Entre Dois Mundos
2 O outro mundo
Notas iniciais
Desculpe se houver algum erro de ortografia.
Corpos espalhados por todo quarto. Nao queria saber quem havia colocado todos aqueles corpos, deitados um por cima dos outros no chão. Homens e mulheres. Todos inertes no piso de madeira. Fiz a primeira coisa que me veio em mente, gritei. No mesmo momento tudo começou a ficar embaçado, sentia o vomito vindo. E tudo ficou preto...
Quando cai na escuridão meus sentidos falharam, senti o baque da minha cabeça na madeira, o cheiro de podridão dos corpos se decompondo. Por quão que meu corpo nao correspondesse aos meus comandos, pude me levantar e me enxergar. Aquilo me assustou para burro, fiquei esterica por um momento, achei que tinha morrido, mas uma voz veio a minha cabeça, parecia que já tinha ouvido aquela voz antes, nao me era familiar? Algum familiar muito próximo? Minha mae! Aquela era sua voz, mas espera. Eu estou morta?! Mas sou nova, nunca beijei ninguém! Como morrer BV (boca virgem). Nao pode estar acontecendo. E porque morri? Sera que tinha alguma doença desconhecida? Mil perguntas se formavam em minha cabeça. Aquela voz me acalmava, tinha vontade de dormir ali mesmo, com todos aqueles problemas, mas nao podia. Tinha de permanecer acordada. Ela falava aquelas palavras, ditadas em forma de poema, charada, nao sei, algo complicado de interpretar.
" Minha pequena Luce
Agora crescida. Te dirijo estas palavras
somente por enquanto. Meu tempo e curto
e o relógio nunca parou.
Tic-toc, e o que faz. Escute com atenção.
Seu tempo ainda nao chegou. Se manterá viva.
Porem tens pouco tempo para conseguir parar o seu destino.
Sei que es forte, e sabe o que fazer.
Beijos de sua mae, Clarisse."
Aquela voz, serena, dava calafrios em minha espinha, nao conseguia entender o que ela me falava. Que meu destino estava predestinado? Por que? Nao pode ser verdade. Perguntas sem respostas. Aquilo me frustava muito! E o que aqueles corpos fazem ali? O que querem dizer? Que ha um Serial killer em minha casa? Que ele mora na mesma casa que eu ou na porta ao lado. Era isso que aquele bilhete queria me dizer? Que encontraria portas, que nao me mostrariam alem de morte? Nao recebia as respostas. Comecei a chorar de medo, por ver aqueles que nem pude conhecer. Sentia medo e desespero. Nao conseguia seguir adiante. Eu me renderia nem sem saber o que aconteceria pela frente. Nao. Tinha que ser forte! Sem me deixar cair. O que meu corpo fazia inerte no chão? Pensei por mais alguns segundos e me dei conta que poderia entrar dentro do quarto sem perigo de ser morta! Tinha que ter alguma vantagem poder passar por portas sem ter de abri-las. Fui mais para o fim do quarto. Era difícil conseguir achar qualquer coisa ali. Estava tudo escuro. Exceto pela pequena janelinha, que quando fui olhar através encontrei uma rua diferente, ao invés dos coqueiros gigantes, que intimidava qualquer um por ali. Achei uma rua muito convidativa, com casas pequenas feitas de madeira, cada uma pintada de cor diferente. A estrada era feita de pedras, me lembrava de Barcelona e suas ruas apertadas, algumas sem saída.
Pensei em passar por aquela parede e correr para aquele mundo. Me parecia gentil, mas algo me prendia no chão. Meus pés nao correspondiam. Olhei em volta, meu corpo continuava no mesmo lugar, minha respiração pesada. Dormia em um sono leve, nao sei se sonhava ou o que, porem do nada, tudo ficou turvo novamente e fui sugada pela janela tao pequena, que por um mero segundo achei que iria entalar!
