Entre Irmãos
12 Capítulo 12: O Silêncio das Gavetas Vazias
A manhã seguinte à festa de 16 anos não trouxe a leveza que Mia esperava. O sol entrou pelas janelas da sala, iluminando os confetes e as fitas que restaram, mas o som que costumava preencher a casa — o barulho da cafeteira e os passos pesados das botas de Elijah — não veio.
Mia desceu as escadas primeiro, seguida por Leo. Eles passaram pelo quarto de hóspedes e viram a porta aberta. A cama estava impecavelmente arrumada, mas as prateleiras onde Elijah guardava seus poucos livros e o seu relógio de pulso estavam vazias.
Eles encontraram Loren na cozinha. Ela não havia dormido. Estava sentada à mesa, segurando uma caneca vazia, com os olhos inchados e o olhar perdido no jardim. O vazio na casa era palpável, um membro fantasma que todos sentiam, mas ninguém conseguia tocar.
— Ele foi embora, não foi? — Leo perguntou, a voz mais rouca que o normal.
Loren apenas assentiu, incapaz de formular uma palavra sem desabar.
— Mãe... — Mia sentou-se ao lado dela, pegando sua mão. — A gente não é mais criança. A gente sabe.
Loren olhou para a filha, confusa.
— Sabemos que vocês se amam — continuou Mia, com uma firmeza que assustou Loren. — E sabemos que o Tio Eli se sente um criminoso por causa disso. Ele acha que amar você é trair o papai James. Mas o papai não ia querer que ninguém ficasse sofrendo nesse teatro por dez anos.
Antes que Loren pudesse responder, o som de um motor conhecido estacionou lá fora. Elijah entrou pela porta dos fundos, carregando sacolas com pães frescos e café, exatamente como fazia todos os dias. Mas ele não tirou a jaqueta. Ele agia como um entregador, um estranho que prestava um serviço.
— Bom dia — disse ele, evitando o olhar de Loren. — Trouxe o café. Leo, temos que verificar o cercado do fundo antes de você ir para a escola.
Elijah começou a colocar as coisas na mesa, mas Mia se levantou de um salto, bloqueando o caminho dele.
— Para com isso, Elijah! — ela gritou, usando o nome dele pela primeira vez em anos em vez de "pai". — Para de fingir que você é só o nosso segurança ou o motorista!
Elijah parou, a mandíbula travada.
— Mia, não é hora para isso.
— É hora sim! — Mia não recuou. — Você acha que a gente não vê? Eu mexi nas suas coisas no mês passado quando estava procurando uma lanterna. Eu vi a foto da mamãe que você guarda na sua carteira. Não a foto da família, a foto dela, aquela de quando vocês eram jovens. Eu vi como você olha para ela quando ela não está vendo.
Leo permaneceu em silêncio, mas seu olhar fixo em Elijah era de uma cobrança silenciosa. Loren se encolheu na cadeira, sentindo o peso da verdade exposta.
— Você é um idiota! — Mia continuou a gritar, as lágrimas de frustração escorrendo. — Você está destruindo a mulher que você ama, está se destruindo e deixando a gente no meio desse gelo só por causa de uma culpa que só existe na sua cabeça! O papai James amava você, e ele amava ela. Se ele pudesse ver você agora, ele te daria um soco por ser tão covarde!
O silêncio que se seguiu foi violento. Elijah olhou para Mia, e por um segundo, a máscara de gelo trincou. Seus olhos brilharam com uma dor insuportável, uma mistura de amor e vergonha que o sufocava há quase duas décadas.
Ele não respondeu. Não se defendeu. Elijah simplesmente deu as costas, atravessou a cozinha e saiu, batendo a porta com tanta força que o vidro tremeu. O som do carro saindo em disparada deixou para trás uma casa cheia de verdades, mas completamente vazia de paz.
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