Notas iniciais
Boa Leitura!

POV Razel

Ultimamente está sendo muito complicado.

Primeiro: Quase todas as noites sonho com Connor.

Segundo: Não estou conseguindo controlar meus novos poderes.

E isso não é legal...

Na verdade, é bem... chato.

Hoje mesmo, quando estava voltando para casa, minha visão começou a ficar turva, minha cabeça começou a doer e eu fechei os olhos com força. Quando os abri, a cabeça ainda latejando, consegui ver através dos carros, árvores e de tudo como uma super visão. Até aí, tudo bem. Legal. Iuupi! Mas, fiquei tão encantada por este novo dom que quase não percebi que estava andando rápido demais e bati em um Corolla que estava em minha frente. Felizmente, meu corpo é resistente naturalmente. Mas se continuar assim, um dia eu morro por causa destes malditos poderes.

É. Surpreso? Ter poderes não é legal. Pelo menos não quando você não sabe controlá-los.

Mas o pior de tudo e que mais me preocupa é que a lua de sangue já está chegando e nem sei por onde começar! Minha tia era encarregada de me treinar para esse dia mas, agora que ela resolveu morrer, sumir, fazer cosplay de Aslan, como vou treinar? E é com esse pensamento em mente que chego à escola. O sinal está para bater, então me dirijo para minha primeira aula de português com o professor Mc Gonagall. Estou quase na porta, quando tenho uma sensação estranha, minhas mãos começam a ficar dormentes até que não consigo sentir nada a partir de meus braços.

Corro para o banheiro e fecho a porta atrás de mim, escorando-me nela. Isso não deve ser boa coisa.Se me descobrirem eu terei de ir embora novamente, mas eu não teria para onde ir. Estou pensando nisso quando meus temores se concretizam de um jeito ainda pior do que eu pensava. Minhas mãos começam a pegar fogo. Exatamente.

Razel, a tocha humana.

Mas, não é qualquer fogo. Ele é de um dourado intenso, como ouro, e não me queima. Sinto somente uma formigação nos dedos, nada mais. Apesar disso, estou apavorada. Tento apagar com as mãos, a roupa, o cabelo e tudo o que acho ali naquele cubículo. Infelizmente, nada adianta. Obrigo-me a me acalmar. Ficar apavorada não vai solucionar nada e Respiro fundo lembrando-me das palavras de minha tia:

—Sempre que você não achar uma solução, respire. Se acalme. Você pensará com mais clareza.

Quanto mais calma eu ficava e mais fundo respirava, mais o fogo ia apagando. Aos poucos, ele se extingue por completo e eu saio furtivamente dão banheiro. Os corredores estão vazios e assim vou para casa sem que ninguém me vê. Chego rapidamente e como não há ninguém, vou direto para meu quarto e pego o livro de minha tia para ver se contém algo que me ajude.

A única coisa que encontro é uma página onde diz os poderes que uma fada da luz (muito poderosa obviamente). Entre eles, para meu pavor e alívio, “o fogo da alma”, descrito exatamente como o que tive mais cedo. Dourado e inofensivo para a fada. Suspiro aliviado por finalmente ter alguma resposta normal.

Muito curiosa para ver o que mais contém no livro, decido que eu mesma me treinarei, por falta de opção, é claro. Assim, começo do início com feitiços simples de levitação, sem muito sucesso já que não tenho nenhum professor para me instruir e o livro não é de muita ajuda no quesito prática.

Fico horas tentando fazer minha escova levitar. Aos poucos, consegui fazer com que ela subisse, mas logo, perdia o controle e ela voava para longe. Tipo a vez em que ela parou em cima da casa do vizinho. Com sorte, eles só a descobririam daqui a um tempo.

—Leviti Levan,Grap Grendan — Digo tentando mais uma vez fazer a nova escova levitar. Concentro-me sem tirar os olhos dela. Ela começa a subir e subir e para no ar. Só para testar, movimento minha mão de um lado para o outro e, surpresa, vejo a escova seguir meus movimentos. Estou tão feliz que acabo me empolgando e, pulando de alegria, jogo meus braços para cima, jogando a escova através de minha janela.

