Entre Extremos

16 Capítulo 15


— Onde você esteve? — Draco perguntou assim que Dallas sentou-se à mesa da Sonserina, o Chapéu Seletor já havia cantado uma de suas usuais canções, carregada de mistérios e palavras enigmáticas, e a fila de primeiro anistas estava formada e avançando a cada chamada de McGonagall, Dallas comprimiu os lábios e não respondeu ao colega de casa.

Snape havia a chamado no mesmo instante em que ela pôs os pés dentro do castelo. O professor a levou para o seu escritório, com uma expressão desgostosa no rosto cansado, e Dallas às vezes não acreditava que o professor ainda estava no início dos trinta anos, porque o rosto cansado e com algumas linhas de expressão era um absoluto reflexo de como os anos não foram caridosos com o homem.

Snape a convocou para entregar-lhe uma poção, a qual ela olhou com desmedida desconfiança.

— Acredito que você notou os Dementadores cercando Hogwarts. — ele explicou. Se Dallas tinha notado? O estômago dela revirou no segundo em que a carruagem em que estava cruzou os portões da escola. Os Dementadores estavam à uma distância considerável da propriedade, mantidos longe graças as barreiras do castelo mas, mesmo assim, o fato de estarem ali enjoava Dallas e a deixava de muito mau-humor. — A poção tem um efeito bem mais potente que meros pedaços de chocolate. — o desdém na voz de Snape mostrou naquele instante que ele não somente sabia do incidente que ocorreu no Expresso de Hogwarts, como também não morria de amores pelo professor Lupin. — Cada vez que você tiver uma crise, tome uma dose, irá ajudar a acalmá-la.

Dallas deixou o escritório do professor com a poção no bolso das vestes e chegou ao Salão Principal à tempo de ouvir McGonagall chamar Astoria Greengrass para ser sorteada. A pergunta de Draco permaneceu sem ser respondida enquanto os terceiro anistas da Sonserina observavam com apreensão o Chapéu Seletor sobre os cabelos escuros de Astoria.

A irmã caçula de Daphne não era nem um pouco parecida com ela. Daphne tinha cabelos dourados e olhos cinzentos, enquanto Astoria possuía mechas castanhas e olhos verdes como a relva. Os Greengrass eram uma família de linhagem sangue puro, mas Cassiopéia, a mãe das meninas, não era uma bruxa de seguir tradições familiares. Astoria e Daphne, era sabido, possuíam pais diferentes, bruxos, esta era a única certeza que tinham sobre os seus progenitores, e cada uma era fruto de um dos vários relacionamentos breves e frívolos da mulher que largou as filhas para serem criadas pelos avós e ganhou o mundo em viagens de luxo, onde curtia a juventude que ainda lhe restava.

Astoria demorou um minuto sob o Chapéu antes deste gritar:

— LUFA-LUFA! — e todos os olhares da mesa da Sonserina foram para Daphne, aguardando com apreensão a reação dela.

— Isto não está certo. — Daphne soltou com olhos largos e claramente surpresa pela escolha. Astoria abriu um sorriso largo, desceu do banco em um pulo e correu para a mesa de sua nova casa, sob os aplausos de seus novos colegas. — Parem de me olhar com essa cara! — Daphne continuou em um tom irritado. — Acreditem, se não fosse da Sonserina, a Lufa-Lufa seria a última opção de casa para Astoria. Eu conheço a minha irmã e aquela carinha bonitinha é tudo, mesmo uma lufa. — todos os olhares foram para Astoria, para o seu rosto redondo, seu sorriso largo e os seus grandes olhos verdes. Sim, ela tinha cara de lufa, mas ela também era uma Greengrass e se a menina fosse um pouco parecida com a irmã mais velha, ela realmente não tinha vocação para ser da Lufa-Lufa, mas de alguma maneira foi parar na casa. — Ela está aprontando. — Daphne completou com a certeza de quem sabia que Astoria não valia a roupa que vestia.

