Entre O Amor E A Guerra
4 Capítulo 4 - O mundo gira e se reconfigura.
Notas iniciais
O amanhecer na favela mostrou-se como o dia seguinte ao apocalipse...pessoas mortas pelas escadarias apertadas, famílias carregando as poucas coisas que tinham, mudando-se as pressas do morro, assim como alguns outros se armando até os dentes para defender o pouco que lhes sobrara...a vida! A polícia só subiu a comunidade depois que os tiros cessaram, e fazia a limpeza social do que sobrou: recolhia os corpos. Mães choravam em volta dos seus filhos mortos, famílias inteiras haviam sido dizimadas ou expulsas.
O morro estava claramente dividido em dois lados: a parte baixa, que antes era território do grupo de Kitty, e agora era dominada pelo Bonde dos Kbeças, liderados por Sebastian e Blake, e que tinham como uma de suas forças um moleque chamo Unique, que dava a vida por Sebastian e pela gangue. E a parte mais alta do morro, ainda dominada pelo grupo de Puck e Quinn, mas que acabaram acolhendo uma parte grande dos moradores da parte baixa, que na hora do confronto se refugiaram nos barracos mais do alto. Quinn sabia que não eram parceiros, mas na hora da guerra, da dor e da solidariedade acabaram por acolher aquelas pessoas, incluindo Kitty e seu bando.
Santana, depois que o tiroteio cessou, tentou ainda ir até sua casa, mas precisou ser agarrada por Puck, que impedia a menina de descer, pois sabia que ela seria morta se chegasse à parte baixa do morro. Depois de ser contida, a latina acabou aceitando ficar na casa do amigo, mas passou a noite em claro, pensando na mãe e no sobrinho. Por alguns minutos a morena fechou os olhos e desejou que aquilo tudo não passasse de um pesadelo, e que ela pudesse acordar logo, pois estava indo longe demais. De uma certa distância Quinn olhava para a latina e imaginava como teria sido sua vida se aquele namoro tivesse ido a frente. Do outro lado Kitty também a olhava, imaginava como tinha conseguido conquistar a morena mais linda do morro; era definitivamente a mulher da sua vida, e faria tudo por ela, mataria ou morreria.
Eram quase onze horas da manhã, e enquanto Santana e Quinn viajavam em seus próprios pensamentos, Rachel e Brittany acordavam do outro lado da metrópole. Tomavam um saboroso café que a governanta da casa de Rachel preparara para as meninas, e riam horrores da noite anterior. Rachel tentava fazer Brittany entender o perigo que tinha corrido nas mãos do loiro bocudo, mas a menina ria a valer dos comentários de Sam sobre Rachel ser uma anã, e já pensava em como iria se divertir no resto do fim de semana. Foram tomar sol pelo resto do dia, no domingo foram ao shopping com os amigos fazer compras e ainda aproveitaram o restinho de fim de semana para um pequeno rock na casa de Kurt. Baladinhas básicas eram as diversões favoritas do grupo, embora Rachel soubesse que durante a semana a faculdade de música era a parte importante de sua vida. A verdade era que, embora fosse a mais rica do grupo, Rachel sentia-se estranha por ter tanto e não saber como usar aquilo para ajudar outras pessoas. Sabia que um dia iria aliar sua paixão pela música a herança deixada por seus pais e faria algo, mas ainda não sabia o que exatamente.
Enquanto isso os grupos de Quinn e de Kitty passaram o fim de semana pensando em formas de retomar a parte baixa da comunidade. Finn achava que deviam partir para o enfrentamento direto, já Tina, melhor amiga e braço direito de Kitty, achava que tinham que ter uma estratégia melhor. No fundo Finn dava idéias contrárias as de Tina para provocar a japonesinha funkeira, pois tinha uma quedinha por ela. Os dois grupos sabiam que tinham um lado inteiro do morro ainda deles, agora era deixar a poeira baixar para retomar os espaços perdidos. Faziam planos, brigavam entre si, voltavam a fazer planos e, sem perceber formavam uma nova configuração familiar. Já amanhecia a segunda-feira, e o grupo quase não dormira. Kitty ainda nem sonhava que tinha perdido sua família e Santana, embora não se envolvesse naquelas conversas, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que se posicionar e assumir que também estava nessa guerra, e queria sua família de volta, sua vida de volta.
Eram quase nove quando seu celular começou a tocar com um número estranho. Atendeu no segundo toque, achando que poderia ser sua mãe, utilizando o celular de alguém para se comunicar. Do outro lado uma voz feminina doce, mas firme, informava que a latina havia sido aprovada no processo seletivo da Selecta RH, e que precisava comparecer a empresa para entregar documentos para admissão imediata. Um pequeno sorriso estampou-se por alguns segundos nos lábios da morena, que logo deu lugar a uma expressão de preocupação: o desejado emprego havia finalmente chegado, e justo na empresa que ela não achava que passaria. Mas como iria se apresentar e entregar documentos, se tinha ido para o baile apenas com a carteira de identidade no bolso e com uma roupa de piriguete que não poderia nunca sair para um emprego?! Era o novo desafio de Santana, depois daquela noite medonha e de nem saber ao certo se sua família ainda estava viva...
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