Entre Ladras e Assassinos (Game)
4 Rei e Rainha
Notas iniciais
– Está na lista, senhorita? – O guarda costas que mais parecia um polvo perguntou para a mulher de cabelo laranja.
– Se estiver falando da lista negra do seu patrão, com certeza. Agora saia da frente, Hachi. – Ela ordenou, mostrando o ombro tatuado.
– Gata Ladra... – Ele sussurrou e fitou os olhos castanhos por entre os buracos da máscara. Sorriu. Gostava da garota, sentia como se fosse um tipo de prima – Pode entrar e bem vinda à festa, Sra. Kunieda. – Nome falso, apenas mais um utensílio para uma pessoa das sombras, como ela.
– Obrigada, senhor.
Nami entrou no salão. Conhecia Arlong bem. Sabia que ele, a cada dois ou três meses, dava uma festa formal para fazer a comunidade de pateta. E não se importava de como seus convidados se comportavam, desde que a mídia puxasse seu saco no fim.
Andou pelo salão, desinteressada. Ficaria por ali por um tempo e depois iria atrás do que queria. Continuou andando até a mesa onde serviam as bebidas, até que parou, sentindo um olhar estranho sobre si. Olhou para o lado e encontrou um homem muito bem vestido e... Extremamente charmoso. Ele vestia um smoking branco. Na verdade, da cabeça aos pés ele estava de branco. Até mesmo a gravata e a máscara. Os dois eram, provavelmente, os únicos que usavam máscaras. Ela não sabia que era figuradamente também. Os cabelos negros desgrenhados, as costeletas, o cavanhaque, as mãos nos bolsos e a postura relaxada apenas o deixavam ainda mais atraente. Ele a fitava. Ela o fitava. Nenhum dos dois parava de analisar o outro.
Nami finalmente encontrara seu mais novo inimigo. E gostara do que vira. (Quem não gostaria?)
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Law olhava para a festa sem realmente vê-la. Inútil, era assim que classificava a festa. Não tinha certeza se seu alvo apareceria. Apenas sabia como ela era, pois ouvira a descrição. Se não fosse ateu, rezaria para que a ladra surgisse por entre a multidão bem vestida. Continuou deixando seu olhar vagar, até finalmente enxergar quem procurava em silêncio.
Cabelo laranja, olhos castanhos, sorriso sacana, tatuagem num dos braços. Era o perfil da mulher que entrava no salão. Batia perfeitamente, e o que lhe dava a certeza de ser quem procurava era a máscara. A única de todas aquelas mulheres fúteis e insuportáveis que escondia o rosto.
O vestido azul-claro ia até os pés. Tinha apenas uma alça no lado direito, com uma flor branca no ombro. Era justo em cima e se alargava da cintura para baixo, com uma fita branca na divisória. A saia do vestido possuía várias pregas. Uma pulseira dourada e brincos de pérolas com argolas de, provavelmente, ouro branco adornavam a belíssima figura. Nos pés, fechando com chave de platina, sandálias brancas de salto fino, que só se deixavam ver quando a jovem caminhava. Ela era uma mulher estonteantemente bela.
Ele fitou o andar decidido dela até a mesa onde serviam bebidas. Não é como se estivesse deslumbrado com ela. Apenas não conseguia desviar o olhar daquela visão que Law acreditava ser algo divino. Gata Ladra parou, incomodada, e virou-se para o homem. Analisava-o. Até finalmente levantar o olhar para seus olhos cinza, parecendo satisfeita.
Os olhares se chocaram e um misto de curiosidade, magnetismo e desejo tomaram conta de ambos os corpos. E aquela sensação não pôde ser ignorada. Fitavam-se olho no olho, castanho no cinza, de ladra para assassino, mesmo de longe. Mas quem disse que continuariam longe?
Trafalgar, chutando aquela sensação perigosa de desejo para as profundezas de sua mente, andou até a ruiva. Tirou as mãos dos bolsos, deixando à mostra tatuagens, tanto nas mãos quanto nos dedos. Manteve a postura elegante e deixou um minúsculo sorriso de canto surgir em seu rosto. Definitivamente, fizera uma boa escolha ao aceitar aquele negócio com Arlong.
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Nami fitou, com o rosto impassível, o homem que chamara sua atenção se aproximar. Era ele. O Cirurgião da Morte, que agora desejava mata-la. Ignorando a curiosidade, pôs em seus lábios rosados um sorriso felino e afrontou-o. OK, ela admitia. O assassino era muito atraente. Mas, ei, Nami não estava reclamando. Na verdade, estava mais do que interessada no que aconteceria a seguir.
– Boa noite, senhorita. – Deus, a voz dele era sexy demais! Se pudesse, ficaria ouvindo-a por horas e horas. Se pudesse.
– Boa noite.
– Por que uma senhorita tão bonita veio sozinha a esse baile estúpido?
– Se é estúpido, por que está aqui?
– Digamos que é por pura conveniência.
– Eu digo mesmo, em resposta à sua pergunta. – O moreno sorriu, sedutor (E a autora fez muitas leitoras morrerem de hemorragia nasal).
