Entre Monstros
65 Os Onze
Notas iniciais
POV Amaterasu
Você morreu há tanto tempo... E até hoje sua personalidade permanece em seus portadores... Achei que depois de 10 mil anos, você já teria parado de ser tão cabeça dura, mas parece que me enganei... Era isso que você esperava, não era? Esperava que ela fosse igual a você... E ela é... Talvez, até melhor...
Ela é a melhor que você já teve... A única que tem coragem suficiente para isso.
Me pergunto se você sabe o que esta fazendo... E se Kira sabe o que lhe aguarda...
— Tome conta dela – Falei e o Lobo ao meu lado assentiu – Ela irá entrar em um campo místico diferente do nosso, na verdade... Ela já está lá – O animal repetiu o ato, encarando a neve branca:
— Você sabe qual o destino dela... Após entrar lá, ela só poderá sair se cumprir o que precisa... Não posso ajudá-la nisso
— Não quero que você a ajude, ela terá de cumprir sua missão sozinha... Mas quero que você cuide dela. Você sabe que aquele lugar é perigoso, principalmente para ela
— É claro, afinal... – Ele pulou em uma pedra, um pouco a frente. Continuou encarando o nada – A mente dela tem medos e incertezas demais...
Ele correu, e, em meio à neve e aos primeiros raios de sol do amanhecer, desapareceu.
POV Kira
Rápido, eu atravessava o campo de batalha muito rápido. As imagens dos seres ao meu redor não passavam de manchas coloridas se mexendo lentamente enquanto eu corria. Rugi, anunciando minha presença e acelerando. Pulei e senti meu corpo mudar, mordi o ombro de Drago e cai de pé no chão. Eu tinha quatro patas azuis, um Lobo de verdade... Legal.
Encarei o homem que me olhava com fúria queimando nos olhos e um sorriso assustador em seu rosto, olhei os outros de relance e me foquei novamente no maior. Virei-me e corri na direção do castelo dele.
Um castelo negro e assustador, não fale com as almas que vagam pelos corredores, não se aproxime da fonte e, acima de tudo, não toque no líquido escuro que a mesma jorra.
Certo... Vozes na minha cabeça não são exatamente algo incomum, mas isso foi bem repentino.
Continuei correndo e olhei para trás, Drago flutuava atrás de mim e quase me alcançava. Senti-o focar energia e pulei, uma bola roxa explodiu um pouco atrás de mim.
Quer me matar? Pensei, é claro que ele queria me matar. Corri mais rápido e Drago me acompanhou, ele não queria me alcançar, ele queria que eu chegasse logo no castelo... O que você quer, cara?
Ao longe, eu via a silhueta do local. Era enorme, as torres pontudas nos quatro cantos da construção faziam com que a mesma parece-se uma enorme mão saindo do chão, com quatro garras ao seu redor. Em poucos segundos, eu conseguia enxergar o portão de ferro escuro da entrada, e, de uma ponta a outra, havia uma linha extremamente fina presa. Armadilhas? Claro, o que esperar desse cara?
Passei por cima dos fios, vendo o homem atrás de mim desviar do fio também. Vi a fonte no meio do enorme jardim em que estávamos.
Veneno...
Veneno. Corri castelo adentro e passei como um raio pelos corredores, desviando ao máximo das estatuas gigantes, almas e das portas que Drago fechava um segundo antes de eu entrar nas salas. Ele fechava algumas, para me assustar, mas eu sempre ia pelo caminho oposto ao que ele esperava. Eu estava irritando-o, e isso era ótimo. Subi correndo uma enorme escadaria, dei uma cabeçada na porta no topo e entrei com tudo no terraço. Olhei para trás, Drago estava parado a frente da porta. Ele a fechou e ouvi a mesma ser trancada.
Eu estava presa com ele, no topo do castelo.
Senti meu corpo mudar de novo, voltando ao estado original. Droga...
Drago sorriu. Esse sorriso ainda me traria pesadelos...
É claro que traria...
Ele caminhou em minha direção, o sorriso aumentando em sua face e uma esfera gigante e brilhante surgiu em sua mão. Mas ele fechou a palma de sua mão, fazendo o objeto desaparecer:
— Não quero sua morte... Ainda não – Dei um passo para trás – Primeiro, preciso da sua energia...
Dei outro passo, mas senti meu corpo bater contra o muro do terraço. O homem segurou meu rosto com uma mão e me aproximou dele, arranhei e rasguei os braços do mesmo. Ele abriu a boca e uma fumaça se aproximou de mim, forçando minha mandíbula a abrir e senti meus braços ficarem fracos.
Vi uma névoa sair de dentro da minha boca, branca, e se tornar escura ao entrar na boca dele. Que merda ele está fazendo?!