— Droga. Por que só acontece comigo?

Assim que busco a escova e a coloco novamente em cima da cama — usando as mãos — volto a folhear o livro, passando pelas páginas até que uma chama a minha atenção.

— Iluminus Trevis? — Leio. É um feitiço que serve para iluminar a escuridão. Servi para revelar o oculto: ele mostra se algum ser das trevas está por perto, além de fazer um certo estrago em qualquer coisa ou alguém do mal que estiver por perto. Isso é muito útil na verdade.

Passo a manhã e a tarde toda no quarto lendo e pesquisando o máximo que posso o que tem no livro, pois na internet não tem nada. As pessoas tem a ideia fixa na cabeça que nós fadas somos tipo Barbie. Até nos mitos, somos apenas as criaturinhas irritantes que não fazem nada além de cantar o dia todo e ficar jogando pozinho mágico para todo lado. E isso me deixa irritada.

Vampiros são temidos.

Bruxas são temidas.

Lobisomens são temidos.

E as fadas? NÃO.

Viramos tipo uma piada, tudo por causa da Disney. Tente dizer para as pessoas que você é uma fada. Eles riem de você e ainda pedem para mostrar suas asas cor de rosa. Digo isso por experiência própria.

E como se não abastasse toda essa responsabilidade, eu não consigo deixar de pensar em um certo par de olhos negros. Eles realmente me fascinam pelo fato de que eles escondem algo que eu quero descobrir. Sem saber o que pensar, tomo um banho quente e relaxante. Depois, assisto a um filme bobo de romance até adormecer.

POV Connor

Estou apavorado e estranho. Eu sou o Príncipe das Trevas. Não tenho medo de nada, e agora estou em pânico! Estou em pânico por estar pensando nela. Isso nunca aconteceu, jamais deveria acontecer.

Sou um ser das trevas, superior a todos os humanos e seus sentimentos

Aquela garota fez um estrago e tanto em mim e nós nem sequer nos conhecemos! Apesar disto, tenho uma grande sensação de que ela não é uma simples garota, posso estar enganado.

Saio de casa e vou novamente para a escola, já que está noite, hora em que estou mais forte. Estaciono a uma quadra e percorro o resto do caminha a pé, até chegar aos portões. Estão trancados como previ, então uso meu poder e me junto às sombras passando pelo portão e indo para na secretária.

Uma vez lá dentro, dirijo-me para a sala do diretor onde ficam as fichas dos alunos. Invado com facilidade e começo procurar pela ficha dela.

Assim que encontro uma ficha com o nome de Razel Blackwell, olho a foto para me certificar de que é ela. Histórico escolar bom, mora com a mãe. E... Nossa! Duas expulsões, no ano passado. Então ela não é tão certinha assim, sorrio com este pensamento.

Depois de anotar seu endereço, guardo sua ficha no lugar. Vou o mais rápido possível para minha moto e dirijo em direção à sua casa.

Quando chego a sua casa/mansão, observo cada detalhe guardando-os em minha mente. É, apesar de ser colorida demais, uma casa muito bonita. Entro com facilidade passando por todos os cômodos. A cozinha, o banheiro, o quarto que julgo ser da sua mãe, e por fim, seu quarto. Sempre me escondendo nas sombras, noto que não há ninguém em casa, então, quando chego ao seu quarto saio das sombras. Um erro.

Vejo um pequeno movimento no sofá, a TV está ligada iluminando um pouco seu quarto.De repente, alguém se levanta do sofá, mas continua com as costas voltadas para mim. A reação brusca faz minha respiração acelerar, quase me fazendo cair e deixando-me vulnerável por alguns instantes.

POV Razel

Estou deitada no sofá em meu quarto, quando sinto uma estranha sensação de desconforto. É a mesma sensação de quando tive minha primeira transformação e assim concluo que não estou sozinha, e a companhia não é desejável. Levanto-me rápido e fico parada, pensando no que fazer com meus sentidos apurados: escuto com atenção e identifico uma respiração acelerada, confirmando minhas suspeitas. Fico um tempo pensando no que fazer até que me lembro do feitiço de iluminar. Sem perder tempo,levanto-me e estendo a mão.

