Entre Dois Mundos
3 Capítulo 3 - Sonhos...
Notas iniciais
- Última vez... Por favor, Ethan eu to quase aprendendo — Falei tentando fazer com que ele me ensinasse a usar a Pokébola corretamente
- Eu já lhe falei milhões de vezes — Disse ele irritado — Você tem que primeiro enfraquecer o Pokémon e depois capturá-lo — Fazendo com que eu me lembrasse do pequeno contra tempo com um Spearow, longa história... E agora no final estamos em uma clareira perto de uma cidade que Ethan diz ser Cherrygrove.
- Mas eu fiz isso com o Spearow – Disse cansada, me sentei na pedra mais próxima. Depois desse nosso pequeno contra tempo percebi que nem todo o Pokémon pode ser fofo o bonitinho, geralmente há uns com temperamento forte e selvagem.
- Jogar uma Pokébola na cabeça de um Pokémon não é enfraquecê-lo – Disse ele abrindo a mochila e tirando um saco de dormi.
- Que horas são? – Perguntei para mim mesma abrindo meu Pokétransmisor (ou como eu prefiro falar: Pokécelular). Eram exatamente 18h – Tá brincando né?
- O sol se põe às 19hrs e desse horário em diante você não consegue enxergar nada na floresta.
- Nós vamos dormi aqui? – Perguntei apontando para a clareira.
- É... Ou você prefere andar a noite com um monte de Pokémons noturnos perigosos a solta pela floresta? – Perguntou ele pegando gravetos caídos no chão e levando para o meio da campina, com certeza com intuito de ascender uma fogueira.
- Sinceramente eu prefiro... – Comecei a falar, mas Ethan chegou perto de mim e botou dois dedos em meus lábios. No começo não entendi o sentido disso e até achei muito abuso da parte dele, do nada, querer me beijar. Percebi que ele não estava querendo me beijar, ele estava querendo que eu fizesse silêncio, pois algo se aproximava.
Um arbusto atrás de Ethan começou a balançar. De dentro do arbusto saiu uma criaturinha com menos de 50 cm de altura, pele amarela, um rabinho preto, possuía detalhes pretos nas orelhas e no pescoço e bolinhas rosa marcavam a bochecha.
No inicio senti uma vontade de apertá-lo, mas depois notei que era um Pokémon e queria capturá-lo. Ethan não concordou comigo.
- Ele está assustado – Disse Ethan me largando e indo devagar na direção do pequeno Pokémon.
O Pokémon no começo ficou com medo de Ethan e ameaçou fugir, mas Ethan apenas sussurrou palavras de conforto e o Pokémon se aproximou dele. Ethan levou uma mão ao bolso da mochila e deu para o Pokémon uma coisa verde. O Pokémon cheirou primeiro e depois comeu. Ele demonstrou satisfação e sorriu para Ethan.
Peguei a minha Pokédex e fiz como Ethan e professor Elm haviam me ensinado. A apontei para o Pokémon que estava no colo de Ethan.
“Pichu, um Pokémon rato-elétrico, por ser ainda muito pequeno não contem muita eletricidade. Pichu é um Pokémon bastante agitado e companheiro. Quando aprova seu dono começa a soltar faíscas pelas bochechas.”
Abaixei a Pokédex e olhei para Pichu e Ethan. Pichu o olhava sorrindo e estava soltando faíscas pelas bochechas. Legal, Ethan havia acabado de capturar um Pokémon sem a Pokébola e eu não consigo capturar nem um usando uma Pokébola.
Aproximei-me do Pokémon sorrindo. O Pokémon me olhou por um minuto. Estiquei a mão para tocá-lo e o Pokémon hesitou. Eu o olhei nos olhos e sorri, percebi que Pichu me olhava assustado, então ainda sorrindo toquei sua cabeça e a cocei. Pichu fechou os olhos e sorriu enquanto eu coçava sua cabeça.
Voltei para perto da fogueira que Ethan estava montando. Peguei a minha Pokébola que estava em minha pochete, apertei o botão e a lancei para o alto e Totó saiu de dentro. O carreguei e levei para perto de Pichu.
- Toto esse é Pichu – Toto o cheirou, depois pulou para trás e sorriu.
Assim que Ethan pediu para Pichu o ajudar a acender a fogueira ele o guardou na Pokébola e voltou a ajeitar seu saco de dormi. Percebi que nas minhas coisas não tinha saco de dormi. Estava determinada em fazer compras assim que chegasse à cidade de Cherrygrove. O único problema era o dinheiro.
- Ethan, como nós conseguimos dinheiro aqui? – Sentei-me do lado da fogueira tentando ficar aquecida.
- Bom... Viajantes Pokémons tem descontos em itens, como: Pokébolas, Poções, Antídotos, Roupas e Acessórios para a viajem.
- E como eu consigo dinheiro...? – Insisti
- Geralmente batalhando com outros treinadores ou com lideres de ginásio ou ganhando competições...
- Ótimo, vamos batalhar! – Me levantei e estiquei a mão para ele.
- Tem certeza? – Disse ele levantando uma sobrancelha — Planta ganha de água, você sabia?
- Não... – Admiti me sentando no chão.
- Vamos dormi e amanhã chegaremos à cidade de Cherrygrove antes do almoço. – Disse ele saindo da clareira com roupas. Resolvi não perguntar aonde ele ia, pois com certeza ia fazer coisas que eu preferia não confirmar.