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Gata Ladra era, com toda a certeza, muito ousada. Law deixou seu sorriso, que fazia muitas mulheres se derreterem, fazer parte da peça. A ruiva não se abalou, ou fingiu muito bem.
Trafalgar se aproximou e sentiu o aroma de laranja entrar em suas narinas. Inconsciente de seus atos, ele puxou o ar profundamente, para apreciar mais tal perfume. Não, era ainda melhor que qualquer perfume, por mais caro ou francês que esse fosse. Estendeu-lhe a mão, e ela o fitou inquisitiva. "Ride On", do AC/DC, terminava (Eu e meu sangue de roqueira!). Outra música começava. Agora, era uma valsa.
– Que tal uma dança?
– Apenas se você parar de dar uma de galanteador barato, Cirurgião da Morte. – A ladra respondeu, sagaz. Traffy permitiu-se rir em deboche.
– Apenas quando parar de se fazer de difícil, Gatuna-ya.
– É justo. – Cedeu, segurando a mão dele e se deixando guiar até o meio do salão. Law enlaçou sua cintura com o braço direito e segurou a mão direita dela com a sua esquerda, entrelaçando os dedos. Trouxe-a para si, e a delicada mão esquerda dela foi para seu ombro – "Danúbio azul", de André Rieu?
– Algo contra?
– De modo algum.
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Nami queria se bater. Estava adorando a proximidade. De fato, o moreno era um imã de um polo diferente. Ele começou a guia-la na belíssima melodia. Ela passou a mão pelo pescoço dele, lenta e levemente. Sorriu malandra ao notar que a pele morena do homem se ouriçava com seu toque. Era óbvio que estava provocando-o. E se divertia muito com isso. Deixou-se levar pela melodia e pelo toque suave, relaxando. Cirurgião pareceu fazer o mesmo. Aproveitando-se do fato que ninguém ouviria a conversa, Nami questionou:
– Caçando-me, hã?
– Apenas mais um jogo.
– Isso fere meu orgulho, sabia? – A ruiva revirou os olhos, mas logo voltou a sorrir – Eu não sei o que te levou a trabalhar para Arlong, nem o que você quer além de me matar.
– Além? Eu não tenho nada para fazer além de te matar.
– E como o fará?
– Ainda não decidi.
– Imagino que a fama de "assassino da maior ladra do mundo" lhe agrada tanto quanto uma vinícola agrada a Dionísio.
– Aposte nisso.
– Então, me diga uma coisa...
– Continue.
– Se ainda não sabe como me matar, por que segura essa agulha tão perto de minhas costas?
– Gosto de marcar minhas presas, Gatuna-ya. E você também não está sendo civilizada com esse anel. Acha que eu não sei que ele, na verdade, é um reservatório de sedativo?
– Não tenho como negar isso, não? – Suspirou, girando.
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Law sentia a suavidade dos passos da mulher. A pele dela era macia, parecia de veludo. A ruiva parecia uma boneca de porcelana. Mas, ao invés de ficar parada para não se quebrar, ela jogava outros para no chão se espatifar. Por Deus, ele estava parecendo um idiota com uma paixonite estúpida pela professora de História. Porém, aquela não era uma professora de História. Era a mulher mais procurada no mundo. E sua próxima vítima.
Fê-la girar novamente, tomando o cuidado para que a agulha em sua mão não a ferisse ainda. Desviando seu olhar da mulher, percebeu que os dois eram vigiados por quatro pares de olhos.
– Gatuna-ya.
– Não se preocupe tanto com eles, Cirurgião. Tem outros quatro atrás de você, e podem dar mais dor de cabeça.
– Polícia?
– Yep. Atrás de você estão Smoker, Tashigi, Portgas D. Ace e Sabo.
– Entendo. E atrás de você tem duas mafiosas, uma de cabelo rosa e outra de cabelo azul. E um ruivo e um loiro.
– Certo... A valsa está acabando. – E era verdade, estava quase no fim – É uma pena, Cirurgião, mas nós vamos ter de deixar os joguinhos para depois.
– Concordo.
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Algum tempo se passou e, finalmente, a valsa cessou. Os dois se separaram.
– Nos veremos em breve, senhor.
– Sem sombras de dúvidas, senhorita. – Replicou, galanteador, e levou a mão de Nami até os lábios, depositando ali um suave beijo. Nami sorriu, deliciada.
– Quanta mordomia. – Ironizou, se aproximando e beijando os lábios dele, rapidamente – Até, Cirurgião-kun. – Dito isso, saiu em passos rápidos e sumiu na multidão, sem ver que o moreno sorria de canto, um pouco antes de fazer o mesmo que ela.
Os dois estavam começando a se divertir com a situação. Nenhum deles daria o braço a torcer. Iriam atrás do que buscavam até o fim, enfrentando toda e qualquer coisa ou pessoa que se colocasse em seu caminho. Afinal, eles eram assim.
Rei e Rainha.
Ladra e Assassino.
E nos dois casos, a ideia de perder era simplesmente abominável e inexistente.
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