Entre O Amor E A Guerra
11 Capítulo 11 - A vida tem que ser sempre assim?
Notas iniciais
Então...até poderia dar outro rumo para a história, mas se optei por usar como pano de fundo a realidade, acho necessário mostrar um pouco mais dela, mesmo que de forma um pouco violenta. Como em todos os meios, ricos ou pobres, existem pessoas de bom caráter, assim como pessoas sem caráter algum. Esse capítulo vai começar a mostrar isso na história das meninas...aqueles que amam Rachel Berry, preparem seu coração!!
Um seqüestro relâmpago, alguns saques em caixas eletrônicos ou em um banco de pouca movimentação e o serviço estava terminado; largariam a vítima em uma estrada mais afastada da cidade e bye bye....esse era o plano. A área, repleta de estacionamentos privativos era o local ideal para um seqüestro relâmpago devido ao grande fluxo de pessoas. A ajuda do comparsa, que trabalhava na região, era no sentido de identificar vítimas mais frágeis dentro dos estacionamentos privativos, facilitar a entrada das meninas com o carro e dar cobertura na saída. As vítimas eram, em geral, mulheres, bem vestidas e aparentemente delicadas.
Brittany seguiu calada até ao encontro de Rachel, que já estava impaciente na agência de viagens. O plano era resolver todos os trâmites legais e depois almoçar pela região, afinal tinham vários restaurantes interessantes e renomados e Brittany era apaixonada por comida mexicana, sendo que ali tinha um dos melhores restaurantes do país. Passaram quase uma hora definindo algumas coisas, afinal Brittany tinha deixado tudo para última hora e por pouco não perdera a chance de viajar com a amiga. Lá fora, o bando já havia traçado sua estratégia; o comparsa já tinha passado todas as informações sobre uma possível vítima, o carro era preto, ela estava sozinha e vestia calça jeans e blusa branca básica. Embora parecesse simples aparentava ter uma boa grana, visto que tinha um carro do ano e já tinha ido à agência inúmeras vezes naquele mesmo mês.
Uma hora depois de entrarem, Brittany e Rachel saíram juntas da agência e se dirigiram ao estacionamento. Em carros diferentes, a distância que separava seus veículos era de, no máximo, cem metros. Brittany foi para um lado e Rachel para outro, a loira entrava em seu carro prata enquanto Rachel preparava-se para entrar em seu Jaguar preto. A ação do grupo foi muito rápida aos olhos, aos sentidos. Bem vestidas, Tina e Kitty se aproximaram de Rachel pedindo uma falsa informação sobre a agência, o que fez a morena parar para ajudar as moças. No instante em que parou Rachel sentiu alguém por trás encostar algo gelado em sua cintura e murmurar:
- Não faça movimentos bruscos senão eu atiro. Não faça sinais ou qualquer coisa que me obrigue a atirar em você. Não olhe para trás, muito menos para minhas amiguinhas que estão ao seu lado. Entre no carro e finja que estamos conversando como boas amigas.
- Por favor, não façam nada comigo. Eu entrego tudo que tenho na bolsa, mas pelo amor de Deus me deixem ir embora. Podem levar o carro, tudo que é meu, prometo que nem procuro a polícia. Rachel já começava a surtar, e sabia que não se controlaria. Percebendo a reação desesperada da garota, Kitty chegou bem próxima e sussurrou:
- Lindinha eu não tenho nada a perder, acabei de enterrar meus pais e posso meter uma bala na sua cabecinha se for preciso. Entra nessa porra desse carro rápido sua histérica, que em menos de meia hora, se você fizer tudo que eu mandar, já vai estar sã e salva.
Rachel obedeceu e entrou no carro. No banco do carona entrou Kitty e atrás Tina e Lauren. Só naquele momento, quando já ligava seu carro, que Brittany percebeu a movimentação estranha em torno de Rachel. Desligou o motor, desceu do carro e caminhou em direção ao carro de Berry, mas o mesmo já arrancava em direção à saída do estacionamento. Brittany gritou e correu em direção à cancela do estacionamento, mas já era tarde demais, o carro já havia saído, e Lauren ainda ameaçou atirar pela janela do carro. Brittany entrou em desespero em seu carro e tentou seguir as meninas, mas acabou se perdendo em meio as ruas movimentadas.
