Entre O Amor E A Guerra
37 Capítulo 37 - O Bonde das Patricinhas
Notas iniciais
A semana passou se arrastando. Nos primeiros dias Rachel tirou para descansar das fortes emoções assim como Brittany se esforçou para se dedicar a organizar o que ficou parado na empresa de recursos humanos de sua família. Santana trabalhou bastante para pagar os dias que saiu mais cedo e a falta no começo da semana, assim como matou todas as saudades possíveis e impossíveis da família, que estava bem organizada, abrigada junto à familiares no Morro da Baleia. O restante do grupo concentrou-se em pensar estratégias de pacificação do São Jorge, afinal a tal Emily lhes pareceu até simpática depois do tal encontro na matinha; Quinn era a única que se mantinha cética e com o pé atrás em relação a garota, afinal o primeiro embate tinha sido duro, muitos moradores inocentes tinham sido mortos por pura maldade do Bonde dos Cabeças. Assim, fez algumas pesquisas com seus parceiros das favelas próximas no período que ficou no Morro da Baleia e descobriu coisas extremamente importantes e chocantes sobre a menina que era a líder do grupo rival. No fim da semana já estariam de volta ao São Jorge, e ela intensificaria a vigília em relação a tal Emily.
Do outro lado da cidade finalmente o bonde das patricinhas se encontrava para colocar todos os assuntos “fervidos” em dia; Rachel, Brittany, Mercedes, Kurt, e agora o mais novo integrante, Sam Evans, se reuniram na casa de Rachel para um café da tarde e entre outras coisas começaram a bolar a festa de grande retorno de Rachel.
– Uiiii fico imaginando aquele monte de homens altos, musculosos e tatuados me pegando, me amarrando abusando do meu corpinho...chega a me dar calafrios só de imaginar toda a pegação que deve rolar entre os favelados daquele morro! Falava Kurt, cheio de tesão só de imaginar como tinha sido o seqüestro de Rachel.
– Seu louco, não foi essa pegação toda que você está fantasiando. No começo pensei que fosse morrer nas mãos daquelas loucas que me seqüestraram. Só me senti segura quando fui levada pelo grupo do meu bebê para a casa dela, ai sim fiquei com pessoas que realmente cuidaram de mim.
– Aiii bebê pra cá, bebê prá lá...parece que o seqüestro causou nada mais, nada menos que uma baita Síndrome de Estocolmo nessa refém perdidamente apaixonada pela loira má da favela. Ria Mercedes, mencionando a paixão de Rachel por Quinn.
– Vocês estão rindo e zuando porque não passaram pelos mal bocados que eu e Rachel passamos naquele baile ta! Eu juro que apanhei tanto da mulherada que pensei que iria morrer. Aliás, acho que aquele povo lá do São Jorge deve ter super poderes porque nunca apanhei tanto na vida de mulher igual apanhei das tchutchucas! Falou Sam, ao contar a experiência no baile, no dia da morte de Kitty.
– Ok. Agora que todo mundo já sabe tudo que aconteceu comigo e com a Rachel quero que prometam que não vão abrir o bico para mais ninguém. É uma coisa muito séria, nós mentimos em depoimento e a vida das meninas esta em jogo, pois a qualquer momento a polícia pode voltar a segui-las no São Jorge. Bradou Brittany, séria em relação ao assunto.
– Isso é o nosso segredo Britt, isso nunca sairá daqui, pode ficar tranqüila. Ainda mais sabendo que isso pode envolver a vida da Santana, que parece ser uma pessoa comprometida e dedicada no trabalho que vem desenvolvendo com seu pai na Selecta. Disse Mercedes.
– Aliás, a latina caliente é um tesão de tão linda O tal perfume fedorento que a Britt tanto reclama deve ser na verdade uma poção dos deuses, porque a garota é totalmente demais. Resmungou Sam rindo, já tomando dois cascudos de Britt, que partiu para cima do bocudo, brincando de socar o menino.