A cerimônia de seleção continuou normalmente e ao seu fim, Dumbledore levantou de seu assento ao centro da mesa dos professores e deu os avisos usuais de início de ano. Apresentou Remus Lupin como novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e Hagrid como novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, para a completa consternação de Draco. O aviso seguinte que o diretor deu teve um tom mais sombrio e referia-se aos Dementadores e a fuga de Sirius Black de Azkaban, um assunto que foi comentado por todos durante a viagem de Londres para a Escócia. Dumbledore encerrou com os avisos e anunciou o início do banquete de boas vindas, a comida surgiu em pratos e travessas e logo o Salão Principal foi inundado por conversas e o burburinho usual de alunos colocando em dia as últimas fofocas e contando sobre as suas férias.

Dallas queria fazer o mesmo, prostrar-se ao lado de Patrick e ouvi-lo tagarelar sobre tudo o que viveu com os seus irmãos neste verão, sobre a sua tia-avó louca que vivia para envergonhá-lo, sobre os seus pais bruxos e tão absurdamente normais, mas o seu corpo quente e tomado pelos calafrios, o seu estômago revirando e a enxaqueca que brotava atrás de seu olho direito não a permitia. A presença depressiva dos Dementadores era como uma infecção que não queria deixar o seu corpo. Quando os viu no Expresso, sentiu vontade de atear-lhes fogo e então manter as chamas crepitando por um período indeterminado de tempo, somente para ver se havia algo mais além de carne podre sob aqueles trapos fétidos, e então veio a falta de ar e o desespero e os gritos que assustaram Patrick e fizeram Lupin arrancá-la daquela cabine com velocidade e levá-la para o final do trem. Dallas não registrou o percurso que fizeram, a sua mente nublada pela falta de ar mal registrou a mudança de cenário, mas ela lembrava-se de um incidente em particular quando mudou de uma cabine para outra.

Ela lembrava-se da voz de Potter a chamando e dele estendendo a mão para tocá-la e pelos deuses, como ela precisava do toque do garoto na sua pele naquele momento. Precisava de forma desesperadora, como um viciado precisava de uma nova dose de heroína. E então Lupin impediu que Potter a tocasse e ódio subiu por todo o seu corpo. Como aquele mestiço imundo ousava negar-lhe o que ela mais precisava naquele minuto? E se ele não tirasse a mão de Potter ela iria arrancar-lhe os olhos. Aparentemente o seu olhar sobre o lobisomem o fez reconhecer o perigo que corria e soltar Potter. E sim, Dallas sabia que Lupin era um lobisomem, algo em seu âmago lhe disse isto no segundo em que o homem surgiu na porta de sua cabine, mesmo diante de tamanho turbilhão de sentimentos que ela estava sendo sofrendo naquele momento, e então ele sugeriu que Potter e Granger trocassem de lugar e no segundo que o grifinório sentou ao seu lado, todos os seus músculos relaxaram.

Dallas tinha medo de começar a conjecturar o que isto significava, somente tinha a certeza de que era algo relacionado a sua descendência Veela, mas perguntar a Amélia sobre o assunto estava fora de questão. Sua avó deixou bem claro o que ela achava da ideia de Dallas manter um contato que fosse com Potter e, por sua vez, Dallas deixou a sua opinião bem clara sobre este assunto ao continuar enviando Osíris para o Caldeirão Furado com cartas para o grifinório e alguns pequenos mimos que estavam tornando-se piadas internas entre os dois.

— Você não vai comer? — Crabbe perguntou com um olhar guloso sobre a coxa de frango com batatas que havia no prato de Dallas e a garota o respondeu ao empurrar este mesmo prato na direção do colega. Sabia que precisava comer, mas a ideia revirava-lhe o estômago e quando percorreu o olhar pela mesa dos professores, viu que Snape a observava como um gavião e com um suspiro resignado, ela puxou um prato de salada e legumes cozidos em sua direção e os beliscou morosamente por uma hora até que finalmente o banquete deu-se por encerrado e ela praticamente correu para as masmorras e enfiou-se sob as cobertas da cama após trocar o uniforme pela pijama, adormecendo com o som de suas colegas de quarto preparando-se para dormir.

oOo

O currículo daquele ano não era muito diferente dos anos anteriores. Algumas aulas saíram, como Lições de Vôo (graças ao bom Merlin, Dallas pensou ao notar a ausência da aula em sua grade de horários) e outras novas entraram, como Adivinhação. Dallas admitia que escolheu a matéria seletiva porque estava curiosa sobre o seu conteúdo e arrependeu-se amargamente quando Sibila Trelawney apareceu de forma espalhafatosa na sala fedendo a incenso e ervas e começou a fazer umas predições loucas, incluindo a morte de Harry Potter.

