Entre Notas e Partituras
12 O Piano.
Notas iniciais
Assim que saiu do teatro, Hazel procurou Hermione por todo o lugar, mas não a encontrou. Na certa a amiga já deveria ter ido pra casa. Procurou também por Augustus, mas encontrou somente Rony. O ruivo estava no pátio, recostado em uma árvore, com um violão nas mãos, parecia tentar tirar alguma melodia.
– Rony você viu o Gus?
– Acho que ele já foi, Hazel.
– Obrigada — ela disse, e já ia saindo quando o ruivo a chamou.
– Espera, Hazel. — a jovem voltou seu olhar para o rapaz, e esperou que ele falasse. — a Hermione...ela está bem?
– Você saberia se não tivesse sido um idiota...
– Não precisa me lembrar da burrada que eu fiz, sei que vacilei...eu só queria...me desculpar
– Quer se desculpar? – perguntou.
– Sim, claro que sim. – ele disse.
– Pois bem, eu posso te ajudar, mas que fique claro que se você magoar a minha amiga de novo, eu te corto em pedacinhos!
– Está me ameaçando, Hazel Grace? — perguntou com uma das sobrancelhas elevada, num tom mais descontraído.
– Mas é claro que não, Ronald Weasley. Estou só te dando uma ideia, para o caso de você esquecer.
– Não vou me esquecer.
– Okay, depois vemos isso, agora eu preciso ir — Rony voltou a recostar-se na árvore com seu violão nas mãos, enquanto Hazel foi correndo pra casa. A jovem pretendia chegar em casa, largar suas coisas em cima da cama, e ir correndo à casa da amiga para contar-lhe sobre a proposta, mas sua mãe a impediu, dizendo que ela já passava o dia inteiro com Hermione, e não havia nenhuma necessidade de se "enfurnar" na casa dos outros.
– Mas que droga! Eu não sou criança, sabia? — dizia, enquanto subia os degraus da escada que davam em seu quarto a passos largos.
– Não é criança, mas age como uma, e enquanto morar aqui fará o que eu quero. — a jovem quis responder, mas se o fizesse só faria com que se tornasse uma briga, e na certa levaria a pior. Ficar de castigo não era uma opção.
Foi até o quarto, jogou-se na cama, e pegou o notebook na esperança de encontrar Hermione online, mas não foi o que aconteceu. Por fim optou pelo telefone.
Assim que a morena atendeu, Hazel lhe contou sobre toda a conversa que teve com o velho senhor, e sobre a enorme dúvida que estava em sua cabeça: aceitar ou não a proposta do professor Slughorn de se tornar uma bailarina.
– Você está em dúvida sobre o que quer, não é? — a morena mais afirmou do que perguntou.
– Na verdade eu não sei. Hermione era pra você me ajudar, e não pra me colocar mais dúvidas.
– Como vou te ajudar, se nem você sabe o que quer?
– Eu amo o violino, e vou continuar amando, não pretendo largar, mas o ballet...é...é algo novo.
– Você está empolgada com a proposta. Façamos o seguinte: descanse, pense bem, e amanhã conversamos com mais calma, pode ser? — Hazel Grace adorava o jeito calmo de Hermione, era era ela quem sempre tinha os melhores conselhos para dar. Decidiu seguir mais uma vez o que a amiga pediu. Despediram-se e a jovem deixou-se cair no travesseiro. Pegou o cartão do professor que estava em sua mochila, e pensou tanto no assunto que acabou adormecendo.
Quando já era hora do jantar, sua mãe subiu até o quarto, e acabou encontrando o pequeno cartão jogado em cima da cama, deixou-o no mesmo lugar e acordou a filha, chamando-a para jantar.
Hazel estranhou o jeito quieto da mãe, ela normalmente perguntava como havia sido o dia de todos, mas até aquele momento nada falara, apenas fazia sua refeição calmamente. O silêncio ensurdecedor não durou tanto, e logo a jovem pôde constatar o motivo.
– Até quando ia nos esconder, Hazel Grace? — ela perguntou já alterada.
– Esconder o quê? — respondeu com outra pergunta, totalmente confusa.