Passaram a tarde juntos rindo, brincando e relembrando dos momentos em que Brittany, Rachel e Sam passaram no São Jorge. No fim da conversa Kurt e Mercedes já estavam extremamente curiosos para conhecer aquelas pessoas que ouviam tanto falar, e Kurt ficou curioso especialmente para conhecer os tais Finn e Blaine, que as meninas não pouparam elogios. Já Mercedes ficou toda assanhada querendo o conhecer Puck, já que a fama do garoto era de pegador na favela. Assim combinaram que a festa de boas vindas para Rachel seria no fim de semana seguinte, na casa de Britt, e que os meninos do grupo de Quinn seriam todos convidados a comparecer. A idéia inicial era ser uma festa a fantasia, assim o grupo não se sentiria diferente ou excluído dos outros convidados, mesmo assim Rachel sabia que teria dificuldades em convencer Quinn, que adorava se colocar no lugar de vítima excluída do mundo.
No que dizia respeito ao trabalho, a semana foi bem complicada; ficava cada vez mais difícil para Brittany passar o dia inteiro na Selecta sem tocar em Santana, sem beijá-la ou mesmo sem ficar pelo menos um pouco sozinha com ela. Marcos, por mais que visse como importante o contato das duas, vinha demandando questões importantes a secretária, o que acabava por tomar muito tempo e responsabilidade da morena. Brittany passou a ir todos os dias da semana na empresa, o que levantou a curiosidade do pai, como também de Madelaine, a recepcionista. Certo dia a senhora acabou sendo direta com Santana.
– É impressão minha ou Brittany tem vindo todos os dias na empresa, assim como demandado seu tempo quase que exclusivamente a questões ligadas a você Selena?! Perguntou Madelaine a Santana, no meio do intervalo do café da tarde, quando Britt tinha dado uma escapada de sua sala e ido ver a latina na cozinha por alguns minutos.
– É impressão sua Madelaine. Brittany só está tentando ser uma pessoa melhor, e viu em mim a possibilidade de conhecer pessoas de classe social diferente da dela, para que possa entender de uma vez por todas que as pessoas podem ser boas em qualquer classe. Disse Santana, escondendo a vontade de rir da situação.
– É, pode ser só isso mesmo. Mas a impressão que tenho é que a menina está é caidinha por você e seu charme latino. Disse madelaine, dando uma piscadinha para Santana.
No que diz respeito a Rachel, a morena deu altas fugidas durante toda a semana, assim como também arrastou Quinn para sua casa, duas noites seguidas. A loira sentia-se estranha naquela mansão, ainda tinha medo de ser ligada ao seqüestro ou mesmo ser confundida com um ladrão quando chegava na casa da garota. Resmungava, reclamava por ter que ir a mansão, e depois que chegava não saia mais do quarto, o que deixava Rachel triste e apreensiva com a postura da loira.
– Quinn, por mais que você diga que se sente mal eu não consigo entender porque tanta resistência em vir me ver. Moro sozinha e além de mim só tenho meus empregados aqui. Todos eles são bem treinados para atender todos com igualdade, desde os grandes empresários que recebo, até uma pessoa que peça comida no nosso portão. Não tem porque dizer que é tratada de forma diferente aqui. Resmungava Rachel, agarrada no pescoço da namorada, em sua enorme cama.
– Acho que você nunca entenderá Rachel. A questão não está no tratamento que as pessoas lhe dispensam, mas na forma como te olham, no jeito como falam quando você passa. Podem ser totalmente cordiais contigo, mas no fundo ficam imaginando que tipo de coisa você pode aprontar, ou por quanto está se vendendo. Por mais que as pessoas digam que não, sempre vão olhar para mim aqui como uma maloqueira vagabunda que quer se aproveitar de você.
Em um ponto Quinn tinha razão...por mais que não se pronunciassem, as pessoas ainda achavam que aquela loirinha de roupas estranhas e largas só poderia fazer mal a Rachel...e isso fazia a loira pensar se aquele relacionamento poderia realmente ir a frente.
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