Entre Nós
2 Lua de Mel
Grécia, Santorini – Oía, Canaves Oia Epitome.
O pôr-do-sol estava se despedindo acolhendo-se no horizonte do mar Egeu. O céu assemelhava-se como uma pintura com as misturas do quente avermelhado em encontro com o frio de um azul escurecido. A brisa que carregava o aroma salgado do mar abraçava-me como uma antiga amiga dando boas-vindas.
Ao olhar para o meu lado direito encontro o homem que carregava no dedo anelar, na mão esquerda, uma aliança semelhante a que eu vestia. O anel fino de prata destacava-se ao toque do resquício da luz do Sol nas mãos largas do homem adormecido. O tecido leve da camisa e algumas mechas de seus cabelos negros dançavam com o sopro do vento. Seu rosto era bonito, uma característica perceptível a qualquer olhar.
— O que houve? – pergunta o homem ao meu lado ainda com os olhos fechados, me assustando.
— Hã? Nada! – respondo em reflexo ao susto, fazendo o homem abrir os olhos naturalmente puxados, e seu olhar castanho escuro vem de encontro ao meu.
— Nada? Tem certeza? – ele insiste sentando-se de frente a mim ainda na espreguiçadeira. Seu olhar desanimado abandona o meu fitando o horizonte, agora, mais escurecido. – Não acha um desperdício está num lugar desses na companhia de alguém que não tem nenhum sentimento por você? – pergunta o homem de cabelos negros após um pesado suspiro.
Uma das coisas que eu havia temido era perder a minha mais adorada liberdade com este casamento. Mas, parecia que eu não era a única afetada com tal fato. – Não disse “aceito” sozinha. – respondo-lhe seguido de uma respiração profunda. – Estamos no mesmo barco agora. Fizemos isso consciente, então, não há um culpado.
— Eu sei. Não me entenda mal. A culpa não é sua. Eu só... – volto a enxergar o homem ainda sentado ao meu lado. Agora, ele estava em direção ao mar, com as longas pernas cruzadas, mexendo no objeto prata envergado em seu dedo e de cabeça baixa. – Me sinto mal por você. – completa ele.
— Você é tão ruim assim? – pergunto num tom exagerado. O homem olha para mim de imediato e dá de cara com meu sorriso brincalhão. Ele sorri de volta destacando as covinhas nas bochechas abandonando o semblante desanimado. – Não se preocupe. – faço uma pausa longa. – Daqui pra frente viveremos juntos, então, a melhor forma de um bom convívio é nos vermos como bons amigos. O que acha? – pergunto estendendo minha mão direita na direção do homem. Ele intercala o olhar entre mim e minha mão estendida à frente dele. – Senhor, Park Min Young! Me aceitaria como sua fiel amiga? – pergunto tentando mostrar formalidade. – Prometo ser sincera quando me perguntar qual gravata usar. – olho para o céu buscando mais uma promessa. — Prometo partilhar meus ouvidos e minhas opiniões sábias para momentos prósperos ou desgostosos pós-trabalho e, também, prometo não reclamar da sua bagunça.
Assim que o homem de olhos puxados ouve minha última promessa, cai na gargalhada. – Aceito! – responde ele ainda com o sorriso estampado no rosto, apertando minha mão, tornando sólida sua atual decisão.
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