Entre O Amor E A Guerra
39 Capítulo 39 - Acordos...
Notas iniciais
Eram quase oito da noite quando Quinn, Puck, Blaine e Finn chegaram à pracinha do bairro, local marcado com Emily para a conversa sobre a divisão territorial do morro. Parecia estranho discutir o “loteamento” de um bairro, mas principalmente o destino de várias famílias; a idéia dos meninos era justamente cessar a guerra, afinal as pessoas mais atingidas eram as que não tinham nenhum envolvimento com a criminalidade. Emily chegou poucos minutos depois, acompanhada por mais três pessoas, duas meninas e um rapaz alto. Estavam aparentemente desarmados, porém, como Quinn não tinha certeza do fato, pediu que Finn verificasse se realmente estavam “limpos”.
– Boa noite Quinn. Acho que não preciso me apresentar afinal já nos conhecemos aquele dia do barranco, e você já deve ter ouvido falar de mim. Esses são meus seguranças, e como lhe prometi, não viemos armados. Falou Emily esboçando um pequeno sorriso para Quinn, de forma a transparecer que realmente desejava negociar a paz.
– Boa noite Emily. Realmente já nos conhecemos de forma pouco amistosa, mas quero que nossa relação possa ser de cordialidade a partir daqui. Como você já deve ter ouvido falar da gente, esses são Puck, Blaine e Finn, meus homens de confiança aqui no São Jorge. Falou Quinn, apontando para os meninos, que estufaram o peito para parecerem mais fortes.
– Vou logo ao ponto principal pelo qual me propus a vir aqui; acho que todos nós perdemos quando nos dividimos, quando brigamos entre nós mesmos e nos matamos. Creio que podemos estabelecer uma convivência harmoniosa e de respeito, sem precisarmos nos agredir. O ponto principal é entendermos onde começa e onde termina os limites de um grupo, assim não invadimos nem a área muito menos os negócios um do outro.
– Acho que a discussão é essa sim Emily, mas também é importante deixarmos claro que não vamos abrir mão de nada do que nos pertence por direito. O morro era muito bem dividido e gerenciado por duas facções, que embora não fossem amigas, se respeitavam e contribuíam para o não envolvimento de pessoas inocentes em situações de violência e morte. Com a morte de Kitty uma dessas facções ficou sem um líder e acabou perdendo o território para vocês. Parto do pressuposto de que essa parte do território continue sob seu domínio, mas que a nossa continue em nossas mãos.
– Nada mais justo Quinn, concordo com suas colocações, mas ainda gostaria que fosse permitido que as pessoas da comunidade pudessem circular por todo o território, sem restrições; acho que isso não vai impedir que cuidemos dos nossos negócios, assim como também colocará a comunidade do nosso lado.
As idéias seriam perfeitas, se não fossem de duas facções criminosas. De um lado Quinn se surpreendia com as propostas de Emily, que buscava uma conciliação não só com o grupo rival, mas também uma forma de fazer a comunidade aceitá-los de forma mais tranqüila. Do outro lado Emily, sedutora com as palavras, tentando mostrar que poderia ser uma pessoa diferente daquela que liderou os ataques ao São Jorge e que matou, sem pena, mulheres, idosos, crianças e inocentes que nada tinham haver com a guerra das facções. Ao final da conversa e de vários acordos firmados Quinn ainda tinha pequenas desconfianças, mas os meninos tinham adorado a líder do Bonde dos Cabeças, ela era aparentemente simpática, educada e linda.
– Foi muito bom conversar com vocês, e espero que a partir de agora mais ninguém morra por conta de guerras desnecessárias, muito pelo contrário, que possamos fortalecer essas vinculações e quem sabe no futuro formarmos um grupo só, que represente nossa favela. Falando em um grupo só, senti falta das meninas que estavam com vocês naquele dia da mata, elas não são do grupo?!
–Não sei se podemos um dia ser um grupo só, acho que gostamos dessa nossa independência e temos um jeito próprio de lidar uns com os outros. Quanto às meninas, eram amigas nossas de fora do morro que estavam passando um tempo aqui, por isso não estão conosco. Respondeu Quinn, não gostando nada da pergunta e do interesse de Emily.
– Desculpa ser ainda mais indiscreta Quinn, mas eu queria saber mesmo da morena, a Santana. Vou te ser sincera, achei ela muito gata e queria muito poder conhecê-la melhor. Disse Emily, com um sorriso meio safado no rosto, pegando um pacote da mão de uma das meninas.
– Então, a Santana é como se fosse minha irmã mais nova Emily. Ela não veio hoje porque não a envolvemos nesses assuntos do grupo; ela não tem envolvimento com o tráfico, muito menos com as coisas erradas que fazemos, tanto que trabalha e pretende voltar a estudar o quanto antes. Não é uma menina que gostaríamos de ver sendo levada para esse caminho, se é que você me entende, e além do mais ela tem uma “quase-namorada”, a Brittany, uma das meninas que você viu naquele dia na mata.
– Entendo sim Quinn, na verdade queria conhecê-la melhor, isso é, se ela também quiser. Não tenho ninguém comigo, pois não me ligo muito em relacionamentos pois tiram o foco, mas desde a primeira vez que a vi fiquei encantada, por isso resolvi criar coragem e te perguntar. A namorada dela era a loira ou a morena? Antes que Quinn respondesse Puck fez questão de dizer que era a loira mal humorada. Emily ouviu aquilo e guardou a informação como um trunfo, pois sabia que iria precisar disso para conseguir o que queria.
