Entre Dois
2 CAPÍTULO 01: AINDA EM NY +
“É, aqui estou eu novamente, saindo com a minha mãe. Vamos à biblioteca de novo. Eu realmente não sei o porquê dela querer que eu lei-e livros. Será que escrever os meus não é o bastante? Para ela parece que não. Sei que não é “uma boa” escrever no carro, ainda mais em um diário por isso já vou lhe guardar. Em casa eu tenho um pouco de privacidade e consigo me expressar melhor. Adeus.”
- Mônica! Mônica! – gritava minha mãe mais uma vez.- Já estou indo, mãe. – minha animação não era lá das grandes. Por isso mesmo, um domingo ensolarado você estar indo comprar livros não coisa para uma adolescente fazer às quatro da tarde.- Vamos Mônica, sei que está ansiosa para ver a nova coleção.- Ah claro, mamãe. – disse ainda apática.Começamos a adentrar pela biblioteca. Vi uma de minhas paixões em frente aos meus olhos. O skate. Ah, eu amava andar de skate. Era uma das coisas que eu mais gostava de fazer atrás de dançar e escrever minhas histórias.Entramos em um cômodo silencioso. Sinceramente, eu não sabia como as recepcionistas não dormiam naquele lugar. Fui até uma delas e mostrei meu cartão, e então o segurança me deixou passar. Não sei por que tanta segurança, afinal, era sós livros.Depois de andar um pouco parei para me sentar, pois não havia achado nada que me interessasse ali. Levantei-me e peguei um livro da nova atualização gramatical e sai. Fui em direção a minha mãe.- Vou levar essa mesmo, mãe. – disse ao encontrá-la.- Tudo bem Mônica. Só, sente-se um pouco. — Preciso falar algo com você.- Não dá para falar quando chegar em casa? – perguntei.- Não. É muito importante.- Tudo bem. Diga o que houve.- Nós vamos nos mudar.- Como assim? Para onde?- No meu trabalho me transferiram para Los Angeles.- Pelo menos lá não vou ter que ir a nenhuma biblioteca. – cogitei.- Tudo bem para você, filha?- A... Ah, tudo ótimo. – sorri, fingindo. Não saberia me acostumar viver longe dos meus poucos amigos. Ou seja, minha única amiga.Andamos até a recepção e pagamos o livro. Minha mãe me “arrastou” até o carro e, em seguida arrancou rapidamente. No caminho inteiro fiquei pensando se em Los Angeles seria legal e se eu teria novos amigos.- Mônica! Acorda para o mundo. – meus pensamentos foram interrompidos na hora pela voz da minha querida mãe.- Calma. Só estava meio... Distraída.Saímos do carro e eu andei até a porta. Abri com as chaves que estavam no meu bolso. Não sei o porquê, mas quando entrei senti que algo estava prestes a acontecer. O telefone tocou em seguida:- Alô?- Oi amiga, é a Magali.- Oi gata. Tudo bem?- Não. Tudo indo de mal a pior.- Nossa, por quê?- Eu e o Quim terminamos. Já que por acaso ele gostava da nojenta da Cascuda.- Jura? Nem tinha percebido. – falei na cara de pau, pois isso eu já sabia há séculos.- Estou mal...- Calma Maga. A vida não é só feita de garotos.- Tem razão. - Você não pode desanimar por causa disso. Vou ai na sua casa falar com você, ok? Tenho uma notícia para te dar.- Sério? Eu também. Vem logo. Beijos.- Beijos. Já, já eu estou ai.- Está bem. Tchau.- Tchau. – desliguei o telefone e sai de casa.- Mãe, vou à casa da Maga. - Tudo bem. Só volte cedo para começarmos a fazer as malas.- Ok. Já volto. A casa da Magali era praticamente ao lado da minha, mas tinha a casa da tal de Dorinha que eu nunca falei, entre a minha e a da Magali. — Ding Dong! – toquei a campainha.- Entra Mô! – gritou.- Licença.- Para que isso, minha mãe não está em casa não, boba.- Isso se chama educação. Mas, me deixa te falar uma coisa.- Não. Deixe-me falar primeiro.- Fale então. – disse, sentando-me no sofá.- É que... Primeiro, prometa não gritar.- Prometo. – selei minha boca com a mão esquerda.- Bom, é que... Nossas mães foram transferidas para Los Angeles!- AAAAH! Pensei que fosse só a minha mãe.- Não, elas foram juntas. Não é o máximo?- Mais que o máximo. – disse felicíssima.- Porém...- O quê?- Nós vamos ter que estudar juntas. – falou mais entusiasmada do que eu.- Mas, esse porém está maravilhoso.Depois de vários gritos histéricos de nós duas, ficamos em silêncio, uma olhando para a cara da outra.- Vem cá. – disse Magali chamando-me para seu quarto.Eu fui atrás dela. Quando entrei vi milhões de malas feitas e só algumas roupas em cima da cama.- Quer a minha ajuda?- Sabe que sim. – eu sorri. Adoro dar dicas de moda.Peguei uma listrada, verde e branca. Um colete preto e uma calça jeans da mesma cor. Uma sandália alta preta maravilhosa. Dois braceletes de espinho, um branco e outro preto. E uma tiara com um laço. Quando ela vestiu a roupa... Uau, ela ficou linda. - Como estou? – perguntou, dando uma volta.- Maravilhosa. - Hawn, obrigada. Vamos para a sua casa, você ainda tem que se arrumar. Depois o motorista vem pegar nossas malas.- Vamos então. Seguimos até a minha casa. Cheguei, entrei no meu quarto, tomei um banho e me troquei. Vesti uma blusa xadrez vermelha, com um cinto marcando a cintura. Uma calça jeans preta com cós alto e um salto vermelho. Deixei meus cabelos soltos e coloquei um laço brilhante.
- Bonita. – disse Magali a me ver.- Bonita? Não tinha um adjetivo melhor? – perguntei.- Está bem. Está gostosa! Melhorou? – perguntou.- HÁHÁHÁ – ri. – Vem Maga. Ajude-me a terminar de arrumar minhas malas. Depois de uma hora de viagem, chegamos à casa de meu pai. Minha mãe desceu para ir conversar com ele. Não escutei muita coisa, pois o vidro estava fechado, só o que pude ouvir foi: “O carro não vai demorar a chegar ao aeroporto.” e nada mais. Abri a porta e corri em sua direção. Apesar de ele ser separado da minha mãe desde que eu tinha seis anos, eu ainda gostava dele. - Se precisar de alguma coisa me liga. Qualquer coisa ouviu? – disse, em meu ouvido.- Claro. Eu ligo sim.- Beijos, filha. Se cuida. E nada de arranjar namorados em Los Angeles, viu?- Tudo bem, papai. – disse vermelha de vergonha. Dei um beijo na bochecha dele e entrei no carro novamente. Algumas horas depois, chegamos ao aeroporto de New York. Já cheguei querendo ir ao banheiro para retocar a maquiagem. “Senhores passageiros do vôo 182 com destino a Los Angeles, por favor, comparecer ao portão principal, iremos decolar em dez minutos.” Ao ouvir isso, sai mais depressa possível de lá. Nós quatro, eu, minha mãe, a Magali e a Dona Lili, mãe dela entramos no avião.- Los Angeles, aí vamos nós!FIM DO CAPÍTULO 01
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