— ILUMINUS TREVIS. — Digo alto e uma espécie de bola com uma cor roxa indescritível sai de minha mão e vai até o outro lado do quarto de onde vejo um vulto e uma sombra vir em minha direção me arremessando de encontro com a parede. Caio sobre minhas costas latejando e antes de cair na inconsciência vejo um par de olhos pretos arregalados, e depois, nada.

POV Connor

As palavras que a pessoa levantada diz são palavras que eu conheço muito bem, palavras dignas de seres da luz, é quase impossível fugir deste feitiço. Felizmente, sou um dos poucos capazes de conseguir esse feitor raro.

— ILUMINUS TREVIS. — A voz é de uma garota. Sem hesitar, desvio com maestria e lanço o meu feitiço.

—Forces Trevis Luczes — A garota é arremessada para longe e a única coisa que pude ver antes de sair da casa foram olhos dourados se fechando. Pulo da janela, vou direto para minha moto e dirijo para casa o mais rápido que ela permite.

Entro em meu quarto e começo a rever o que acabou de acontecer. De repente, sinto uma ardência em meu ombro direito. Olho para ele confuso e percebo um ferimento. Aparentemente, eu não havia conseguido desviar o feitiço com tanta eficácia como supus. Deito em minha cama atormentado pela lembrança de olhos dourado se fechando após a garota ter atingido a parede.

Então ela realmente guardava um segredo, me recuso a acreditar que ela pode ser supostamente um ser da Luz, deve ser algum familiar, ou algum protetor mas o que eles estariam fazendo ali. Me lembro que a deixei inconsciente, não suportando a curiosidade me concentro e invado seus sonhos.

(Sonho)

—O que você tá fazendo aqui? — Ela rosna a última palavra.

— Não sei. Quem está querendo minha presença e você. — Respondo.

— Mas eu não quero. — Ela diz rude.

—Não é o que parece — Retruco do mesmo modo.

—O que você foi fazer na minha casa? — Ela finalmente solta os gritos que parecia estar contendo.

— Eu não fui em sua casa. — Digo calmamente sem desviar os olhos,

— Não?! Então não foi você que me atacou na parede? — Ela pergunta irônica, confirmando meus temores: Ela é o ser da luz.

—Você me atacou primeiro— Acuso para logo em seguida perceber o que acabo de dizer.

—Então você admite que invadiu minha casa? — Pergunta vitoriosa.

— Não. — Respondo.

— O que você é? —

— Como assim o que eu sou? — Pergunto tentando enrolá-la, o que não funciona.

—Você sabe muito bem do que estou falando. Aquilo que você fez, um humano não poderia nem pensar em uma coisa dessas.

—Eu é que pergunto o que você é, um tipo de ser da luz? — Retruco divertido vendo ela travar o maxilar.

— E você um ser das trevas?

—Não sei. Me responde você. — Digo com um sorriso sínico nos lábios.

—Argh! Pare de fazer isto! Está me irritando. — Reparando nela assim ela e bem atraente.

—Eu sei. Essa é a intenção — Começo a desaparecer.

— Espere! Me responde só uma coisa? — Ela me pergunta com aqueles olhos brilhantes.

—O que? — Pergunto curioso para me arrepender depois.

— Quem é você?

— Não posso dizer. — Respondo frio.

— Achei que diria isso. — Diz com um ar de desapontamento que quase me faz responder a pergunta. Em vez disso, desapareço.

(Fim do sonho)

Abro meus olhos, com uma estrema vontade de ir a sua casa novamente e ajudá-la. Porem não sou enfermeira sou um ser das trevas, e nós não ajudamos os seres da luz.

Uma pergunta insiste em martelar minha mente me impossibilitando de fazer qualquer coisa:

O que é Razel Blackwell?

Notas finais
É isso. Espero que tenham gostado. Comentem leitores fantasmas.