Entre Linhas...

17 Sobre o nosso inevitável fim


Querido "I", me custou muito cogitar em começar essa carta, mas talvez essa seja a minha única escolha. Eu fecho os meus olhos e respiro fundo. Nem imagino como está o meu coração aqui por dentro. Na verdade, imagino sim. O imagino rasgado, feito em pedacinhos, agonizando em meio há um enorme buraco criado no meu peito. Criado por você, e talvez por mim, por ter me permitido amar tão incondicionalmente alguém. No final das contas a culpa não é 100% sua, mas é minha também.

Acabei de sentir um gosto amargo na boca, uma sensação horrivel, seguido por um turbilhão de sentimentos ocos. É a sensação de que o fim está proximo. Ele está aqui, em minha frente, gritando o seu nome e me fazendo lembrar de tudo o que vivemos juntos para de repente me puxar para a realidade. Me cortar as asas e mostrar o quanto sou idiota por tê-lo esperado por tanto tempo... Sim, sou idiota por me deixar a mercê de suas vontades por todo esse tempo. Quantos beijos perdi enquanto o esperava se dar conta do quanto somos perfeitos um para o outro? Quantas histórias? Quantos começos e quantos finais deixei que passassem por mim sem agarra-los porque minhas mãos estavam ocupadas demais procurando as suas para se agarrar? Como uma criança sonhadora esperei por você, esperei pela magia que você trazia consigo, uma magia como a de final de ano... Você era o meu presente de Natal que esperei por tanto tempo... E agora, como uma criança desiludida tento encontrar forças em todos os meus outros brinquedos, por que você, aquele que eu mais queria, aquele que espero desde quando soube que existia, o melhor, melhor que todos os outros, não veio.

Sou uma tonta por ama-lo tanto assim. Já é quase meia-noite e estaria mentindo se dissesse que não estou sofrendo. Eu estou, agora mais do que nunca. Quando achei que estava indo tudo bem, quando estava começando a aceitar a sua desistência (mais uma), eu me deparo com uma foto sua, sua, e daquela ao qual agora pertence o seu coração.

Você não faz ideia do quanto está sendo dificil respirar agora... Está dificil, te juro que está.

Não consigo entender em que momento eu fui tão insuportável para que não o fizesse ficar mais um pouco. Se não fosse eternamente ao menos até que eu estivesse pronta para encarar a sua partida e o seu novo amor. Engolir esses dois levariam tempo, mas você não o meu deu. Não se importou em dar. Os seus sentimentos, o seu ego, suas vontades, suas necessidades sempre estiveram a cima das minhas não é mesmo? Não entendo como alguém pode ser tão egoísta. E por seu egoísmo estou aqui. Passo de te acusar a te defender, de te amar como uma louca a querer que você se exploda em qualquer lugar longe daqui. Estou melhor do que estava antes de começar a escrever, mas não sou nem sombra do que posso me tornar depois de você. Depois de hoje, depois daqui. Você me prendeu por tanto tempo... Você me tinha por tanto tempo em suas mãos e agora simplesmente me jogou para o alto como se fosse fácil voar tão desprendidamente assim. Mas eu te juro, eu aprenderei. Aprenderei a não te olhar nos olhos e me sentir tudo, menos inteira. Aprenderei a passar por você e não me arrepiar dos pés a cabeça por que de alguma forma a sua presença sempre teve esse efeito em mim. Aprenderei. Aprenderei sim, e sabe por que? Por que eu não posso permitir que você seja mais feliz do que eu. Que apenas você ria, ou saia, ou se divirta, enquanto passo mais um sábado em casa esperando por você. Não te desejo mal, te juro que não, e nem te peço para que não cruze o meu caminho. Muito pelo contrário, cruze sim, daqui há algum tempo, quando tudo em mim for paz, liberdade e amor. Quero que nos encontremos, quero que você veja o quanto sou capaz de me reerguer ainda mais forte de cada vestígio de ar seco soprado contra mim, seja ele brisa, seja ele ventania.