Lá estava eu novamente, me preparando para mais uma escola nova. Em dezessete anos eu já havia passado por dez delas, então já estava acostumada.

Desde que eu e meus pais nos tornamos parte do programa para testemunhas do governo, minha vida tem sido essa loucura.

Há anos atrás testemunhamos um roubo com assassinato em um hotel. Os bandidos fugiram, mas passaram a nos perseguir afim de “queimar arquivo”. Toda vez que descobrem onde estamos a polícia da um jeito de nos esconder novamente, mas nunca conseguem pega-los.

Dessa vez a cidade que encontraram foi San Diego. Enquanto chegávamos de carro, observei atentamente a cidade e a achei linda, acolhedora e não via a hora de aproveitar a praia.

Havia muitos portos e quando passamos pela praia vi vários garotos surfistas e moças curtindo o clima bom. Finalmente haviam me mandado pra uma cidade decente.

Ao chegar ao apartamento fui logo deixar minhas coisas no meu mais novo quarto, quando abri as janelas tive a visão mais linda do dia. A cidade se estendia a minha frente e mais ao fundo a imagem do mar e o sol se pondo. Poderia me acostumar tranquilamente com aquilo.

Deitei-me para descansar e só acordei no dia seguinte com a luz do sol entrando pela janela e minha mãe me chamando para que eu me arrumasse. Teria de ir à escola nova.

Mamãe me levou até o colégio e me deixou na porta com um entusiasmado “Boa sorte!”. Eu não precisava de sorte, já sabia desenvolver meu papel perfeitamente.

Desci do carro e rumei em direção à secretaria.

Foi difícil encontrar. No meio do caminho já pude distinguir as clássicas tribos formadas nos colégios. Ao menos a das Patricinhas sim, quando andava pelo corredor e um grupo de meninas escandalosamente lindas passou e deixou todos de queixos caídos e alguns até com medo. Elas passaram sem ao menos olhar para alguém que não fossem elas mesmas.

Encontrei a secretaria e uma senhora magra e muito bonita me atendeu, logo chamou a diretora para me levar à minha sala e me dar boas vindas.

A diretora era uma mulher jovem e muito simpática. Passou-me todas as instruções e os horários e me levou a minha sala.

- Senhora Simon, com licença. – Pediu entrando na sala e interrompendo a professora de álgebra. – Essa é a Srta. Emily Torres, ela vem de uma cidade distante e fará parte da turma a partir de hoje. Bem vida novamente Srta. Torres.

Sussurrei um obrigada e me dirigi a carteira vazia no fundo da sala.

A diretora saiu e no meio do meu percurso a sala voltou à bagunça de quando eu e a diretora entramos. Já ia me sentar quando ouço uma voz se dirigir a mim.

- Ah... Já saquei tudo! Ela foi expulsa da cidade por envergonhá-los com as roupas que usa! – Disse uma garota sentada mais à frente, quando me virei vi que era uma das patricinhas que vi mais cedo.

Voltei até o local onde ela estava sentada e respondi o mais friamente possível.

- Não, você se enganou – comecei a responder e sentindo o silêncio na sala. – Eles me mandaram para lhe dar boa educação e estou vendo que vou ter muito trabalho.

Todos da sala riram dela e pude sentir o ódio em seu olhar. Não dei a mínima importância e fui logo sentar.

- Você devia me defender ao invés de ficar rindo da minha cara sua idiota! – Reclamou com a garota ao seu lado.

- Defenda-se sozinha. Sou sua irmã, não guarda costas. – E continuou rindo.

- Srtas. Romo, por favor, parem com a bagunça ou pedirei que se retirem. – Reclamou a professora e depois continuou o que explicava aos poucos que lhe davam atenção.

- Isso não vai ficar assim novata – disse Alicia se virando para mim. – Anote o que estou lhe dizendo.

Depois ela virou para frente e continuou conversando com suas amiguinhas.

O fim da manhã correu tranquilo. Ninguém se quer dirigiu um “oi” pra mim. Acho que estavam com medo de serem acusados por falar comigo.

A Patricinha Mor me odiava isso queria dizer que minha reputação na escola já estava manchada. E eu não fazia questão nenhuma de tê-la limpa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.