A ameaça velada fez o sangue de Dallas ferver e uma vontade de avançar sobre a professora e arrancar-lhe os olhos com as unhas tomou conta dela. Draco, a segurando pelo pulso, que a impediu de ir muito longe.

— O que você está a fazendo? — ele sibilou entre dentes e não era a primeira vez que Draco a tocava sem permissão, mas foi a primeira vez que os dedos dele contra a sua pele causou alguma reação em seu corpo. Não foi um comichão gostoso, como o toque de Potter gerava, foi algo familiar e morno, algo que parecia conectar a sua magia com a dele e ressonar nas profundezas de seu ser. E, aparentemente, Draco sentiu o mesmo porque os seus olhos cinzentos ficaram largos, ele soltou Dallas e mirou as pontas de seus dedos como se esses pudessem lhe oferecer a resposta para o que aconteceu.

O assunto foi esquecido na aula de Tratos de Criaturas Mágicas, porque Hagrid os levou para alguns metros adentro da Floresta Negra e apresentou-lhes Bicuço com o orgulho e carinho que alguém apresentava para estranhos o seu novo filhote de Golden Retriever.

— Voluntários? — Hagrid perguntou após explicar o que era Bicuço e perguntar se alguém queria voar nele, e por mais majestoso e belo que fosse o animal, Dallas ainda preferia manter os pés no chão, então não foi com nenhuma vergonha que ela recuou alguns passos, junto com os seus colegas de classe, e deixou Potter sozinho para encarar aquela furada. Hagrid abriu um sorriso de orelha a orelha por baixo do emaranhado de cabelos que ele chamava de barba e praticamente arrastou Potter para perto do hipogrifo. Cortesias foram trocadas entre animal e grifinório e antes que Potter pudesse sumir dali, Hagrid o pegou sob os braços, como se pega um bebê, e o montou em Bicuço. Um tapa nas ancas do animal e o hipogrifo levantou vôo, com Potter às suas costas e agarrando-se desesperadamente em seus pelos e penas.

Eles desapareceram no horizonte e retornaram dez minutos depois com um Potter extasiado, de bochechas rosadas e os olhos verdes brilhando como duas estrelas no céu limpo da noite. Hagrid o ajudou a descer do animal, sob os aplausos de seus colegas grifinórios e o desdém dos sonserinos e Dallas correu para parar Draco quando viu a expressão do garoto divergir de desdém, para raiva, para petulância, para raiva de novo e ele ir a passos pesados na direção do hipogrifo.

— Malfoy, não! — Hagrid ainda gritou para parar Draco, mas foi tarde demais. Bicuço assustou-se com a abordagem brusca do sonserino e empinou nas patas traseiras, descendo as dianteiras com força contra Draco.

Se fosse um cavalo, Draco teria levado um belo de um coice e quebrado braços e costelas. Como era um hipogrifo, e este tinha garras, as mesmas abriram profundos rasgos no braço do garoto que foi arremessado no chão diante do impacto e então recolhido deste, gemendo e sangrando, e carregado por um Hagrid desesperado para dentro do castelo. Bicuço ainda grasnava e trotava e Dallas somente reagiu, sem pensar muito no que fazia. Anúbis, o seu garanhão puro sangue, era um poço de calma e frieza e não assustava-se facilmente, mas enquanto isto por um lado era bom, por outro era ruim. Anúbis era arredio, tinha lealdade e obedecia somente à Dallas, e se permitia que os funcionários do estábulo dos Winford cuidassem dele era porque era um animal vaidoso e que não admitia nada menos que cem escovadas por dia para ficar com os seus pelos puramente negros cintilando.

Bicuço era como Anúbis e desde que não estivesse voando nele, ela sabia como lidar com bichos arredios.

