a garota com ar de reprovação; por mais que toda aquela questão das escrituras fosse um sonho antigo de família, a latina não conseguia tirar Brittany da cabeça e não se imaginava com outra pessoa, mesmo que fosse alguém que lhe despertava certo tesão. Olhou nos olhos de Emily e foi sincera com a menina.
- Emily eu não quero misturar as coisas, por isso quero ser direta agora para que você não confunda o motivo de eu estar aqui. Você é linda, e como já te disse uma vez, ficaria com você com toda certeza...se não amasse perdidamente a minha namorada. Sei que ela pode ser uma patricinha meio lesada e malcriada, mas meu amor é só dela, eu não consigo me imaginar com outra pessoa que não ela.
Emily ouvia aquilo e a raiva ia tomando conta de seu corpo e de sua mente. Sabia que não podia demonstrar que estava extremamente irritada com tudo o que Santana falava, mas era difícil esconder que ser contrariada era o pior que alguém poderia fazer com ela, assim resolveu colocar seu plano B em prática...se a latina não seria dela por bem, seria por mal mesmo.
- Eu te entendo Santana, sei bem como é amar alguém e só pensar naquela pessoa, ficar quase que obsessivamente ligado aquela pessoa; desculpa se por um impulso avancei um pouco os limites com você, é que quando te vi de costas assim, acabei me perdendo em você e acabei me aproximando. A comida está quase pronta, aceita um vinho ou algo para acompanhar?
- O cheiro está maravilhoso e massa combina com vinho, embora não queira passar do limite aceito uma taça para acompanhar esse talharim que parece delicioso. Disse a latina, voltando a ler os documentos que estavam na mesa. Emily foi à cozinha, serviu o vinho e com ele uma dose leve de medicamentos para insônia, uma mistura que deixaria a latina, no mínimo, tonta.
Enquanto isso, Rachel e Quinn passeavam de mãos dadas pelo parque da cidade, era noite e a lua parecia mais linda para iluminar o encontro das meninas. Quinn estava triste depois de tudo que havia descoberto sobre a mãe, mas ainda mais confusa pelo recado dado pelo homem misterioso. Contara tudo para Rachel, que também não sabia o que dizer sobre tudo o que vinha acontecendo com a namorada; sua razão dizia que quanto antes tirasse Quinn daquela vida, menos riscos teria de perder a namorada em um tiroteio ou emboscada de um grupo rival, mas seu coração dizia que a única chance que a namorada teria de recomeçar sua vida seria sendo responsabilizada por todos os crimes que cometeu ao longo da juventude.
- Parece loucura amor, mas hoje a tarde, por alguns minutos pensei em acabar com tudo isso; largar essa história de tráfico, deixar de ser “vida loka” e tentar fazer o que o tal Rodrigo disse...me entregar e tentar recomeçar minha vida. Sei que parece loucura, mas sinto que só vou conseguir ser inteira, ser de fato digna de você e de uma nova vida se deixar para trás tudo que vivi até agora.
- Quinn eu seria louca se dissesse que suportaria com tranqüilidade o fato de você se entregar e talvez ficar longe de mim por tanto tempo. Não sei como seria ficar sem te ver, sem poder te tocar, sem ao menos saber que você ficaria bem em um sistema prisional que ao invés de recuperar leva as pessoas mais para o fundo do poço. Não sei se quero isso para você, mas se for a sua escolha eu prometo que vou estar ao seu lado para enfrentar tudo o que for preciso para que você possa superar essa fase da sua vida. Sei que é cedo para dizer isso, mas eu te amo tanto que seria capaz de largar tudo e ir embora da cidade, do país com você para evitar que ficasse longe de mim. Pense bem antes de tomar uma decisão que vai mudar toda a sua vida. Falando isso Rachel beijou calmamente Quinn...um beijo não só de amor, mas principalmente de cumplicidade para com o futuro. Qualquer decisão que a loira tomasse sabia que poderia contar com a pessoa mais importante de sua vida naquele momento, Rachel.
