Entre Livros
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Tudo estava escuro, e após um mini momento de pânico, avistei uma luz dourada ao longe, que vinha em minha direção. Ao se aproximar, percebi que a luz tinha o formato de uma pessoa. Sua áurea iluminou o que estava ao meu redor, mas não consegui enxergar direito o que era pela luz cegante.
—Eu morri?-perguntei, o que era bem provável, e justificava o que eu via.
“Não”, respondeu a voz em minha mente. Percebi que ela não era humana.
—O que é você?- perguntei curiosa, sem conseguir ver se a luz tinha um rosto.
“QUEM eu sou?” me corrigiu. “Um velho amigo. Não me surpreende o fato de você não se lembrar de mim.”
—Acho que eu me lembraria caso eu conhecesse uma luz brilhante que fala.
“Pelo visto você continua a mesma até no mundo mortal”.
—Como assim, “no mundo mortal”?? Eu também era uma bola de luz? Gostei. Agora ninguém pode falar que eu não tenho brilho.- olhei para a luz e pensei ter visto um sorriso.
“Nós dois não somos necessariamente bolas de luz, mais isso não significa que não há luz dentro de nós”. Estava prestes a pedir para que a luz parasse de falar em enigmas quando ouvi alguém chamar meu nome. Camilla. A bola de luz começou a se distanciar novamente.
—Ei, espera...- Camilla. Me chamou novamente uma voz que me pareceu ser familiar.
—Camilla, acorda- percebi que estava sendo sacudida quando abri os olhos, e vi quem me chamava. Maxon.
—Ah céus, graças a Deus- falou ele me abraçando, aliviado- o que aconteceu?
—Eu...- me sentei, e quando o fiz, lembrei de tudo o que tinha acontecido. A tosse, o tombo, o SANGUE. Olhei ao redor e vi que ainda estava na salinha, rodeada de sangue dourado, e vi aliviada que meu pé estava curado- Cai. Escorreguei, na verdade.
—Onde?- perguntou.
—Na escada. Tinha algum tipo de tinta dela. Eu não vi. Escorreguei e bati a cabeça. Fiquei tonta e vim me arrastando até aqui-falei. Estava ficando cada vez melhor em mentir, o que não me agradou muito- Como você me encontrou?
—Tinha um rastro dessa tinta, da escada até aqui. Isso explica o motivo de que você estava desmaiada e tudo mais. Agora- Maxon me colocou em seus braços- vou te levar pra enfermaria.
—O QUE???- falei, desesperada. Se o médico por qualquer motivo decidisse fazer um exame de sangue em mim, eu estaria perdida- Não não, eu estou bem.
—Mas querida- sua voz saiu doce, mas seus olhos eram de preocupação, e me examinavam meticulosamente- você pode ter tido uma concussão- ele me segurou um pouco mais forte ao dizer isso.
—Que nada, estou bem. Me põe no chão- quando ele o fez( relutantemente),cambaleei ,e Maxon teve que me segurar para eu não cair.
—Ah sim, está ótima- ironizou Maxon, me pondo em seus braços novamente. Olhei para os olhos de Maxon, e falei:
—Você não vai me levar a enfermaria. Vai ficar comigo em algum outro lugar e esperará meu equilíbrio voltar. Quando isso acontecer, você não insistirá novamente sobre me levar ao médico. Ah, você vai esquecer que eu disse isso e vai sugerir o que eu acabei de falar, como se fosse ideia sua- continuei encarando o príncipe, que piscou várias vezes, confuso.
—Eu...- ele pigarreou- quer saber? Acho que vou te levar para o jardim, pra você respirar um pouco de ar fresco, quando você se sentir melhor vou acompanha-la até seu quarto.
—Okay- falei, me sentindo péssima. Odiava manipular as pessoas ( mesmo tendo feito isso apenas 2 vezes), mas fora necessário. Foi então que me lembrei de uma coisa.
—Maxon, que horas são?- perguntei, preocupada. Não fazia ideia de quanto tempo eu ficara desmaiada. Ele conferiu o relógio de pulso.
—15:30.
—Ah ta- QUE???Eu ficara aproximadamente seis horas e meia desacordada.
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Maxon e eu ficamos o resto da tarde conversando no jardim. Estava voltando para meu quarto, com o príncipe de mãos dadas comigo, me sentindo bem melhor. Celeste e Elise nos viram no corredor, e fizeram careta uma pra outra quando pensaram que não víamos. Quando paramos na frente da minha porta, Maxon me deu um beijo. Uma de suas mãos foi pra minha cintura, me puxando para mais perto. A outra estava no meu pescoço.