— Dallas! — Pansy e Daphne chamaram às suas costas, mas a garota ignorou as colegas e aproximou-se do animal com a expressão fechada e decidida.

— Bicuço! — Dallas percebeu que a sua voz saiu com uma entonação diferente da usual, com um suave cantarolar na última sílaba, e a reação de Bicuço foi imediata; ele parou de trotar e virou a sua enorme cabeça de águia na direção dela. — Shh. — ela ergueu as palmas na direção dele e aproximou-se vagarosamente do animal. — You and I, said goodbye, I thought I died, three hundred flowers, I’ve been sitting here for hours… — ela começou a cantar, porque lembrou-se que quando cantarolava Anúbis costumava acalmar-se quando estava arredio, principalmente na presença dos gêmeos que pareciam ter feito uma aposta entre si de que um dia montariam o garanhão, sem sucesso até os dias de hoje.

A música era uma das favoritas de sua avó, que ela costumava ouvir na solidão de sua sala de estudos, enquanto tomava um gole de brandy e rememorava o passado. Dallas costumava observar escondida Amélia durante esses momentos, porque eram nesses momentos, em que o vinil rodava no velho gramofone e a meia-luz do ambiente derramava sombras no rosto saudoso de sua avó, que ela via ali uma mulher que viveu e sofreu muitas coisas nesta vida. Que sacrificou e abandonou muitas coisas e pessoas nesta vida. Era neste momento que Amélia tornava-se mais humana aos olhos de Dallas.

When I gave up what was ours, I’ve met a man so kind. Red petals tickling my feet, like oriental carpet… — Bicuço finalmente acalmou-se e abaixou a enorme cabeça em um gesto de submissão e Dallas deu mais um passo na direção dele e acariciou as penas brancas que eram mais macias do que aparentavam ser. E foi então que ela notou o absoluto silêncio que a cercava. Até mesmo a floresta parecia ter ficado quieta ao se redor.

Com hesitação, Dallas girou lentamente para encarar os seus colegas. Todos estavam estáticos, olhos largos e expressões como se estivessem em transe e então ela lembrou que Veelas usavam o canto para seduzir os homens, hipnotizá-los, porque o canto dava mais potência ao Encanto das Veelas. Porém ela sempre achou que esses precisavam ser direcionados a um alvo específico para ter efeito, e jamais imaginou que pudesse funcionar em animais. Talvez isto explicasse porque Anúbis gostava tanto dela. Ou talvez não, porque o garanhão parecia não tolerar muito a sua avó.

— Como você fez isto? — Potter foi o primeiro a reagir e a pergunta dele quebrou o transe dos outros alunos e Dallas percebeu, com alívio, que na verdade os seus colegas estavam apenas chocados diante das grandes habilidades dela de domar uma fera do que realmente sob efeito do Encanto que ela achou ter usado acidentalmente.

— Os Winford possuem cavalos na propriedade da família. Eu tenho um garanhão chamado Anúbis que é bem temperamental, portanto sei lidar com bichos assustados. — ela explicou enquanto oferecia uma última carícia ao bico de Bicuço antes dele se afastar e acomodar-se entre as grossas raízes de uma árvore.

Quando Hagrid voltou, ele parecia surpreso em ver a turma no mesmo lugar em que os deixou e um Bicuço tranquilamente ajeitando as penas de suas asas com o bico, deitado entre as raízes.

— Cla-classe dispensada. — havia um tom choroso na voz dele e Dallas não sabia se sentia pena do pobre ou achava a cena patética, por um homem daquele tamanho estar chorando.

No dia seguinte, a aula de Poções foi mais um cenário em que Dallas chocou os seus colegas a ponto de calá-los. Draco estava fazendo drama, como sempre, com o braço enfaixado até o cotovelo e fingindo um ferimento que todos da Sonserina sabiam que não existia mais, pois Madame Pomfrey era uma excelente enfermeira. Ainda sim, isto não evitou que Snape ordenasse que Weasley e Potter fizessem o trabalho de Draco para ele.