Quando voltei a me sentir novamente, estava no meio daquela rua que um dia parecia ter sido convidativa. Nao mais, estava desértica, nem uma alma viva parecia estar naquele lugar. Ate que ouvi sons vindos de uma casa. A única de cor clara, nada chamativa, mas me parecia tao obscura. Calafrios a única coisa que conseguia sentir. Parecia que ja tinha visto aquela casa antes. Me dei conta de que era grande, parecia a mansão de meu pai ou melhor, era a mansão de meu pai. Corri em direção a minha casa, que neste momento era mais convidativa do que qualquer local nesta cidade fantasma. Passei por bares que aparentavam abandonados, realmente, nao havia ninguém. Corria na velocidade máxima que conseguia. Isto significa lento, nunca fui muito adepta aos esportes e tudo mais, a única coisa que fazia direito era esgrima, porem meu pai nunca gostou da idéia, entao fiz aulas por um mês ate meu pai me retirar de la. Chorei por semana a fio ate nao restar uma lagrima sequer.
Comecei a cansar. Nao conseguia movimentar mais minhas pernas, estavam rígidas. A casa ao invés de parecer mais perto, parecia estar cada vez mais longe como se aquela pequena rua havia virado uma cidade. E eu pensei que fosse como as ruas de Barcelona, estava mais como um daqueles filmes loucos, sem pe nem cabeça onde a cidade e muito falsete, colorida, tudo no máximo. As casas começaram a crescer. Parecia um circo sem fim. Me dava medo! Consegui forcas e voltei a correr.
Avistei de longe uma pessoa, chegando cada vez mais perto. Era um menino. Aparentava a minha idade, cabelos castanhos, cheio de cachinhos, pele mais pálida que a neve, olhos verdes intensos. Olhando melhor, era Harry. Nunca havia o reparado tao de perto. Com olhos profundos, conseguia entrar e nunca mais sair. Suas feições eram assustadas como as minhas. Ele nao era muito lindo, ja vi meninos mais lindos, mas enxergava sua alma que era pura e doce, um pouco maliciosa. Ele estava sofrendo por amor, naao sabia se era correspondido. Minha vontade era de dizer desesperadamente que eu iria chegar ao seu alcance, que iria colocar meus sentimentos em suas maos, que me entregaria a ele a qualquer momento. Nao podia, era o que minha alma dizia. Era muito perigoso:
" Ola. Eu estou desesperado. Nao sei onde estou. Poderia me responder?" fiquei calada por um momento apenas o observando" Poderia me responder menina?" Sai de meus pensamentos.
" Claro! Eu nao faço idéia de onde estamos também, achei que poderia obter respostas de você, mas pelo visto nao." disse. Ele fez uma careta e voltou a falar.
" Olha eu quero sair deste local rapidamente. Hoje a noite convidei com minha colega para passar la. Queria fazer uma surpresa. Nao sei que horas sao, poderia me falar?" falou o menino.
" Nao" respondi secamente. Eu sabia de que colega ele falava, era Maya aquela menina por quem eu tanto tinha ódio." Porque você anda com ela? Você sabe que ela so te usa! Pare, olhe para mim. Que sempre te amei e te enxerguei de um modo que ninguém nunca chegou tao perto. Eu sou a pessoa com quem você esta destinado a ficar! Quando te vejo chorar no seu quarto eu morro! Pare ja! Nao quero sofrer mais do que ja sofro." botei todas aquelas palavras para fora. Me sentia mais leve. Nao conseguia descrever suas feições, isso era bom ou ruim?
"Mmmm. Olhe eu nem te conheço. Nunca te vi. E voce nao pode falar nada da minha Maya" aquelas palavras doeram para mim."nunca mais ouse tocar nela. Seu monstro, nao sei o que faço aqui, porem tenho uma leve impressão de que você e a vila" E assim ele se encostou em meu rosto e o arranhou, aquele nao podia ser com o cara que sonhei. Nao podia ser real! Comecei a gritar mentalmente e a minha visão ficou turva novamente.
Voltei a meu corpo. O sol ja subia e os corpos continuavam la. Podia ouvir Roseline chegando em casa. O que ela pensaria, me vendo deitada no chão do ultimo andar com pessoas mortas dentro do quarto. Me obriguei a levantar. Fechei a porta e desci as escadas cautelosamente. A dor de cabeça era muito forte! Tomei meu banho e fui tomar cafe, mas quando cheguei la Rose parecia possuída. Parei estática nao sabia o que fazer. A primeira pessoa que pensei foi Harry, corri ate a mansão toquei a campainha diversas vezes, ate que alguém atendesse. A porta se abriu e quem abriu nao era ninguém menos que Maya.
Notas finais
Tchau minhas pequenas fantasmas.
Espero que tenham gostado. bjsbjs
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