Em menos de 5 minutos Ethan estava de volta à clareira, usando apenas uma samba-canção e sandálias. Infelizmente tenho que admitir que o tanquinho de Ethan era bastante admirável, tanto que assim que ele entrou na pequena clareira não pude de percebe ele olhando para mim e rindo. Apenas depois fui me tocar que estava de boca aberta e quase babando.
- Então, pronta pra dormi? – Disse ele guardando suas coisas em sua mochila
- Só tem um problema... – Abaixei a cabeça e sussurrei – Eu não tenho onde dormi...
- Hm... Você pode dormi no meu saco de dormi... Eu fico acordado, mesmo, e...
- Nem pensar! O saco de dormi é seu e... – Abaixei a cabeça envergonhada.
- Você pode dormi comigo – Sugeriu-o.
- Tá – Concordei. Eu é que não ia ficar sentada nesse chão cheio de terra.
Peguei a minha mochila e sai da clareira. A mãe de Lyra tinha deixado uma camisola e sandálias no monte de roupas. Troquei de roupa rapidamente e voltei para a pequena clareira.
Ethan estava comendo uma maçã. Botei minha mochila perto da sua e sentei ao seu lado. Ethan me deu uma maçã. Quando dei a primeira mordida percebi que estava com muita fome e a ultima vez que havia comido foi quando Ethan e eu havíamos encontrado um laguinho no caminho de onde estamos.
Ethan me contou um pouco sobre si. Ele tem 16 anos (apenas dois anos mais velho que eu), uma irmã mais nova, que parece ser o centro de seu universo, ele disse que daria tudo para ela. Sua família é um pouco pobre, por isso não pode sair de casa com 10 anos como os outros viajantes. Teve que ficar ajudando os pais.
- Pronta pra dormi? – Perguntou Ethan de novo.
- Agora sim. – Me senti mais a vontade com Ethan depois de conversarmos.
O saco de dormi era bem pequeno, por isso tive que dormi de lado e Ethan também para podermos caber juntos no saco de dormi. Ethan botou a mão em minha cintura e fui puxada para perto dele. Nossos rostos estavam muito próximos um do outro.
Botei meu braço em cima do seu e com a outra mão segurei seu rosto. Ethan com sua outra mão começou a acariciar meu rosto. Ele continuou acariciando meu rosto até eu pegar no sono.
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Bom, não sei se sempre tive sonhos como esse, pois me lembro pouquíssimas sobre de onde vim. Por isso esse sonho foi bastante estranho.
Esse sonho, com certeza não é o tipo de sonho que qual quer pessoa tem, pois ele foi muito confuso, cheio de flashbacks e rostos estranhos. Assim que esses flashbacks pararam cenas e imagens melhores começaram a aparecer.
A primeira imagem era uma criança e uma mulher em uma praça. A mulher era branca e possuía cabelos cor mel combinando com os olhos. A criança era uma versão mini da mulher, tirando os olhos que eram mais dourados que o da mulher. A mulher empurrava a criança no balanço enquanto o vento batia seus cabelos. Essa mulher era bastante parecida comigo em relances e eu com certeza senti certa inveja de seu sorriso que era perfeito até de mais.
Logo a imagem se desfez e a cena mudou. A criança se encontrava em um quarto escuro, ela estava dormindo até ouvir um estrondo vindo do lado de fora da casa. A criança se levantou e foi até as escadas da casa ver o que estava acontecendo. A mulher da cena anterior estava ao lado de um homem alto e musculoso ao lado da porta da frente. Tomei susto ao perceber que o homem possuía uma Pokébola.
A casa onde todos estavam possuía mais de dois andares. Desci as escadas correndo e fiquei próxima do corrimão da escada antes de me aproximar mais da cena.
A porta da frente caiu no chão e dois homens entraram na casa, cada homem usava uma camisa branca com um R vermelho na frente e eles também possuíam Pokébolas cada um.
- Se entregue Thorn! – Disse um dos homens que haviam arrombado a porta.
- E vocês que pensam que são para entrar assim em minha casa? – Perguntou zangado o homem alto ao lado da mulher.
- Você sabe quem somos e para o bem de sua família venha conosco. – Disse um dos homens apontando uma Pokébola para a criança que estava na escada. Parece que os homens haviam tocado em um
- Deixem-na em paz e eu irei com vocês – Falou o homem chamado Thorn. A mulher que estava do lado dele começou a chorar enquanto os dois homens levavam Thorn.
- Rose, faça o que combinamos – Disse Thorn enquanto era puxado para fora de sua própria casa.
Antes que alguém pudesse sequer pensar à mulher sussurrou algumas palavras e a criança caiu desmaiada no chão. A mulher olhou para mim, que até ali pensava ser invisível, e perguntou
- Viu o que aconteceu, Hope? Tomara que isso a ajude a... – Mas antes que a mulher pudesse concluir a frase o sonho acabou e eu acordei.
Levantei-me com um pulo. Ethan não estava na clareira. Sentei perto da fogueira recentemente apagada. Comecei a relembrar do sonho e a dor de cabeça que havia parado voltou mais intensa que nunca. Todo o meu corpo doía e comecei a sentir um gosto diferente nos lábios.
- Você está bem? – Perguntou Ethan guardando suas coisas na mochila.
- Sim... Apenas um pesadelo – Senti que era essa palavra que descrevia o meu “sonho”
- Se arrume rápido para podermos chegar a Cherrygrove antes do almoço.
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