E...Ener...Gia...
Energia...?
Isso provavelmente vai ser a última coisa que vou fazer ainda com os poderes de Lobo, então...
Forcei meus braços a se mexerem, segurei o braço de Drago e o torci. Empurrei-o e girei, forçando ele contra o muro e o pendendo. Eu estava pronta para jogá-lo:
— Se eu vou... – Ele segurou meus ombros, o sorriso ainda em seu rosto. Como eu queria estourar cada dente desse... – Você também vai
— Com prazer
O empurrei e ele me segurou com força.
Caímos do topo da torre mais alta e, ainda em queda livre, ele riu alto:
— É A SUA MORTE AOIKAMI, AHAHAHAHAHAHA — O encarei, a cada segundo estávamos mais próximos do chão – Finalmente o seu fim...
Ele se calou. Caímos por 2 segundos em silêncio, em menos de três estaríamos no chão:
— É sua culpa... – Três...
— O que eu...? – Dois...
— Eu sinto muito – Um.
POV Yukki
Depois de alguns minutos, todos estavam no chão. Corpos de ambos os lados espalhados, mortos. Os sobreviventes se mantiveram de pé, mesmo estando exaustos ao extremo:
— Nós... VENCEMOS! – Jason e Luke gritaram, todos começaram a gritar em seguida:
— Yukki... – Maya desceu com dois Anjos em seus ombros, ela os apoiou no chão e logo alguns alunos os ampararam – Nós precisamos...
Assenti antes que ela terminasse, nossos amigos nos olharam e andaram até nós. Em silêncio, concordamos, e fomos em direção ao castelo.
Ao longe, consegui distinguir algo caindo. Eu, Menma e Maya voamos mais rápido, os outros corriam logo abaixo de nós.
Assim que cruzamos o portão, algo explodiu no chão. Voei alto e minhas asas bateram mais forte, o vento soprou a poeira para longe e...
Kira e Drago estavam caídos no fundo da enorme cratera. Eles haviam quebrado algo e, seja lá o que for, espirrava alguma coisa escura e estranha:
— É VENENO – Peter gritou, assenti desviando de algumas gotas que voaram em minha direção.
Luke congelou a fonte e encaramos o fundo do buraco, onde ambos estavam caídos.
Kira tinha um enorme corte em seu tronco, de seu queixo até o começo de sua calça. Um corte gigante, e, ao invés de escorrer sangue, um liquido brilhante formava uma poça ao redor da garota. O liquido preto da fonte que havia escorrido para a cratera estava ao redor da Azulada também, mas o mesmo não se misturava com o liquido brilhante.
Drago possuía um enorme buraco no meio do peito, fumaça e alguma coisa semelhante à lava saía de lá.
Ambos estavam extremamente machucados. Drago se mexeu e colocou a mão sobre o buraco em seu corpo, tocou a “lava” e xingou algo em latim, deitando a cabeça no chão novamente.
Desci até os dois e não me importei em encostar no veneno, sacudi Kira e tentei ao máximo acordá-la. A garota não se mexeu.
Maya desceu também. A roupa branca da minha irmã foi tingida por preto, mas ela não pareceu ligar. Balançou Kira e nada aconteceu.
— Ha...Hahaha... – Olhamos Drago. Ben pulou da beirada da cratera e esmagou o peito do homem, a fumaça se esvaiu e a “lava” ficou onde antes havia o corpo dele:
— Tirem ela daqui, rápido – Falou, assentimos. Coloquei um braço da garota sobre meus ombros, Maya fez o mesmo do outro lado. Voamos e a colocamos deitada no chão.
Assim que Kira encostou na grama, a mesma morreu. A Azulada abriu os olhos, ao mesmo tempo em que seu corpo ficava transparente:
— Acabou... Isso tudo acabou... – Murmurou, vi os olhos de Maya ficarem marejados – Digam para a... Zoe... – Kira suspirou, seu corpo ficava cada vez mais transparente. Eu já conseguia enxergar o gramado abaixo dela – Que... Ela... Estava certa...
O corpo de Kira desapareceu, eu já não sentia mais o peso da garota e Maya começou a chorar descontroladamente.
Jason e Jeff choravam em silêncio. Lucy e Menma choravam baixinho, desviando ao máximo os olhares de onde Kira estava há pouco. Luke, Will e Peter choravam encarando o céu, a lua estava se pondo e logo amanheceria. Zoe, que havia acabado de chegar, chorava um pouco longe de nós. Ben estava de cabeça baixa, encarando fixamente o chão.
E eu? Bem, eu não sentia nada. Na verdade, não sabia o que sentir. Acho que eu ainda não havia aceitado aquilo.
A garota que cresceu comigo e com Maya estava morta... Morta...
Kira estava morta.
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