Estava com uma mão em seu cabelo engomado, que em poucos segundos ficou bagunçado. A outra eu usava para segurar seu paletó, puxando o seu corpo para mim, assim como ele fazia comigo. Ficamos assim por um bom tempo, até que escutamos alguém fungar no meu quarto. Nos afastamos, ofegantes.
—Bem, espero que você esteja se sentindo melhor- falou.
—Depois isso, pode apostar que sim- sorri maliciosamente para ele, que fez o mesmo.
—Se precisar de alguma coisa, é só chamar- disse, indo embora.
Entrei no meu quarto sorrindo, mas quando eu vi minha criada Madeline encolhida em um canto chorando, senti-o desvanecer completamente de meu rosto. Ela levantou a cabeça, e ao me ver, começou a murmurar um pedido de desculpas.
—Eu, eu...ó céus, como isso é inapropriado senhorita, me desculpe- disse Madeline, abalada. Atravessei o quarto e me ajoelhei ao seu lado.
—Pelo Anjo Madeline, não precisa se desculpar por isso. O que aconteceu?
—Eu...-ela suspirou. Pus seu cabelo loiro para trás de sua cara, que anteriormente deveria ter sido um coque, mas agora permanecia bagunçado.
—Não precisa contar se não quiser- falei.
—Não não, eu confio na senhorita-quando ela disse isso, minhas outras duas criadas, Andrea e Marina, entraram, com as mãos cheias de lencinhos e um copo d` agua.
—Senhorita!- exclamou Marina- Vimos você com o príncipe nos jardins e pensamos que iria demorar pra voltar. A gente não queria que você visse isso.
—Pensei que confiassem em mim- falei ressentida.
—E a gente confia- disse Madeline.
—Você vai contar pra ela?-perguntou Andrea.
—Sim.
—Tem certeza, se você não quiser...-comecei, mas fui interrompida por Madeline.
—Não não, eu vou contar- ela inspirou- A um ano, comecei a namorar um guarda. A gente já não se via muito por causa de nosso trabalho, e com a Seleção ficou mais difícil ainda...
—Madeline, se você tivesse me pedido para “liberá-la” mais cedo por causa disso eu teria deixado...-falei, mas ela pareceu não me ouvir. Ela olhava para a parede, como se tivesse tendo um flashback.
—Nós dois nos encontrávamos á noite, mas antes ele me mandava um bilhete pra avisar o local que seria. Passávamos um tempão juntos...-uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas ela secou apressadamente- Enfim, hoje, como a senhorita estava com o príncipe, pensei em dar uma passadinha no quarto dele, já que hoje ele estava de folga- mais lágrimas começaram a surgir , então eu peguei um dos lencinhos de Andrea e dei para Madeline.
—Então, quanto eu cheguei lá a porta estava aberta, e...e...-ela começou a gaguejar- ele estava beijando uma Selecionada-quando ela terminou de dizer isso, desabou em um choro. Comecei a afagar suas costas.
—Que babaca!-falei. Estava furiosa e chocada ao mesmo tempo- ele não merece uma pessoa incrível como você Madey. Quem foi a vadia que ele beijava?
—Se eu te contar você vai falar para o príncipe-respondeu Madey entre o choro.
—Não vou não. Eu prometo.
—Okay-ela suspirou- Celeste.
—Eu sabia!-gritei, me levantando- Bem, vou cumprir minha palavra. Não contarei para o príncipe...mas vou fazer algo BEM pior-disse sorrindo maldosamente.
—Não senhorita, por favor!
Um ataque de tosse veio antes que eu pudesse responder. Pus as mãos na boca, tentando esconder meu sangue das criadas. Tentei ir para o banheiro mas minhas pernas ficaram bambas, fazendo com que eu caísse. Minhas criadas começaram a correr até mim, mas quando Andrea viu meu sangue, começou a gritar.
—Por favor Andrea, não!-falei com a voz fraca. Minha tosse havia parado quando Marina começou a limpar minha boca suja de sangue dourado. As três estavam totalmente chocadas. Madeline havia parado de chorar por causa do espanto. Pelo menos isso, pensei.
—O que...?-começou Marina, ainda olhando chocada para o pano manchado de sangue.
—O que eu sou?-completei- não sei. Provavelmente uma aberração. E sim, isso é meu sangue. Não, ele não era assim antes.
—Meu Deus...-disse Andrea- eu já li sobre sangue dourado. Mas em livros de fantasia. Sangue dourado é o sangue dos imortais.
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