– Tinha trago isso aqui para ela, mas como não veio, peço que entreguem. Tem um bilhetinho dentro, e tenho certeza que ela vai gostar. Falou Emily, entregando uma pequena caixa nas mãos de Puck; sentiu que o garoto não ia com a cara da loira, e também usaria isso para fisgar a latina. Puck sorriu ao pegar o presente, afinal sabia que Santana era apaixonada por presentes, e aquele ali parecia bem pesadinho.
Encerrado o encontro voltaram para seus respectivos territórios; Emily voltou para seu lado, agora com a certeza de que tinha dado um passo bem importante para dominar o lado que lhe faltava do São Jorge e ganhar de brinde a morena gostosa. Quinn e os meninos foram direto para casa, afinal Rachel e Brittany iriam lá, pensavam em fazer uma festinha caseira com as meninas e comemorar em grupo o sucesso das negociações com Emily. Chegando na “caxanga” o grupo percebeu que o bonde das patricinhas já estava lá, Rachel fazendo karaokê com o aparelho de Puck, e Brittany agarrada com Santana no sofá da sala, rindo de Berry, que tentava cantar um funk muito sugestivo para o encontro de Quinn e Emily...
“O simpático, para de forma cão, para de formar caô. Com marra de cão, vem um vacilão de bobeira no movimento. Sei que ta mancando a massa ta sacando e já estamos ligados no procedimento; simpático oculto não é do justo porque dos irmãos se desfaz. errado vira certo e se acha esperto, só fortalece quem tem mais. O tempo é o remédio e o proceder se mostra no diaa dia, a caosada, ea simpatia já ta virando epidemia. Falei uma vez eu tô bolado e novamente eu vou falar: pra curar safado é bom tá ligado, vacina é bala de AK. Por isso que eu digo cuidado comigo, meu bonde bolado é um perigo. Comédia fodido, garoto metido é cartucheira de bandido. Porquê ele vive na sombra do patrão, agradar vagabundo é sua profissão. Confunde ganância e ambição, simpatia comédia é vacilação. O simpático, para de formar cão...”
Quinn, Blaine e Finn chegaram empolgados com a conversa com Emily, contando as novidades para Rachel e Brittany, e não se deram conta de que Puck, ainda bolado com as implicâncias antigas de Brittany com Quinn, foi direto até Santana e entregou a caixa que Emily havia lhe dado. Com um leve sorriso no rosto ele provocou Brittany...
– Então San, a conversa foi fantástica, a guria é toda fodona e ta querendo formar com a gente. Fez um monte de proposta legal para a comunidade, além do mais disse que queria dar espaço para a galera poder circular dos dois lados, sem rolar violência ou toque de recolher, como era antes. Ah, e pediu para te entregar essa parada aqui...disse que tinha ficado caidinha por você, que queria trocar uma idéia na moral contigo e disse que tem um bilhete ai dentro. Abre e lê para o bonde, ta todo mundo curiosão para saber de qual é da guria...deve ser um daqueles “cordãozão” de prata, igual aos que a pelancuda colocava no seu pescoço.
Santana, toda sem graça, pegou a caixa da mão de Puck e disse que não iria abrir ali naquele momento, afinal queria aproveitar o momento com Brittany, pensar em outras coisas que não fossem gurias traficantes caidinhas por ela. Brittany ficou furiosa, pegou a caixa de volta da mão de Puck e colocou na mão de Santana, quase socando na mão da menina.
– Abre agora Santana. Até eu fiquei curiosa com o presente e o bilhete que a traficantezinha de merda mandou para você; aliás, você tem o dom de atrair esse tipo de gente né?! Gritou a loira, já irada e querendo socar todas as paredes e o que achasse na reta.
– Brittany eu não vou abrir isso agora, deixa de ser boba e ciumenta, vamos continuar aqui juntinhas e dando beijinhos, estava muito melhor. Eu não quero saber de outras garotas, dá para entender ou quer que eu desenhe?! Falou já chateada, Santana.
– Se não quer mesmo, abra essa droga, por favor!! Brittany agora gritava descontrolada.
Ok Brittany já que você quer estragar a nossa noite, tudo bem. Vou abrir, mas depois você pega sua mochilinha da Barbie e vai embora para sua casinha de princesa, que eu não quero mais nada contigo essa noite. Resmungou Santana, já abrindo o papel delicado, que cobria a caixa. Ao contrário do que todos esperavam, dentro havia um pequeno colar de ouro branco, com algumas pequenas pedrinhas que pareciam brilhantes e um pingente com uma inscrição: eu quero você. Santana tentou disfarçar, mas seus olhos brilharam pela delicadeza do presente; no bilhete a garota ainda era mais direta e decidida: “Para o meu futuro brilhante, nada mais digno do que brilhantes, e uma única certeza...eu quero você!!”.
Brittany, ao ler o bilhete empurrou Santana e saiu do sofá, juntou suas coisas e ensaiou ir embora, irritada com toda aquela situação; por mais que soubesse que a culpa não era da latina, estava com vontade de ir do outro lado do morro e esmurrar aquela garota petulante que estava cantando descaradamente sua...hum...sua...deixa pra lá!!! Quinn foi correndo atrás da garota, sabia que ela iria se meter em uma baita enrrascada...
Notas finais
Lembrando amores, amanhã provavelmente não tem post. Torçam por mim e durmam imaginando Rachel cantando um funk!!! Bjs
Mister Catra do Borel:
http://www.youtube.com/watch?v=BbqXlUbMb7U
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