Enquanto isso, na empresa onde Santana trabalhava, a menina sentia-se um lixo. Por mais que tivesse disfarçado na hora em que foi insultada por Brittany, depois simplesmente desmoronou. Chorou no banheiro igual a uma criança, e só parou quando Madelaine insistiu para entrar e acalmá-la. Não sabia o porquê de a garota ter sido tão insolente, má e impiedosa. Na verdade nem conhecia aquela garota direito, mas a mesma já tinha feito com ela o que poucas pessoas fizeram durante toda a sua vida. Sentia-se triste, ultrajada da forma mais dolorosa possível. Nem era a questão do cheiro, pois sabia que não era fedorenta; a questão tinha sido ser maltratada na frente de tantas pessoas, ainda mais naquele dia tão especial em sua vida. Tinha passado por muitas coisas na vida de pobreza, mas nunca havia sido humilhada publicamente. O coração só se acalmou um pouco mais quando conseguiu falar com a mãe. Contou o acontecido, chorou mais um pouco e depois conseguiu esvaziar o coração da mágoa que sentia.
Não muito longe dali Kitty e Rachel entravam no primeiro banco. Eram quase duas da tarde e o movimento de correntistas era tranqüilo naquela quarta – feira ensolarada, embora os caixas estivessem todos com filas. Para evitar perda de tempo Kitty optou por utilizar o caixa rápido; Rachel, tremendo mais que tudo, fez o primeiro saque e saiu do banco sem despertar suspeitas na segurança do local. Seguiram então de volta para o carro e em seguida para o segundo banco; rache tremia no volante, lágrimas escorriam levemente de seus olhos, mas toda vez que Kitty percebia isso encostava o cano de sua pistola na cintura da menina. Automaticamente Berry limpava as lágrimas e seguia em frente.
Brittany, desesperada, voltou para dentro da agência de viagens e pediu ajuda a moça que havia feito o pacote do passeio, que imediatamente fez contato com a polícia, explicando o que parecia, a princípio, um seqüestro relâmpago. A loira ligou imediatamente para seu pai, que acionou alguns contatos para que iniciassem imediatamente a perseguição aos seqüestradores de Rachel. Marcos fez contato ainda com Will, tio materno de Berry, com o objetivo de deixar a pouca família que a menina tinha informada sobre o acontecido. Depois saiu apressado da empresa para buscar a filha, que não parava de chorar e pedir que achassem sua amiga. Will, com um sorriso no rosto, imaginava o quanto seria útil se o possível seqüestro terminasse com a morte da refém...ele seria o único herdeiro se a menina morresse!
Chegaram ao segundo banco, e dessa vez quem iria com a garota era Tina. Mesmos procedimentos, mesma quantia sacada, nada de levantar suspeitas dos seguranças também do segundo banco. Teria sido perfeito se, naquele instante, a polícia já não estivesse com a placa e o modelo do carro de Rachel, em uma busca frenética pela garota nas imediações de toda aquela área. Quando saíam do banco, já próximas ao carro, foram reconhecidas por uma viatura da polícia militar, que imediatamente deu voz de prisão a Tina e pediu que a garota parasse e se entregasse.
Kitty, percebendo a situação, ligou o carro, abriu a porta e gritou para que Tina entrasse imediatamente com Berry. O que aconteceu na seqüência foi em uma fração de segundos: Kitty acelerou o carro, Tina empurrou Berry para dentro e logo depois entrou. Lauren deu uma rajada de tiros em direção a polícia, que revidou. Foram disparados pelo menos cinco tiros em direção ao veículo; o carro saiu em disparada com todas as garotas dentro, incluindo Rachel, mas certamente uma delas havia sido baleada, pois manchas de sangue ficaram pelo chão. Não podiam voltar mais atrás...ou seguiam em frente e conseguiam despistar a polícia, ou desistiam e se entregavam. A única chance era chegar ao morro de São Jorge, e era o que Kitty tentaria, mesmo que custasse sua vida...não iria se entregar e apodrecer na cadeia, nunca!
Vivos ou mortos, um a um o grupo de meninos (as) da favela e do “asfalto” começavam a entrar uns na vida dos outros. Sem perceber Rachel, Brittany, Santana, Quinn, Kitty e todos os outros entravam em uma teia de acontecimentos que os marcariam para o resto de suas vidas...
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