Entre Dois
4 CAPÍTULO 03: PRIMEIRO ENCONTRO HORRÍVEL - PARTE 01
Puxa vida. Primeiro dia de aula: um DESASTRE. Com todas as letras.
Primeiro: o garoto que eu achei lindo zoa comigo em frente à sala inteira. Segundo: Penha. Dessa não falo nada. E terceiro: Roberto... Quer dizer, Do Contra.
Eu não sei bem, mas... Tudo bem que ele é muito gato e qualquer garota daria tudo para ficar com ele, entretanto... Nós tínhamos acabado de nos conhecer. E também, ele era meu único amigo lá – porque inimigos eu já tinha feito demais -, eu não queria perdê-lo em menos de um dia.
- Ei, cuidado ai. – uma voz que não me é estranha falou comigo. Olhei para cima vendo quem é.
- Cebola? – perguntei encarando-o.
- Como sabe meu nome? – perguntou, ainda segurando meus ombros.
- Você é popular na escola, ouvi falar de você... – falei. Não era uma mentira, eu só omiti alguns fatos.
- Você é... A baixinha que se apresentou hoje, não é?
- Mônica Bertolle. – disse com um sorriso amarelo.
- O meu é... Bem, você já sabe... – reticências. Outra coisa que eu odeio são reticências, apesar de usar muito. Isso significava que o papo acabou antes mesmo de começar.
- Mônica! Mônica! – gritou Magali correndo na nossa direção.
- Você não é aquela garota que vai sair com meu amigo? – Cebola perguntava a Magali.
- Com o Cascão? Arrã, sou sim.
- Puxa, que legal. Então vamos sair em um encontro duplo? – fez uma proposta.
- Encontro duplo? E quem disse que eu quero ir com você? – perguntei.
- Eu você vai comigo ou irá ficar sozinha.
- Tudo bem, eu vou. – respondi rapidamente. O que eu menos quero é ficar sozinha.
- Ok, te pego as sete. – disse já correndo.
...
Eu tremia, não achava uma roupa que fosse bonita. Havia mais de uma hora que eu tinha saído do banho e nada. Só de roupão.
O pior é que eu não sabia para onde íamos. E se fosse a uma festa ou na lanchonete? Que dúvida. Resolvi ligar para a Magá.
- Magali, S.O.S!
- O que houve?
- Problemas com as roupas.
- O QUÊ? Você com dúvidas no que vestir? Não me faça rir, Mô.
- Eu nem sei para onde vamos. – falei.
- É para balada, criatura.
- Balada?
- Sim, algum problema? – perguntou.
- Não, nenhuma. Já tenho a roupa perfeita. Beijão, gata. – desliguei antes de uma resposta.
Peguei um vestido que eu tinha comprado em Nova York, uma semana antes de vir para cá. Ele era muito lindo. Mais que perfeito.
Depois que o vesti, calcei um peep toe preto e coloquei minhas pulseiras douradas.
Faltava meia hora para o Cebola chegar.
Meia hora depois, lá estava o carro dele buzinando na porta da minha casa. Achei que as sete eram um pouco sedo. Talvez nós fossemos pegar mais alguém além da Magá e do amigo dele. É, talvez...
Desci correndo as escadas e avisei para minha mãe que eu já estava indo.
- Devo te esperar acordada? – perguntou rindo.
- Mãe! Eu vou lá pelas duas.
- Tudo bem. Boa festa.
- Valeu. – agradeci e sai porta a fora. Meu coração estava muito acelerado e minha respiração afobada.
- Nossa você está muito gata. – elogiou-me. Parecia surpreso.
- Você até que está bonitinho.
- Bonitinho? Fala sério. Entra ai, vai. – abriu a porta e fez um gesto para que eu entrasse.
- Vamos passar lá na casa da Magá, ela já deve estar pronta.
- Ok, vamos lá.
Chegamos à casa da Magali uns minutos depois, a casa dela agora era no fim do quarteirão.
- Magá! – gritei.
- Já estou descendo. – falou com alguém atrás dela. Era um garoto, era aquele que viria conosco. Mas, o que ele estava fazendo no quarto dela?