— Não! — Dallas soltou em alto e bom som e Snape a mirou de modo que, se pudesse azará-la naquele momento, ele assim o faria. — Draco não está inválido! — e para provar o seu ponto, ela segurou no braço do colega, justamente o braço enfaixado, e o apertou com força o suficiente para saber que mesmo sob o pano Draco podia sentir a pressão de seus dedos em sua pele. O garoto levou um segundo para responder ao seu toque e somente torceu o rosto fingindo dor, mas não tirou o braço de entre os dedos firmes de Dallas. — Se ele estivesse ferido não teria demorado tanto a reagir, a dor é um processo instantâneo registrado pelo cérebro. Se estivesse ferido ele nem me deixaria tocá-lo. Se estivesse realmente ferido, ele estaria sangrando agora. — e com isto ela o soltou, para deixar a mostra da visão de todos as ataduras limpas.

— O que você pensa que está fazendo, Winford? — Draco sibilou para ela com puro ódio na voz e uma promessa de retribuição dolorosa em seus olhos. Dallas não abalou-se com a ameaça silenciosa.

— Eu estou cortando o mal pela raiz. Se os seus pais não te ensinaram a ser um ser humano decente, eu vou te ensinar. — Dallas o respondeu no mesmo tom baixo que ele empregou para falar com ela.

— Você está do lado do Potter? — Draco ergueu o tom de voz não somente para o diretor da casa deles ouvir o que acontecia, como também os seus colegas. Era claro que ele queria arruiná-la perante a Sonserina. Embora a casa não tivesse o mesmo desprezo intenso que Draco tinha por Potter, ainda sim desprezavam o grifinório por questões de princípios. Dallas defender o herói do mundo mágico era assinar um atestado de traição.

Dallas não respondeu à Draco. Ela não estava do lado de Potter, apenas estava tentando evitar um futuro desastroso que via formar-se em frente aos seus olhos. O toque de Draco naquela aula de Adivinhação despertou algo dentro dela que ela não conseguia nomear, um sentimento de proteção e responsabilidade que ela também não conseguia ignorar, e Dallas sabia que se o garoto continuasse neste caminho de mesquinharia e egoísmo, exigindo que todos cedessem aos seus caprichos, ele acabaria tão no fundo do poço que jamais conseguiria sair de lá. Draco não sabia lidar com a vida, não sabia levar um não na cara, tudo o que ele conseguia era graças ao nome de sua família e aos mimos de seus pais, e as suas desavenças e desamores ele resolvia com gestos imaturos e infantis, ao invés de conversar como uma pessoa sensata. E ele sabia guardar rancor como ninguém. Draco poderia ter simplesmente esquecido a rejeição de Potter e seguido com a sua vida sem se importar com nada, pois indiferença sempre era a melhor vingança mas, ao invés disto, ele fazia questão de transformar a vida do grifinório em um inferno, como se quisesse ser lembrado pelo outro garoto em todo segundo do dia.

Dallas diria que Draco estava apaixonado por Potter, porque ele agia como um garoto apaixonado que não sabia aproximar-se da pessoa que gostava e só sabia manifestar os seus sentimentos com gestos cruéis, mas Dallas duvidava que o colega soubesse exatamente a profundidade e o significado do que era o amor. Isto nada mais era que pura obsessão e orgulho ferido, algo que estava irritando Dallas além da conta.

— Dez pontos da Sonserina. — Snape disse isto com a expressão de quem engoliu uma poção estragada. — E detenção esta noite, senhorita Winford. Compareça ao meu escritório às sete horas em ponto. — terminou, com os ombros tensos. Todos sabiam que o professor detestava punir alunos de sua própria casa, mas para tudo tinha um limite e uma sonserina defendendo um grifinório, defendendo Harry Potter, era demais até mesmo para ele. — Potter, Weasley, o que vocês estão esperando para ajudar o senhor Malfoy? — Draco sorriu maldosamente ao ver quê, apesar da interrupção de Dallas, ele ainda teve o que queria e foi com prazer que viu os dois grifinórios recolherem o material para fazer a sua poção.

— Isto não vai ficar assim. — ele murmurou para Dallas ao passar por ela ao final da aula, enquanto os alunos deixavam a sala. Dallas nem mesmo abalou-se com a ameaça, que Draco viesse com tudo o que tinha, porque ela sabia muito bem aguentar o tranco.