Notas iniciais
Avisados sobre os spoilers nas notas iniciais, só queria dizer que eu shippei muito essas duas. Queria que Sara pudesse ir pra Suergirl e que LoT acabasse kkk

− Então... você e a Sara, ahn? – Estavam na sacada do apartamento de Kara, as duas escoradas observando o movimento da cidade. Alex fez uma expressão indignada diante da pergunta da irmã.

− Não foi nada de mais, eu te disse quando estávamos voltando. Foi só... uma noite. – Uma noite, nada mais. As palavras de Sara ainda pairavam sobre sua mente. Sobre ela ter uma Maggie para quem sempre desejava voltar. Seu coração pertencia a outra pessoa, é claro, e o de Alex também.

Ainda era doloroso para ela despertar todos os dias pela manhã e sentir os lençóis frios ao seu lado. Todos os dias, tudo o que desejava era ligar para Maggie e voltar ao que tinham antes que decidisse, por vida, que desejava ter filhos. Mas isso também lhe fazia lembrar do conselho de Sara: siga seus instintos.

Não é tão fácil quanto parece, loira.

Exalou o ar pelos lábios e só então notou que Kara lhe observava, as sobrancelhas arqueadas por trás dos óculos e um sorriso sugestivo no rosto.

− Pare com isso. – Alex ralhou.

− Parar com quê? – Kara encolheu os ombros. – Não sei do que está falando!

− Você está fazendo a... a cara! Urgh! – Alex trincou os dentes com força e ergueu as mãos para o alto, desejando somente uma vez poder dar um tapa na orelha da irmã sem sentir que deslocava três dedos no processo.

− Eu sabia! Você sentiu! O choque! – gargalhou, e por um momento aquele som fez com que Alex esquecesse de todos os problemas; lhe trouxe alívio, leveza. Nada de bandidos alienígenas que deveriam ser presos pela CEO ou clones nazistas que desejam dominar a sua dimensão.

− Talvez tenha sentido um pouco. – Mexeu nos cabelos, inquieta. Como não sentir? Sara era... caramba! Ela simplesmente era.

− Me conta. – Kara pediu, os olhinhos brilhantes por trás das lentes kryptonianas.

− Kara! – Alex fingiu indiginação. – Não!

− Por favor! – insistiu. – Está me dizendo que teve a melhor transa da sua vida e não quer me contar os detalhes?! Não me faça abusar dos meus poderes para isso, irmãzinha!

Alex estreitou os olhos.

− Você não ousaria!

Poucos segundos depois, estavam voando acima das nuvens. Alex gritava, apavorada por não esperar que Kara fosse jogar tão baixo assim.

− EU CONTO! EU CONTO! – gritou a plenos pulmões. O ar noturno estava congelante em Nacional City e ela tinha certeza de que pegaria um resfriado por isso.

Quando Kara a colocou no chão novamente, Alex respirou aliviada e lhe lançou um olhar atravessado.

− Esse é o tipo de coisa que mamãe disse pra você nunca mais fazer com seus poderes! – Embora quisesse soar brava, sua voz saiu cheia de humor e com um tom risonho.

− Mamãe não está aqui agora, está? – Kara acompanhou a risada da irmã, deitando a cabeça em seu ombro. – Fazia tempo, sabe? Que eu não via aquela expressão leve em você. E sei que tem sido duro esse lance todo com a Maggie. Mas não poderiam fazer dar certo?

Alex refletiu sobre isso por um momento, o olhar agora focado no céu estrelado. A Waverider poderia estar passando por seu universo agora enquanto Sara comandava a nave para consertar outra falha no tempo e espaço.

Tenho minha Maggie também. E desejo voltar para ela o tempo todo.

Havia mais do que dor naquele olhar. Havia a mesma saudade que Alex sentia de Maggie todos os dias. Dolorosa, palpável, real.

− Não da forma que gostaríamos, eu e ela. – confessou. – Merecemos algo melhor, sabe? – Olhou na direção da irmã e fez um cafuné leve em sua cabeça. – Sara foi... Sara é incrível. Ela foi sensacional na cama, não posso descrever. Foi como se simplesmente fosse certo. Como se as engrenagens de uma máquina se encaixassem perfeitamente e permitissem o melhor funcionamento possível. Com Maggie... com Maggie sempre foi amor. Nossos momentos juntos eram ótimos e eu tinha certeza de que poderia viver ao lado dela, mas...

− Não é o suficiente. – Kara concluiu, os olhos fixos em uma estrela mais brilhante do que as outras.

− Não é o suficiente. – Alex concordou. – Sei que tem sido difícil para você também, com Mon-El e Inra. Mas não quero que se feche para o mundo. Acredito que... no momento certo, as coisas vão se ajeitar para nós.

Se olharam por um momento e Kara passou um dos braços por cima dos ombros da irmã, sorrindo.

− Para todo sapato velho...

−...existe o seu pé de meia! – Alex completou o ditado que a mãe de ambas gostava de repetir com frequência durante a adolescência quando Alex terminava com um namoro diferente a cada semana. – Obrigada por sempre estar aqui. Obrigada por nunca ter deixado o seu poder vencer a sua humanidade.

− Como eu poderia? – questionou ela. – É o que há de melhor em mim. É o que a família Denvers me ensinou a ser. E sou muito grata por isso.

Alex sentiu orgulho da irmã caçula ao ouvi-la falando daquela maneira. Alguém que poderia facilmente ter dominado aquele planeta. Ter se tornado a mesma coisa que a Overgirl naquela dimensão paralela.

− Vamos. – Alex a puxou para dentro. – Vamos pedir três pizzas diferentes, comida chinesa e fazer pipoca com brigadeiro. Vamos nos afundar em junk food até acharmos a pessoa certa para nós.

− Sorte a minha que não posso engordar. – A risada sonora preencheu o ambiente e quando Alex tentou lhe acertar um soco no braço e gritou um palavrão em protesto.

Não importava no final das contas se não tivessem alguém em suas vidas. Tinham uma à outra e isso bastava naquele momento, mesmo que uma estrela brilhasse mais que as outras lá no céu, com a forma de uma nave que talvez, apenas talvez, repousasse em Nacional City na manhã seguinte.

Notas finais
Desde o episódio em que Alex e Kara vão pra casa, quero escrever uma fic leve das duas, sem nenhuma pressão. Eu adoro fics no estilo família, leves e voltadas pra comédia e esse crossover deu uma abertura e tanto! Nunca tinha escrito nada no fandom de Supergirl, embora tenha algumas ideias em mente e mais pra frente venha com um crossover quando finalizar a minha fic de Arrow, mas isso não vem ao caso. Quis retratar um recorte de momento das duas, porque admiro demais essa relação fraternal. Espero que vocês gostem, porque achei muito gostosa de escrever. Comentem o que acharam!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!