No morro, Santana e Emily já haviam tomado toda a garrafa de vinho, e discutiam as estratégias para conseguir que todos os moradores fossem o quanto antes na sede da empresa que iria regularizar a situação das escrituras. Emily conseguira que fosse instalada no morro uma espécie de sede volante da empresa, o que facilitaria toda a situação daqueles que tivessem dificuldades. Foi durante essa conversa que a garota contou a Santana sua verdadeira origem e como conseguira o que a comunidade lutou tanto sem sucesso...era de origem rica, assim como Brittany e Rachel, porém se envolveu muito cedo com uso de drogas e com uma namorada traficante, com quem decidiu morar, fugindo de casa. Contou que um tempo depois dessa relação começar a menina acabou morta em uma ação do Batalhão de Missões Especiais, e ela acabou assumindo “a firma”. Desde então quase não vê a família, embora saiba que sofrem demais com a vida que escolheu para si. Em uma das raras visitas aos familiares contou a história do São Jorge ao pai, um grande e importante empresário do ramo imobiliário, e disse que se o mesmo ajudasse na regularização ela tentaria voltar para casa e faria um tratamento de dependência química. Foi essa pequena esperança que fez o pai da menina mover mundos e fundos para conseguir a liberação das escrituras dos moradores da comunidade...
A latina ouvia a história mais o corpo começava a ficar estranho, os olhos começavam a pesar, embora os batimentos cardíacos parecessem acelerar. O corpo parecia começar a ter certo colapso devido a mistura de um ansiolítico anticonvulsionante com o álcool; Emily, percebendo que a garota começava a ter lapsos de consciência carregou-a nos braços até o quarto; deu leves beijos em seus lábios, para em seguida partir para um beijo mais profundo, invadindo a boca da menina de forma mais agressiva. Santana sentia que não tinha forças para levantar, mas tinha consciência que Emily começava a forçar algo que ela não queria, e implorou para que a menina parasse.
- Emily eu não estou me sentindo nada bem, parece que meu corpo não responde as minhas ordens e tenho certeza que não quero que você continue a fazer isso, por favor, me leva para casa. Sei que não estou em condições de ir sozinha, mas também não quero ficar aqui. Por favor para com isso e me leva. A latina quase implorava para que Emily a levar, mas a menina não ouvia, simplesmente começava a despir Santana, que tentava em vão reagir.
Em casa Brittany pensava na discussão que havia tido com a latina. Sabia que mais uma vez tinha sido dura e incompreensível, mas a verdade é que não engolia aquela história de aproximação de Emily, e sabia que boa coisa não viria dali. Tentou ligar para o celular da latina, que tocou insistentes vezes, sem resposta. Tentou o celular de Quinn, que estava ainda no parque da cidade com Rachel quando atendeu.
- Fala loiruda chata que atrapalha meu namoro. Resmungou Quinn, ao interromper uma sequência de beijos mais calientes com Rachel para atender o telefone.
- Quinn sei que não deveria ficar preocupada, afinal falei para aquela latina imbecil que terminarímos nosso namoro se ela fosse a casa da Emily hoje, mas não agüentei e liguei, e ela não atende o telefone. Uma sensação ruim vem toda hora na minha cabeça e eu sei que pode ser loucura, mas estou com medo de algo acontecer com ela.
- Eu não to entendendo nada...porque aquela anta morena foi até a casa da maluca da Emily? Eu proibi ela de ir lá sozinha porra. Gritava Quinn no telefone, já levantando da grama em que estava namorando com Rachel e indo em direção ao carro da garota, ao mesmo tempo que falava ao telefone.
- É uma longa história Quinn, mas estou saindo de casa e indo atrás daquela garota. Algo me diz que ela armou para a Santana e é isso que está me preocupando. Sei que posso encontrar a San lá no maior love com ela, mas prefiro correr esse risco do que deixar alguma coisa acontecer.
- Ok Britt, também estamos saindo do parque e indo direto para o São Jorge, me espera na subida do morro que de lá vamos direto à casa da filha da puta. Vou ligar para Puck e pedir que ele e os meninos nos encontrem na entrada do território dela, armados até os dentes porque aquela louca tem uma histórias que eu descobri tem um tempo que indicam que ela é maluca pela Santana a muito mais tempo do que a gente imagina.
Brittany surtou ao ouvir aquilo. Sabia que Santana era uma latina piranha e sem vergonha, mas era a latina que ela amava, por isso não poderia deixar que nada lhe acontecesse, mesmo qe para isso precisasse matar Emily. No alto do morro Santana já estava despida, com Emily sobre seu corpo, acariciando seus seios e mordendo-os descontroladamente, mostrando como aquilo que sentia não podia ser amor, e sim uma doença. Santana chorava baixinho, sentindo que chegara no limite da vida.
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