Minha amiga desceu junto com ele, ela estava linda. Usava uma saia cintura alta preta, um corpete rosa e um cinto marcando a cintura.
Já o coleguinha do meu acompanhante estava com uma blusa em V branca, um colete cinza por cima. Uma calça jeans, um chapéu panamá também em cinza e um all star preto.
- Vamos pessoal? – perguntei.
- Vamos. – responderam.
O caminho foi muito longo, demorou umas duas horas até chegarmos lá. Entretanto, a festa já parecia bombar do lado de fora, imagine lá dentro.
- Nomes. – falou o segurança. Alto, moreno, forte e careca. Será que a maioria dos seguranças é assim ou só é impressão minha?
- Mônica Bertolle.
- Magali Stones.
- Cebola Feller.
- Cascão Henderson.
- Estão na lista. Podem entrar. – falou nos encarando.
Nós quatro entramos, eu já podia sentir a música tomando conta de mim. Eu adorava dançar, é a minha paixão, vocês já sabem.
Fechei os olhos e comecei a seguir a música com a cabeça.
- Vou buscar umas bebidas. – Cebola falava.
- Eu... Eu não bebo. – falei. Era muito fraca para bebidas.
- Ah gata, só um drink.
- Só um. – respondi.
Comecei a dançar depois que ele foi embora, não sei por que, mas não gostava muito dele por perto. Apesar de achar ele tudo de bom... Não sei o que acontecia, minha cabeça estava em outra pessoa.
- Bertolle, o que faz aqui? – perguntou alguém chegando perto de mim.
- Roberto? – perguntei chegando um pouco mais perto também.
- Arrã. — respondeu com um sorriso. Ah, era aquele sorriso... – Você está sozinha?
- Não, eu vim com a Magá, o Cascão e... – não continuei ao não ver nem um dos dois. Até que reparei em um casal se “amassando” perto dali. Pelo visto foi bem rápido. – O Cebola também veio, foi pegar umas bebidas para nós.
- Então ele não vai se importar se eu roubar a mina dele um pouco vai?
- Eu não sei, acho que... – fui interrompida. Ele me puxou, levando-me para algum lugar. – Do Contra para onde vamos? – perguntei confusa.
- Bertolle, está é a prova de que você deve ficar comigo e não com ele. – falou e em seguida... Beijou-me. Sim, ele me beijou. Safado, mas eu gostei. Muito...
- ARGH! Largue-me. – gritei, me soltando.
- Do Contra...? – falou uma voz familiar.
- Penha, você viu aquilo? Ele estava de amasso com a metida da Mônica Bertolle. – falou Ana, apontando para mim.
- BERTOLLE! – gritou Penha. Putz, naquela hora eu não queria estar na minha pele. – Mônica Bertolle, o que está fazendo agarrada com o Roberto? – perguntou ainda gritando.
- E-eu... Eu estava... Eu estava beijando ele, algum problema? – perguntei, fazendo-me de durona.
- Problema nenhum. Só quero você fora da minha festa. – falou cruzando os braços. – E você Roberto Thompson, está muito encrencado.
- E posso saber por quê? Que eu saiba, nós não estamos juntos. – disse Do Contra.
- Mas... E aquele beijo.
- Se toca Penha, foi ano passado. Desapega querida. – falei.
- Como você sabe? – perguntou fitando-me.
- As notícias correm. – Olha se quer saber. Beijei-o sim, e se quiser beijo de novo. – continuei.
- Você não se atreveria...
- Quer ver só? – puxei-o pega gola da camisa xadrez e o beijei novamente.
- Agora você vai ser ver comigo, piruá desclassificada! – gritou avançando em cima de mim.
- Penha, pára! – segurou- a. Ana fazia um esforço para não soltá-la.
- Eu beijo quem eu quiser na hora que eu quiser. Posso beijar todos nessa festa. – disse entrando para onde estava todo mundo. Acabei trombando com alguém, caímos no chão. Eu estava em cima dele, a bebida alcoólica derramada e nossos lábios se tocando. Era o Cebola.
Notas finais
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