– Eu vi o cartão, não finja que não sabe.
– Ah isso. — para a jovem não havia nenhum problema em contar, mas arrependeu-se de imediato. Sua mãe praticamente a proibiu de pronunciar a palavra ballet dentro de casa. – Não sabia que o ballet te afetava desse jeito.
– Querida não é pra tanto. — disse seu pai.
– Não é pra tanto? Michael nós já deixamos que ela estudasse nesse conservatório, e agora vem com essa? Não, sem chance, ballet não!
– Mas mãe...
– Não tem "mas mãe", a resposta é não, e ponto final!
– Saco! — a jovem largou todo o jantar, subiu para o quarto, e lá trancou-se.
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– Você foi muito dura com a Hazel. Ela só tem dezessete anos.
– Michael, ela não vai fazer ballet. Eu sei o que é melhor pra minha filha.
– Okay, tudo bem, mas não seja uma tirana com a nossa filha, por favor.
– Eu vou tentar.
– A propósito, como ficou sabendo disso?
– Eu encontrei um cartão do Slughorn jogado na cama.
– Slughorn, espera, O Slughorn?
– Exatamente.
– E o que ele faz aqui em Londres? Ele é da Flórida.
– O que ele faz aqui eu ainda não sei, mas vou descobrir!
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Hermione acordou no mesmo momento em que seu despertador disparou. Levantou preguiçosamente, tomou seu banho, e começou a se arrumar para ir para o conservatório.
Quando já estava pronta, foi em direção à cozinha para tomar seu café da manhã. Acabou por parar no meio da sala, e seus pés não conseguiam ir adiante, seus olhos arregalaram-se e se encheram de lágrimas instantaneamente. No centro do cômodo havia um lindo Piano de Caldas preto.
A jovem que ainda não conseguia se mexer, gritou pelos pais que estavam na cozinha.
O Sr Granger apareceu com um sorriso acusatório no rosto e ficou encostado na divisa da porta, com os braços cruzados, olhando para a filha com ternura.
– É seu — ele disse.
Quando enfim conseguiu se mexer, Hermione foi até ele e o abraçou com tanta vontade que ele quase perdeu o ar.
– Não chore, minha menina — ele disse, enxugando as lágrimas que caíam involuntariamente.
A Sra Granger tinha um sorriso triunfante nos lábios, e também foi abraçada intensamente pela filha.
– Como...como conseguiram? É muito caro — perguntou, ainda entre uma lágrima e um sorriso de felicidade.
– Bom, desde que sua mãe e eu nos casamos que vínhamos juntando umas economias para o caso de fazermos viagens, e pagar a faculdade dos filhos que viríamos a ter. Como não precisamos mexer durante os anos, o dinheiro acabou rendendo e aqui está o resultado.
– Eu não poderia estar mais feliz! É lindo, é perfeito.
– Ah ali tem umas folhas com as notas musicais, não sei como se chama isso...
– Partituras — ela disse ainda não acreditando que era real.
– Isso, partituras. Então...ali tem uma coleção de partituras de clássicos do cinema.
– Pai, isso ... isso é fantástico! Agora vou poder praticar em casa, e treinar para a Orquestra! Preciso contar pra Hazel...
– Por falar em Hazel. Nós sabemos que os pais dela são totalmente contra qualquer coisa que seja ligado a arte...
– Eu acho isso um absurdo — disse a jovem.
– Sim querida, nós sabemos — ele disse, e caminhou até o piano, depositando sua mão sob o instrumento, fazendo uma careta como se ele fosse o pianista . — e é por isso que compramos também um violino para ela. — Hermione abriu ainda mais o sorriso e novamente a felicidade transbordou pelos olhos.
– Hazel é para nós como uma segunda filha, e eu realmente acredito no talento das minhas meninas. — disse a Sra Granger.
– Vocês são os melhores pais que alguém poderia ter! Eu os amo tanto!
– Nós também te amamos! — aquela manhã começou magicamente para a jovem. Ela tomou seu café da manhã sem tirar os olhos do instrumento que se encontrava na sala, e assim que deu sua hora, saiu como um jato para encontrar Hazel Grace, e contar-lhe sobre o presente.
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