Entre Livros
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Não havia conseguido dormir direito, na verdade, nem pregara os olhos. Me atormentava o que havia acontecido. Sabia que tinha alguma ligação entre eu estar praticamente como uma intrusa no livro e sobre o ataque rebelde ter sido diferente, mas o que era, eu não tinha ideia. Todas as vezes em que chegava perto de alguma resposta, ela simplesmente sumia.
Quando minhas criadas entraram no meu quarto, eu já estava de pé, andando de um lado pro outro.
—Ah, senhorita, você está bem?!- perguntou Madeline, quase me dando um abraço.
—Estou bem, só um pouco cansada. E vocês?
—Estamos bem, um pouco abaladas pelo incidente mas...-disse Andrea. Depois disso, olhei pra Marina, e percebi que segurava um vestido preto. Quando viu que eu estava olhando para ele, falou:
—Ah senhorita...bem, esse é o vestido que fizemos pra você usar no funeral...
—Entendo...
Após isso, minhas criadas trabalharam agilmente, sem dizer uma palavra. Hoje, estávamos sem clima para conversar, e mesmo se tivéssemos, não falaríamos nada. Não era o momento mais adequado para isso.
Então, depois que todas as selecionadas estavam prontas, fomos levadas para o funeral, que estava acontecendo nos jardins do palácio. Nos conduziram até o corpo de Tiny, que estava totalmente sem vida, em seu caixão.
Havia um grupo de mais ou menos 50 pessoas, na qual deviam ser seus amigos e familiares. Tinha um casal, na qual supus serem os pais de Tiny, que não parava de chorar e não saíam do seu lado. Maxon consolava a mulher de meia idade, que estava em prantos. Era baixinha e frágil, como um vaso que quebrara.
Comecei a cantar. Bem baixinho, no começo, mas depois, desejei com que as pessoas em volta soubessem a letra, se unindo a mim. No final, varias vozes em uníssono cantavam Same Old Love- Selena Gomez.
A música falava sobre alguém que foi embora em paz, nos deixando despedaçados. Talvez essa não era bem a mensagem que a cantora quis transmitir, sobre alguém que morreu, mas para mim essa música falava exatamente o que eu via, assim achei ela perfeita para o momento.
Eu nem a conhecia, mas mesmo assim estava triste. Me sentia culpada pela morte dela, e de um certo modo, eu havia sido a culpada. Não era pra eu estar ali, pra começo de conversa. Como se eu simplesmente pudesse entrar dentro de um livro, mudasse-o e não acontecesse “nada”. Foi ai que eu entendi. Toda vez que eu mudava alguma coisa, outra ruim acontecia no lugar.
Comecei a ligar os acontecimentos. Quando eu trombei com Maxon, impedi com que ele encontrasse com America nos jardins. Como consequência, eu havia me machucado, e America foi parar no hospital. Também impedi o suposto primeiro encontro dos dois, onde America chutaria o príncipe. Como consequência, rebeldes nos atacaram DUAS vezes, causando a morte de Tiny e os poucos dias em coma de Aspen.
Mas algo ainda não fazia sentido para mim. Sobre eu estar ali. Certamente essa era uma GRANDE mudança. Mas até agora “nada” havia acontecido em relação a isso. Foi ai que comecei a ter muito medo.
Estava pensando seriamente em voltar para o orfanato, sair do livro. Mas algo me impedia. Uma parte, bem no fundo de mim, ainda queria ficar, que sabia que eu não podia deixar a história desse jeito, depois de tanto modifica-la. Decidi esperar, quando estivesse mais calma.
Acabei saindo do funeral, não aguentava mais ver a cena. Me escondi em um pequeno quartinho que encontrei no corredor, sentei em um dos sofás e fiquei lá por um bom tempo tentando organizar meus pensamentos, quando vi a porta se abrindo.
—Tentando se escapar de tudo aquilo também?- perguntou Maxon olhando pra mim, que começou a rir ao ver que eu praticamente havia pulado de susto.
—Sim...nossa, você me assustou!- falei, botando a mão no peito, vendo que meu coração batia acelerado.
—Perdão- comentou, sentando ao meu lado- não acredito que isso tenha acontecido...- disse, totalmente abalado, mexendo no cabelo. Comecei a passar a mão em suas costas, tentando consola-lo. Quando fiz isso, ele enrijeceu.
—Que foi?
—Nada...- falou, mas senti que estava ocultando algo- eu não consegui salva-la. Não consegui- ficou repetindo isso várias vezes, abalado.
—Não foi sua culpa- foi minha....quase que eu disse. Quase.
—Como não? Vocês estão em perigo desde que seus nomes foram sorteados, tudo por minha causa.
Não sabia o que dizer. Eu me sentia exatamente assim, mas se eu contasse pra ele...NÃO, era melhor continuar em segredo. Comecei a chorar, desesperada. Muita coisa era culpa minha, sou eu quem tinha razão de estar se sentindo culpada, não ele.
—Você é incrível, sabia?
—Como?- perguntei sem entender. Se ele soubesse que eu era a causa de todos esses acontecimentos, ele provavelmente não estaria dizendo isso.
—Você está tão abalada quanto eu, e mesmo assim continua me consolando- falou, me abraçando- as vezes, você precisa deixar ser consolada também.
—“Quando criança me diziam para eu engolir o choro, e assim aprendi a chorar por dentro...”
Depois disso ficamos assim, abraçados, tentando confortar um ao outro, por um bom tempo.
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